Link Worth

“Anticristo”

terça-feira, janeiro 5th, 2010

O diretor dinamarquês é tão bom cineasta quanto marqueteiro. A cada novo trabalho dele é possível perceber tanto uma impressionante criatividade como uma incontrolável vontade de polemizar e chamar a atenção. Objetivos plenamente atingidos em “Anticristo”, seu filme mais recente (mais…)

Oscar 2009 – Melhor Fotografia

domingo, fevereiro 22nd, 2009

A Fotografia de um filme diz respeito à forma como o vemos, como a história é contada e através de quais imagens. É tão importante que possui até uma pessoa dentro do set de filmagem responsável apenas por este aspecto – o diretor de fotografia. É ele quem decide como os atores serão enquadrados, como o cenário será visualizado e através de que cenas a história se desenrolará. É preciso, neste ponto, manter o equilíbrio, porque um visual embasbacante até pode conquistar o espectador, mas não salva uma trama fraca. E o enredo e atores nunca podem competir e se sobreporem com a aparência geral de um longa – tudo deve andar em sincronia. Dentre os indicados deste ano, ficaram de fora os dois concorrentes à Melhor Filme que se baseiam em fatos reais – será um indicativo de que o cinema é mesmo um ambiente de fantasia e ilusões? Ou que a realidade ainda precisa ser melhor representada – ao menos visualmente, é claro?

Vai ganhar: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
Merece ganhar: “O Curioso Caso de Benjamin Button”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

O visual único de Gotham City, a cidade onde Batman combate os insanos Coringa e Duas Caras, que se assemelha a uma Chicago futurista, realista e bastante verossímil, só pode ser alcançado graças ao excelente trabalho apresentado neste quesito. Certamente será uma vitória mais do que justa. Foi indicado ao Sindicato dos Fotógrafos e ao Bafta, e ganhou o prêmio dos Críticos de Central Ohio, de Chicago, da Florida e de São Francisco. Esta é a terceira indicação ao Oscar do fotógrafo Wally Pfister – ele foi indicado anterioremente por “O Grande Truque” (2006) e por “Batman Begins” (2005).

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

Colaborador antigo do diretor David Fincher, o chileno Claudio Miranda esteve por trás das imagens dos principais filmes deste realizador – “Se7en”, “Vidas em Jogo”, “Clube da Luta” e “Zodíaco”. Agora, nesta sua primeira indicação ao Oscar, entrega seu trabalho mais aprimorado e espetacular. Passeamos pela vida e pelas aventuras do protagonista Benjamin Button através de cenas espetaculares e arrebatadoras. Só não ganha caso seja atropelado pelo rolo compressor de Bollywood! Ganhou o prêmio dos Críticos de Phoenix, e foi indicado ao Bafta, ao Satellite, ao prêmio do Sindicato dos Fotógrafos e dos Críticos de Chicago.

“O Leitor”

Esta premiação só acontecerá caso a Academia queira reparar mais uma injustiça histórica. Afinal, esta marca a oitava indicação ao Oscar do fotógrafo Roger Deakins (que neste ano esteve também em “Foi Apenas um Sonho” e “Dúvida”), nunca antes premiado! E concorreu por filmes de destaque, como “Um Sonho de Liberdade”, “Fargo” e “Onde os Fracos não tem Vez”. Seu companheiro neste trabalho, Chris Menges, está na quarta indicação – e ganhou duas vezes, por “Gritos do Silêncio” (1984) e “A Missão” (1986). Agora apresentam um visual bonito, porém bem regular. Foram indicados ao prêmio do Sindicato dos Fotógrafos e ao Bafta. 

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Em sua primeira indicação ao Oscar, Anthony Dod Mantle pode abalar as estruturas de Hollywood. Concorrendo por fora, este inglês é habitual colaborador de Danny Boyle e também de diretores como Lars von Trier e Thomas Vinterberg (dois expoentes do movimento Dogma 95). Ou seja, é um profissional bastante apegado a um estilo mais rústico e naturalista. E o que faz aqui é ir atrás das cores e do exotimo de um lugar muito pouco conhecido no Ocidente. E o faz com bastante competência. Ganhou o Bafta, o prêmio do Sindicato dos Fotógrafos, dos Críticos de Nova York e o Camerimage, festival voltado à fotografia cinematográfica, e que acontece na Polônia.

