quinta-feira, março 12th, 2009
Nos comerciais promovendo o filme, “Sex Drive” não tem vergonha de se comparar à “Superbad – É Hoje!”. Fui ao cinema esperando uma cópia barata (e, conseqüentemente, pior que a original), mas me vi surpreendida da maneira certa (mais…)
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segunda-feira, julho 7th, 2008
É possível que um dos melhores filmes do ano passado tenha passado praticamente desapercebido do público e das principais premiações do cinema internacional? Sim, e “Antes que o Diabo Saiba que você está Morto” é o melhor exemplo deste fato. A última temporada foi repleta de grandes filmes, e muitos acabaram menosprezados – como “O Gângster” e “Hairspray”, entre tantos outros – mas nenhum teve destino pior do que esta volta do diretor Sidney Lumet a sua melhor forma. E cabe agora ao espectador mais antenado descobrir este clássico instantâneo.
O início é perfeito. De imediato somos jogados na intimidade de um casal, os dois na cama, transando. Logo percebemos que estão casados há um bom tempo, e que talvez por isso mesmo estejam impressionados com a qualidade do sexo que estão tendo. Parecem ter redescoberto o tesão um pelo outro. Felicidade? Nada poderia ser mais falso.
A partir deste instante tudo começa a desmoronar. Ele (Philip Seymor Hoffman, num dos três grandes desempenhos que teve no ano passado, ao lado de “A Família Savage”, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro, e “Jogos do Poder”, pelo qual foi indicado ao Oscar) é gerente de uma grande firma e viciado em drogas. O irmão (Ethan Hawke, no seu melhor trabalho desde “Dia de Treinamento”, desempenho que lhe rendeu uma indicação ao Oscar) trabalha como vendedor na mesma empresa, está separado e devendo três meses de pensão para a ex-mulher. Só que o pior para os dois começa quando o primeiro convence o outro a assaltarem a joalheria da família – como o seguro irá cobrir a perda, será um golpe tranqüilo e que não deixará prejuízos. Ou ao menos isso é o que pensam, pois durante o roubo acabam matando a própria mãe. E essa é só a primeira das terríveis desgraças que estão por vir.
Se o roteiro escrito pela iniciante Kelly Masterson é uma obra prima de suspense, que mantém a tensão do início ao fim, a mão segura de Lumet (veterano responsável por longas que ainda hoje são referências, como “Serpico”, “Um Dia de Cão” e “Rede de Intrigas”, todos nos anos 70) é que faz o diferencial. Ele está no seu chão, com completo domínio do que deve ser feito. E é muito bom ver um profissional como ele que não ficou perdido no tempo, disposto não só a reconquistar seu espaço entre os grandes como também apto e ensinar uma ou duas lições que só a experiência pode proporcionar.
Outro ponto forte é o elenco, todos em atuações acima da média. Se Hoffman e Hawke seguram muito bem as pontas, como dois vértices de uma família desajustada e dotada de uma moral muito distorcida, os coadjuvantes garantem um show à parte. Marisa Tomei, vencedora do Oscar pela comédia “Meu Primo Vinny”, mostra o despojamento necessário para o papel, comprovando mais uma vez que sua estatueta dourada não foi um engano. Já o monstro Albert Finney (“Erin Brockovich”) vai entrando em cena aos poucos, pelas beiradas, até se revelar um vulcão adormecido, porém prestes a entrar em erupção. É um gigante, e só alguém como ele pode fazer o que seu personagem é capaz de forma verossímil e lógica. Outros destaques são Michael Shannon (“Possuídos”), Amy Ryan (“Medo da Verdade”) e Rosemary Harris (“Homem-Aranha”), todos em pequenas participações, porém totalmente envolvidos no projeto.
