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“(500) Dias com Ela”

quinta-feira, junho 24th, 2010

Um dos filmes mais interessantes exibidos recentemente nos cinemas – e que agora já se encontra disponível em dvd – é a ‘tragicomédia’ romântica “(500) Dias com Ela”, de Marc Webb. E o forte da produção é justamente algo meio que em baixa hoje em Hollywood: seu bom roteiro (mais…)

Previsivelmente imprevisível

domingo, março 14th, 2010

A 82ª festa de entrega do Oscar, o maior prêmio do cinema mundial, que acontece em Hollywood, Los Angeles, foi, como já se era de esperar, previsivelmente imprevisível. Isto porque todos os resultados mais óbvios se confirmaram, ao mesmo tempo em que nas categorias em que restavam dúvidas sobre quais seriam os favoritos a escolha geralmente recaiu no menos provável (mais…)

Os Amores Expressos de Wong Kar-Wai

sexta-feira, julho 24th, 2009

1. 233. 2046*. 663. A relação que cada um de nós mantém com os números é muito distinta. De uma mesma forma se pode definir o cinema de Wong Kar-Wai: singular e particular (mais…)

As mil e uma faces de uma diva pop

sábado, novembro 15th, 2008

Todo mundo já comentou a respeito das diversas transformações de Madonna. E onde ela mais mudou visualmente foi no cinema, o veículo que melhor registrou estes altos e baixos. É por isso, então, que organizei um Top 10 com os melhores momentos dela na tela grande durante estes vinte e cinco anos de carreira. Aproveito também para gerar um aquecimento, já que estamos nas vésperas das históricas apresentações dela, no Rio de Janeiro e em São Paulo, no final deste ano! E enquanto não a vemos ao vivo, que tal desvendar um pouco melhor esta faceta cinematográfica?

10. “Sobrou Pra Você” (The Next Best Thing, 2000)
Tinha tudo para dar certo: um diretor vencedor do Oscar (John Schlesinger, de “Perdidos na Noite”, 1969), o melhor amigo como co-protagonista (Rupert Everett, vindo do sucesso de “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, 1997) e uma temática super atual, os novos relacionamentos que surgem das aproximações entre heteros e homossexuais. Mas o resultado foi constrangedor para todos, desde os fãs mais ardorosos até os meros curiosos. Salva-se a primeira metade do filme, com momento bem divertidos e mais leves, e as duas canções que Madonna gravou para a trilha sonora: “American Pie”, de Don McLean (ele chegou a afirmar na época que “já recebi em minha carreira muitos presentes dos deuses, mas este é o primeiro que ganho de uma deusa!”) e “Time Stood Still”.

09. “Destino Insólito” (Swept Away, 2002)
A terceira parceria entre Madonna e o seu atual ex-marido, o diretor Guy Ritchie (antes eles haviam trabalhado juntos no videoclipe da canção “What it Feels Like for a Girl” e no curta para a BMW “Star”, ambos em 2001), teve os resultados mais controversos também. Tremendo fracasso de bilheteria, custou US$ 10 milhões e não ficou em cartaz nos Estados Unidos nem um mês inteiro, com uma arrecadação de pouco mais de meio milhão de dólares. Conseqüência direta é que foi lançado no resto do mundo diretamente em DVD. Outras conquistas foram as 5 Framboesas recebidas: Pior Filme, Pior Refilmagem, Pior Diretor, Pior Atriz e Pior Dupla (Madonna e Adriano Giannini). Mas, apesar de tudo isso, gosto do longa, e acho Madonna perfeita como uma ricaça mimada que acaba numa ilha perdida ao lado de um dos ajudantes do navio. Diversão despreocupada, apesar de nos remeter mais à persona dela do que a um personagem original.

08. “Olhos de Serpente” (Snake Eyes / Dangerous Game, 1993)
Típico projeto que só virou realidade porque Madonna acreditou, em algum momento, que poderia ser um desafio estimulante e que iria ajudá-la no caminho de se tornar uma atriz mais completa. E até está bem convincente como uma atriz problemática num set de filmagens bastante conturbado. O grande problema é que praticamente ninguém viu o filme. Mas a oportunidade de ser dirigida por Abel Ferrara e contracenar com Harvey Keitel deve ter tido seu significado. E apesar do resulutado ser um tanto irregular, é, sem sombra de dúvidas, uma das atuações mais esforçadas de toda a carreira dela.