“A Troca”

Habitual colaborador do diretor Clint Eastwood, Tom Stern começou a trabalhar como fotógrafo por conselho do amigo, em 2002. Desde então esteve em TODOS os filmes de Eastwood como realizador – sete, no total, inclusive “Sobre Meninos e Lobos”, “Menina de Ouro”, “Cartas de Iwo Jima” e o ainda inédito “Gran Torino”. Não se este é o melhor desempenho dele na função, mas certamente é um resultado memorável. Caso o filme tivesse emplacado com mais força, talvez ele fosse um concorrente de peso. Mas, do jeito que está, a indicação já é uma vitória. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.

Oscar 2009 – Melhor Montagem

domingo, fevereiro 22nd, 2009

O prêmio de Melhor Montagem é um dos mais importantes indicativos de quem irá vencer a principal estatueta do ano, a de Melhor Filme. Isso acontece porque, analisando o histórico da Academia, há uma relação mais forte entre estes dois resultados do que o de Filme e Direção, por exemplo! São raros os casos em que o vencedor aqui não sai premiado lá também – e mais ocasionais ainda são quando os premiados não são sequer indicados nas duas categorias. Mas isso pode acontecer – como no ano passado, quando “O Ultimato Bourne” ganhou aqui, sem mesmo concorrer à Melhor Filme.

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Qualquer produção que ultrapasse as duas horas de duração já perde pontos neste quesito – e esta aqui possui 152 minutos! Mesmo assim, dispõe a história de forma inteligente e bastante envolvente, e isso se deve principalmente ao trabalho realizado na sala de edição. Com tantas tramas importantes acontecendo simultaneamente e pelo belo resultado apresentado, o reconhecimento é mais do que justo. Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Editores, ao Bafta e ao Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar do editor Lee Smith – ele concorreu antes por “Mestre dos Mares”, em 2003.

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

Este talvez seja o filme que apresenta a edição mais problemática dos cinco indicados – e, portanto, é o mais fraco dos concorrentes. É o mais longo de todos – são quase três horas! E tudo isso para contar a história da vida de um homem excepcional, que nasceu velho e foi rejuvenescendo com o passar dos anos. São muitos detalhes – como as idades dos personagens em cada momento da trama – que precisam ser cuidados, e nem sempre eles se apresentam satisfatoriamente. Foi indicado ao Bafta e ao prêmio do Sindicato dos Editores. Esta é a primeira indicação ao Oscar dos editores Kirk Baxter e Angus Wall.

“Frost/Nixon”

Dono de um trabalho muitíssimo interessante, entre os tantos méritos deste filme está sua edição, responsável por capturar a atenção do espectador mesmo diante de um resultado já conhecido – afinal, trata-se de um fato verídico! Foi indicado ao Bafta, ao Satellite e ao prêmio do Sindicato dos Editores, e ganhou o prêmio dos Críticos de Las Vegas. Esta é a quarta indicação ao Oscar dos editores Mike Hill e Dan Hanley – os dois ganharam por “Apollo 13″, em 1995, e foram indicados também por “Uma Mente Brilhante” (2001) e por “A Luta da Esperança” (2005) – curiosamente, todos filmes dirigidos pelo mesmo Ron Howard! 

“Milk – A Voz da Igualdade”

Igualmente inspirado numa história real, esta cinebiografia apresenta uma edição muito linear, que pouco se destaca no contexto global do projeto – o que diminui bastante as suas chances. Este foi um filme difícil de ser aceito, e que foi ganhando força com o decorrer da temporada – teve apenas uma indicação ao Globo de Ouro e chegou no Oscar lembrado em 8 categorias! E, se o roteiro e a atuação do protagonista são arrebatadores, o mesmo não pode ser dito da montagem – competente, porém convencional. Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Editores. Esta é a primeira indicação ao Oscar do editor Elliot Graham.

