quinta-feira, julho 30th, 2009
No site IMDb, um leitor chamou “O Grupo Baader Meinhof” de “necessário”. Este é, mesmo, o termo mais apropriado para defini-lo. E talvez seja por isso, também, que uma produção tão protocolar tenha conseguido indicações a prêmios importantes como o Oscar, o Globo de Ouro e o Bafta (mais…)
Posted in Cinéfilo, Colunas, Críticas, Especiais, Oscar 2009, Película, Resenhas | No Comments »
segunda-feira, maio 11th, 2009
Na maioria das vezes, de onde menos esperamos é que surgem as maiores surpresas. Pois foi o que aconteceu comigo ao assistir “Vitus”, uma rara produção suíça a chegar ao nosso circuito comercial. Fui sem grandes expectativas, mas chega a ser difícil descrever meu nível de contentamento ao término da sessão. O longa dirigido pelo veterano Fredi M. Murer é daqueles de encher a alma e alegrar o coração (mais…)
Posted in Críticas, Película | No Comments »
domingo, fevereiro 22nd, 2009
A Fotografia de um filme diz respeito à forma como o vemos, como a história é contada e através de quais imagens. É tão importante que possui até uma pessoa dentro do set de filmagem responsável apenas por este aspecto – o diretor de fotografia. É ele quem decide como os atores serão enquadrados, como o cenário será visualizado e através de que cenas a história se desenrolará. É preciso, neste ponto, manter o equilíbrio, porque um visual embasbacante até pode conquistar o espectador, mas não salva uma trama fraca. E o enredo e atores nunca podem competir e se sobreporem com a aparência geral de um longa – tudo deve andar em sincronia. Dentre os indicados deste ano, ficaram de fora os dois concorrentes à Melhor Filme que se baseiam em fatos reais – será um indicativo de que o cinema é mesmo um ambiente de fantasia e ilusões? Ou que a realidade ainda precisa ser melhor representada – ao menos visualmente, é claro?
Vai ganhar: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
Merece ganhar: “O Curioso Caso de Benjamin Button”
And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”
“Batman – O Cavaleiro das Trevas”
O visual único de Gotham City, a cidade onde Batman combate os insanos Coringa e Duas Caras, que se assemelha a uma Chicago futurista, realista e bastante verossímil, só pode ser alcançado graças ao excelente trabalho apresentado neste quesito. Certamente será uma vitória mais do que justa. Foi indicado ao Sindicato dos Fotógrafos e ao Bafta, e ganhou o prêmio dos Críticos de Central Ohio, de Chicago, da Florida e de São Francisco. Esta é a terceira indicação ao Oscar do fotógrafo Wally Pfister – ele foi indicado anterioremente por “O Grande Truque” (2006) e por “Batman Begins” (2005).
“O Curioso Caso de Benjamin Button”
Colaborador antigo do diretor David Fincher, o chileno Claudio Miranda esteve por trás das imagens dos principais filmes deste realizador – “Se7en”, “Vidas em Jogo”, “Clube da Luta” e “Zodíaco”. Agora, nesta sua primeira indicação ao Oscar, entrega seu trabalho mais aprimorado e espetacular. Passeamos pela vida e pelas aventuras do protagonista Benjamin Button através de cenas espetaculares e arrebatadoras. Só não ganha caso seja atropelado pelo rolo compressor de Bollywood! Ganhou o prêmio dos Críticos de Phoenix, e foi indicado ao Bafta, ao Satellite, ao prêmio do Sindicato dos Fotógrafos e dos Críticos de Chicago.
“O Leitor”
Esta premiação só acontecerá caso a Academia queira reparar mais uma injustiça histórica. Afinal, esta marca a oitava indicação ao Oscar do fotógrafo Roger Deakins (que neste ano esteve também em “Foi Apenas um Sonho” e “Dúvida”), nunca antes premiado! E concorreu por filmes de destaque, como “Um Sonho de Liberdade”, “Fargo” e “Onde os Fracos não tem Vez”. Seu companheiro neste trabalho, Chris Menges, está na quarta indicação – e ganhou duas vezes, por “Gritos do Silêncio” (1984) e “A Missão” (1986). Agora apresentam um visual bonito, porém bem regular. Foram indicados ao prêmio do Sindicato dos Fotógrafos e ao Bafta.
