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“(500) Dias com Ela”

quinta-feira, junho 24th, 2010

Um dos filmes mais interessantes exibidos recentemente nos cinemas – e que agora já se encontra disponível em dvd – é a ‘tragicomédia’ romântica “(500) Dias com Ela”, de Marc Webb. E o forte da produção é justamente algo meio que em baixa hoje em Hollywood: seu bom roteiro (mais…)

“Arrasta-me para o Inferno”

quinta-feira, agosto 20th, 2009

“Arrasta-me para o Inferno” significa uma volta às origens para o diretor Sam Raimi. Não só pelo fato deste ser seu primeiro trabalho fora da saga “Homem-Aranha” em quase uma década, mas também pelo retorno ao gênero que o consagrou: o terror (mais…)

Oscar 2009 – Melhor Som

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Esta categoria, também conhecida como “Mixagem de Som”, diz respeito ao modo como todas as sonoridades de uma história chegam até o espectador, alternando momentos de extrema discrição com outros de grande impacto, tudo de acordo com o que a história pede. A intenção é sempre buscar a harmonia e nunca competir com outros elementos sonoros, como a trilha sonora e os diálogos – quando isso acontece, passam a ser reconhecidos como “ruídos”. Na maioria das vezes, quando funcionam, não devem chamar atenção e poucos irão perceber os efeitos deste trabalho. Mas, quando o que acontece é o contrário, pode colocar tudo a perder e prejudicar a percepção de todo o conjunto.

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Wall-E”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Assim como a Edição de Som, o Som de um filme por si só deve ter efeitos imprescindíveis na avaliação geral de uma obra, e neste caso contribui com grande força para o resultado final. Como este é também um dos campeões de indicações do ano, lembrado em 8 categorias, pode acabar surpreendendo aqui também. Ganhou o Satellite e concorreu ao Bafta, além de ter sido indicado aos prêmios dos respectivos sindicatos. Lora Hirschberg e Gary Rizzo concorrem também à Edição de Som. Esta é a segunda indicação ao Oscar do técnico Ed Novick, que concorreu anterioremente por “Homem-Aranha” (2002).

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

O Som tem importância fundamental para capturar a atenção do espectador. Os méritos aqui são indiscutíveis – porém um tanto discretos, o que pode prejudicar uma avaliação de maior destaque. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico de som Mark Weingarten – seus colegas, no entanto, já foram indicados antes: David Parker tem quatro indicações e 2 Oscars, por O Ultimato Bourne (2007) e “O Paciente Inglês” (1996); Michael Semanick tem cinco indicações e 2 Oscars, por “King Kong” (2005) e “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003); e Ren Klyce já foi indicado uma vez, por “Clube da Luta” (1999).

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Tem grandes chances de sair vitorioso, mas pelo simples fato de ser o favorito aos prêmios principais, e não pelo mérito específico. Claro que o Som aqui tem grande importância, principalmente pelo exotismo dos cenários e ambientações, mas sem tanto destaque quanto o que se pode perceber em alguns dos outros indicados. Mesmo assim, foi reconhecido nesta categoria no Bafta, o Oscar inglês, além de ter concorrido aos prêmios dos sindicatos específicos. Esta é a primeira indicação ao Oscar de cada um dos técnicos responsáveis: Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty.

“O Procurado”

Apesar do bom desempenho que teve nas bilheterias, esta adaptação de uma pouco conhecida história em quadrinhos agradou muito mais aos fãs do gênero do que o público em geral. Por isso a surpresa ao vê-la lembrada na maior festa do cinema mundial em 2 categorias – felizmente, com poucas chances de vitória em cada uma. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico Petr Forejt – seus colegas, no entanto, já foram indicados anteriormente: Chris Jenkins concorreu outras três vezes e ganhou 2 Oscars, por “O Último dos Moicanos” (1992) e por “Entre Dois Amores” (1985), enquanto que Frank A. Montaño foi indicado também por outros quatro filmes.

“Wall-E”

Como fazer algo tão perfeito partindo do zero absoluto? Pois este é o fenomenal trabalho dos técnicos da Pixar, que a cada novo longa reinventam as regras da animação, sempre inovando com muita criatividade e dedicação. Tudo o que se ouve no filme é artificial, criado posteriormente, mas o efeito não teria como ser mais real – é de provocar arrepios! Foi indicado ao Bafta. Esta é a primeira indicação ao Oscar do técnico Tom Myers, mas seus colegas não são novatos: Michael Semanick já ganhou 2 Oscars e tem neste ano sua sexta e sétima indicação – concorre também por “O Curioso Caso de Benjamin Button”; enquanto que Ben Burtt já ganhou 2 Oscars, 2 prêmios especiais e tem neste ano sua 11ª e 12ª indicações – concorre também pela Edição de Som deste mesmo filme!