 

07. “Corpo em Evidência” (Body of Evidence, 1993)
“Corpo em Evidência” fez parte do pacote: “vou chocar o mundo”, ao lado do disco “Erotica” e do livro de fotos “Sex”. É, no entanto, a parte mais fraca do trio. A direção do alemão Uli Edel é péssima, o argumento do enredo é risível (mulher é suspeita de ter assassinado o amante mais velho ao transar com ele) e nem nomes como Willem Dafoe e Julianne Moore escapam de maiores embaraços. Mas Madonna está ótima, com diálogos antológicos (“Mas não somos animais! Sim, nós somos!”), muita nudez e provocação. Imperdível.

 

06. “Quem é esta Garota?” (Who’s that Girl?, 1987)
Outro filme essencial no histórico dela. É uma comédia bobinha, cujo maior erro é ser um remake de um filme de Katherine Hepburn (“Levada da Breca”, de 1938). Como as expectativas eram muito altas, as cobranças estavam nas mesmas alturas. Mas ela está muito à vontade em cena, e o projeto rendeu ainda uma turnê de mesmo nome e quatro canções ótimas, com destaque para a agitada “Causing a Commotion” e para a que deu título ao filme, que chegou a ser indicada ao Globo de Ouro.

 

05. “Procura-se Susan Desesperadamente” (Desperately Seeking Susan, 1985)
O primeiro grande papel de Madonna no cinema é também até hoje uma das suas aparições mais marcantes na tela grande. Antes disso, havia feito apenas uma pequena participação no romântico “Em Busca da Vitória”, como uma cantora de bar, e no independente “Um Certo Sacrifício”, feito antes da fama. Aqui, por outro lado, ela é a estrela absoluta, roubando toda a atenção da protagonista Rosanna Arquette. Claro que colaborou muito o fato da Madonna de 1985 e da Susan deste filme serem praticamente a mesma pessoa, provocando apenas a primeira das tantas confusões entre intérprete e personagem que virou rotina no currículo da estrela. E a canção-tema “Into the Groove” é um dos maiores clássicos dos anos 80!

04. “Uma Equipe Muito Especial” (A League of Their Own, 1992)
Este é simplesmente o maior sucesso comercial de toda a carreira cinematográfica de Madonna – isso se deixarmos de fora “007 – Um Novo Dia Para Morrer” (2002), em que ela fez apenas uma participação especial. Foram mais de US$ 107 milhões de dólares arrecadados somente nas bilheterias norte-americanas! Claro que ajudou o fato dela ser somente uma coadjuvante, e dos protagonistas serem Tom Hanks e Geena Davis (em alta na época, logo após “Thelma & Louise”). E a história do time feminino de baseball é comovente e divertida na medida certa, atingindo todo tipo de espectador. De quebra, mais um sucesso na trilha sonora: a balada “This Used to be my Playground”!

03. “Dick Tracy” (Dick Tracy, 1990)
Chegamos aos três melhores momentos de Madonna na tela grande. E começamos a escalada com muito brilho: “Dick Tracy” conquistou o Oscar de Melhor Canção, por “Sooner or Later”, interpretada por Madonna e escrita por Stephen Sondheim. A história de amor entre Breathless Mahoney, uma cantora de cabaré, e o herói-título, interpretado por Warren Beatty, saiu da ficção e invadiu a vida real, pontuando mais um momento de grande popularidade da estrela. Aclamada pelo público, pela crítica e apaixonada. Que mais ela poderia querer?

 

02. “Na Cama Com Madonna” (Truth or Dare: In Bed With Madonna, 1991)
Sim, ela queria mais. Ela queria o mundo! E foi isso que conquistou logo em seguida, com o controverso “Na Cama com Madonna”, longa semi-autobiográfico feito durante a turnê “Blond Ambition”, que reunia os maiores sucessos dela na época. Polêmica, muito estilo, espetáculos grandiosos, convidados especiais – quem esquece como ela tratou Kevin Costner e Pedro Almodovar? – e muita música fez desse um dos mais bem sucedidos documentários musicais de toda a história. E o memorável lançamento do filme no Festival de Cannes daquele ano já anunciava: ela não estava para brincadeira!

 

01. “Evita” (Evita, 1996)
E Madonna finalmente chegou ao seu máximo. O sonho de viver a mítica primeira-dama argentina na ópera-rock de Andrew Lloyd Webber a acompanhava há anos, e para conseguir este papel teve que superar uma concorrência fortíssima, batendo nomes como Meryl Streep e Michelle Pfeiffer. E como valeu a pena! Madonna é Evita! Sua performance – tanto interpretando quanto cantando – é intocável, e até o crítico mais ferrenho é forçado a admitir que não havia escolha mais apropriada. Com direção de Alan Parker e aparecendo ao lado do galã Antonio Banderas, ela não poderia estar mais à vontade. Mais um Oscar na estante – pela canção “You Must Love Me” – e os maiores reconhecimentos da carreira dela enquanto intérprete: os Globos de Ouro de Melhor Atriz e de Melhor Filme, ambos na categoria Musical ou Comédia! Parabéns!