*“Quem Quer Ser um Milionário?”
Em sua primeira indicação ao Oscar, Anthony Dod Mantle pode abalar as estruturas de Hollywood. Concorrendo por fora, este inglês é habitual colaborador de Danny Boyle e também de diretores como Lars von Trier e Thomas Vinterberg (dois expoentes do movimento Dogma 95). Ou seja, é um profissional bastante apegado a um estilo mais rústico e naturalista. E o que faz aqui é ir atrás das cores e do exotimo de um lugar muito pouco conhecido no Ocidente. E o faz com bastante competência. Ganhou o Bafta, o prêmio do Sindicato dos Fotógrafos, dos Críticos de Nova York e o Camerimage, festival voltado à fotografia cinematográfica, e que acontece na Polônia.
“A Troca”
Habitual colaborador do diretor Clint Eastwood, Tom Stern começou a trabalhar como fotógrafo por conselho do amigo, em 2002. Desde então esteve em TODOS os filmes de Eastwood como realizador – sete, no total, inclusive “Sobre Meninos e Lobos”, “Menina de Ouro”, “Cartas de Iwo Jima” e o ainda inédito “Gran Torino”. Não se este é o melhor desempenho dele na função, mas certamente é um resultado memorável. Caso o filme tivesse emplacado com mais força, talvez ele fosse um concorrente de peso. Mas, do jeito que está, a indicação já é uma vitória. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.
Posted in Especiais, Indicações, Oscar 2009 | 2 Comments »
terça-feira, fevereiro 17th, 2009
A divisão no Oscar do prêmio de Melhor Roteiro em duas categorias (no Globo de Ouro é apenas uma, por exemplo) é bastante adequada. Afinal, são dois trabalhos completamente diferentes – se num é preciso começar do zero, no outro tudo depende de como se elabora em cima da criação de uma outra pessoa. Porém, esta separação colocou em evidência uma outra crise: a falta de algo novo ao mesmo tempo original e com qualidade – afinal, dos cinco indicados à Melhor Filme, quatro são roteiros adaptados, e apenas um é inédito! Dá o que pensar, não?
Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”
“O Curioso Caso de Benjamin Button”
O roteirista Eric Roth já ganhou um Oscar, e por um filme que guarda muitas semelhanças com este novo trabalho: “Forrest Gump” (1994). Ou seja, já tem este prêmio. Mesmo assim, como é o campeão de indicações, pode acabar surpreendendo, principalmente por ter sido inspirado num conto do aclamado F. Scott Fitzgerald! Foi indicado também ao Bafta, ao Broadcast, ao Globo de Ouro, Críticos de Chicago, Sindicato dos Roteiristas e Satellite, e ganhou o National Board of Review. Esta é a quarta indicação ao Oscar de Roth – concorreu ainda por “Munique” (2005) e por “O Informante” (1999). Esta é a primeira indicação ao Oscar de Robin Swicord, co-autora da história.
“Dúvida”
John Patrick Shanley, também diretor do filme e autor da peça teatral em que o filme se baseia, criou um belíssimo texto, mas que por outro lado não é muito eficiente em esconder sua origem dos palcos. E, como dos cinco indicados é o único que não concorre à Melhor Filme, suas chances de vitória aqui são praticamente nulas – a força desta história está, sim, nas palavras, mas acima de tudo no desempenho espetacular do elenco que as defende! Foi indicado ao Broadcast, Globo de Ouro, Críticos de Chicago, Sindicato dos Roteiristas e Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Shanley – ele ganhou em 1988, por “Feitiço da Lua”!
“Frost/Nixon”
Assim como o concorrente anterior, também é baseado numa produção teatral e teve seu roteiro escrito pelo mesmo autor da peça, Peter Morgan. Se é mais eficiente em esconder sua origem, não deixa, por outro lado, de demonstrar muita força nas palavras e nas atuações do que no visual cinematográfico da obra. Concorreu também ao Bafta, ao Broadcast, Críticos de Chicago, Globo de Ouro, e Sindicato dos Roteiristas, e ganhou os prêmios dos Críticos de São Francisco e Las Vegas, além do Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Morgan – ele foi indicado ainda por “A Rainha” (2006).
