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“Atividade Paranormal”

terça-feira, dezembro 8th, 2009

Existem filmes que são sucessos. Outros que são elogiados. Existem os que viram manias, os que conquistam determinados públicos e os que são objetos de culto. Mas existem aqueles que são verdadeiros fenômenos. E “Atividade Paranormal” é um deles (mais…)

“Distrito 9”

domingo, novembro 1st, 2009

Uma das histórias mais clichês do cinema moderno é a do inocente que acaba virando vítima de uma conspiração e passa a ser perseguido por todos até que, de forma solitária, consiga provar sua inocência. E é esta trama recauchutada que “Distrito 9” apresenta (mais…)

“O Código Da Vinci”

segunda-feira, maio 18th, 2009

“O Código Da Vinci” pode servir como um excelente passatempo literário, mas sua transposição para o cinema falha em muitos aspectos (mais…)

“Appaloosa, Uma Cidade Sem Lei”

quarta-feira, março 18th, 2009

appaloosa04Como todo bom faroeste, “Appaloosa” possui um enredo bastante simples: dois pistoleiros são contratados para serem os novos xerifes de pequena cidade assombrada por um bando de valentões. Agora, o que faz toda a diferença é o quarteto principal de atores, todos em excelentes desempenhos (mais…)

Oscar 2009 – Melhor Som

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Esta categoria, também conhecida como “Mixagem de Som”, diz respeito ao modo como todas as sonoridades de uma história chegam até o espectador, alternando momentos de extrema discrição com outros de grande impacto, tudo de acordo com o que a história pede. A intenção é sempre buscar a harmonia e nunca competir com outros elementos sonoros, como a trilha sonora e os diálogos – quando isso acontece, passam a ser reconhecidos como “ruídos”. Na maioria das vezes, quando funcionam, não devem chamar atenção e poucos irão perceber os efeitos deste trabalho. Mas, quando o que acontece é o contrário, pode colocar tudo a perder e prejudicar a percepção de todo o conjunto.

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Wall-E”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Assim como a Edição de Som, o Som de um filme por si só deve ter efeitos imprescindíveis na avaliação geral de uma obra, e neste caso contribui com grande força para o resultado final. Como este é também um dos campeões de indicações do ano, lembrado em 8 categorias, pode acabar surpreendendo aqui também. Ganhou o Satellite e concorreu ao Bafta, além de ter sido indicado aos prêmios dos respectivos sindicatos. Lora Hirschberg e Gary Rizzo concorrem também à Edição de Som. Esta é a segunda indicação ao Oscar do técnico Ed Novick, que concorreu anterioremente por “Homem-Aranha” (2002).

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

O Som tem importância fundamental para capturar a atenção do espectador. Os méritos aqui são indiscutíveis – porém um tanto discretos, o que pode prejudicar uma avaliação de maior destaque. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico de som Mark Weingarten – seus colegas, no entanto, já foram indicados antes: David Parker tem quatro indicações e 2 Oscars, por O Ultimato Bourne (2007) e “O Paciente Inglês” (1996); Michael Semanick tem cinco indicações e 2 Oscars, por “King Kong” (2005) e “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003); e Ren Klyce já foi indicado uma vez, por “Clube da Luta” (1999).

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Tem grandes chances de sair vitorioso, mas pelo simples fato de ser o favorito aos prêmios principais, e não pelo mérito específico. Claro que o Som aqui tem grande importância, principalmente pelo exotismo dos cenários e ambientações, mas sem tanto destaque quanto o que se pode perceber em alguns dos outros indicados. Mesmo assim, foi reconhecido nesta categoria no Bafta, o Oscar inglês, além de ter concorrido aos prêmios dos sindicatos específicos. Esta é a primeira indicação ao Oscar de cada um dos técnicos responsáveis: Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty.

“O Procurado”

Apesar do bom desempenho que teve nas bilheterias, esta adaptação de uma pouco conhecida história em quadrinhos agradou muito mais aos fãs do gênero do que o público em geral. Por isso a surpresa ao vê-la lembrada na maior festa do cinema mundial em 2 categorias – felizmente, com poucas chances de vitória em cada uma. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico Petr Forejt – seus colegas, no entanto, já foram indicados anteriormente: Chris Jenkins concorreu outras três vezes e ganhou 2 Oscars, por “O Último dos Moicanos” (1992) e por “Entre Dois Amores” (1985), enquanto que Frank A. Montaño foi indicado também por outros quatro filmes.

