sábado, maio 23rd, 2009
Com mais de dois anos de atraso chega finalmente ao Brasil a volta de Ang Lee ao cinema asiático: “Desejo e Perigo” é, na verdade, uma tradução incompleta do título original, que faz mais referência aos cuidados que deve-se ter quando se é guiado pela luxúria – pois é disso, de fato, que o filme fala (mais…)
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sábado, fevereiro 7th, 2009
Existem filmes que o próprio trailer já anuncia o desastre: o argumento é risível, os desempenhos beiram o ridículo e nem mesmo o espectador mais desavisado parece se sentir minimamente atraído pelo que está vendo. “Noivas em Guerra” é um ótimo exemplo disso. Afinal, quem consegue ficar interessado pela história das duas melhores amigas que viram inimigas mortais simplesmente pelo fato de terem seus casamentos agendados para o mesmo dia e local? A resposta é tão óbvia que chega a incomodar: absolutamente ninguém!
Liv (Kate Hudson, que desistiu de ser a boa atriz vista em “Quase Famosos” e cada vez mais vem se rendendo ao pastiche da comédia romântica do tipo “Um Amor de Tesouro”) e Emma (Anne Hathaway, que começou no gênero em “O Diário da Princesa” mas vem revelando um potencial maior em produções como “O Diabo Veste Prada” e “O Segredo de Brokeback Mountain”) são inseparáveis. O maior sonho delas, desde a infância, era que seus casamentos fossem no Hotel Plaza, um dos mais badalados de Nova York, e que sejam planejados pela casamenteira Marion St. Claire (Candice Bergen, que tem se consolidado com o mesmo estilo de personagem em pequenas participações como as vistas em “Mulheres… O Sexo Forte” e “Sex and the City – O Filme”). Elas possuem namorados praticamente idênticos, fazem tudo juntas, e marcam suas festas para o mesmo mês. Só que um erro de agenda as colocam no mesmo dia. O que fazer? Um casamento duplo, apontaria o mais sensato, ou mesmo cerimônias em horários diferentes, diria um mais antenado. Só que é claro que nada disso acontece. E as ‘amigas’, que eram até então unha-e-carne, decidem partir para a guerra declarada uma contra a outra, mesmo que não haja nenhum motivo plausível para tanto.
O mais triste de “Noivas em Guerra” é perceber o ocaso de talentos até então relevantes, que precisam se sujeitar a porcarias como essa para se manterem ‘em alta’. Sim, porque o público – principalmente o norte-americano – parece não se importar em ver sempre a mesma coisa. Com um orçamento de US$ 30 milhões, o longa arrecadou quase o dobro só nas bilheterias dos Estados Unidos! Ou seja, mesmo com críticas terríveis, o que o povo quer mesmo é ver torta na cara! E isso o diretor Gary Winick, do divertido “De Repente 30”, parece ter se conformado e entregue conforme o solicitado.
Em 2007, Eddie Murphy era favorito ao Oscar de Ator Coadjuvante por seu desempenho no musical “Dreamgirls”. Mesmo assim, durante a campanha para o prêmio, ele não se importou em lançar o horroroso “Norbit” – que no final das contas foi apontado como um dos piores filmes daquele ano e acabou lhe custando a estatueta dourada. O mesmo pode se repetir este ano com Hathaway. Concorrendo ao prêmio máximo do cinema mundial pelo ainda inédito no Brasil “O Casamento de Rachel”, ela tem visto suas chances diminuírem consideravelmente desde o lançamento deste novo trabalho. Mas, no final do dia, o que importa mais: o reconhecimento artístico ou o bolso cheio?
Repleto de clichês, que possibilitam a quem estiver na platéia antecipar com bastante folga qualquer acontecimento da trama, “Noivas em Guerra” não funciona nem como diversão ligeira – ele consegue ainda desperdiçar o talento inclusive de coadjuvantes como Kristen Johnston (“Letra e Música”), que não possui uma única boa cena! É bobo, tolo, fútil e desprezível. Suas protagonistas são antipáticas, mesquinhas e infantis, e não conseguem provocar o mínimo de empatia com a platéia. E, sem identificação, o estrago é irremediável. E o destino de uma produção como essa é, além do fracasso absoluto, o esquecimento mais do que imediato.
Bride Wars, EUA, 2009
De Gary Winick
Com Kate Hudson, Anne Hathaway, Candice Bergen, Bryan Greenberg, Chris Pratt, Steve Howey, Kristen Johnston
(nota 2,5)
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quinta-feira, maio 29th, 2008
O sexo, entendido como cópula, penetração, orgasmo, gozo e prazer entre pessoas adultas sempre rendeu bons enredos em todas as artes. As narrativas da literatura já descreviam com detalhes estes atos, variando desde as minúcias insinuantes que deixam ao leitor o acréscimo por conta da imaginação criativa até o “pornotexto” praticamente um apoio em linhas para uma masturbação bem sucedida. Com o advento do cinema aos poucos a telona foi produzindo boas cenas de amor e lascívia em variadas escalas. O primeiro beijo no cinema, um simples encostar de lábios entre May Irvin e John C. Rice, em 1895, rendeu escândalo. Após poucos o público foi se habituando a ver no escurinho público o que fazia no escurinho privado e o assunto foi explorado de diversos ângulos.
