“This Is It”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: sexta-feira, 27 de novembro de 2009
“Michael Jackson teve que morrer para provar que estava vivo”. Esta frase, repetida insistentemente pela imprensa por ocasião do lançamento do documentário musical “This Is It”, não poderia ser mais verdadeira. Se até o falecimento abrupto do astro tínhamos dele uma imagem – fomentada na última década – bizarra e cheia de contradições, agora temos a oportunidade conhecer um gênio absoluto, um artista no conceito mais abrangente possível, que tinha pleno domínio de sua arte e potencial. Infelizmente, no entanto, este convite nos foi feito tarde demais.
“This Is It” é o nome daquela que seria a derradeira turnê de Michael Jackson. Composta por uma série de 50 shows que aconteceriam em Londres, foi cancelada pela morte do cantor dias antes da estreia. E é este também o nome do filme que foi feito a partir dos registros dos bastidores deste espetáculo, com ensaios, performances exclusivas para plateias mínimas (os dançarinos, equipe técnica, o diretor Kenny Ortega, o mesmo da trilogia “High School Musical”), detalhes dos efeitos visuais e projeções em vídeo que aconteceriam durante cada apresentação. E a conclusão é unânime: seria este o maior show da Terra. Sem sombra de dúvida. Pena que nunca chegou a acontecer.
Michael Jackson era estranho. No começo do filme, só o vemos de óculos escuros – e isso em ambientes fechados o
tempo todo – o que nos levanta a dúvida se estamos diante do próprio ou de um dublê de corpo. Mas isso tudo faz parte da mítica do personagem, sua timidez conhecida, seu jeito acanhado e desajeitado. Mas assim que os holofotes se acendem, que os primeiros acordes de temas mundialmente conhecidos, como “Billie Jean”, “Thriller“, “Smooth Criminal“, “Black or White“, “Beat It” e “Man in the Mirror”, começam a tocar, o contágio é inevitável em ambos os lados da tela. E Michael se revela por inteiro, como o artista completa que era e que, lamentavelmente, perdemos não em 2009, mas há muitos anos atrás, quando paramos de contemplar sua fascinante criatividade para nos focarmos em escândalos, boatos, intrigas familiares e outros futilidades. Quem perdeu fomos todos nós.
É inevitável a comparação de “This Is It” com outros filmes do gênero, como o recente “U2 3D” ou o divertido “Na Cama com Madonna”, entre tantos outros. E é também impossível não vermos o novo filme tendo em mente que este foi o canto final de uma das maiores estrelas da nossa geração. Assim, fica complicado conter a emoção e não se render ao talento e a supremacia de Jackson, que desde criança encantou milhares de fãs em todos os continentes. Não é um show, nem um olhar indiscreto sobre sua vida pessoal. O que temos aqui é um adeus, uma amostra do que talvez tenhamos esquecido, mas que marcou inegavelmente a cultura pop da humanidade.
Michael Jackson’s This Is It, EUA, 2009
De Kenny Ortega
Com Michael Jackson
(nota 8)






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