quarta-feira, abril 15th, 2009
Pegue a protagonista de “Diário de Bridget Jones”, coloque-a vivendo o cotidiano de “O Diabo Veste Prada” e usando os mesmos fabulosos figurinos de “Sex and the City”. E o que temos de resultado? “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”! Pena que, no misturar da receita, um tempero ficou faltando (mais…)
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sábado, fevereiro 7th, 2009
Existem filmes que o próprio trailer já anuncia o desastre: o argumento é risível, os desempenhos beiram o ridículo e nem mesmo o espectador mais desavisado parece se sentir minimamente atraído pelo que está vendo. “Noivas em Guerra” é um ótimo exemplo disso. Afinal, quem consegue ficar interessado pela história das duas melhores amigas que viram inimigas mortais simplesmente pelo fato de terem seus casamentos agendados para o mesmo dia e local? A resposta é tão óbvia que chega a incomodar: absolutamente ninguém!
Liv (Kate Hudson, que desistiu de ser a boa atriz vista em “Quase Famosos” e cada vez mais vem se rendendo ao pastiche da comédia romântica do tipo “Um Amor de Tesouro”) e Emma (Anne Hathaway, que começou no gênero em “O Diário da Princesa” mas vem revelando um potencial maior em produções como “O Diabo Veste Prada” e “O Segredo de Brokeback Mountain”) são inseparáveis. O maior sonho delas, desde a infância, era que seus casamentos fossem no Hotel Plaza, um dos mais badalados de Nova York, e que sejam planejados pela casamenteira Marion St. Claire (Candice Bergen, que tem se consolidado com o mesmo estilo de personagem em pequenas participações como as vistas em “Mulheres… O Sexo Forte” e “Sex and the City – O Filme”). Elas possuem namorados praticamente idênticos, fazem tudo juntas, e marcam suas festas para o mesmo mês. Só que um erro de agenda as colocam no mesmo dia. O que fazer? Um casamento duplo, apontaria o mais sensato, ou mesmo cerimônias em horários diferentes, diria um mais antenado. Só que é claro que nada disso acontece. E as ‘amigas’, que eram até então unha-e-carne, decidem partir para a guerra declarada uma contra a outra, mesmo que não haja nenhum motivo plausível para tanto.
O mais triste de “Noivas em Guerra” é perceber o ocaso de talentos até então relevantes, que precisam se sujeitar a porcarias como essa para se manterem ‘em alta’. Sim, porque o público – principalmente o norte-americano – parece não se importar em ver sempre a mesma coisa. Com um orçamento de US$ 30 milhões, o longa arrecadou quase o dobro só nas bilheterias dos Estados Unidos! Ou seja, mesmo com críticas terríveis, o que o povo quer mesmo é ver torta na cara! E isso o diretor Gary Winick, do divertido “De Repente 30”, parece ter se conformado e entregue conforme o solicitado.
Em 2007, Eddie Murphy era favorito ao Oscar de Ator Coadjuvante por seu desempenho no musical “Dreamgirls”. Mesmo assim, durante a campanha para o prêmio, ele não se importou em lançar o horroroso “Norbit” – que no final das contas foi apontado como um dos piores filmes daquele ano e acabou lhe custando a estatueta dourada. O mesmo pode se repetir este ano com Hathaway. Concorrendo ao prêmio máximo do cinema mundial pelo ainda inédito no Brasil “O Casamento de Rachel”, ela tem visto suas chances diminuírem consideravelmente desde o lançamento deste novo trabalho. Mas, no final do dia, o que importa mais: o reconhecimento artístico ou o bolso cheio?
Repleto de clichês, que possibilitam a quem estiver na platéia antecipar com bastante folga qualquer acontecimento da trama, “Noivas em Guerra” não funciona nem como diversão ligeira – ele consegue ainda desperdiçar o talento inclusive de coadjuvantes como Kristen Johnston (“Letra e Música”), que não possui uma única boa cena! É bobo, tolo, fútil e desprezível. Suas protagonistas são antipáticas, mesquinhas e infantis, e não conseguem provocar o mínimo de empatia com a platéia. E, sem identificação, o estrago é irremediável. E o destino de uma produção como essa é, além do fracasso absoluto, o esquecimento mais do que imediato.
Bride Wars, EUA, 2009
De Gary Winick
Com Kate Hudson, Anne Hathaway, Candice Bergen, Bryan Greenberg, Chris Pratt, Steve Howey, Kristen Johnston
(nota 2,5)
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quinta-feira, novembro 27th, 2008
Apesar do imbecil título nacional, que quase me fez não assisti-lo, “Dan in Real Life” é um filme bastante interessante. E muito disso se deve ao ótimo desempenho de Steve Carell, à presença luminosa de Juliette Binoche e ao olhar cuidadoso do diretor e roteirista Peter Hedges. Esta combinação consegue fazer esta comédia romântica se diferenciar do marasmo em que o gênero normalmente se encontra, subvertendo estruturas clássicas e brincando com os clichês mais comuns, ousando na criatividade e num maior carinho para com os personagens principais.
