sábado, novembro 15th, 2008
Todo mundo já comentou a respeito das diversas transformações de Madonna. E onde ela mais mudou visualmente foi no cinema, o veículo que melhor registrou estes altos e baixos. É por isso, então, que organizei um Top 10 com os melhores momentos dela na tela grande durante estes vinte e cinco anos de carreira. Aproveito também para gerar um aquecimento, já que estamos nas vésperas das históricas apresentações dela, no Rio de Janeiro e em São Paulo, no final deste ano! E enquanto não a vemos ao vivo, que tal desvendar um pouco melhor esta faceta cinematográfica?
10. “Sobrou Pra Você” (The Next Best Thing, 2000)
Tinha tudo para dar certo: um diretor vencedor do Oscar (John Schlesinger, de “Perdidos na Noite”, 1969), o melhor amigo como co-protagonista (Rupert Everett, vindo do sucesso de “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, 1997) e uma temática super atual, os novos relacionamentos que surgem das aproximações entre heteros e homossexuais. Mas o resultado foi constrangedor para todos, desde os fãs mais ardorosos até os meros curiosos. Salva-se a primeira metade do filme, com momento bem divertidos e mais leves, e as duas canções que Madonna gravou para a trilha sonora: “American Pie”, de Don McLean (ele chegou a afirmar na época que “já recebi em minha carreira muitos presentes dos deuses, mas este é o primeiro que ganho de uma deusa!”) e “Time Stood Still”.
09. “Destino Insólito” (Swept Away, 2002)
A terceira parceria entre Madonna e o seu atual ex-marido, o diretor Guy Ritchie (antes eles haviam trabalhado juntos no videoclipe da canção “What it Feels Like for a Girl” e no curta para a BMW “Star”, ambos em 2001), teve os resultados mais controversos também. Tremendo fracasso de bilheteria, custou US$ 10 milhões e não ficou em cartaz nos Estados Unidos nem um mês inteiro, com uma arrecadação de pouco mais de meio milhão de dólares. Conseqüência direta é que foi lançado no resto do mundo diretamente em DVD. Outras conquistas foram as 5 Framboesas recebidas: Pior Filme, Pior Refilmagem, Pior Diretor, Pior Atriz e Pior Dupla (Madonna e Adriano Giannini). Mas, apesar de tudo isso, gosto do longa, e acho Madonna perfeita como uma ricaça mimada que acaba numa ilha perdida ao lado de um dos ajudantes do navio. Diversão despreocupada, apesar de nos remeter mais à persona dela do que a um personagem original.
08. “Olhos de Serpente” (Snake Eyes / Dangerous Game, 1993)
Típico projeto que só virou realidade porque Madonna acreditou, em algum momento, que poderia ser um desafio estimulante e que iria ajudá-la no caminho de se tornar uma atriz mais completa. E até está bem convincente como uma atriz problemática num set de filmagens bastante conturbado. O grande problema é que praticamente ninguém viu o filme. Mas a oportunidade de ser dirigida por Abel Ferrara e contracenar com Harvey Keitel deve ter tido seu significado. E apesar do resulutado ser um tanto irregular, é, sem sombra de dúvidas, uma das atuações mais esforçadas de toda a carreira dela.
07. “Corpo em Evidência” (Body of Evidence, 1993)
“Corpo em Evidência” fez parte do pacote: “vou chocar o mundo”, ao lado do disco “Erotica” e do livro de fotos “Sex”. É, no entanto, a parte mais fraca do trio. A direção do alemão Uli Edel é péssima, o argumento do enredo é risível (mulher é suspeita de ter assassinado o amante mais velho ao transar com ele) e nem nomes como Willem Dafoe e Julianne Moore escapam de maiores embaraços. Mas Madonna está ótima, com diálogos antológicos (“Mas não somos animais! Sim, nós somos!”), muita nudez e provocação. Imperdível.
06. “Quem é esta Garota?” (Who’s that Girl?, 1987)
Outro filme essencial no histórico dela. É uma comédia bobinha, cujo maior erro é ser um remake de um filme de Katherine Hepburn (“Levada da Breca”, de 1938). Como as expectativas eram muito altas, as cobranças estavam nas mesmas alturas. Mas ela está muito à vontade em cena, e o projeto rendeu ainda uma turnê de mesmo nome e quatro canções ótimas, com destaque para a agitada “Causing a Commotion” e para a que deu título ao filme, que chegou a ser indicada ao Globo de Ouro.
