“Vingança”

Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

“Vingança” faz parte de uma idéia ousada no cinema brasileiro: a realização de projetos de baixíssimo orçamento, dentro do Programa Pax/Riofilme. E a iniciativa deu resultado, ao menos por enquanto – se a trama tem seus altos e baixos, ao menos em nenhum momento denuncia a escassez de recursos. Com um custo total de R$ 80 mil, extremamente reduzido inclusive para os padrões brasileiros – há curtas que custam mais do que isso – a produção conseguiu se organizar para quase dois meses de filmagens em dois estados, no Rio Grande do Sul (onde se passa o início da história) e no Rio de Janeiro (lugar onde os personagens voltam a se encontrar, quando o enredo propriamente dito acontece). Um saudável exemplo de força de vontade, determinação e coragem.

Erom Cordeiro (“Sexo com Amor?”) é um jovem misterioso que chega à capital carioca com um objetivo em mente. Este, entretando, só é revelado ao espectador com o desenrolar da história: ele está atrás do rapaz que teria violentado a noiva dele durante um passeio pelo Sul do Brasil. Enquanto o persegue, acaba se envolvendo com a irmã do suspeito, criando uma situação bastante incômoda para si: ter que decidir entre a antiga namorada e a nova paixão, ao mesmo tempo em que prometeu ao pai da menina se vingar do mal a que ela foi submetida.

Com direção e roteiro do gaúcho Paulo Pons, em seu segundo trabalho em longa-metragem, “Vingança” foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cinema de Gramado de 2008, de onde saiu de mãos abanando. O que não aponta necessariamente para a falta de qualidades da obra, mas principalmente para a superioridade dos concorrentes. O elenco principal, que inclui ainda Branca Messina (“Não Por Acaso”), Márcio Kieling (“2 Filhos de Francisco”), Guta Stresser (“Nina”) e até a estreante no cinema Bárbara Borges. Se há algum deslize neste sentido é a – felizmente – pequena participação de José de Abreu, que exagera e erra feio no registro de um fazendeiro do interior do Rio Grande do Sul. Ele escorrega em todos os clichês imagináveis do gênero, numa composição oposta àquela mais subliminar e convincente vista no recente “Dias e Noites”.

Outro destaque do filme é a muito bem trabalhada trilha sonora, composta pelo ex-Legião Urbana Dado Villa-Lobos, que está construindo uma estruturada carreira também no cinema, em filmes como “O Homem do Ano” (2003) ou o documentário “Pro Dia Nascer Feliz” (2006), pelo qual foi inclusive premiado em Gramado. “Vingança” é uma história contada direitinha, sem grandes arroubos de criatividade, mas que envolve o espectador com competência e segurança. Não é um telefilme, uma produção amadora ou desleixada. E disfarçando bem suas carências, consegue ultrapassar os limites financeiros e entregar ao público um produto redondo, que cumpre à contento o que promete. Um início promissor, afinal.

Vingança, Brasil, 2008
De Paulo Pons
Com Erom Cordeiro, Branca Messina, Márcio Kieling, Guta Stresser, Bárbara Borges, José de Abreu

(nota 7)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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