“Wall-E”

Como fazer algo tão perfeito partindo do zero absoluto? Pois este é o fenomenal trabalho dos técnicos da Pixar, que a cada novo longa reinventam as regras da animação, sempre inovando com muita criatividade e dedicação. Tudo o que se ouve no filme é artificial, criado posteriormente, mas o efeito não teria como ser mais real – é de provocar arrepios! Foi indicado ao Bafta. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico Tom Myers, mas seus colegas não são novatos: Michael Semanick já ganhou 2 Oscars e tem neste ano sua sexta e sétima indicação – concorre também por “O Curioso Caso de Benjamin Button”; enquanto que Ben Burtt já ganhou 2 Oscars, 2 prêmios especiais e tem neste ano sua 11ª e 12ª indicações – concorre também pela Edição de Som deste mesmo filme!

Oscar 2009 – Melhor Edição de Som

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Também conhecida como “Efeitos Sonoros“, esta categoria é uma das mais incompreendidas de todo o Oscar. Isso acontece porque quase ninguém sabe realmente o que ela representa! Mas não é tão complicado assim. Durante uma filmagem, muito pouco do som original captado naqueles momentos é aproveitado e chega à versão final que é exibida nos cinemas. A maioria – desde os passos de um homem até o tilintar de moedas num bolso, passando pelo estrondo de um avião alçando vôo – é recriado posteriormente. Ou melhor, não criado, e sim “organizado”. Estes sons são reais, e devem sere captados, mas provavelmente em momentos diferentes, ou com outras intensidades, para passar por uma adequação posterior de acordo com a história que está sendo contada, em busca de harmonia. Podem até passar desapercebidos, mas tem uma importância fundamental!

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

And the Oscar goes to… “BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS”

*“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Se o novo filme do Homem-Morcego é tão perfeito, isso em muito se deve à impressionante qualidade técnica apresentada. TUDO está no lugar certo, estudado e posicionado com muito cuidado e esmero. Inclusive, é claro, no que diz respeito ao Som. Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som e o do Sindicato dos Editores de Som de Cinema, além de ter ganho o Satellite nesta categoria. Esta é a primeira indicação ao Oscar da técnica em som Lora Hirschberg – os outros técnicos já foram indicados antes: Gary Rizzo concorreu por “Os Incríveis” (2004) e Ed Novick por “Homem-Aranha” (2002).

“Homem de Ferro”

Este filme entrou para a história não só pela estreia da Marvel como estúdio de cinema, mas também pela ótima adaptação que fez de um popular herói de histórias em quadrinhos. E, de tantos méritos que apresenta, a qualidade técnica é uma das que mais causa espanto! Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, do Sindicato dos Editores de Som de Cinema e ao Satellite. Esta é a primeira indicação do técnico Frank Eulner, mas o colega Christopher Boyes está concorrendo pela 11ª vez! – e já ganhou em 4 ocasiões, por “King Kong” (2005), “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003), “Pearl Harbor” (2001) e “Titanic” (1997). 

“O Procurado”

Esta indicação realmente foi uma surpresa, até porque filmes mais representativos ficaram de fora, como “007 – Quantum of Solace” e o próprio “O Curioso Caso de Benjamin Button”, por exemplo. Poucos poderiam prever a força desta diversão preocupada que caiu no gosto de muitos fãs. Mesmo assim, é um bom trabalho, e esta lembrança já é um reconhecimento mais do que justo. Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som. Esta é a quarta indicação do técnico Wylie Stateman – antes concorreu por “Memórias de uma Gueixa” (2005), “Risco Total” (1993) e “Nascido em 4 de Julho” (1989).

“Quem Quer Ser um Milionário?”

Como é o favorito ao Oscar nas categorias principais, tem muitas chances de emplacar também alguns prêmios técnicos, que irão somar meio que “na onda” do filme. E aqui desponta com muita força, uma vez que o Som tem papel importante nesta trama sobre uma Índia multicolorida e intensa. O musicalidade do país e sua sonoridade é tão intensa que até parece ser um personagem paralelo durante toda a trama. Ganhou o prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, além de estar concorrendo também no Sindicato dos Editores de Som de Cinema. Esta é a primeira indicação ao Oscar dos técnicos Glenn Freemantle e Tom Sayers.