“O Leitor”
Um dos maiores méritos desta produção, além do desempenho da protagonista, é sua história, que conduz com muita habilidade todos os seus segredos, revelando-os no momento certo. Com duas obras teatrais e um ‘auto-plágio’ ao seu lado na disputa, pode ser uma opção caso o favoritismo do principal indicado não se confirme. Baseado no livro de Bernhard Schlink, é o azarão, e pode surpreender. Foi indicado ao Bafta, Globo de Ouro, Críticos de Londres e Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar para o roteirista David Hare – ele concorreu também em 2002, pelo fantástico – e superior – “As Horas”, longa que também foi dirigido por Stephen Daldry!
*“Quem Quer Ser um Milionário?”
Grande favorito nas principais categorias, como Filme e Direção, é também aposta certa como Roteiro Adaptado – afinal, o que Simon Beaufoy fez com o livro de Vikas Swarup é simplesmente genial, criando algo novo, inovador e surpreendente. Ganhou o Bafta, o Broadcast, o Globo de Ouro, o National Board of Review (empatado com “O Curioso Caso de Benjamin Button”), o Sindicato dos Roteiristas e os prêmios dos Críticos de Southeastern, Phoenix, Kansas, Florida, Chicago e Central Ohio. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Beaufoy – ele concorreu também em 1998, por “The Full Monty – Ou Tudo Ou Nada”.
Posted in Especiais, Indicações, Oscar 2009 | No Comments »
segunda-feira, fevereiro 16th, 2009
Apesar do favoritismo exagerado que existe na disputa para Melhor Filme, na categoria de Direção a situação é um pouco diferente. Isso porque apesar de um dos concorrentes estar um pouco à frente na preferência dos votantes, todos os indicados são muito qualificados e não fariam feio em levar a cobiçada estatueta dourada! Outra curiosidade deste ano é que há muito tempo os indicados não eram os mesmos responsáveis pelos cinco selecionados na categoria principal, o que torna a disputa ainda mais equilibrada. Mesmo assim, é pouco provável que haja alguma surpresa, e as previsões devem se confirmar!
Vai ganhar: Danny Boyle, por “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: David Fincher, por “O Curioso Caso de Benjamin Button”
And the Oscar goes to… DANNY BOYLE, POR “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”
*Danny Boyle, por “Quem Quer Ser um Milionário?”
Na condição de comandante do grande favorito do ano, o inglês Boyle se coloca à frente dos demais indicados. Pelo trabalho já ganhou o Bafta, o British Independent Award, o Broadcast, o Globo de Ouro e o Satellite, os prêmios dos Críticos de Southeastern, Phoenix, Los Angeles, Florida e Chicago, além de ter sido eleito Diretor do Ano pelo Sindicato dos Diretores. Tem em seu currículo títulos como “Cova Rasa” (1995), “Trainspotting” (1996), “Por Uma Vida Menos Ordinária” (1997), “A Praia” (2000), “Extermínio” (2002), “Caiu do Céu” (2004) e “Sunshine – Alerta Solar” (2007). Esta é sua primeira indicação ao Oscar!
David Fincher, por “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Fincher comanda um verdadeiro espetáculo técnico e emocional. É o trabalho mais completo, pois lida com vários aspectos cinematográficos – boas atuações, efeitos especiais, fotografia, iluminação, maquiagem, direção de arte, trilha sonora – e em todos se sai espetacularmente bem. Foi indicado a quase todos os prêmios (Bafta, Globo de Ouro), e ganhou o National Board of Review. Começou a carreira dirigindo videoclipes de artistas como Madonna, Michael Jackson e Rollling Stones, e realizou filmes marcantes como “Seven” (1995), “Clube da Luta” (1999) e “Zodíaco” (2007). Esta é sua primeira indicação ao Oscar!
