Um quebra-cabeça de amor e ódio

Por: Juliana Campos Chaves
categorias: Colunas, Sem Claquete
Data: sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Em uma sacola plástica, guardada em uma gaveta, esconde-se um segredo em pedaços. São fotografias picotadas que reconstituem a lembrança de uma história de amor, sexo, traição e violência. Depois de clássicos como “Fale com Ela” e “Tudo Sobre Minha Mãe”, Pedro Almodóvar dirige “Abraços Partidos”, uma de suas obras menos ousadas. Porém é da sutileza dos detalhes que se encontra a intensidade deste “Los Abrazos Rotos”.

Viver uma grande paixão levou o escritor Mateo Blanco – ou Harry Caine (Lluís Homar) – à escuridão. Lena (Penélope Cruz) é a protagonista do filme de Mateo. O marido da atriz decide produzir a obra, com o único intuito de controlar todos os passos de sua mulher. Uma atitude insuficiente para impedir o encontro de dois corpos sedentos por sexo e compreensão.

Essa história é desvendada apenas quatorze anos depois, quando aparece um jovem cineasta no escritório de Mateo. Ele é filho de Ernesto Martel, mas que se apresenta com o pseudônimo Ray X (Rubén Ochandiano). Este descreve a história que pretende filmar e, de imediato, Mateo se identifica e o manda embora na mesma hora. Desconfiado, Diego (Tamar Novas) – filho ex-mulher de Mateo – começa a fazer questionamentos. E a montar um quebra-cabeça, representado pelas fotografias em pedaços. 

O filme mistura cenas bizarras com uma plasticidade única. Como em uma parte em que Lena está transando com o marido, Martel (José Luis Gómez). Eles estão enrolados em um lençol branco durante toda a transa, após o gozo, assim como uma libertação, Lena sai, aos poucos, debaixo daquele lençol. É como uma borboleta saindo do casulo e querendo voar.

Assim como os demais filmes de Almodóvar, a metalinguagem é algo presente também em “Abraços Partidos”. O diretor fala do fazer cinema – produção, roteiro, direção e edição. Alguns personagens também são recorrentes, porém, não são tão explorados se relacionados a outras produções de Almodóvar, como a prostituta e o homossexual. O cineasta, o escritor e a atriz aparecem com toda a força em “Abraços Partidos”.

Juliana Campos Chaves é estudante de Comunicação Social – habilitação jornalismo na Universidade do Vale do Rio dos Sinos/ Unisinos. Juliana é membro da linha de pesquisa “Linguagem e práticas jornalísticas” como bolsista de Iniciação Científica da professora Dra. Christa Berger. A pesquisa consta em analisar filmes realizados no Brasil sobre a Ditadura Militar. Desde 2007 produz um blog autoral sobre cinema latino-americano (http://saladecinema.wordpress.com).
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