segunda-feira, novembro 2nd, 2009
Eleito para ser o representante brasileiro na disputa por uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, “Salve Geral” só nos dá uma certeza: a de que estamos fora do páreo (mais…)
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sábado, novembro 22nd, 2008
“Última Parada 174” está longe de ser um filme ruim. O problema é que não está perto, também, de ser bom. Ou seja, é um trabalho medíocre, que fica no meio do caminho, frustrando expectativas e idealizações. Inspirado na história real do seqüestro ao ônibus 174 no Rio de Janeiro – trama que já tinha rendido um excelente documentário, “Ônibus 174”, de José Padilha, o mesmo diretor de “Tropa de Elite” – o filme ficcional ganha um verniz melodramático que, na tentativa de procurar uma identificação com o público, termina por afastá-lo ainda mais por despertar sentimentos contrários. “Última Parada 174” é um filme covarde, e esta é a pior avaliação que uma obra artística pode receber.
A família Barreto – os produtores Luiz Carlos e Lucy e os filhos deles, os diretores Fábio e Bruno – já foram considerados “reis” do Cinema Nacional. São responsáveis por obras emblemáticas da nossa cinematografia, como “Vidas Secas” (1963), “Terra em Transe” (1967), “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), “Bye Bye Brasil” (1979), “Memórias do Cárcere” (1984), “O Quatrilho” (1995) e “O Que é isso, Companheiro?” (1997), entre tantos outros. Só que eles ficaram perdidos no tempo, não souberam se adaptar. E enquanto surgiam novos talentos, como Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”, 2002), Walter Salles (“Central do Brasil”, 1998) e o próprio Padilha, os Barreto passaram a assinar longas terríveis, como “Bela Donna” (1998), “A Paixão de Jacobina” (2002) e “O Homem que Desafiou o Diabo” (2007), por exemplo. E este “Última Parada 174” é uma tentativa desesperada de atualização, porém sem se desligar de antigas manias.
Se não, vejamos. O roteirista chamado é o premiado Bráulio Mantovani, o mesmo dos já citados “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”. E assim como ocorreu nestes filmes, a maioria do elenco é não-profissional, recrutado e treinado nas próprias comunidades carentes onde a ação se passa. Como produtor está Daniel Filho, que levou às telas praticamente todos os grandes lançamentos nacionais recentes (de “Era Uma Vez” a “Chega de Saudade”, de “O Ano em que meus pais saíram de Férias” a “Zuzu Angel”, de “2 Filhos de Francisco” a “Casa de Areia”, de “Cazuza – O Tempo Não Pára” a “Carandiru”… ufa!). Ou seja, tinha tudo para dar certo. Só que não deu.
Quem for ao cinema para assistir a “Última Parada 174” estará atrás de que? Do que aconteceu naquele ônibus, de quem eram as pessoas envolvidas e dos por quês por trás daquilo tudo. Bem, isso é justamente o que o filme não trás. Bruno e Bráulio preferiram se concentrar na triste história do protagonista da tragédia, o garoto Sandro do Nascimento (Michel Gomes), menino de rua órfão e de temperamento instável que é levado a um ato de loucura após repetidos abalos emocionais. A trajetória dele, aqui na ficção, é confundida com a de outro rapaz, de nome similar – Alessandro (Marcello Melo Jr.), mas conhecido como “Alê Monstro” – que é separado da figura materna ainda bebê e cresce com a pior das influências, já que foi criado pelo dono do tráfico no morro. Paralelo a tudo isso há ainda a mãe (Cris Vianna) deste, que passa a vida atrás do filho, e termina confundindo um pelo outro, e acolhendo Sandro – quando, na verdade, estava atrás era de Monstro.
Ou seja, uma história que poderia ter como cenário um contexto social muito mais forte e relevante acaba se contentando com a simples denúncia, com reviravoltas de novela e desencontros de folhetim. Os clichês transbordam, e quando finalmente chegamos ao que interessa – o ônibus, que surge após quase 2 horas de projeção – tudo passa tão rápido e anti-climático que não acreditamos que possa ter recebido um tratamento tão banal. Falta de tato do roteirista, em explorar melhor uma situação que merecia um olhar mais aprofundado, mas principalmente erro do diretor, que não soube dedicar a importância que o momento merecia dentro do seu longa.
Escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2009 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, “Última Parada 174” foi selecionado para o Festival de Toronto e exibido na sessão de abertura do Festival do Rio. Feitos alcançados muito mais pela ainda força que os Barreto possuem no meio do que pelos méritos da obra em si. Este episódio é um belo reflexo do caso social e urbano em que vivemos, mas resultou na tela em algo óbvio, cansativo e redundante. Melhor para todos se tivesse ficado apenas no documentário.
Última Parada 174, Brasil, 2008
De Bruno Barreto
Com Michel Gomes, Marcello Melo Jr., Gabriela Luiz, Cris Vianna, Anna Cotrim, Tay Lopes, Douglas Silva, André Ramiro
(nota 5)
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segunda-feira, setembro 8th, 2008
Apesar do Brasil ser “o país do futebol”, não sabemos aproveitar este “talento” nas telas de cinema. Foram poucas as produções que exploraram este universo, e as que se aventuraram tiveram resultados pouco significativos. “Show de Bola”, co-produção entre Brasil e Alemanha, é mais um exemplo destes que “quase chegam lá”, mas acabam ficando pelo caminho. O filme é legal, tem personagens fortes e um enredo bem amarrado. Mas não consegue fugir dos clichês mais óbvios, nem os intrínsecos ao gênero esportivo, muito menos aos que dizem respeito ao cenário em que a ação transcorre: as favelas do Rio de Janeiro.
Filmado em 2005, dirigido pelo alemão Alexander Pickl – estreando enquanto realizador – e contando com equipe técnica quase 100% estrangeira, tem sua marca verde e amarela no elenco, totalmente nacional, e no roteirista Renê Belmonte, o mesmo das comédias “Sexo, Amor & Traição” (2004) e “Se Eu Fosse Você” (2006). Isso, claro, sem falar das imagens que conferimos, todas captadas na capital carioca. Pois é lá onde estão os protagonistas desta trama que, em sua ambientação, lembra muito outros sucessos recentes, como “Cidade dos Homens” (2007), “Tropa de Elite” (2007) e o próprio “Cidade de Deus” (2002), claro. Jovens em condições sociais muito desfavorecidas buscando através da contravenção e/ou do esporte meios de melhorar de vida. E, é claro, este processo não será fácil nem livre de tragédias.
Tiago (Thiago Martins, que recentemente fez uma composição muito parecida no ainda inédito “Era Uma Vez”) é um rapaz que vive com o irmão mais velho e a mãe doente. Seu sonho é ser selecionado por um grande time de futebol, chamar atenção e acabar jogando na Europa. Mas para isso ele terá que enfrentar o gênio difícil do melhor amigo (Luís Otávio Fernandes, de “Bendito Fruto”), que acabará lhe levando a tomar más decisões, as intromissões do maior bandido do morro (Lui Mendes, de “A Partilha”), e a paixão que desenvolve pela irmã deste, além dos problemas em casa: desentendimentos com o irmão, insatisfação com a condição materna e a falta de dinheiro.
Thiago, revelado em “Cidade de Deus”, é um ator bastante promissor. Ele carrega com muito empenho a condição de principal condutor desta história que, se não é novidade para nós, brasileiros, talvez tenha mais apelo no exterior. O título “Show de Bola” tanto pode ser entendido como algo que dá muito certo – e, neste caso, a denominação abusaria da ironia – ou faria referência ao talento do rapaz. Infelizmente, no entanto, não faz jus à obra em si, que está longe de merecer tantos aplausos. Uma edição muito picotada, uma trilha sonora óbvia e uma fotografia mesmerizada contribuem para o fraco impacto provocado. E se o objetivo é provocar tanto entusiasmo quanto o que os brasileiros estão acostumados a vivenciar nos estádios de futebol, é sinal que falta muito a ser feito ainda.
Show de Bola, Brasil/Alemanha, 2008
De Alexander Pickl
Com Thiago Martins, Lui Mendes, Luís Otávio Fernandes, Naima Santos, Sandra Pêra, Gabriel Mattar
(nota 6)
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