Gus van Sant, por “Milk – A Voz da Igualdade”
Se este é o melhor filme do ano, isso se deve à soma de vários fatores, não apenas à Direção – que, mesmo sendo indiscutível, não é o ponto mais forte do filme. Van Sant se limitou a abrir espaço para sua história e ao bom desempenho dos atores, numa sábia decisão. Ganhou o prêmio dos Críticos de Boston e de São Francisco. Dirigiu filmes como “Drugstore Cowboy” (1989), “Garotos de Programa” (1991), “Um Sonho Sem Limites” (1995), “Psicose” (1999), “Encontrando Forrester” (2000), “Elefante” (2003) e “Paranoid Park” (2007). Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu também por “Gênio Indomável”, em 1997.
Ron Howard, por “Frost/Nixon”
Howard começou sua carreira ainda criança, nos anos 50, como ator infantil em séries clássicas como “Bonanza“, “Dennis, O Pimentinha” e “Lassie“. Cresceu e hoje é um dos cineastas mais respeitados de Hollywood. Agora, chega à maturidade com aquele que é, provavelmente, o seu melhor trabalho – o mais sério, inteligente e perspicaz. Infelizmente, tem poucas chances de ganhar, principalmente por já ter seus Oscars – de Melhor Filme e Direção, conquistados por “Uma Mente Brilhante” (2001). Dirigiu ainda filmes populares como “Splash” (1984), “Coccon” (1985), “Apollo 13″ (1995), “O Grinch” (2000) e “O Código Da Vinci” (2006).
Stephen Daldry, por “O Leitor”
Este é um caso de profissional extremamente bem sucedido – foi indicado ao Oscar por TODOS os filmes que dirigiu! Tudo bem que possua apenas 3 longas no currículo, mas mesmo assim! Daldry é um cineasta sensível e cuidadoso, e todos os seus longas são garantia de obras acima de média. Mesmo assim, este novo trabalho é o azarão entre os indicados, o que o deixou praticamente sem a menor chance de vitória – esta lembrança foi seu prêmio! Foi indicado também ao Bafta, ao Satellite e ao Globo de Ouro. Esta é sua terceira indicação ao Oscar – concorreu ainda por “As Horas” (2002) e por “Billy Elliot” (2000).
Posted in Especiais, Indicações, Oscar 2009 | No Comments »
quinta-feira, fevereiro 12th, 2009
Este ano aconteceu algo bastante curioso nesta categoria: a grande favorita ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante simplesmente foi indicada… como Atriz Principal! Kate Winslet, por “O Leitor”, ganhou este prêmio no Globo de Ouro e no SAG, por exemplo, e era considerada uma aposta certa. Mas, com ela fora da disputa, as cinco finalistas ficaram meio que em pé de igualdade – com um leve favoritismo de uma espanhola enfezada sob a direção de um dos mais respeitados cineastas de Hollywood. Mas surpresas sempre acontecem, não é mesmo?
Vai ganhar: Penélope Cruz, por “Vicky Cristina Barcelona”
Merece ganhar: Penélope Cruz, por “Vicky Cristina Barcelona”
And the Oscar goes to… PENÉLOPE CRUZ, POR “VICKY CRISTINA BARCELONA”
Amy Adams, por “Dúvida”
O personagem de Amy Adams é a principal observadora do filme, que dá início às ações e uma das que mais sofrem com as consequências. É a coadjuvante por excelência. Está perfeita, e pode acabar sendo reconhecida – uma vitória que não seria injusta. Foi indicada ao Bafta, Críticos de Chicago, Globo de Ouro e ao SAG – sem ter ganho em nenhum, o que diminui muito as suas chances. Outro grande problema que enfrenta é ter uma forte concorrente no mesmo filme! Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu também como Atriz Coadjuvante em 2006 por “Retratos de Família”.
*Penélope Cruz, por “Vicky Cristina Barcelona”
No começo da corrida ao Oscar 2009, logo despontou como favorita, mas aos poucos foi sendo ofuscada por Winslet. Mas agora, sem a estrela de “O Leitor” por perto, suas chances aumentaram consideravelmente. E ela realmente merece – coadjuvante ideal, faz juz à linhagem das intérpretes de Woody Allen, com diálogos saborosos e uma composição irretocável. Ganhou o Bafta, Críticos de Boston, de Kansas, de Los Angeles, de Nova York, de Southeastern e o National Board of Review, além de ter sido indicada ao SAG, ao Globo de Ouro, ao Independent Spirit Awards, Críticos de Londres, de Chicago, ao Broadcast e ao Goya. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu ainda em 2007, como Atriz Principal, por “Volver”.