Mas qual a melhor cena de sexo da história do cinema?
Mae West e Marilyn Monroe se destacavam mais por provocar do que propriamente por fazer. A primeira em “Night After Night” (1932), se destacava pelo “toque sexy” que dava aos filmes. O mito de Mae West, languidamente estendida em um sofá, ou envolvida por uma pele branca de raposa com um pródigo decote e uma das mãos apoiada na cadeira, foi o marco de uma época. Já Marilyn Monroe insinuante nas telas, voltou a ter seu nome ligado ao sexo neste ano, quando uma cópia de um vídeo, dos anos 50, em que a atriz loira aparece fazendo sexo oral em um homem não-identificado, foi vendido para um empresário nova-iorquino pela quantia de US$ 1,5 milhão.
O sexo anal ganhou status de arte na clássica cena da manteiga entre Marlon Brando e Maria Schneider em “O Último Tango em Paris” (1972) A rapidinha teve momentos de glória em vários filmes, e minha preferida é entre Glenn Close e Michael Douglas, quando na cozinha de casa deram uma “coelhinho” em “Atração Fatal” (1987), o mesmo filme que cozinha o coelho, animal de estimação da filha do personagem de Douglas, em água fervente. Em “O Último Rei da Escócia” (2006), a miscigenação ganha espaço, com símbolo de encontro de mundos diferentes unidos pelos gemidos “transidiomáticos”. Ainda falando em gêneros alimentícios há a antológica cena do ovo no oriental “Império dos Sentidos” (1976), sendo este também um emblemático signo de amor e morte.
O órgão sexual masculino é em geral dissimulado, escondido ou aparece em cenas rápidas. O pênis aparece como personagem valorizado em “Boogie Nights” (1997), se tornando a grande atração nas cenas finais. E no francês “Romance X”(1999) – nunca se viu nada tão grande. Já o sexo oral, no entanto, teve vários momentos de glória. Destaque para David Bennent, que – então com onze anos – faz Oskar, o personagem principal do alemão “O Tambor” (1979) e protagoniza uma cena de pseudo-sexo oral numa mulher e, depois de ter o rosto encoberto pelo corpo da companheira, retorna para o foco da câmera limpando a face dos pubianos entre os dentes.
O sexo solitário também protagonizou boas cenas ao cinema. Destaco as masturbações juvenis na cena da piscina do mexicano “E sua mãe também” (2001), além do impactante “Pecados Inocentes” ( 2008), que ousa numa cena de onanismo entre mãe e filho. Estes são dois exemplos extremos. O sexo pode se tornar instrumento de vingança, como em “Lua de Fel” (1992), onde a amante ofendida transa em frente ao seu opressor, já frágil numa cadeira de rodas, com um deus de ébano. Ganha status de necessidade de saúde em “Adrenalina” (2006), onde Chev Chelios (Jason Stathan) é um assassino profissional que foi envenenado. Ele não pode deixar a taxa de adrenalina em seu organismo baixar, caso contrário morrerá. Ele entra, então, numa verdadeira corrida contra o tempo para se vingar e, quem sabe, achar a cura para seu problema. Em uma das cenas picantes o protagonista transa com a namorada em um local movimentadíssimo e todos olhando. Ela resiste no começo, mas depois acaba cedendo – e cede muito gostoso.
No cinema nacional são fartas cenas de gemidos e gritos usados às vezes para atrair o público, mais prometendo do que mostrando. No meio de uma história bege sempre aparecia uma prostituta na calçada, uma atendente de lanchonete na madrugada, uma mulher que antes de ir ao banheiro de um bar olha para trás. Clássica mesmo é a cena de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976) em que Sonia Braga (Dona Flor) transa comportada e formalmente com o segundo marido Teodoro (Mauro Mendonça) enquanto o fantasma do primeiro marido, Vadinho (um dos melhores papéis de Jose Wilker), assiste a cena aos risos.
E sexo gay, qual a melhor cena?
Lembro que assisti em Porto Alegre, ainda nos anos 90, o filme oriental “Banquete de Casamento” (1993). Numa cena muito bonita Wai-Tung presenteava seu namorado Simon com um telefone celular (símbolo de consumo na época). Ato contínuo ligava para o mesmo e dizia que o amava, e a cena acaba com um quente beijo entre os dois. O público se inquietava nas poltronas: uns balançavam a cabeça, outros manifestavam sua indignação soltando sons censores. Minha Porto Alegre provinciana mostrava suas origens, mas no decorrer dos anos foi se tornando mais aberta à diversidade, até mesmo porque não havia outro caminho a seguir.