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Grande favorito aos principais prêmios do ano, nesta categoria também chega já na condição de vencedor – só não sairá premiado caso algo muito inesperado aconteça! A montagem do filme só não é mais inovadora porque lembra muito o brasileiro “Cidade de Deus” (que, inclusive, também foi indicado pelo mesmo trabalho em 2003!). Mas é uma produção dinâmica, envolvente e muito criativa, com participação definitiva no ótimo resultado final! Ganhou o prêmio do Sindicato dos Editores, dos Críticos de Boston, de Phoenix e o Bafta, além de ter sido indicado ao Satellite. Esta é a primeira indicação ao Oscar do editor Chris Dickens.

Oscar 2009 – Melhor Trilha Sonora

sábado, fevereiro 21st, 2009

Dos cinco indicados nesta categoria, três concorrem também à Melhor Filme, mostrando o quão importante é a música numa obra cinematográfica. Geralmente produzida após o término das filmagens, ela precisa se encaixar muito bem com a história que está sendo contada, oferecendo uma análise nova e conferindo ainda mais força às palavras, às interpretações e ao próprio visual de todo o longa. É um elemento fundamental em qualquer bom filme!

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Wall-E”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

Um Ato de Liberdade

Este é mais um dos filmes que antes de sua estreia eram apontados como prováveis finalistas em várias categorias, mas após avaliações não muito satisfatórias tiveram que se contentar em aparecer como coadjuvantes. Esta é a única indicação deste longa, e parece ter conseguido única e exclusivamente pela força do compositor James Newton Howard. O mais curioso é que foi também responsável pela trilha de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, e faria mais sentido vê-lo aqui por este trabalho. Oito vezes indicado ao Oscar, nunca ganhou, e talvez seja a hora de recompensá-lo. Foi indicado ao Globo de Ouro e ganhou o prêmio dos Críticos de Las Vegas.

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

Alexander Desplat é um compositor francês acostumado a trabalhar com grandes realizadores, como Ang Lee e Stephen Frears, por exemplo. E as músicas que ele apresenta aqui são comoventes e muito bem posicionadas, pontuando todo o desenrolar da vida do protagonista com paixão e muita emoção. Foi indicado ao Bafta, ao Broadcast, ao prêmio dos Críticos de Chicago e ao Globo de Ouro, e ganhou os prêmios dos Críticos de Phoenix e Central Ohio. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu antes por “A Rainha” (2006).

“Milk – A Voz da Igualdade”

Danny Elfman é um dos mais ativos compositores de Hollywood. Ex-líder da banda pop Oingo Boingo, atualmente costuma aparecer ao lado de parceiros habituais como Tim Burton e o próprio Gus van Sant. É autor de temas já clássicos, como do seriado “Os Simpsons”, e só no ano passado esteve em outros dois filmes também indicados ao Oscar: “O Procurado” e “Hellboy II – O Exército Dourado”. Foi indicado ao Broadcast e ao prêmio dos Críticos de Chicago. Esta é sua quarta indicação ao Oscar – antes concorreu por “Peixe Grande” (2003), “Gênio Indomável” (1997) e “Homens de Preto” (1997).

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Este é o primeiro ano em que o compositor A. R. Rahman concorre ao Oscar, mas como conseguiu colocar duas das suas músicas também na disputa de Melhor Canção Original, aparece como favorito também nesta categoria. São temas alegres, vivos, envolventes e que refletem com perfeição os sentimentos abordados na trama. Só não leva esta estatueta caso os votantes da Academia decidam reconhecer não o óbvio, e sim o surpreendente. Ganhou o Bafta, o Broadcast, o Globo de Ouro, o Satellite e foi indicado ao prêmio dos Críticos de Chicago.

“Wall-E”

Chegou o momento da justiça, e ela só ocorrerá caso Thomas Newman saia premiado em ao menos uma das duas categorias a que concorre neste ano – aqui e como Canção Original. Este é um filme praticamente mudo – não há diálogos em praticamente metade da trama! – e a trilha faz tudo perfeitamente, aliando-se a ação com uma sincronia absurda. Merece todos os aplausos possíveis! Ganhou o prêmio dos Críticos de Chicago, e concorreu ao Bafta, ao Grammy, ao Satellite e ao World Soundtrack Awards. Antes deste ano já concorreu ao Oscar por outros oito filmes – e nunca ganhou!