Viola Davis, por “Dúvida”
Ela tem apenas UMA cena no filme – mas uma ótima cena, em que domina o diálogo e deixa a própria Meryl Streep praticamente muda! Foi o que bastou para não só garantir a indicação, como também para colocá-la entre as favoritas – não será espanto algum se sair da festa carregando a cobiçada estatueta dourada! Desconhecida do grande público cinéfilo – no ano passado foi a melhor amiga de Diane Lane em “Noites de Tormenta” - tem extensa carreira na televisão. Foi indicada ao Broadcast, Críticos de Chicago, SAG e Globo de Ouro, e foi premiada no National Board of Review como “Revelação do Ano”. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.
Taraji P. Henson, por “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Com um desempenho simplesmente “adorável”, é praticamente impossível não se encantar pela mãe adotiva do protagonista! Mas Taraji possui poucos bons momentos em cena – e isso num filme de quase 3 horas é quase imperdoável. Sua inclusão na lista final já é, por si só, um prêmio mais do que merecido, e não há a menor chance dela sair vitoriosa. Quem sabe numa próxima vez? Apesar de ter feito poucos trabalhos no cinema, já apareceu em seriados como “House“, “C.S.I.” e “Boston Legal“. Ganhou o prêmio dos Críticos de Austin, Texas, e foi indicada ao SAG e ao Broadcast. Esta é sua primeira indicação ao Oscar!
Marisa Tomei, por “O Lutador”
Marisa está sensacional, e caso o Oscar não vá para Penélope, a minha torcida seria para ela. Apesar de ter o principal desempenho feminino no filme, é um personagem secundário, e sua indicação é mais do que justa – e uma vitória seria uma consagração! Concorreu ao Bafta, ao Broadcast e ao Globo de Ouro, e ganhou os prêmios dos Críticos de São Francisco, de San Diego, de Las Vegas e da Florida. Esta é sua terceira indicação ao Oscar – ganhou como Atriz Coadjuvante em 1993 por “Meu Primo Vinny” e concorreu em 2002, também como Coadjuvante, por “Entre Quatro Paredes“.
Posted in Especiais, Indicações, Oscar 2009 | No Comments »
quarta-feira, fevereiro 11th, 2009
Há muito tempo a seleção de indicados ao Oscar de Melhor Filme não era tão boa – nos últimos cinco ou dez anos sempre era possível trocar dois ou três dos escolhidos por outros que haviam sido ignorados. Neste ano é praticamente impossível fazer esta escolha – e isto que ficaram de fora verdadeiros novos clássicos, como “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “Wall-E”! Pena, porém, é que mesmo com títulos tão bons concorrendo entre si praticamente não há suspense algum na premiação deste ano. Com apenas um dos títulos conquistando TODOS os principais prêmios, restou aos quatro demais apenas marcarem presença como convidados de luxo.
Vai ganhar: “Quem Quer Ser Um Milionário?“
Merece ganhar: “Milk – A Voz da Igualdade“
And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”
“O Curioso Caso de Benjamin Button”
Campeão de indicações neste ano, concorrendo com 13 indicações, o novo trabalho do diretor David Fincher com o seu protagonista preferido, Brad Pitt, corre o risco de sair da festa de mãos abanando – isso pelo simples fato dele não ser o favorito em NENHUMA das categorias! O que ressalta a forte qualidade dos concorrentes, e não o pouco potencial deste filme – que é simplesmente fantástico! Foi indicado ao Bafta, ao Globo de Ouro, ao Sindicato dos Produtores, ao Broadcast, ao SAG (melhor elenco) e ao prêmio dos Críticos de Chicago – e não ganhou nenhum. Na minha opinião é o segundo melhor dos cinco concorrentes, e assim também devem pensar os votantes! Esta é a sexta indicação da produtora Kathleen Kennedy, a quinta do produtor Frank Marshall e a primeira do produtor Ceán Chaffin. Eles nunca foram premiados nesta categoria anteriormente.
