Tom & Vinícius – O Musical
Por: Fábio Morales
categorias: Cultura Pop, Por Trás do Pano, Teatro
Data: sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Dois mil e oito foi o ano de comemoração dos cinqüenta anos do surgimento da Bossa Nova. Exposições, shows e cinema deram suas colaborações à data. E no teatro o que se viu foi o musical “Tom & Vinícius”, que mostra no palco a história da primeira década da parceria entre Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes. A peça inicia com o surgimento da dupla, quando, em 1955, criaram o clássico “Orfeu da Conceição”, e vai até o famoso concerto no Carnegie Hall, em Nova York.
Como não poderia deixar de ser, o musical desfila as mais famosas canções do gênero, criando uma identificação imediata com o espectador. Uma banda com seis músicos e quatorze atores entoam clássicos como “Chega de Saudade”, “Garota de Ipanema”, “Wave” e tantas outras. Na verdade, o espetáculo está mais para show do que peça. O escasso texto é baseado em depoimentos dos próprios músicos e de fatos de amplo conhecimento. Coube à dupla Daniela Pereira de Carvalho e Eucanaã Ferraz essa difícil tarefa de garimpar entre tantos fatos e histórias um fio condutor para a trama. Dentre os vários fatos aparecem os ensaios da peça “Orfeu da Conceição”, o estouro internacional do ritmo e o apadrinhamento da diva Elizeth Cardoso. Há muita música e pouco papo. Destaque também para cena final, em que em uma mesa de bar, durante uma deliciosa conversa, a dupla antecipa o que viria ser a vida de cada um dali em diante e até o fim.
Na linha de frente do projeto estão os atores Marcelo Serrado (também idealizador) e Thelmo Fernandes, este intérprete de Vinícius, que por seu jeito despojado, boêmio e extremamente sedutor arranca risos da platéia e personifica bem o mito. Serrado, que nos últimos anos tem nos surpreendido com excelentes escolhas, faz um bom trabalho de composição, fazendo-nos lembrar bem a figura de Tom, em gestos e no modo de falar, e mesmo com uma voz não tão potente consegue cantar com suavidade e também encantar a platéia com o jeito tímido do mestre. Vale destacar o empenho do ator para viver a personagem, bem exemplificada na cena do concerto em Nova York. Ainda no elenco, a elegante Guilhermina Guinle faz duas das esposas do poetinha, e mesmo numa participação mínima aparece por sua bela figura. Além desse trio há mais onze atores, na maioria conhecidos de outros musicais, que cantam com belas vozes todo o repertório, com destaque para Carol Bezerra, Lilian Valeska e Luiz Nicolau. Um cenário simples com telão ao fundo e um belo figurino completam a boa vista do todo.
Com direção de Daniel Herz, “Tom & Vinícius” foi feito para agradar a legião de fãs da Bossa Nova, repleto de saudosismos e um quê de coisa requentada. Quem entra para ver o espetáculo é porque gosta das canções e/ou da dupla que levou o nome da Música Brasileira para fora do país. O povo canta junto, aplaude com vontade e relembra um tempo com valores bem diferentes dos de hoje. E, ao final todos cantam em pé e felizes, como em um verdadeiro espetáculo.
Tom & Vinícius –O Musical
Cotação: Regular
Em Cartaz: Teatro Oi Casa Grande/Rio de Janeiro





Querido,
Obrigada por sua crítica elegante e construtiva. E obrigada pelo “destaque”. Um grande abraço. Carol Bezerra.