Oscar 2009 – Melhor Edição de Som

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Também conhecida como “Efeitos Sonoros“, esta categoria é uma das mais incompreendidas de todo o Oscar. Isso acontece porque quase ninguém sabe realmente o que ela representa! Mas não é tão complicado assim. Durante uma filmagem, muito pouco do som original captado naqueles momentos é aproveitado e chega à versão final que é exibida nos cinemas. A maioria – desde os passos de um homem até o tilintar de moedas num bolso, passando pelo estrondo de um avião alçando vôo – é recriado posteriormente. Ou melhor, não criado, e sim “organizado”. Estes sons são reais, e devem sere captados, mas provavelmente em momentos diferentes, ou com outras intensidades, para passar por uma adequação posterior de acordo com a história que está sendo contada, em busca de harmonia. Podem até passar desapercebidos, mas tem uma importância fundamental!

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

And the Oscar goes to… “BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS”

*“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Se o novo filme do Homem-Morcego é tão perfeito, isso em muito se deve à impressionante qualidade técnica apresentada. TUDO está no lugar certo, estudado e posicionado com muito cuidado e esmero. Inclusive, é claro, no que diz respeito ao Som. Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som e o do Sindicato dos Editores de Som de Cinema, além de ter ganho o Satellite nesta categoria. Esta é a primeira indicação ao Oscar da técnica em som Lora Hirschberg – os outros técnicos já foram indicados antes: Gary Rizzo concorreu por “Os Incríveis” (2004) e Ed Novick por “Homem-Aranha” (2002).

“Homem de Ferro”

Este filme entrou para a história não só pela estreia da Marvel como estúdio de cinema, mas também pela ótima adaptação que fez de um popular herói de histórias em quadrinhos. E, de tantos méritos que apresenta, a qualidade técnica é uma das que mais causa espanto! Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, do Sindicato dos Editores de Som de Cinema e ao Satellite. Esta é a primeira indicação do técnico Frank Eulner, mas o colega Christopher Boyes está concorrendo pela 11ª vez! – e já ganhou em 4 ocasiões, por “King Kong” (2005), “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei” (2003), “Pearl Harbor” (2001) e “Titanic” (1997). 

“O Procurado”

Esta indicação realmente foi uma surpresa, até porque filmes mais representativos ficaram de fora, como “007 – Quantum of Solace” e o próprio “O Curioso Caso de Benjamin Button”, por exemplo. Poucos poderiam prever a força desta diversão preocupada que caiu no gosto de muitos fãs. Mesmo assim, é um bom trabalho, e esta lembrança já é um reconhecimento mais do que justo. Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som. Esta é a quarta indicação do técnico Wylie Stateman – antes concorreu por “Memórias de uma Gueixa” (2005), “Risco Total” (1993) e “Nascido em 4 de Julho” (1989).

“Quem Quer Ser um Milionário?”

Como é o favorito ao Oscar nas categorias principais, tem muitas chances de emplacar também alguns prêmios técnicos, que irão somar meio que “na onda” do filme. E aqui desponta com muita força, uma vez que o Som tem papel importante nesta trama sobre uma Índia multicolorida e intensa. O musicalidade do país e sua sonoridade é tão intensa que até parece ser um personagem paralelo durante toda a trama. Ganhou o prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, além de estar concorrendo também no Sindicato dos Editores de Som de Cinema. Esta é a primeira indicação ao Oscar dos técnicos Glenn Freemantle e Tom Sayers.

“Wall-E”

Talvez o mais incompreendido dos indicados – poucos entendem e percebem com que dificuldade sons são criados e captados especialmente para contribuir na composição de uma história contada através da animação. Tudo deve ser feito com um cuidado redobrado, uma vez que não há como seguir uma orientação prévia dos sets de filmagens – pelo simples fato destes não existirem! O som que ouvimos aqui primeiro teve que ser imaginado, para depois ser descoberto, identificado e aplicado ao enredo. Um esforço incrível que merece todo aplauso possível! Foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Técnicos de Som, do Sindicato dos Editores de Som de Cinema e ao Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar do técnico Matthew Wood – ele concorreu também no ano passado, por “Sangue Negro”. Já o técnico Ben Burtt (que, por sinal, é responsável também pela “voz” – ou seja, todo som emitido – do protagonista, o robozinho Wall-E) está concorrendo pela 11ª vez, e já ganhou duas vezes: por “Indiana Jones e a Última Cruzada” (1989) e por “E.T. – O Extra-Terrestre” (1982), além de ter recebido também dois prêmios especiais da Academia, pela edição de som de “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) e pelos efeitos sonoros de “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança” (1977).