“Frost/Nixon“
Com 5 indicações, é talvez o mais respeitado dos concorrentes, porém o menos “amado”, ou seja, sem defensores ardorosos. Foi ganhou o prêmio dos Críticos de Las Vegas, e foi indicado ao Globo de Ouro, ao SAG (elenco), ao Satellite, ao Sindicato dos Produtores, ao Bafta e ao Broadcast. Os produtores Brian Grazer e Ron Howard ganharam o Oscar de Melhor Filme em 2001, por “Uma Mente Brilhante”. Nesta categoria, esta é a terceira indicação de Grazer (concorreu ainda por “Apollo 13″, 1995), a segunda de Howard e a terceira de Eric Fellner, já indicado por “Desejo e Reparação” (2007) e “Elizabeth” (1998).
“O Leitor”
Esta foi a grande surpresa entre os finalistas. Lembrado em 5 categorias, nunca esteve como um dos favoritos. Mesmo assim, foi indicado ao Globo de Ouro, ao Bafta, ao Broadcast e ao Satellite – não ganhou nenhum. É o com menos chances de sair vitorioso – o azarão. Uma triste curiosidade é que dois dos produtores faleceram recentemente – Anthony MInghella (primeira indicação na categoria) e Sydney Pollack (quarta indicação na categoria, ganhou em 1985 por “Entre Dois Amores”). A terceira produtora, Donna Gigliotti, está em sua segunda indicação – ganhou em 1998 por “Shakespeare Apaixonado”.
“Milk – A Voz da Igualdade“
Um dos principais concorrentes, é o mais pertinente, sério e comprometido do ano – além de ser uma excelente obra cinematográfica. É o único com alguma vaga chance de surpreender nesta categoria – recebeu 8 indicações no total! Merece todo e qualquer reconhecimento, como os obtidos com os Críticos de Nova York, de São Francisco e de Southeastern. Foi indicado também ao Bafta, ao Broadcast, ao SAG (elenco), Satellite, na premiação dos Críticos de Londres e de Chicago e no Sindicato dos Produtores. Esta é a segunda indicação dos produtores Dan Jinks e Bruce Cohen - ganharam o Oscar de Melhor Filme em 2000, por “Beleza Americana”.
*“Quem Quer Ser Um Milionário?“
É o GRANDE favorito, e chega tão certo da vitório como há muito tempo não se via. Realmente não há mistério – segundo todas as premiações pré-Oscar, este É o Melhor Filme de 2008! Com 10 indicações, ganhou o prêmio principal no Bafta, no British Independent Awards, o Broadcast, o Globo de Ouro, o National Board of Review, o Satellite, o SAG (elenco), o Sindicato dos Produtores e os dos Críticos de Kansas, Florida e Boston. E o produtor Christian Colson é o único novato nesta categoria – é sua primeira indicação ao Oscar!
Posted in Especiais, Indicações, Oscar 2009 | 2 Comments »
quarta-feira, fevereiro 11th, 2009
A disputa para o Oscar de Melhor Atriz neste ano é a oportunidade perfeita para se fazer justiça. Pena que não apenas para uma das indicadas, mas sim DUAS delas disputam esta preferência! Afinal, de um lado temos a “maior atriz viva”, que há mais de 25 anos não é premiada, e do outro um fenômeno em sua sexta indicação, mas que nunca venceu! Qual das duas saírá recompensada é difícil prever. Entre as demais candidatas há uma excelente intérprete que recebe sua primeira chance como protagonista, uma novata que aos poucos está demonstrando saber atuar e a volta de uma das maiores estrelas de Hollywood!
Vai ganhar: Kate Winslet, por “O Leitor“
Merece ganhar: Meryl Streep, por “Dúvida“
And the Oscar goes to… KATE WINSLET, POR “O LEITOR”
Anne Hathaway, por “O Casamento de Rachel“
Ela despontou aparecendo em comédias juvenis da Disney, mas aos poucos foi conquistando respeito e popularidade ao lado de grande intérpretes e em escolhas mais ousadas. Porém, o desejo de ser uma celebridade pode ter atrapalhado seus planos – o lançamento de “Noivas em Guerra“ não foi nada positivo para sua campanha. Está em terceiro lugar na disputa, correndo por fora. Ganhou o Broadcast (empatada com Meryl) e o National Board of Review, além de ter concorrido ao Globo de Ouro, ao SAG, ao Independent Spirit Award e ao Satellite. É sua primeira indicação ao Oscar.
