“X-Men Origens: Wolverine”

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: quinta-feira, 7 de maio de 2009

x-menApós o sucesso da trilogia “X-Men” no cinema, nada mais natural que o integrante mais popular de toda a turma ganhasse uma aventura solo na tela grande. Pois bem, em “X-Men Origens: Wolverine”, é quase isso que acontece – se o mutante com garras de adamantium é o protagonista, a profusão de outros heróis e vilões na tela é tão grande que por alguns momentos chega a ser difícil manter o foco. A proposta era simples: contar como surgiu um dos personagens mais famosos do universo das histórias em quadrinhos. Mas a impressionante bilheteria do terceiro filme da série – “X-Men – O Confronto Final” (2006), justamente o que possui a maior quantidade de seres fantásticos – influenciou decisivamente na formatação desta nova aventura. Assim, além de Wolverine, temos ao seu lado figuras fundamentais do seu passado, como Dentes de Sabre e o general William Stryker, ao mesmo tempo em que aparecem outras que até este momento não possuíam relação alguma, como os habilidosos Gambit e Ciclope! Essa aparente confusão se reflete também na própria avaliação do filme: é bom, mas poderia ter sido muito melhor.

Quem é habituado com os gibis não irá estranhar muito o que é visto em cena. O início, por exemplo, é idêntico ao que foi mostrado na série “Origens”, que relatava exatamente a primeira manifestação dos poderes do jovem James/Logan (Wolverine) – ainda adolescente, ele descobre não ser filho do próprio pai, possuir um meio-irmão (Victor Creed, o Dentes de Sabre, que possui dons similares) e ser capaz de feitos espetaculares, como auto-regeneração e projetar garras assassinas de suas mãos. Com sede por sangue, ele e o novo irmão partem para uma vida repleta de violência – como não envelhecem, acabam se envolvendo, sem maiores danos, nos maiores conflitos bélicos dos dois últimos séculos (a Guerra Civil Norteamericana, a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, Vietnã). E assim seguem até que se deparam com o militar William Stryker, que os convoca a participar de um grupo de seres igualmente poderosos. Porém, ao invés de lutarem pelo bem, acabam se envolvendo em chacinas ainda maiores, o que termina por provocar o afastamento de Logan e uma consequente briga entre ele e Victor – a partir deste momento eles estarão em lados opostos.

wolverine_destaqueLogan parte para o Canadá, se apaixona e tenta levar uma vida normal. Mas a tragédia está em seu caminho, e Stryker reaparece com um novo convite: participar de uma experiência inovadora, que só alguém como ele poderá sair vivo dela – revestir todo o seu esqueleto com adamantium, um metal ultra-resistente e praticamente indestrutível. Só que por trás de tudo isso há uma conspiração ainda maior, envolvendo a captura de outros seres mutantes e a possível extração dos poderes destes para a criação de um ser invencível, uma verdadeira máquina de guerra que estaria a serviço de Stryker. E só um homem poderá impedi-lo, mesmo que isso signifique se colocar contra o próprio irmão: Wolverine!

É fácil fazer duas listas, de prós e de contras, sobre “X-Men Origens: Wolverine”. De um lado temos Hugh Jackman, que pela quarta vez dá vida ao personagem que nasceu para interpretar – ele É Wolverine! O humor, a ferocidade, a garra, a paixão – está tudo ali, mais uma vez, de uma forma que só ele consegue fazer e como muito bem já havia demonstrado nos longas anteriores da série. Outro fator é a surpreendente revelação de Liev Schreiber (“Sob o Domínio do Mal”), que, como o antagonista Dentes de Sabre, consegue criar um contraponto perfeito ao herói, assustador e dominado pela violência, numa composição memorável. Ao mesmo tempo, outros atores, como Dominic Monaghan (“O Senhor dos Anéis” e “Lost”) e Ryan Reynolds (“Um Segredo Entre Nós”) pouco conseguem acrescentar, seja pelo escasso tempo em cena, seja pela caracterização pouco convincente. Danny Huston (“Um Louco Apaixonado”) é outro ponto forte no elenco, oferecendo um Stryker tão alucinado quanto o exibido por Brian Cox em “X-Men 2”.

wolverine_014_capaMas “X-Men Origens: Wolverine” não é só elenco – há muito mais a ser percebido. Pena que o diretor Gavin Hood – vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo sul-africano “Infância Roubada” – não possua a habilidade suficiente para dominar todos os aspectos necessários diante seres tão complexos. E como resultado temos diálogos pouco criativos e soluções previsíveis ao lado de personagens inovadores e fantásticos. E se as cenas de ação não chegam a deixar ninguém de queixo caído, por outro lado a tarefa de narrar como tudo começou é concluída de modo competente e definitivo. Wolverine está aí, sabemos do que é capaz e é possível vislumbrar de forma convincente não apenas tudo o que ele já fez no futuro (na trilogia “X-Men”) como também o que ainda fará (quem ficar até o final dos créditos poderá conferir um preview da segunda aventura solo do herói). E a avaliação não tem como ser diferente: agrada gregos e troianos, fãs e novatos, mas não chega a passar de um aperitivo, apenas uma amostra de tudo o que ainda está por vir num futuro próximo.

X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009
De Gavin Hood
Com Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Will I Am, Lynn Collins, Kevin Durand, Dominic Monaghan, Taylor Kitsch, Daniel Henney, Ryan Reynolds

(nota 7,5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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Um comentário para ““X-Men Origens: Wolverine””

  1. Ale em maio 7th, 2009 at 9:08

    Nao vou entrar muito no merito, pois tu sabes minha opiniao light sobre o filme… mas o Ryan Reynolds como Dead Pool foi pra mim a melhor parte do filme. Pena que calaram o dito muito cedo na trama… Mas nao tem problema… Fox ja esta cuidando disso pra mim!!! :)

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