“Wall-E”

Talvez o mais incompreendido dos indicados – poucos entendem e percebem com que dificuldade sons são criados e captados especialmente para contribuir na composição de uma história contada através da animação. Tudo deve ser feito com um cuidado redobrado, uma vez que não há como seguir uma orientação prévia dos sets de filmagens – pelo simples fato destes não existirem! O som que ouvimos aqui primeiro teve que ser imaginado, para depois ser descoberto, identificado e aplicado ao enredo. Um esforço incrível que merece todo aplauso possível! Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, do Sindicato dos Editores de Som de Cinema e ao Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar do técnico Matthew Wood – ele concorreu também no ano passado, por “Sangue Negro”. Já o técnico Ben Burtt (que, por sinal, é responsável também pela “voz” – ou seja, todo som emitido – do protagonista, o robozinho Wall-E) está concorrendo pela 11ª vez, e já ganhou duas vezes: por “Indiana Jones e a Última Cruzada” (1989) e por “E.T. – O Extra-Terrestre” (1982), além de ter recebido também dois prêmios especiais da Academia, pela edição de som de “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) e pelos efeitos sonoros de “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança” (1977).

“Coração de Tinta”

sábado, janeiro 3rd, 2009

Ao término de uma projeção de “Coração de Tinta”, é quase inevitável que o espectador não fique se indagando o que tornou o livro da escritora alemã Cornélia Funke tão popular, a ponto de ter sido traduzido para 37 idiomas diferentes! Sim, porque o filme está longe de ser tão envolvente e interessante assim. É uma história curiosa, no máximo, que parte de uma premissa inteligente, mas nada mais do que isso! E o trabalho apresentado pelo diretor inglês Iain Softley (“Backbeat – Os 5 Rapazes de Liverpool”) está longe de ter a magia e o encanto necessários para merecer o posto deixado vago pela ausência de um novo “Harry Potter” neste período de férias.

Idealizado para ser o primeiro de uma trilogia – são três livros, afinal – “Coração de Tinta” deverá ter um destino similar ao de outros filmes do gênero recentes, como “A Bússola de Ouro”, “Eragon” ou mesmo “As Crônicas de Nárnia”, que terminaram por frustrar as expectativas mais ambiciosas, interrompendo os trabalhos antes destas séries serem inteiramente transpostas para a tela grande. Isso, no entanto, ainda é difícil de afirmar, uma vez que o filme não estreou nos Estados Unidos – apesar de ter sido lançado no Brasil, na Alemanha e na Inglaterra em dezembro de 2008, no resto do mundo o lançamento só será em 2009, sendo que na América do Norte o filme entrará em cartaz apenas no final de janeiro! E sem os resultados das bilheterias no maior mercado cinematográfico do planeta, é incerto o futuro do projeto. Mas se levarmos em conta a opinião da crítica, o mais aconselhado é deixar tais pretensões de lado.

Aliás, qualquer longa estrelado por Brendan Fraser não deve ser levado muito a sério. O astro de “Viagem ao Centro da Terra” e da trilogia “A Múmia” não é um dos atores mais completos do mercado – muito pelo contrário – e sua presença costuma ser indicação de problemas no percurso. Mas como a própria autora afirmou que criou seu protagonista pensando no ator, como deixá-lo de fora? Assim lá o temos, mais uma vez, com aquela cara de panaca tão característica, mais uma vez interpretando (ou ao menos tentando) um pobre coitado em situações extraordinárias e fora do seu controle. Desta vez ele é um pai de família com um talento muito especial: tudo o que lê em voz alta é capaz de se virar realidade! Mas para cada personagem da fantasia que é trazido para o nosso universo, um ser humano é lavado para o dos livros! Esta moeda de duas caras lhe custou a esposa, ao mesmo tempo que trouxe para o mundo real o vilão Capricórnio (Andy Serkis, o Gollum de “O Senhor dos Anéis”), saído das páginas do livro “Coração de Tinta”. Assim, ele terá que contar com a ajuda do autor desta aventura (Jim Broadbent, visto há pouco em “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”), de uma tia-avó excêntrica (Helen Mirren, de “A Rainha”), de um outro ser mágico (Paul Bettany, de “O Código Da Vinci”) e da filha pequena.