Angelina Jolie, por “A Troca“
Depois de virar a estrela feminina mais popular de Hollywood e se tornar uma das atrizes mais bem pagas do cinema em produções de forte apelo popular, Jolie se uniu ao respeitado Clint Eastwood para voltar aos braços da crítica. Esnobada no ano passado, quando deveria ter sido indicada pelo superior “O Preço da Coragem“, esta indicação já lhe é suficiente, sem a menor chance de vitória. Concorreu também ao Bafta, ao Broadcast, ao Globo de Ouro, ao SAG e ganhou o Satellite! É sua segunda indicação ao Oscar – ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante por “Garota, Interrompida” (1999).
Melissa Leo, por “Rio Congelado“
Atriz veterana, está na ativa desde o início dos anos 80 e já trabalhou com atores como Sean Penn, Susan Sarandon, Al Pacino, Robert De Niro, Tommy Lee Jones e Benicio Del Toro, mas nunca teve antes uma chance como protagonista. Quando esta apareceu, a agarrou com todas as forças numa performance inesquecível. É a grande azarão do ano, e uma vitória seria uma surpresa mais do que justa. Foi indicada também ao Broadcast, ao SAG, ao Independent Spirit Award e ao Satellite, e ganhou o National Board of Review de destaque (‘spotlight’) do ano! É sua primeira indicação ao Oscar!
Meryl Streep, por “Dúvida“
Ela é a maior atriz viva do cinema mundial, a mais versátil, a mais completa, e mais supreendente. Neste novo filme entrega uma atuação visceral e intensa, mas ao mesmo tempo repleta de nuances e pequenos cuidades – que fazem toda a diferença. Foi indicada a absolutamente tudo – Bafta, ao Globo de Ouro e ao Satellite, e ganhou o Screen Actors Guild, o Broadcast e o reconhecimento dos críticos de Washington, Phoenix e Kansas. Esta é sua 15ª indicação ao Oscar (um recorde!) – já ganhou duas vezes: Melhor Atriz, por “A Escolha de Sofia” (1982), e Coadjuvante, por “Kramer vs. Kramer” (1979).
*Kate Winslet, por “O Leitor“
Ninguém duvida que Winslet merecia estar nesta categoria – mas NÃO por este filme. Seu desempenho é superior em “Foi Apenas um Sonho“, que acabou sendo ignorado. Mas, com apenas 33 anos e 6 indicações no currículo, criou-se o sentimento de que “está na hora dela ganhar!“, mesmo que não mereça desta vez. Ganhou o Globo de Ouro, o Broadcast e o SAG (como Coadjuvante) e o Bafta (como Principal). Foi indicada anteriormente como Coadjuvante por “Razão e Sensibilidade” (1995) e “Iris” (2001) e como Principal por “Titanic” (1997), “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2004) e “Pecados Íntimos“ (2006).
Posted in Especiais, Indicações, Oscar 2009 | 2 Comments »
terça-feira, fevereiro 10th, 2009
Chega a ser impressionante o efeito que “O Leitor” conseguiu provocar entre os votantes do maior prêmio do cinema mundial. Chegando de mansinho, sem chamar muita atenção, recebendo avaliações medianas e com um desempenho pífio nas bilheterias, conseguiu somar cinco indicações ao Oscar – inclusive para Melhor Filme! Mesmo sem ter recebido um único reconhecimento importante – com exceção aos dedicados à atriz Kate Winslet, em desempenho arrebatador – nas premiações da Indústria ou da Crítica, conseguiu se firmar como um concorrente de respeito. E isso se deve a dois fatores: o primeiro, como já foi dito, sua atriz principal. E o segundo, claro, é o respeito obtido pelo cineasta Stephen Daldry, o mesmo de “As Horas” (2002) e “Billy Elliot” (2000) – o único diretor de todos os tempos indicado ao Oscar por TODOS os filmes que já dirigiu (ou seja, estes três citados)!
