Tons de Cinza

Por: Gabriel Rocha
categorias: Colunas, Terra Estrangeira
Data: segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Em um mundo segregado como o que vivemos, às vezes é cabível levar um soco no estômago pra nos colocar de volta em perspectiva. E, vez ou outra, nos deparamos com filmes que assim o fazem. O mais recente veio de forma inesperada com “Inglorious Basterds”, novo exemplo das habilidades de Quentin Tarantino.

O filme, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, conta a história de um bando de soldados americanos e judeus que tem como missão acabar com todos os nazistas possíveis e imagináveis. O alvo principal, obviamente, era Hitler. O elenco afiado, encabeçado por Brad Pitt e Diane Kruger, é de encher os olhos, não só pela beleza ímpar, mas principalmente pelo talento inquestionável. Porém, esse filme, diferente de muitos outros, tem humor e não se esforça pra mandar uma mensagem. Ela simplesmente atravessa a tela suavemente através das incontáveis e geniais tiradas cômicas, que fazem toda aquela tensão trágica parecer brincadeira. Aliás, esse, um dos maiores méritos de Quentin, nunca esteve melhor.

Agora, voltando aos “Bastards”, é fácil entender sua missão e sua vontade de aniquilar. É compreensível que naquele mundo e naquela época a segregação era inevitável frente aos fatos. Mas não é justificável. Aí, então, transportamos aquela ideia pro mundo de hoje e tudo se transforma em caos e inconsistência. E aí está, é exatamente esta a situação em que nos encontramos nos dias de hoje.

Por conta dos erros de uns ou outros não se pode viajar livremente, não se pode pensar livremente (apesar de nos dizerem que sim), não se pode muitas vezes nem cruzar de uma quadra até a outra sem ter que mostrar documentos ou passes VIP. É, tristemente vivemos em um mundo onde é preciso pertencer aos grupos certos, ter um passe especial pra poder circular por aí. Graças a Deus não vivo em lugares de conflito, mas estes, com certeza, não se encontram nem um pouco contentes com o rumo das coisas. E isso porque esse é um setor que não requer passe especial, todos são jogados numa panela e colocados em guerra.

É isso aí amigos, esse é o nosso mundo, tudo se divide e se separa quando é conveniente. Pode-se matar e torturar quando é conveniente, dependendo do ponto de vista. Afinal, o mundo não é feito de preto e branco, e sim de tons de cinza. É assim que eles dizem, não é?

Gabriel Rocha gaucho em sua origem mas radicado pelo mundo, morou seis anos em Sao Paulo onde trabalhou nas duas agencias de modelo mais importantes do Mercado: Ford e Marilyn. Abriu seu escritorio de assessoria de Imprensa e agenciamento, a Creative Agents, circulou por Hollywood e hoje em dia esta com residencia fixa em Nova York, onde trabalha para a Elite. Gabriel teve artigos publicados em revistas como Rolling Stone, Emporio, Bob Store e Spezzato; tambem mantem o blog Life Inc. onde escreve basicamente sobre cinema, mas eventualmente tambem tem outros devaneios sobre a vida.
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