É curioso notar, diante de um elenco tão estrelado (há ainda uma pequena participação da bela Jennifer Connely, atual sra. Bettany, e igualmente vencedora do Oscar, assim como Broadbent e Mirren), como nomes de tamanho destaque foram se envolver em algo tão mediano. É claro que as ambições deviam ser altas, mas o próprio tema “universo fantástico” parece já estar dando sinas de cansaço, e a não ser que se dirija a um público bastante específico, como o adolescente (vide o recente, e bem sucedido, “Crepúsculo”), é quase certo que não irá funcionar. A fantasia é incrível e disposta a vários caminhos, mas se estes não forem minimamente convincentes e tratados com seriedade e respeito será difícil envolver qualquer tipo de público nesta jornada. E “Coração de Tinta” é um bom exemplo disso. O potencial apresentado é imenso, e poderia ter sido várias coisas diferentes, mas com personagens sem um rumo fortemente direcionado, funções definidas, efeitos especiais melhor aproveitados e dotado de uma trama que definitivamente não emociona, a única conclusão possível que se chega é a da lamentação.

Inkheart, EUA/Alemanha/Reino Unido, 2008
De Iain Softley
Com Brendan Fraser, Sienna Guillory, Eliza Bennett, Paul Bettany, Helen Mirren, Andy Serkis, Jim Broadbent, Rafi Gavron, Jennifer Connelly

(nota 4,5)

 

“Casamento em Dose Dupla”

sexta-feira, agosto 8th, 2008

É triste, muito triste, ver uma atriz como Diane Keaton, uma das maiores estrelas do cinema hollywoodiano entre os anos 70 e 80, marcando presença em produções patéticas como este “Casamento de Dose Dupla”. Premiada com o Oscar por “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977), musa de Woody Allen em mais de 6 produções do cultuado diretor e principal nome feminino de uma das maiores sagas do cinema moderno – “O Poderoso Chefão” (1972, 74 e 90) – chega a ser um absurdo vê-la desperdiçando tanto talento em obras descartáveis como esta. E o pior é que, desde o sucesso de “Alguém tem que Ceder” (2003), ela parece ter se convencido de que é uma boa comediante: só que o problema não é sua performance, mas sim o péssimo material com o qual tem se envolvido desde então.

Assim como nos deploráveis “Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro” (2008) e “Minha Mãe Quer Que Eu Case” (2007), em “Casamento em Dose Dupla” Keaton explora sua veia histriônica num personagem completamente inverossímil: a dona de casa sem problemas que passa a vê-los em qualquer lugar, arrumando incomodação para toda a família. Desta vez ela cisma que o marido esta lhe traindo e decide se mudar para o quarto de hóspedes do filho, complicando ainda mais a vida deste, preocupado entre o emprego que acabou de perder e os desejos da mulher decidida a engravidar. Mãe e filho acabam indo trabalhar juntos numa loja de tapetes, e a convivência forçada não será de modo algum positiva para os dois. Após mais algumas confusões, é óbvio que no final tudo se arranja – mesmo que, ao menos, não da forma mais previsível possível.

Talvez o maior engano de “Casamento em Dose Dupla” não seja mesmo Keaton, e sim os demais créditos da produção. A questão é saber se o erro está na mão frouxa do diretor Vince Di Meglio (cujo trabalho mais marcante até então foi o roteiro do péssimo “Licença para Casar”, de 2007 e com Robin Williams) ou na escolha do protagonista, o apagado e sem o menor carisma Dax Shepard (que interpretou um astronauta em “Zathura”, de 2005). Ele não funciona em nenhum âmbito, seja como vítima, líder ou herói, e também carece de química ao lado de suas parceiras – Diane ou Liv Tyler (que desde “O Senhor dos Anéis” nunca mais soube reencontrar o tom de voz correto, sempre com uma postura etérea e pálida). Se há algo que se salva é a pequena participação de Mike White (roteirista de “Escola do Rock”, entre outros) como ator, conferindo um pouco de graça a algo tão pouco estimulante.

“Casamento em Dose Dupla” é tão desprovido de méritos que fica até fácil demais apontar suas falhas. Retumbante fracasso de público e crítica nos Estados Unidos (onde foi lançado diretamente em DVD, sem passar pelos cinemas), é uma produção que só receberá alguma atenção daqueles espectadores ocasionais que não conseguiram entrar nas salas lotadas de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” ou “Kung Fu Panda”. E mesmo estes logo chegarão a conclusão que deveriam ter esperado um pouco mais e evitado tal constrangimento.