05. “Procura-se Susan Desesperadamente” (Desperately Seeking Susan, 1985)
O primeiro grande papel de Madonna no cinema é também até hoje uma das suas aparições mais marcantes na tela grande. Antes disso, havia feito apenas uma pequena participação no romântico “Em Busca da Vitória”, como uma cantora de bar, e no independente “Um Certo Sacrifício”, feito antes da fama. Aqui, por outro lado, ela é a estrela absoluta, roubando toda a atenção da protagonista Rosanna Arquette. Claro que colaborou muito o fato da Madonna de 1985 e da Susan deste filme serem praticamente a mesma pessoa, provocando apenas a primeira das tantas confusões entre intérprete e personagem que virou rotina no currículo da estrela. E a canção-tema “Into the Groove” é um dos maiores clássicos dos anos 80!
04. “Uma Equipe Muito Especial” (A League of Their Own, 1992)
Este é simplesmente o maior sucesso comercial de toda a carreira cinematográfica de Madonna – isso se deixarmos de fora “007 – Um Novo Dia Para Morrer” (2002), em que ela fez apenas uma participação especial. Foram mais de US$ 107 milhões de dólares arrecadados somente nas bilheterias norte-americanas! Claro que ajudou o fato dela ser somente uma coadjuvante, e dos protagonistas serem Tom Hanks e Geena Davis (em alta na época, logo após “Thelma & Louise”). E a história do time feminino de baseball é comovente e divertida na medida certa, atingindo todo tipo de espectador. De quebra, mais um sucesso na trilha sonora: a balada “This Used to be my Playground”!
03. “Dick Tracy” (Dick Tracy, 1990)
Chegamos aos três melhores momentos de Madonna na tela grande. E começamos a escalada com muito brilho: “Dick Tracy” conquistou o Oscar de Melhor Canção, por “Sooner or Later”, interpretada por Madonna e escrita por Stephen Sondheim. A história de amor entre Breathless Mahoney, uma cantora de cabaré, e o herói-título, interpretado por Warren Beatty, saiu da ficção e invadiu a vida real, pontuando mais um momento de grande popularidade da estrela. Aclamada pelo público, pela crítica e apaixonada. Que mais ela poderia querer?
02. “Na Cama Com Madonna” (Truth or Dare: In Bed With Madonna, 1991)
Sim, ela queria mais. Ela queria o mundo! E foi isso que conquistou logo em seguida, com o controverso “Na Cama com Madonna”, longa semi-autobiográfico feito durante a turnê “Blond Ambition”, que reunia os maiores sucessos dela na época. Polêmica, muito estilo, espetáculos grandiosos, convidados especiais – quem esquece como ela tratou Kevin Costner e Pedro Almodovar? – e muita música fez desse um dos mais bem sucedidos documentários musicais de toda a história. E o memorável lançamento do filme no Festival de Cannes daquele ano já anunciava: ela não estava para brincadeira!
01. “Evita” (Evita, 1996)
E Madonna finalmente chegou ao seu máximo. O sonho de viver a mítica primeira-dama argentina na ópera-rock de Andrew Lloyd Webber a acompanhava há anos, e para conseguir este papel teve que superar uma concorrência fortíssima, batendo nomes como Meryl Streep e Michelle Pfeiffer. E como valeu a pena! Madonna é Evita! Sua performance – tanto interpretando quanto cantando – é intocável, e até o crítico mais ferrenho é forçado a admitir que não havia escolha mais apropriada. Com direção de Alan Parker e aparecendo ao lado do galã Antonio Banderas, ela não poderia estar mais à vontade. Mais um Oscar na estante – pela canção “You Must Love Me” – e os maiores reconhecimentos da carreira dela enquanto intérprete: os Globos de Ouro de Melhor Atriz e de Melhor Filme, ambos na categoria Musical ou Comédia! Parabéns!