Então, aposto que você nem imaginava que o impacto de Madonna na sétima arte era tão forte assim. E isso que deixamos de fora outros títulos importantes, como “Surpresa de Sanghai” (1986), em que apareceu ao lado do então marido, o Oscarizado Sean Penn, “Neblina e Sombras” (1992), com direção de Woody Allen, “Sem Fôlego” (1995), de Wayne Wang, “Grande Hotel” (1995), trabalho coletivo que a aproximou de nomes como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, “Garota 6″ (1996), de Spike Lee, e a animação “Arthur e os Minimoys” (2006), de Luc Besson, em que dá a voz da Princesa Selenia. Grandes parcerias, desempenhos diversificados e muito empenho – assim como no mundo da música, Madonna sempre se esforçou ao máximo para obter um justo reconhecimento da tela grande. Quem sabe agora, que estreou como diretora em “Filth and Wisdom” (2008), não consiga? E se você acha que depois disso já sabe tudo sobre Madonna na tela grande, me diga: a imagem que abre este artigo é de qual filme?

Controvérsias na Serra

sábado, agosto 16th, 2008

Festival que se presta sempre tem dois elementos que não podem faltar: polêmicas e homenagens. Mais do que bons filmes – que são cada vez mais raros – são estes dois quesitos que realmente chamam atenção. E o que pode ser melhor quando eles andam de mãos dadas? Foi o que aconteceu aqui em Gramado, quando o cineasta Júlio Bressane foi convidado para receber o Troféu Eduardo Abelin pelo conjunto de sua obra.

Diretor premiadíssimo, vencedor de 7 Candangos no Festival de Brasília – quatro deles de Melhor Filme, por “Tabu” (1982), “Miramar” (1997), “Filme de Amor” (2003) e “Cleópatra” (2007) – e reconhecido até no Festival de Veneza – prêmio especial por “Dias de Nietzsche em Turim” (2001) – ele nunca teve sorte em Gramado: foi selecionado apenas em 1985, por “Brás Cubas”, ocasião em que saiu de mãos abanando. Agora, chamado para receber este troféu honorário, de cara declarou: “Gramado nunca foi legal comigo, e eu mais do que merecia!”

O tom acusatório e reclamão das entrevistas concedidas por ele antes do festival foi um pouco atenuado na hora de subir ao palco. Lá em cima, sob todos os flashes e holofotes, parece que ele finalmente se emocionou. Deixou as críticas de lado e num singelo “obrigado” deixou clara sua satisfação. O público pode não entender as obras de Júlio Bressane, a crítica pode se dividir em relação aos seus trabalhos, mas ninguém questiona seu valor para a nossa cinematografia e sua importância enquanto questionador, propondo novos olhares e sugerindo uma análise mais original de fatos talvez até comuns, porém merecedores de um estudo mais profundo. Bressane tem uma história, uma trajetória, e Gramado fez bem em conceder-lhe esta homenagem.

A quarta noite do 36º Festival de Cinema de Gramado seguiu com a exibição de dois longas, ambos dividindo a opinião do público e da crítica. Antes de “Pachamama”, de Eryk Rocha, documentário que mais parece um “Globo Repórter” estilizado, mostrando que o filho de Glauber Rocha ainda tem muito o que mostrar para merecer o pesado sobrenome que carrega, fomos presenteados por “Perro Come Perro”, produção colombiana dirigida por Carlos Moreno. Dono de méritos evidentes, principalmente estéticos, e ainda mais para um filme vindo da Colômbia, país que conhecemos tão pouco cinematograficamente falando, “Perro Come Perro” pode ser considerado um ‘sub-Guy Ritchie’, que por sua vez é um ‘sub-Tarantino’. Ou seja, a originalidade passou longe.

“Perro Come Perro” começa em plena violência: três bandidos invadem uma casa para recuperar uma grana roubada por dois gêmeos de um poderoso mafioso. Durante o ‘interrogatório’ com um dos irmãos, para saber onde esconderam o roubo, o garoto morre. Revirando o lugar, um dos criminosos encontra a fortuna, mas não anuncia aos demais, guardando-a para si. A partir de então começa uma matança generalizada em busca do dinheiro perdido, com direito a alucinações, vodus, perseguições e tudo o mais que o gênero permite. Apesar de abusar dos clichês, o bom humor passeia por toda a obra, conferindo uma percepção mais leve da narrativa. Talvez surpreenda na hora da entrega dos kikitos, principalmente porque a seleção latina deste ano não é das melhores, mas não é o meu favorito até o momento.

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