Oscar 2009 – Melhor Canção Original

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Os indicados nesta categoria realmente surpreenderam – e negativamente! Isso pelo simples fato dos até então favoritos não terem ficado entre os selecionados! Outro ponto decepcionante foi serem apenas três finalistas, ao contrário dos cinco indicados que normalmente são lembrados. Assim, ficaram de fora composições emocionantes, como “The Wrestler“, de “O Lutador”, escrita e interpretada por Bruce Springsteen e vencedora do Globo de Ouro, “Gran Torino“, do longa homônimo, escrita e interpretada por Clint Eastwood, a sempre comentada canção-tema de cada novo filme de James Bond, neste ano “Another Way to Die“, de Jack White para “007 – Quantum of Solace”, e a volta da banda Guns N’ Roses em “If the World“, em “Rede de Mentiras”, além das estrelas Miley Cyrus, na música “I Thought I Lost You“, da animação “Bolt Supercão”, e Beyoncé Knowles, pela bela “Once in a Lifetime“, do musical “Cadillac Records”. Ou seja, havia uma grande variedade, mas dois longas acabaram monopolizando as atenções dos votantes!

Vai ganhar: “Jai Ho”, de “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Down to Earth”, de “Wall-E”

And the Oscar goes to… JAI HO”, DE “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“Down to Earth”, de “Wall-E”

Música de Peter Gabriel e Thomas Newman, letras de Peter Gabriel. Indicada ao Broadcast, ao Globo de Ouro e ao Satellite, ganhou o Grammy e o World Soundtrack Awards. Peter Gabriel, também intérprete desta belíssima canção, é um verdadeiro gênio da música norte-americana. Esta é sua primeira indicação ao Oscar, apesar de já ter feito composições para filmes tão diversos como “Gangues de Nova York”, “Vanilla Sky” e “Filadélfia”. Por outro lado, esta é a décima indicação de Thomas Newman, lembrado inclusive por “Um Sonho de Liberdade”, “Beleza Americana” e “Procurando Nemo”. E ele NUNCA ganhou! Tá mais do que na hora, não?

*“Jai Ho”, de “Quem Quer Ser um Milionário?”

Música de A. R. Rahman, letras de Gulzar. Concorreu ao Broadcast e ao Satellite. Dona de um ritmo contagiante, fez muito sucesso por estar também no trailer do filme, tornando-a referência imediata – o que certamente contribui nesta indicação. Na onda de prêmios que o longa deve receber, este provavelmente será mais um, mesmo que não seja o caso mais apropriado. Esta é a primeira indicação ao Oscar de Gulzar, enquanto que Rahman somou três indicações neste ano – concorre também pela outra canção indicada e pela trilha sonora do filme.

“O Saya”, de “Quem Quer Ser um Milionário?”

Música de A. R. Rahman, letras de A. R. Rahman e Maya Arulpragasam. Esta composição não foi indicada a absolutamente nenhum outro prêmio na temporada pré-Oscar, o que causa ainda mais surpresa a sua inclusão entre as finalistas! Porém não foram raros os casos de filmes indicados em mais de uma vaga nesta categoria que ficaram de mãos abanando – como “Encantada”, no ano passado! O que indica que este comentado favoritismo pode desapontar em alguns casos – resta torcer para que este seja um deles! Esta é a primeira indicação ao Oscar de Arulpragasam, enquanto que Rahman soma três indicações apenas neste ano – ele nunca havia concorrido anteriormente!

Oscar 2009 – Melhor Som

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Esta categoria, também conhecida como “Mixagem de Som”, diz respeito ao modo como todas as sonoridades de uma história chegam até o espectador, alternando momentos de extrema discrição com outros de grande impacto, tudo de acordo com o que a história pede. A intenção é sempre buscar a harmonia e nunca competir com outros elementos sonoros, como a trilha sonora e os diálogos – quando isso acontece, passam a ser reconhecidos como “ruídos”. Na maioria das vezes, quando funcionam, não devem chamar atenção e poucos irão perceber os efeitos deste trabalho. Mas, quando o que acontece é o contrário, pode colocar tudo a perder e prejudicar a percepção de todo o conjunto.