Então, aposto que você nem imaginava que o impacto de Madonna na sétima arte era tão forte assim. E isso que deixamos de fora outros títulos importantes, como “Surpresa de Sanghai” (1986), em que apareceu ao lado do então marido, o Oscarizado Sean Penn, “Neblina e Sombras” (1992), com direção de Woody Allen, “Sem Fôlego” (1995), de Wayne Wang, “Grande Hotel” (1995), trabalho coletivo que a aproximou de nomes como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, “Garota 6″ (1996), de Spike Lee, e a animação “Arthur e os Minimoys” (2006), de Luc Besson, em que dá a voz da Princesa Selenia. Grandes parcerias, desempenhos diversificados e muito empenho – assim como no mundo da música, Madonna sempre se esforçou ao máximo para obter um justo reconhecimento da tela grande. Quem sabe agora, que estreou como diretora em “Filth and Wisdom” (2008), não consiga? E se você acha que depois disso já sabe tudo sobre Madonna na tela grande, me diga: a imagem que abre este artigo é de qual filme?
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terça-feira, novembro 11th, 2008
Há muito tempo Woody Allen não conseguia me fazer rir de verdade como em “Vicky Cristina Barcelona”. Em primeiro lugar, porque seus últimos filmes foram dramas – “Match Point” (2005) e “O Sonho de Cassandra” (2007) – com pouquíssimos toques cômicos. Ok, ignore “Scoop – O Grande Furo” (2006), que era um besteirol divertido, mas com situações tão absurdas que o máximo que se conseguia fazer era tirar um sorriso amarelo. A última película realmente engraçada do diretor mais neurótico do cinema havia sido “Desconstruindo Harry” (1997). Ou seja, há mais de dez anos. Mas agora ele conseguiu o feito, após este hiato em jejum.
Talvez o fato do também roteirista não atuar seja um forte indício. Convenhamos que ele pode ser ótimo, mas a figura em si do baixinho neurótico que conseguia transar com todas as beldades nos filmes já havia enchido o saco há muito tempo. No novo longa, ambientado, obviamente, na Espanha, a figura neurótica é substituída por Vicky (Rebecca Hall, ótima revelação), que viaja ao lado da amiga Cristina (Scarlet Johansson, um tanto quanto eclipsada) para passar um período de férias na Espanha. As duas se envolvem com o sedutor Juan Antonio (Javier Bardem, excelente como sempre). Enquanto Vicky, de casamento marcado com um sem graça empresário norte-americano, tem uma noite com o pintor e vive uma paixão secreta por ele, Cristina se entrega totalmente e vai morar com Juan.
Eis que surge o melhor do filme. Quando a relação parece estar engrenando, a ex-mulher do pintor, Maria Elena, reaparece. Apaixonada, possessiva e louca de atar em poste, a personagem interpretada magistralmente por Penélope Cruz é o fio condutor para a mudança de linha no filme. De simples romance para uma tragicomédia, com direito ao tão falado (mas nem tão polêmico assim) beijo a três, mas especialmente, por intensos bate-bocas intercalados entre os dois idiomas.
Woody Allen parece que finalmente consegue reatar com o gênero que o lançou para o estrelato, justamente por retomar as origens, fazendo situações cotidianas e extremamente comuns na vida de qualquer pessoa se tornarem a coisa mais engraçada do mundo. É impagável ver Juan Antonio falando a todo momento “fale inglês, Maria”, num misto de admiração e desprezo pela ex.
Por outro lado, creio que já é hora do roteirista buscar outra “nova musa” para ele. Scarlet Johansson já perdeu a graça em seus filmes. Não só por culpa dela, mas também pelo próprio diretor, que parece dar a ela sempre o mesmo papel de garota confusa e apaixonada. Nesse sentido, a então desconhecida Rebecca Hall emplaca uma presença muito mais destacada na telona. Será que ela vai ser a protagonista de algum de seus próximos filmes? Não duvido.
Nota: 8.5
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sexta-feira, setembro 26th, 2008
Woody Allen acertou na mosca. Que experiência excelente foi assistir a esse seu novo longa! “Vicky Cristina Barcelona” é um trabalho inteligente, poderoso e delicado, que aborda a vida de uma perspectiva bem européia. Diferente da visão americana sempre tão presente nos filmes de Woody, particularmente um dos meus diretores favoritos. Dessa vez a presença de Woody Allen “ator” realmente não se faz necessária. Esse é um filme sob medida para seus protagonistas, os lindos e talentosíssimos Penélope Cruz, um furacão como sempre, Scarlet Johansson, que nos ataca com sua ingenuidade sensual, Javier Bardem, que como sempre dispensa comentários, e a novata e surpreendente Rebecca Hall, que interpreta a tal Vicky do título.