Smother, EUA, 2007
De Vince Di Meglio
Com Dax Shepard, Diane Keaton, Liv Tyler, Mike White

(nota 2)

As crônicas de James Horner

domingo, maio 25th, 2008

Depois dos impressionantes sucessos das sagas “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter”, o mundo do cinema fantástico literalmente escancarou suas portas para qualquer nova iniciativa no setor. Mas para cada “As Crônicas de Nárnia” (que faturou quase US$ 300 milhões só nas bilheterias norte-americanas) há vários “Stardust” e “A Bússola de Ouro” que naufragam nas expectativas. E este foi também o caso de “As Crônicas de Spiderwick”. (mais…)

Eragon

segunda-feira, dezembro 18th, 2006

Dirigido pelo desconhecido Stefen Fangmeier (foi diretor de segunda unidade no ótimo “Heróis Fora de Órbita” e no péssimo “O Apanhador de Sonhos“), que aqui estréia como realizador, “Eragon” nada mais é do que uma cópia mal feita da trilogia “O Senhor dos Anéis“. Apesar do aspecto “A”, tudo resulta em uma produção “B”, de segunda categoria.

O protagonista Ed Speleers (também novato) não convence em nenhum momento, sem empatia ou convicção, sem a emoção de um Aragorn ou o carisma de um Frodo (ele é um amálgama destes dois personagens, o herói descoberto ao acaso que precisa salvar um povo, ao mesmo tempo que tem uma grande, e poderosa, tarefa a cumprir).

Os coadjuvantes, estes sim com algum gabarito, estão todos muito apagados. Jeremy Irons vem se especializando na figura do melhor amigo, sempre no ponto morto (como visto em “Casanova“, “Cruzada“, “Adorável Júlia” ou “Callas Forever“, só para ficar nos mais recentes). Djimon Hounsou e John Malkovich mal aparecem – devem ganhar mais destaque numa segunda ou terceira parte (sim, também se trata de uma trilogia!). Robert Carlyle parece ter se divertido um pouco mais, mas nada comparável a única participação digna de nota – Rachel Weisz, que marca presença como a voz do dragão Saphira. Sem ter que enfrentar uma maquiagem horripilante e figurinos mais do que requentados, ela consegue transmitir alguma graça ao longa, num desempenho quase tão memorável quanto o de Sean Connery em “Coração de Dragão” (1996), filme este, aliás, que possui uma estrutura narrativa muito semelhante a deste novo projeto.

E qual é a trama? Pois bem, acompanhe e veja se não é muito similar (também) ao “Senhor dos Anéis“: um garoto pobre encontra objeto valioso (no caso, um ovo de dragão), e descobre que deverá ser o cavaleiro deste novo animal, e, assim, liderar seu povo contra a opressão de um rei malvado. Ele é treinado para a tarefa, até que surgem duas grandes novidades – a morte do mestre e o surgimento de uma ajuda inesperada (igual à “A Sociedade do Anel“). Assim, com um novo grupo, ele parte para ajudar os rebeldes, último ponto de resistência dos homens contra o vilão. Após uma grande batalha, ele é sim um herói, e parte para enfrentar de vez o inimigo mortal (não é idêntico à “As Duas Torres“?). O filme acaba no ponto exato da maturidade do protagonista, quando ele e o Rei devem se encontrar para decidirem seus destinos (o que virá a ser “O Retorno do Rei“, ou alguém ainda duvida?).

Escrito pelo jovem Christopher Paolini quando ele tinha apenas 15 anos, “Eragon” foi um fenômeno literário nos Estados Unidos próximo à “Harry Potter” no seu lançamento. Por isso o interesse de Hollywood pelo material. Mas a base é muito fraca, e somente o fãs mais cegos do livro irão apreciar a adaptação cinematográfica. Depois de termos um “Senhor do Anéis” ou mesmo os “Harry Potter” tão bem realizados, o nível de exigência cresceu muito, e este aqui não tem méritos suficientes nem mesmo para satisfazer o espectador meramente curioso. Chato, sem novidades e pouco relevante, deve cair no esquecimento muito em breve. Ao menos podemos torcer por isso, certo?

Eragon, EUA/ING, 2006
(Nota 3)

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