“Antes que o Diabo Saiba que você está Morto” é uma tragédia nos padrões mais tradicionais do gênero, e justamente por isso é tão perfeito. Tudo está presente, disposto da forma correta e mais inteligente possível, funcionando com uma precisão ímpar. São gênios em ação, e isso é mais do que suficiente para mostrar válido qualquer interesse despertado. Corrupção, traição, morte, egoísmo, ganância: os pecados estão todos ali, e não há como fugir deles. É como um castelo de cartas, levantado com muito cuidado, mas que diante a menor brisa termina por inevitavelmente vir abaixo . E somos espectadores privilegiados diantes de uma obra que merece aplausos entusiasmados.
Before the Devil Knows you’re Dead, EUA/Inglaterra, 2007
De Sidney Lumet
Com Philip Seymor Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei, Albert Finney, Rosemary Harris, Michael Shannon, Amy Ryan
(nota 9)
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domingo, junho 29th, 2008
Os dois já foram considerados como grandes apostas, que iriam muito além de onde se encontram atualmente. Mas Cameron Diaz e Ashton Kutcher parecem estar satisfeitos com os trocados e os meio-sorrisos que volta e meia arrecadam com bobagens como este “Jogo de Amor em Las Vegas”, mais uma comédia romântica igual à centenas de outras iguais, que tem como único diferencial a boa química entre os protagonistas e o talento nato de ambos para o gênero. E como em time que está ganhando não se mexe…
Diaz levou um fora do namorado perfeito. Kutcher foi demitido pelo próprio pai. Os dois, sem terem nada melhor para fazer com suas vidas, decidem ir passar um final de semana na “Cidade do Pecado”. Lá se encontram, ficam bêbados e acabam acordando no dia seguinte… casados! Antes de irem anular o compromisso, ele joga numa máquina caça-níquel uma moeda dela, e acaba ganhando três milhões de dólares. Este dinheiro, tecnicamente, pertence aos dois, e como não aceitam dividi-lo, acabam parando num tribunal, onde o juiz irá condená-los a seis meses de casamento!
Aí começa a parte divertida do filme: as sabotagens que um arma para o outro na tentativa de provocar uma desistência. Então lá vai ele mijando na pia, ela ficando amiga dos novos sogros, ele sumindo com a porta do banheiro, ela trazendo prostitutas para casa para tentar uma infidelidade dele. Claro que estas provas não serão tão fáceis – afinal, temos um filme inteiro pela frente! – e que na real este processo só irá servir para aproximá-los, até que descubram estarem realmente apaixonados um pelo outro.
Os problemas de “Jogo de Amor…” são vários, e começa pelo título: Las Vegas aparece muito pouco, só no início (quer conhecer melhor o fascínio e a loucura da cidade? Assista o recente “Quebrando a Banca”), pois logo em seguida a trama se desloca inteiramente para Nova York. O diretor escocês Tom Vaughan, em seu primeiro trabalho em Hollywood, não tem o menor controle sobre seus astros, que literalmente fazem o que querem diante das câmaras. E dê-lhe caretas, afetações, trejeitos e manias já vistas inúmeras vezes antes. Ashton Kutcher reprisa os personagens de “De Repente é Amor”, “A Família da Noiva”, “Recém Casados” e tantos outros. Assim como Cameron Diaz, indecisa entre o deboche de “Quem Vai Ficar com Mary?” e o tom mais tímido de “O Amor não tira Férias”. E nem chego a mencionar o desperdício de outros talentos, como Queen Latifah (“Hairspray”), Dennis Farina (“Snatch”) e Treat Williams (“Dirigindo no Escuro”), todos plenamente desperdiçados em cena.
“Jogo de Amor em Las Vegas” é estritamente recomendado aos mais ardorosos fãs do gêneros, às mocinhas apaixonadas por Kutcher (e que não temem Demi Moore) e aos marmanjos que ainda guardam suspiros por Diaz. Todos os demais, no entanto, devem permanecer longe deste desperdício de boas oportunidades: atores sexies e atraentes, um enredo à princípio curioso e um cenário que desperta interesse imediato. Quer descobrir como tudo isso pode ser inutilizado? Vá por sua conta e risco!
What happens in Vegas…, EUA, 2008
De Tom Vaughan
Com Cameron Diaz, Ashton Kutcher, Queen Latifah, Treat Williams, Dennis Farina
(nota 5)
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