Ultimamente tenho percebido algumas coisas sobre o cinema americano. Uma delas é a “maquiagem” que eles dão nas cidades ao redor do mundo. Aqui no Brasil as pessoas têm o costume de reclamar do cinema brasileiro por mostrar somente as coisas “feias” do país, mas a verdade é que a nossa produção não mostra o que é ruim, pois ali está o retrato da realidade brasileira. Afinal, aquela é a maior parte da população do Brasil hoje em dia, uma vez que os habitantes da parte “bonita” são uma massiva minoria.
Assim como o cinema brasileiro, o europeu também não tem vergonha de mostrar as coisas como elas realmente são. A diferença é que a Europa tem, de fato, a maioria de sua população em condições de vida muito melhores que a do nosso país. Há uma homogeneidade que não se faz presente no nosso amado Brasil, e por isso nos filmes europeus percebemos uma beleza estética muito mais presente – sim, os lugares são realmente belíssimos. Nos filmes americanos, no entanto, há uma constante busca para melhorar o cenário, pois lá, nos Estados Unidos, eles estão cercados de lugares tão “feios” quanto o Brasil. São poucos os filmes americanos que nos mostram a cidade como ela realmente é. Hoje em dia e a cada ano que passa somos mais e mais jogados pra dentro das periferias americanas, e descobrimos que eles tem tantos problemas quanto todos nós. E é claro que isso os incomoda, assim como perturba os brasileiros. Talvez seja por isso eles se interessem pela nossa pobreza, pois o que temos aqui está muito longe, geograficamente, deles. É mais fácil ver o problema do vizinho do que admitir o seu, não é mesmo?
Filmes históricos como “Amor, Sublime Amor” e “Gangues de Nova Iorque” nos jogam pros subúrbios nova iorquinos no início do século passado. Ou mais recentemente, o elogiado “Medo da Verdade”, que nos coloca nos lugares mais sujos e feios de Boston. Estes são exceções, porém parte da realidade americana, tão díspar quanto a nossa, brasileira.
Bem, voltando ao meu objetivo, o que quero dizer é que nessa bela técnica de maquiar os lugares do mundo para que pareçam mais atrativos ao público, está mais presente do que nunca em “Vicky Cristina Barcelona”! A história gira em torno de Vicky e Cristina (personagem de Scarlett), duas jovens mulheres americanas que decidem partir pra Espanha nas férias de verão; Vicky para estudar a cultura catalã e Cristina para espairecer e quem sabe encontrar alguma satisfação sexual do “caliente” homem espanhol. Bem, nesse clima, ambas passam a desvendar Barcelona e seus arredores e cantos secretos, que aqui nesse filme são muito, muito mais bonitos do que a vida real. Não me entendam mal, Barcelona é uma cidade belíssima. Mas sob o olhar de Allen vemos só o que há de mais bonito, e em ângulos e takes que favorecem o pouco de belo que a cidade tem. Não há turistas (presença constante em todos os dias do ano) e depredações; o fato é que Barcelona é uma cidade grande como São Paulo, poluída, suja e fedida, mas que em contrapartida tem um clima maravilhoso, gente linda por todos os lados, praias maravilhosas e bairros afastados com lugares deslumbrantes. Porém a cidade, mesmo, não tem nada de extraordinário. E Woody nos joga no clima dela, como “Albergue Espanhol” também fez, colocando-nos nas exatas sensações que se tem quando se está passeando por lá. Esse é o grande mote do filme, pois passamos a sentir o mesmo que as personagens estariam supostamente sentindo. Essa é a genialidade de Woody Allen!
De volta ao filme: nossas protagonistas encontram por acaso Juan Antonio (Bardem), um maduro e extremamente sedutor pintor espanhol que as leva para Olviedo num final de semana e acaba deixando ambas desorientadas! É aqui que os problemas apenas começam. Cristina embarca em um relacionamento com Juan, se muda pra sua casa, e enquanto isso Vicky prepara pra se casar com o noivo americano que está indo até Barcelona pra encontrá-la. No meio disso tudo, surge a desequilibrada e deslumbrante Maria Elena (Cruz), ex-mulher de Juan, que é acolhida de volta por ele em sua casa após uma tentativa de suicídio e acaba invadindo o relacionamento dele com Cristina.