De novo “E sua mãe também” têm na parte final uma cena de beijos e insinuações muito excitante, entre os dois adolescentes, mas sem mostrar a consumação. Almodóvar trouxe variações diversas do sexo entre iguais, Antonio Bandeiras na posição “franguinho assado” em “A Lei do Desejo” (1987) e Gael Garcia Bernal em “Má Educação” (2004) são clássicos. Mas o sexo entre homens mais presente no imaginário dos cinéfilos, até pelo recente de sua produção, é do oscarizado “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), onde, em terras geladas, dois vaqueiros másculos (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal) dividem a barraca para escapar do frio e acabam atraídos por um outro calor. A “cuspidinha” de Ennis del Mar entrou para o panteão das cenas de sexo de sétima arte – ainda mais que é fator desencadeador de uma linda história de amor. Premiado com as maiores glórias do cinema mundial, o filme levantou a ira de fudamentalistas, mas levou muito da sociedade, principalmente a americana conservadora, a repensar estereótipos e modelos pré-concebidos.
E para você, qual a melhor cena de sexo da história do cinema?
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domingo, maio 25th, 2008
No último dia 16 de maio a capital gaúcha recebeu pela primeira vez uma das maiores revelações do ‘tango eletrônico’: Bajofondo, grupo mezzo argentino, mezzo uruguaio, que é um dos principais responsáveis pela reinvenção que o gênero portenho tem enfrentado nos últimos anos. E ao vivo eles não poderiam ser mais enfáticos: os caras simplesmente dominam! (mais…)
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quinta-feira, março 1st, 2007
Após ter sido indicado ao Oscar e de ter ganho diversos prêmios (como ter sido escolhido Melhor Ator segundo os Críticos de Nova Iorque e de São Francisco) pelo polêmico “O Segredo de Brokeback Moutain”, o australiano Heath Ledger seguiu um caminho inverso, não aceitando grandes produções. Em vez disso, marcou presença neste pequeno filme independente ao lado da quase desconhecida Abbie Cornish (vista há pouco em “Um Bom Ano”). A decisão, se não a mais óbvia, também não foi igualmente sábia. Não que “Candy” não funcione no sentido dele explorar ainda mais suas capacidades dramáticas; sim, e ele revela nuances frágeis e intensas. Mas por outro lado não acrescenta muito ao currículo do rapaz, que já esteve melhor em outros projetos menores, como “A Última Ceia” e “Os Reis de Dogtown”.
Dirigido pelo pouco conhecido Neil Armfield e baseado no romance de Luke Davis, esta é a história de um casal que vive à margem da sociedade: tudo o que querem é se drogar e esquecer de qualquer responsabilidade da vida adulta. Ela, vinda de um lar infeliz, parece estar neste caminho apenas para machucar o pais, alheios ao sofrimento da garota. Ele, por outro lado, não tem seu passado desvendado, e pouco ficamos sabendo das causas que o levaram até aquele ponto. O que fica claro é que ambos estão perdidamente apaixonados um pelo outro, mas, acima de tudo, se encontram em estado de completa dependência da droga. Ambos são capazes de tudo – roubar, prostituição, mendigar – para manter o vício, cada dia mais óbvio para todos aqueles que convivem ao redor dos dois.
“Candy” é o nome da protagonista, mas o filme na verdade tem o ponto de vista dele. Ele é louco por ela, ele que realmente se esforça para desistir do hábito quando ela engravida, ele que é mandado embora numa briga mais forte. Acompanhamos muito mais as desgraças dele do que as dela. Nesta indecisão entre um e outro, o filme parece perder o foco, deixando a chance de se tornar relevante dentro da temática simplesmente passar em branco. Os dois são drogados, mas poderia ser qualquer outro problema a lhes afilngir. Não é feito um estudo mais demorado dos motivos e das conseqüências. E quem perde, mais do que o espectador, que permanece distante, sem se envolver, são os realizadores, ao desperdiçarem em mais uma história de amor desajustada uma oportunidade de se discutir uma questão tão pertinente quanto a aqui abordada, porém de modo equivocado, sem o empenho que merecia.
Ledger é um bom ator, e Cornish pode vir a surpreender num futuro próximo. Geoffrey Rush, como o velho amigo gay e patrono dos exageros deles, serve mais como um alívio cômico à tragédia anunciada, sem encontrar meios de se desenvolver profundamente enquanto figura relevante dentro do roteiro. Entre tantas opções interessantes, “Candy” não chega a ser um desperdício total pelo esforço dos atores envolvidos. Mas, ao contrário de outros dramas similares, como “Rush” (1991) e “Narc” (2002), este prefere deixar de tomar uma posição mais política, abandonando discussões e centrando seu olhar no relacionamento afetivo entre duas pessoas em situações limites. Ainda curioso, mas definitivamente menos do que se poderia ter atingido.
Candy, Australia, 2006
De Neil Armfield
Com Heath Ledger, Abbie Cornish, Geoffrey Rush
(nota 6)
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