“Antes que o Diabo Saiba que você está Morto”

segunda-feira, julho 7th, 2008

É possível que um dos melhores filmes do ano passado tenha passado praticamente desapercebido do público e das principais premiações do cinema internacional? Sim, e “Antes que o Diabo Saiba que você está Morto” é o melhor exemplo deste fato. A última temporada foi repleta de grandes filmes, e muitos acabaram menosprezados – como “O Gângster” e “Hairspray”, entre tantos outros – mas nenhum teve destino pior do que esta volta do diretor Sidney Lumet a sua melhor forma. E cabe agora ao espectador mais antenado descobrir este clássico instantâneo.

O início é perfeito. De imediato somos jogados na intimidade de um casal, os dois na cama, transando. Logo percebemos que estão casados há um bom tempo, e que talvez por isso mesmo estejam impressionados com a qualidade do sexo que estão tendo. Parecem ter redescoberto o tesão um pelo outro. Felicidade? Nada poderia ser mais falso.

A partir deste instante tudo começa a desmoronar. Ele (Philip Seymor Hoffman, num dos três grandes desempenhos que teve no ano passado, ao lado de “A Família Savage”, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro, e “Jogos do Poder”, pelo qual foi indicado ao Oscar) é gerente de uma grande firma e viciado em drogas. O irmão (Ethan Hawke, no seu melhor trabalho desde “Dia de Treinamento”, desempenho que lhe rendeu uma indicação ao Oscar) trabalha como vendedor na mesma empresa, está separado e devendo três meses de pensão para a ex-mulher. Só que o pior para os dois começa quando o primeiro convence o outro a assaltarem a joalheria da família – como o seguro irá cobrir a perda, será um golpe tranqüilo e que não deixará prejuízos. Ou ao menos isso é o que pensam, pois durante o roubo acabam matando a própria mãe. E essa é só a primeira das terríveis desgraças que estão por vir.

Se o roteiro escrito pela iniciante Kelly Masterson é uma obra prima de suspense, que mantém a tensão do início ao fim, a mão segura de Lumet (veterano responsável por longas que ainda hoje são referências, como “Serpico”, “Um Dia de Cão” e “Rede de Intrigas”, todos nos anos 70) é que faz o diferencial. Ele está no seu chão, com completo domínio do que deve ser feito. E é muito bom ver um profissional como ele que não ficou perdido no tempo, disposto não só a reconquistar seu espaço entre os grandes como também apto e ensinar uma ou duas lições que só a experiência pode proporcionar.

Outro ponto forte é o elenco, todos em atuações acima da média. Se Hoffman e Hawke seguram muito bem as pontas, como dois vértices de uma família desajustada e dotada de uma moral muito distorcida, os coadjuvantes garantem um show à parte. Marisa Tomei, vencedora do Oscar pela comédia “Meu Primo Vinny”, mostra o despojamento necessário para o papel, comprovando mais uma vez que sua estatueta dourada não foi um engano. Já o monstro Albert Finney (“Erin Brockovich”) vai entrando em cena aos poucos, pelas beiradas, até se revelar um vulcão adormecido, porém prestes a entrar em erupção. É um gigante, e só alguém como ele pode fazer o que seu personagem é capaz de forma verossímil e lógica. Outros destaques são Michael Shannon (“Possuídos”), Amy Ryan (“Medo da Verdade”) e Rosemary Harris (“Homem-Aranha”), todos em pequenas participações, porém totalmente envolvidos no projeto.

“Antes que o Diabo Saiba que você está Morto” é uma tragédia nos padrões mais tradicionais do gênero, e justamente por isso é tão perfeito. Tudo está presente, disposto da forma correta e mais inteligente possível, funcionando com uma precisão ímpar. São gênios em ação, e isso é mais do que suficiente para mostrar válido qualquer interesse despertado. Corrupção, traição, morte, egoísmo, ganância: os pecados estão todos ali, e não há como fugir deles. É como um castelo de cartas, levantado com muito cuidado, mas que diante a menor brisa termina por inevitavelmente vir abaixo . E somos espectadores privilegiados diantes de uma obra que merece aplausos entusiasmados.

Before the Devil Knows you’re Dead, EUA/Inglaterra, 2007
De Sidney Lumet
Com Philip Seymor Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei, Albert Finney, Rosemary Harris, Michael Shannon, Amy Ryan

(nota 9)

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