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Wall-E”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Assim como a Edição de Som, o Som de um filme por si só deve ter efeitos imprescindíveis na avaliação geral de uma obra, e neste caso contribui com grande força para o resultado final. Como este é também um dos campeões de indicações do ano, lembrado em 8 categorias, pode acabar surpreendendo aqui também. Ganhou o Satellite e concorreu ao Bafta, além de ter sido indicado aos prêmios dos respectivos sindicatos. Lora Hirschberg e Gary Rizzo concorrem também à Edição de Som. Esta é a segunda indicação ao Oscar do técnico Ed Novick, que concorreu anterioremente por “Homem-Aranha” (2002).

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

O Som tem importância fundamental para capturar a atenção do espectador. Os méritos aqui são indiscutíveis – porém um tanto discretos, o que pode prejudicar uma avaliação de maior destaque. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico de som Mark Weingarten – seus colegas, no entanto, já foram indicados antes: David Parker tem quatro indicações e 2 Oscars, por O Ultimato Bourne (2007) e “O Paciente Inglês” (1996); Michael Semanick tem cinco indicações e 2 Oscars, por “King Kong” (2005) e “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003); e Ren Klyce já foi indicado uma vez, por “Clube da Luta” (1999).

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Tem grandes chances de sair vitorioso, mas pelo simples fato de ser o favorito aos prêmios principais, e não pelo mérito específico. Claro que o Som aqui tem grande importância, principalmente pelo exotismo dos cenários e ambientações, mas sem tanto destaque quanto o que se pode perceber em alguns dos outros indicados. Mesmo assim, foi reconhecido nesta categoria no Bafta, o Oscar inglês, além de ter concorrido aos prêmios dos sindicatos específicos. Esta é a primeira indicação ao Oscar de cada um dos técnicos responsáveis: Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty.

“O Procurado”

Apesar do bom desempenho que teve nas bilheterias, esta adaptação de uma pouco conhecida história em quadrinhos agradou muito mais aos fãs do gênero do que o público em geral. Por isso a surpresa ao vê-la lembrada na maior festa do cinema mundial em 2 categorias – felizmente, com poucas chances de vitória em cada uma. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico Petr Forejt – seus colegas, no entanto, já foram indicados anteriormente: Chris Jenkins concorreu outras três vezes e ganhou 2 Oscars, por “O Último dos Moicanos” (1992) e por “Entre Dois Amores” (1985), enquanto que Frank A. Montaño foi indicado também por outros quatro filmes.

“Wall-E”

Como fazer algo tão perfeito partindo do zero absoluto? Pois este é o fenomenal trabalho dos técnicos da Pixar, que a cada novo longa reinventam as regras da animação, sempre inovando com muita criatividade e dedicação. Tudo o que se ouve no filme é artificial, criado posteriormente, mas o efeito não teria como ser mais real – é de provocar arrepios! Foi indicado ao Bafta. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico Tom Myers, mas seus colegas não são novatos: Michael Semanick já ganhou 2 Oscars e tem neste ano sua sexta e sétima indicação – concorre também por “O Curioso Caso de Benjamin Button”; enquanto que Ben Burtt já ganhou 2 Oscars, 2 prêmios especiais e tem neste ano sua 11ª e 12ª indicações – concorre também pela Edição de Som deste mesmo filme!

Oscar 2009 – Melhor Edição de Som

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Também conhecida como “Efeitos Sonoros“, esta categoria é uma das mais incompreendidas de todo o Oscar. Isso acontece porque quase ninguém sabe realmente o que ela representa! Mas não é tão complicado assim. Durante uma filmagem, muito pouco do som original captado naqueles momentos é aproveitado e chega à versão final que é exibida nos cinemas. A maioria – desde os passos de um homem até o tilintar de moedas num bolso, passando pelo estrondo de um avião alçando vôo – é recriado posteriormente. Ou melhor, não criado, e sim “organizado”. Estes sons são reais, e devem sere captados, mas provavelmente em momentos diferentes, ou com outras intensidades, para passar por uma adequação posterior de acordo com a história que está sendo contada, em busca de harmonia. Podem até passar desapercebidos, mas tem uma importância fundamental!