Pronto, a neurose característica de Woody Allen surge atingindo todo seu potencial e o filme vai ficando cada vez mais delicioso. Música, fotografia, locação, direção, roteiro e elenco, tudo aqui funciona em perfeita sintonia e prova que Woody está melhor do que nunca. Quebrando seus próprios tabus ele foi capaz de crescer ainda mais. Se antes havia uma parcela do público que não suportava sua obra, agora não há mais escapatória. Desde “Match Point” Woody arrebanhou os cinéfilos que faltavam e deu seu golpe de mestre. Assista a “Vicky Cristina Barcelona” tantas vezes quanto puder. A intensidade é bombástica!
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sexta-feira, agosto 8th, 2008
É triste, muito triste, ver uma atriz como Diane Keaton, uma das maiores estrelas do cinema hollywoodiano entre os anos 70 e 80, marcando presença em produções patéticas como este “Casamento de Dose Dupla”. Premiada com o Oscar por “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), musa de Woody Allen em mais de 6 produções do cultuado diretor e principal nome feminino de uma das maiores sagas do cinema moderno – “O Poderoso Chefão” (1972, 74 e 90) – chega a ser um absurdo vê-la desperdiçando tanto talento em obras descartáveis como esta. E o pior é que, desde o sucesso de “Alguém tem que Ceder” (2003), ela parece ter se convencido de que é uma boa comediante: só que o problema não é sua performance, mas sim o péssimo material com o qual tem se envolvido desde então.
Assim como nos deploráveis “Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro” (2008) e “Minha Mãe Quer Que Eu Case” (2007), em “Casamento em Dose Dupla” Keaton explora sua veia histriônica num personagem completamente inverossímil: a dona de casa sem problemas que passa a vê-los em qualquer lugar, arrumando incomodação para toda a família. Desta vez ela cisma que o marido esta lhe traindo e decide se mudar para o quarto de hóspedes do filho, complicando ainda mais a vida deste, preocupado entre o emprego que acabou de perder e os desejos da mulher decidida a engravidar. Mãe e filho acabam indo trabalhar juntos numa loja de tapetes, e a convivência forçada não será de modo algum positiva para os dois. Após mais algumas confusões, é óbvio que no final tudo se arranja – mesmo que, ao menos, não da forma mais previsível possível.
Talvez o maior engano de “Casamento em Dose Dupla” não seja mesmo Keaton, e sim os demais créditos da produção. A questão é saber se o erro está na mão frouxa do diretor Vince Di Meglio (cujo trabalho mais marcante até então foi o roteiro do péssimo “Licença para Casar”, de 2007 e com Robin Williams) ou na escolha do protagonista, o apagado e sem o menor carisma Dax Shepard (que interpretou um astronauta em “Zathura”, de 2005). Ele não funciona em nenhum âmbito, seja como vítima, líder ou herói, e também carece de química ao lado de suas parceiras – Diane ou Liv Tyler (que desde “O Senhor dos Anéis” nunca mais soube reencontrar o tom de voz correto, sempre com uma postura etérea e pálida). Se há algo que se salva é a pequena participação de Mike White (roteirista de “Escola do Rock”, entre outros) como ator, conferindo um pouco de graça a algo tão pouco estimulante.
“Casamento em Dose Dupla” é tão desprovido de méritos que fica até fácil demais apontar suas falhas. Retumbante fracasso de público e crítica nos Estados Unidos (onde foi lançado diretamente em DVD, sem passar pelos cinemas), é uma produção que só receberá alguma atenção daqueles espectadores ocasionais que não conseguiram entrar nas salas lotadas de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” ou “Kung Fu Panda”. E mesmo estes logo chegarão a conclusão que deveriam ter esperado um pouco mais e evitado tal constrangimento.
Smother, EUA, 2007
De Vince Di Meglio
Com Dax Shepard, Diane Keaton, Liv Tyler, Mike White
(nota 2)
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