“Dan in Real Life” é o nome da coluna diária que o escritor Dan (Carell) assina no jornal da cidade em que mora. Ali ele conta as desventuras de ser um viúvo pai de três garotas. Quatro anos após o falecimento da esposa, ainda sente a ausência dela, tanto enquanto homem como quando tem que lidar com as filhas: a mais velha insiste em aprender a dirigir, a do meio é uma adolescente que está vivendo o primeiro amor e a menor só quer um pouco mais de atenção.
A trama começa quando Dan e as meninas se reúnem para passar uma semana com a família, na casa dos avós delas. Uma espécie de tradição familiar. Só que o conforto imaginado está longe de acontecer. Ao chegar descobre que todos – os pais, os irmãos, até os sobrinhos – estão preocupados com ele e em como está lidando com a atual situação. Mais sozinho do que nunca, encontra uma luz numa estranha que conhece ao sair para comprar os jornais. Só que a atração que nasceu naquele momento logo gera um conflito quando descobre que aquela mulher é a nova namorada do seu irmão mais novo.
Com um enredo destes, seria muito fácil transformar “Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” em mais uma comédia besteirol tola e ridiculamente previsível. Talvez como os distribuidores brasileiros desejassem. Sim e não. Porque estamos diante de um filme que termina entregando ao público o que esperamos, sem grandes reviravoltas ou surpresas. Mas faz isso com tanto carinho, cuidado e delicadeza, que é uma ingrata missão não ficar felizmente satisfeito com o que nos deparamos ao final.
Peter Hedges tem um belo currículo: foi indicado ao Oscar pelo encantador roteiro adaptado de “Um Grande Garoto” (2002), e demonstrou seu talento diferenciado em produções como “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador” (1993, roteiro adaptado), “O Mapa do Mundo” (1999, roteiro adaptado) e “Do Jeito Que Ela É” (2003, direção e roteiro original). Steve Carell, por outro lado, entrega uma composição bastante diferente da vista recentemente no sucesso “Agente 86” (filmado posteriormente, aliás). Ele está mais próximo da atuação vista em longas mais comoventes, como “Pequena Miss Sunshine” (2006). E, conferindo um toque feminino, temos a oscarizada Binoche (“O Paciente Inglês”, 1996), comprovando que seu talento é realmente internacional, independente da língua ser inglês ou o francês (seu idioma original). Outras boas surpresas são Emily Blunt (“O Diabo Veste Prada”, 2006), numa participação especial, e Dianne Wiest (vencedora do Oscar por “Hannah e suas Irmãs”, 1986, e por “Tiros sobre a Broadway”, 1994), como a matriarca. Já o pretenso novo galã Dane Cook (“Amigos, Amigos, Mulheres à Parte”, 2008, “Maldita Sorte”, 2007) é o passo em falso do elenco, merecendo nada mais do que a certa obscuridade.
“Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada” – ou o muito mais apropriado “Dan in Real Life” – é um ótimo “feel good movie”, daqueles que mexem com nossos sentimentos interiores e nos deixam mais leves, felizes e corajosos para encarar a vida real que nos cerca. Boa história, atores competentes e um diretor seguro do caminho a seguir. Precisa mais?
Dan in Real Life, EUA, 2007
De Peter Hedges
Com Steve Carell, Juliette Binoche, Dane Cook, Dianne Wiest, John Mahoney, Alison Pill, Amy Ryan, Emily Blunt
(nota 8,5)
Leia também:
“Dan in Real Life”, por Ale Simas
“A Vida de Dan”, por Gabriel Ruas
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sábado, junho 28th, 2008
Criado em 1965 por Mel Brooks e Buck Henry, o atrapalhado detetive secreto interpretado na televisão por Don Adams (1923 – 2005) chega agora aos cinemas em “Agente 86″. Astros como Jim Carrey, Martin Lawrence e Will Ferrell chegaram a entrar na disputa para o papel de protagonista, mas nenhuma escolha seria mais apropriada para reviver Maxwell Smart do que Steve Carell, o comediante que virou astro após o sucesso de “O Virgem de 40 Anos” (2005). E amparado por uma boa equipe – Anne Hathaway pós-“O Diabo Veste Prada”, Alan Arkin pós-“Pequena Miss Sunshine”, Dwayne Johnson pós-The Rock e Terence Stamp pós-“Priscilla, A Rainha do Deserto” (entre tantos outros) – Carell comanda um projeto em que praticamente tudo dá certo, entregando ao público uma divertida comédia como há muito não se via nos grandes estúdios hollywoodianos.