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

And the Oscar goes to… “BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS”

*“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Se o novo filme do Homem-Morcego é tão perfeito, isso em muito se deve à impressionante qualidade técnica apresentada. TUDO está no lugar certo, estudado e posicionado com muito cuidado e esmero. Inclusive, é claro, no que diz respeito ao Som. Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som e o do Sindicato dos Editores de Som de Cinema, além de ter ganho o Satellite nesta categoria. Esta é a primeira indicação ao Oscar da técnica em som Lora Hirschberg – os outros técnicos já foram indicados antes: Gary Rizzo concorreu por “Os Incríveis” (2004) e Ed Novick por “Homem-Aranha” (2002).

“Homem de Ferro”

Este filme entrou para a história não só pela estreia da Marvel como estúdio de cinema, mas também pela ótima adaptação que fez de um popular herói de histórias em quadrinhos. E, de tantos méritos que apresenta, a qualidade técnica é uma das que mais causa espanto! Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, do Sindicato dos Editores de Som de Cinema e ao Satellite. Esta é a primeira indicação do técnico Frank Eulner, mas o colega Christopher Boyes está concorrendo pela 11ª vez! – e já ganhou em 4 ocasiões, por “King Kong” (2005), “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003), “Pearl Harbor” (2001) e “Titanic” (1997). 

“O Procurado”

Esta indicação realmente foi uma surpresa, até porque filmes mais representativos ficaram de fora, como “007 – Quantum of Solace” e o próprio “O Curioso Caso de Benjamin Button”, por exemplo. Poucos poderiam prever a força desta diversão preocupada que caiu no gosto de muitos fãs. Mesmo assim, é um bom trabalho, e esta lembrança já é um reconhecimento mais do que justo. Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som. Esta é a quarta indicação do técnico Wylie Stateman – antes concorreu por “Memórias de uma Gueixa” (2005), “Risco Total” (1993) e “Nascido em 4 de Julho” (1989).

“Quem Quer Ser um Milionário?”

Como é o favorito ao Oscar nas categorias principais, tem muitas chances de emplacar também alguns prêmios técnicos, que irão somar meio que “na onda” do filme. E aqui desponta com muita força, uma vez que o Som tem papel importante nesta trama sobre uma Índia multicolorida e intensa. O musicalidade do país e sua sonoridade é tão intensa que até parece ser um personagem paralelo durante toda a trama. Ganhou o prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, além de estar concorrendo também no Sindicato dos Editores de Som de Cinema. Esta é a primeira indicação ao Oscar dos técnicos Glenn Freemantle e Tom Sayers.

“Wall-E”

Talvez o mais incompreendido dos indicados – poucos entendem e percebem com que dificuldade sons são criados e captados especialmente para contribuir na composição de uma história contada através da animação. Tudo deve ser feito com um cuidado redobrado, uma vez que não há como seguir uma orientação prévia dos sets de filmagens – pelo simples fato destes não existirem! O som que ouvimos aqui primeiro teve que ser imaginado, para depois ser descoberto, identificado e aplicado ao enredo. Um esforço incrível que merece todo aplauso possível! Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, do Sindicato dos Editores de Som de Cinema e ao Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar do técnico Matthew Wood – ele concorreu também no ano passado, por “Sangue Negro”. Já o técnico Ben Burtt (que, por sinal, é responsável também pela “voz” – ou seja, todo som emitido – do protagonista, o robozinho Wall-E) está concorrendo pela 11ª vez, e já ganhou duas vezes: por “Indiana Jones e a Última Cruzada” (1989) e por “E.T. – O Extra-Terrestre” (1982), além de ter recebido também dois prêmios especiais da Academia, pela edição de som de “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) e pelos efeitos sonoros de “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança” (1977).

Oscar 2009 – Melhor Roteiro Adaptado

terça-feira, fevereiro 17th, 2009

A divisão no Oscar do prêmio de Melhor Roteiro em duas categorias (no Globo de Ouro é apenas uma, por exemplo) é bastante adequada. Afinal, são dois trabalhos completamente diferentes – se num é preciso começar do zero, no outro tudo depende de como se elabora em cima da criação de uma outra pessoa. Porém, esta separação colocou em evidência uma outra crise: a falta de algo novo ao mesmo tempo original e com qualidade – afinal, dos cinco indicados à Melhor Filme, quatro são roteiros adaptados, e apenas um é inédito! Dá o que pensar, não?