O título do filme já oferece uma pista sobre o grande “mistério” da trama. Michael Berg (vivido pelo novato ator alemão David Kross na adolescência e pelo inglês Ralph Fiennes quando adulto) é um jovem que, logo após a Segunda Guerra Mundial, se apaixona por uma mulher com o dobro da sua idade. O romance é mantido em segredo, mas provoca um efeito devastador no garoto. Os dois passam diariamente horas no apartamento dela, mas não apenas em relações sexuais – ele, atendendo a um pedido, traz a cada encontro um novo livro, que lê em voz alta para o deleite da amante. Porém, quando descobre a casa vazia sem o menor sinal de para onde ela pode ter ido, o rapaz fica desorientado. Um vazio que permanecerá nele durante anos, até o dia em que, já estudante de Direito, vai acompanhar o julgamento de colaboradoras do Regime Nazista e se depara, no banco dos réus, com a mesma mulher que lhe ensinou o que era amor. Naquele momento descobre que ela não só fora responsável pela morte de dezenas de prisioneiros judeus como também com outros segredos ainda mais torturantes.
Apesar desta não ser a história da personagem de Kate Winslet – e, sim, a do menino que virou homem ao lado dela – ela é a verdadeira força por trás do enredo. Por isso é tão surpreendente vê-la recebendo prêmios importantes, como o Globo de Ouro e o SAG (oferecido pelo Sindicato dos Atores de Hollywood), de “Melhor Atriz Coadjuvante”. O mais certo, obviamente, é tratá-la como protagonista – ela possui a performance feminina mais importante de toda a produção, indiscutivelmente – e por isso que a conquista do Bafta e a indicação ao Oscar na categoria principal é mais do que justa. Como uma verdadeira alemã, compõe um personagem com uma força incrível, mas cuja intensidade só é desvelada pelos olhares e numa ou outra atitude mais enérgica. Contida e com um desempenho subliminar e discreto, oferece ao público um registro bastante diferente daqueles que se acostumou a exercer em sua carreira – como o também excelente, porém bastante diverso, visto no elogiado “Foi Apenas Um Sonho”.
Winslet foi a primeira opção de Daldry para este papel, mas quando veio o convite não pode aceitar. Ele, depois de consultar atrizes como Nicole Kidman e Juliette Binoche, acabou tendo um atraso nas filmagens, abrindo espaço para Kate. Uma feliz coincidência de datas. Outro que está muito bem em cena é Fiennes, que, ao lado dos recentes “A Duquesa” e “Na Mira do Chefe”, revela um mosaico de personalidades bastante distintas e interessantes. Um ano cheio! Mas “O Leitor” não é só elenco, e a mão precisa do diretor também merece ser observada. Ele sabe o momento certo de revelar e de esconder, de manter a curiosidade oferecendo aos poucos os elementos necessários para uma melhor compreensão, porém sem entregar tudo facilmente. Ao tratar tanto seus personagens quanto os próprios espectadores como respeito e simpatia, constrói um filme elegante e envolvente, comovendo como poucos.
“O Leitor” concorre ao Oscar ainda nas categorias de Roteiro Adaptado (é baseado no livro de Bernhard Schlink e escrito por David Hare, o mesmo roteirista do superior “As Horas”) e Fotografia (de Roger Deakins, indicado já 8 vezes ao Oscar, inclusive por produções como “Onde os Fracos Não Tem Vez” e “Um Sonho de Liberdade”). Mesmo assim, arrecadou pouco mais do que US$ 15 milhões nos Estados Unidos e, segundo o site Rotten Tomatoes, que compila as principais críticas cinematográficas, teve cotação de 59%, ou seja, abaixo da média. Estes resultados controversos talvez se devam justamente pelo filme não facilitar as coisas. O que está ali é justamente para ser mostrado, e o que permanece na sugestão tem um motivo para tal. E se nem todos consegue perceber isso, o máximo que pode ser feito é lamentar.
The Reader, EUA/Alemanha, 2008
De Stephen Daldry
Com Kate Winslet, David Kross, Ralph Fiennes, Lena Olin, Bruno Ganz
(nota 8,5)
Posted in Cinéfilo, Colunas, Críticas, Especiais, Oscar 2009, Película, Resenhas | No Comments »