“Agente 86″, a série, nasceu como uma paródia dos filmes de James Bond. Bem, se hoje em dia o próprio 007 foi revitalizado (vide Daniel Craig), além do renascimento de outros heróis similares, como Ethan Hunt (“Missão: Impossível”) e Jason Bourne (“Trilogia Bourne”), porque o riso que nasceu da mesma fonte não seguiria caminho idêntico? Sai, desta forma, a Guerra Fria e entra em cena uma nação misteriosa qualquer, com os velhos planos de dominar o mundo. 86 continua sendo membro da agência C.O.N.T.R.O.L.E., tendo que enfrentar os perigos da organização do mal K.A.O.S.. Mas este é um filme de origem, e ficamos sabendo como ele se tornou agente de campo, como a parceria com a 99 (Hathaway) começou e quais foram suas missões iniciais. E o melhor: acompanhamos desde o início as incríveis trapalhadas em que ele inadvertidamente acaba se metendo e os modos fantásticos como termina escapando dos mais arriscados perigos.
Com um orçamento de US$ 80 milhões, “Agente 86″ estreou nos Estados Unidos derrubando “O Incrível Hulk” da liderança e conquistando o topo das bilheterias, com quase a metade deste valor somente nos três primeiros dias de exibição. Acompanhando tudo isso há também a crítica, que abraçou sem grandes ressalvas a versão cinematográfica da antiga série. Entre os pontos fortes, além da boa sintonia do elenco, estão os efeitos especiais competentes - que não ficam devendo nada a outras produção mais “sérias” - e a direção segura de Peter Segal (“Corra que a Polícia Vem Aí 33 e 1/3″, “O Professor Aloprado 2″, “Tratamento de Choque”, “Como se fosse a Primeira Vez”), profissional que mesmo antes dos 50 anos de idade já pode ser considerado um ‘veterano no gênero’. E isso sem falar que a música-tema é “4 Minutes”, o mais recente sucesso de Madonna (ao lado do astro pop Justin Timberlake). Quer mais? Não se desespere. Com tantos acertos assim, uma continuação não deve demorar muito para se tornar realidade!
Get Smart, EUA, 2008
De Peter Segal
Com Steve Carell, Anne Hathaway, Alan Arkin, Terence Stamp, Dwayne Johnson
(nota 8)
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quarta-feira, dezembro 6th, 2006
Dirigido por Stephen Frears (“Minha Adorável Lavanderia”, “Os Imorais”), “A Rainha” se passa durante uma única semana, da morte da princesa Diana até o seu enterro, sete dias depois. O foco da ação está no comportamento da Família Real Inglesa, em como ela reagiu ao acontecimento, e como o povo inglês exigiu uma maior comoção da realeza. E há tb a atuação decisiva do recém eleito primeiro ministro Tony Blair (Michael Sheen, de “Underworld – Anjos da Noite”). O cara foi decisivo para “salvar” a monarquia nestes sete dias.
“A Rainha” nem parece ser dirigido por Frears, um cara mais acostumado com o proletariado do que com a realeza. o mais próximo seria o “Ligações Perigosas”, mas mesmo assim sem o registro documental deste novo trabalho. O filme é muito bem feito, uma realização de muita classe e resultado. Certamente será indicado ao Oscar nas principais categorias: Filme, Diretor, Atriz, Ator Coadjuvante, Roteiro, Edição, Fotografia (do brasileiro Affonso Beato, parceiro habitual de Pedro Almodóvar e Cacá Diegues), Figurino e Direção de Arte.
Mas A RAINHA não seria nada sem Helen Mirren. A atriz de “Assassinato em Gosford Park” e “As Loucuras do Rei George” dá um verdadeiro show, numa interpretação carregada de pequenos detalhes. O filme favorece a história, e não a atriz, mas mesmo assim ela dá um show. Para se ter uma idéia, um dos momentos mais comoventes, quando a rainha finalmente chora a perda da nora, a câmera está nas costas dela, e só vemos a lágrima quando ela se vir, após ter terminado o choro. Uma elegância irrepreensível. Mirren já ganhou o Festival de Veneza, com este trabalho, e será uma injustiça se perder o Oscar. Ao menos ela está melhor do que Penélope Cruz (“Volver”) e Meryl Streep (“O Diabo Veste Prada”), as duas tb deslumbrantes, e prováveis concorrentes ao prêmio máximo do cinema ao lado dela.
The Queen, ING, 2006
De Stephen Frears
Com Helen Mirren, James Cromwell, Michael Sheen
(Nota 8,5)
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