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

O roteirista Eric Roth já ganhou um Oscar, e por um filme que guarda muitas semelhanças com este novo trabalho: “Forrest Gump” (1994). Ou seja, já tem este prêmio. Mesmo assim, como é o campeão de indicações, pode acabar surpreendendo, principalmente por ter sido inspirado num conto do aclamado F. Scott Fitzgerald! Foi indicado também ao Bafta, ao Broadcast, ao Globo de Ouro, Críticos de Chicago, Sindicato dos Roteiristas e Satellite, e ganhou o National Board of Review. Esta é a quarta indicação ao Oscar de Roth – concorreu ainda por “Munique” (2005) e por “O Informante” (1999). Esta é a primeira indicação ao Oscar de Robin Swicord, co-autora da história.

“Dúvida”

John Patrick Shanley, também diretor do filme e autor da peça teatral em que o filme se baseia, criou um belíssimo texto, mas que por outro lado não é muito eficiente em esconder sua origem dos palcos. E, como dos cinco indicados é o único que não concorre à Melhor Filme, suas chances de vitória aqui são praticamente nulas – a força desta história está, sim, nas palavras, mas acima de tudo no desempenho espetacular do elenco que as defende! Foi indicado ao Broadcast, Globo de Ouro, Críticos de Chicago, Sindicato dos Roteiristas e Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Shanley – ele ganhou em 1988, por “Feitiço da Lua”!

“Frost/Nixon”

Assim como o concorrente anterior, também é baseado numa produção teatral e teve seu roteiro escrito pelo mesmo autor da peça, Peter Morgan. Se é mais eficiente em esconder sua origem, não deixa, por outro lado, de demonstrar muita força nas palavras e nas atuações do que no visual cinematográfico da obra. Concorreu também ao Bafta, ao Broadcast, Críticos de Chicago, Globo de Ouro, e Sindicato dos Roteiristas, e ganhou os prêmios dos Críticos de São Francisco e Las Vegas, além do Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Morgan – ele foi indicado ainda por A Rainha” (2006).

“O Leitor”

Um dos maiores méritos desta produção, além do desempenho da protagonista, é sua história, que conduz com muita habilidade todos os seus segredos, revelando-os no momento certo. Com duas obras teatrais e um ‘auto-plágio’ ao seu lado na disputa, pode ser uma opção caso o favoritismo do principal indicado não se confirme. Baseado no livro de Bernhard Schlink, é o azarão, e pode surpreender. Foi indicado ao Bafta, Globo de Ouro, Críticos de Londres e Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar para o roteirista David Hare – ele concorreu também em 2002, pelo fantástico – e superior – “As Horas”, longa que também foi dirigido por Stephen Daldry!

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Grande favorito nas principais categorias, como Filme e Direção, é também aposta certa como Roteiro Adaptado – afinal, o que Simon Beaufoy fez com o livro de Vikas Swarup é simplesmente genial, criando algo novo, inovador e surpreendente. Ganhou o Bafta, o Broadcast, o Globo de Ouro, o National Board of Review (empatado com “O Curioso Caso de Benjamin Button”), o Sindicato dos Roteiristas e os prêmios dos Críticos de Southeastern, Phoenix, Kansas, Florida, Chicago e Central Ohio. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Beaufoy – ele concorreu também em 1998, por “The Full Monty – Ou Tudo Ou Nada”.

Oscar 2009 – Melhor Direção

segunda-feira, fevereiro 16th, 2009

Apesar do favoritismo exagerado que existe na disputa para Melhor Filme, na categoria de Direção a situação é um pouco diferente. Isso porque apesar de um dos concorrentes estar um pouco à frente na preferência dos votantes, todos os indicados são muito qualificados e não fariam feio em levar a cobiçada estatueta dourada! Outra curiosidade deste ano é que há muito tempo os indicados não eram os mesmos responsáveis pelos cinco selecionados na categoria principal, o que torna a disputa ainda mais equilibrada. Mesmo assim, é pouco provável que haja alguma surpresa, e as previsões devem se confirmar!

Vai ganhar: Danny Boyle, por “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: David Fincher, por “O Curioso Caso de Benjamin Button”

And the Oscar goes to… DANNY BOYLE, POR “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

*Danny Boyle, por “Quem Quer Ser um Milionário?”

Na condição de comandante do grande favorito do ano, o inglês Boyle se coloca à frente dos demais indicados. Pelo trabalho já ganhou o Bafta, o British Independent Award, o Broadcast, o Globo de Ouro e o Satellite, os prêmios dos Críticos de Southeastern, Phoenix, Los Angeles, Florida e Chicago, além de ter sido eleito Diretor do Ano pelo Sindicato dos Diretores. Tem em seu currículo títulos como “Cova Rasa” (1995), “Trainspotting” (1996), “Por Uma Vida Menos Ordinária” (1997), “A Praia” (2000),  “Extermínio” (2002), “Caiu do Céu” (2004) e “Sunshine – Alerta Solar” (2007). Esta é sua primeira indicação ao Oscar!

David Fincher, por “O Curioso Caso de Benjamin Button”

Fincher comanda um verdadeiro espetáculo técnico e emocional. É o trabalho mais completo, pois lida com vários aspectos cinematográficos – boas atuações, efeitos especiais, fotografia, iluminação, maquiagem, direção de arte, trilha sonora – e em todos se sai espetacularmente bem. Foi indicado a quase todos os prêmios (Bafta, Globo de Ouro), e ganhou o National Board of Review. Começou a carreira dirigindo videoclipes de artistas como Madonna, Michael Jackson e Rollling Stones, e realizou filmes marcantes como “Seven” (1995), “Clube da Luta” (1999) e “Zodíaco” (2007). Esta é sua primeira indicação ao Oscar!

Gus van Sant, por “Milk – A Voz da Igualdade”

Se este é o melhor filme do ano, isso se deve à soma de vários fatores, não apenas à Direção – que, mesmo sendo indiscutível, não é o ponto mais forte do filme. Van Sant se limitou a abrir espaço para sua história e ao bom desempenho dos atores, numa sábia decisão. Ganhou o prêmio dos Críticos de Boston e de São Francisco. Dirigiu filmes como “Drugstore Cowboy” (1989), “Garotos de Programa” (1991), “Um Sonho Sem Limites” (1995), “Psicose” (1999), “Encontrando Forrester” (2000), “Elefante” (2003) e “Paranoid Park” (2007). Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu também por “Gênio Indomável”, em 1997.

Ron Howard, por “Frost/Nixon”

Howard começou sua carreira ainda criança, nos anos 50, como ator infantil em séries clássicas como “Bonanza“, “Dennis, O Pimentinha” e “Lassie“. Cresceu e hoje é um dos cineastas mais respeitados de Hollywood. Agora, chega à maturidade com aquele que é, provavelmente, o seu melhor trabalho – o mais sério, inteligente e perspicaz. Infelizmente, tem poucas chances de ganhar, principalmente por já ter seus Oscars – de Melhor Filme e Direção, conquistados por “Uma Mente Brilhante” (2001). Dirigiu ainda filmes populares como “Splash” (1984), “Coccon” (1985), “Apollo 13″ (1995), “O Grinch” (2000) e “O Código Da Vinci” (2006).

Stephen Daldry, por “O Leitor”

Este é um caso de profissional extremamente bem sucedido – foi indicado ao Oscar por TODOS os filmes que dirigiu! Tudo bem que possua apenas 3 longas no currículo, mas mesmo assim! Daldry é um cineasta sensível e cuidadoso, e todos os seus longas são garantia de obras acima de média. Mesmo assim, este novo trabalho é o azarão entre os indicados, o que o deixou praticamente sem a menor chance de vitória – esta lembrança foi seu prêmio! Foi indicado também ao Bafta, ao Satellite e ao Globo de Ouro. Esta é sua terceira indicação ao Oscar – concorreu ainda por “As Horas” (2002) e por “Billy Elliot” (2000).

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