terça-feira, julho 21st, 2009
Quais sentimentos poderiam atormentar uma mãe com tamanha força a ponto de levá-la a assassinar o próprio filho? Esta é apenas uma das questões levantadas pelo impactante drama francês “Há Tanto Tempo Que Te Amo”, que, a despeito dos inúmeros méritos que apresenta, um consegue se destacar dos demais: a arrebatadora interpretação de Kristin Scott Thomas (mais…)
Posted in Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película | No Comments »
quarta-feira, julho 8th, 2009
Alguns atores sentem tanto prazer ao trabalhar uns com os outros que, mesmo o resultado final não sendo tão empolgante, presenciá-los em ação acaba sendo, por si só, interessante. Pois é exatamente isso que acontece em “Duplicidade”, longa que marca o reencontro da dupla Julia Roberts e Clive Owen (mais…)
Posted in Críticas, Película | No Comments »
terça-feira, fevereiro 10th, 2009
Chega a ser impressionante o efeito que “O Leitor” conseguiu provocar entre os votantes do maior prêmio do cinema mundial. Chegando de mansinho, sem chamar muita atenção, recebendo avaliações medianas e com um desempenho pífio nas bilheterias, conseguiu somar cinco indicações ao Oscar – inclusive para Melhor Filme! Mesmo sem ter recebido um único reconhecimento importante – com exceção aos dedicados à atriz Kate Winslet, em desempenho arrebatador – nas premiações da Indústria ou da Crítica, conseguiu se firmar como um concorrente de respeito. E isso se deve a dois fatores: o primeiro, como já foi dito, sua atriz principal. E o segundo, claro, é o respeito obtido pelo cineasta Stephen Daldry, o mesmo de “As Horas” (2002) e “Billy Elliot” (2000) – o único diretor de todos os tempos indicado ao Oscar por TODOS os filmes que já dirigiu (ou seja, estes três citados)!
O título do filme já oferece uma pista sobre o grande “mistério” da trama. Michael Berg (vivido pelo novato ator alemão David Kross na adolescência e pelo inglês Ralph Fiennes quando adulto) é um jovem que, logo após a Segunda Guerra Mundial, se apaixona por uma mulher com o dobro da sua idade. O romance é mantido em segredo, mas provoca um efeito devastador no garoto. Os dois passam diariamente horas no apartamento dela, mas não apenas em relações sexuais – ele, atendendo a um pedido, traz a cada encontro um novo livro, que lê em voz alta para o deleite da amante. Porém, quando descobre a casa vazia sem o menor sinal de para onde ela pode ter ido, o rapaz fica desorientado. Um vazio que permanecerá nele durante anos, até o dia em que, já estudante de Direito, vai acompanhar o julgamento de colaboradoras do Regime Nazista e se depara, no banco dos réus, com a mesma mulher que lhe ensinou o que era amor. Naquele momento descobre que ela não só fora responsável pela morte de dezenas de prisioneiros judeus como também com outros segredos ainda mais torturantes.
Apesar desta não ser a história da personagem de Kate Winslet – e, sim, a do menino que virou homem ao lado dela – ela é a verdadeira força por trás do enredo. Por isso é tão surpreendente vê-la recebendo prêmios importantes, como o Globo de Ouro e o SAG (oferecido pelo Sindicato dos Atores de Hollywood), de “Melhor Atriz Coadjuvante”. O mais certo, obviamente, é tratá-la como protagonista – ela possui a performance feminina mais importante de toda a produção, indiscutivelmente – e por isso que a conquista do Bafta e a indicação ao Oscar na categoria principal é mais do que justa. Como uma verdadeira alemã, compõe um personagem com uma força incrível, mas cuja intensidade só é desvelada pelos olhares e numa ou outra atitude mais enérgica. Contida e com um desempenho subliminar e discreto, oferece ao público um registro bastante diferente daqueles que se acostumou a exercer em sua carreira – como o também excelente, porém bastante diverso, visto no elogiado “Foi Apenas Um Sonho”.
Winslet foi a primeira opção de Daldry para este papel, mas quando veio o convite não pode aceitar. Ele, depois de consultar atrizes como Nicole Kidman e Juliette Binoche, acabou tendo um atraso nas filmagens, abrindo espaço para Kate. Uma feliz coincidência de datas. Outro que está muito bem em cena é Fiennes, que, ao lado dos recentes “A Duquesa” e “Na Mira do Chefe”, revela um mosaico de personalidades bastante distintas e interessantes. Um ano cheio! Mas “O Leitor” não é só elenco, e a mão precisa do diretor também merece ser observada. Ele sabe o momento certo de revelar e de esconder, de manter a curiosidade oferecendo aos poucos os elementos necessários para uma melhor compreensão, porém sem entregar tudo facilmente. Ao tratar tanto seus personagens quanto os próprios espectadores como respeito e simpatia, constrói um filme elegante e envolvente, comovendo como poucos.
“O Leitor” concorre ao Oscar ainda nas categorias de Roteiro Adaptado (é baseado no livro de Bernhard Schlink e escrito por David Hare, o mesmo roteirista do superior “As Horas”) e Fotografia (de Roger Deakins, indicado já 8 vezes ao Oscar, inclusive por produções como “Onde os Fracos Não Tem Vez” e “Um Sonho de Liberdade”). Mesmo assim, arrecadou pouco mais do que US$ 15 milhões nos Estados Unidos e, segundo o site Rotten Tomatoes, que compila as principais críticas cinematográficas, teve cotação de 59%, ou seja, abaixo da média. Estes resultados controversos talvez se devam justamente pelo filme não facilitar as coisas. O que está ali é justamente para ser mostrado, e o que permanece na sugestão tem um motivo para tal. E se nem todos consegue perceber isso, o máximo que pode ser feito é lamentar.
The Reader, EUA/Alemanha, 2008
De Stephen Daldry
Com Kate Winslet, David Kross, Ralph Fiennes, Lena Olin, Bruno Ganz
(nota 8,5)
Posted in Cinéfilo, Colunas, Críticas, Especiais, Oscar 2009, Película, Resenhas | No Comments »
terça-feira, janeiro 6th, 2009
Um dos filmes mais polêmicos, conturbados e elogiados da última temporada, “Gomorra” é uma bela amostra de um novo caminho para o cinema italiano contemporâneo, que deixa de lado as comédias românticas e as crônicas familiares e de costumes para centrar seu foco em problemas muito mais urgentes e necessários. E o que temos aqui não é um longa para todos os públicos, mas sim indicado somente para àqueles que não temem a verdade e suas conseqüências, por mais duras e sofridas que elas sejam. E esta posição deve se refletir nos dois lados da tela.
Baseado no livro-reportagem homônimo de Roberto Saviano, “Gomorra” tem como mote as atividades da organização criminosa que mais assassinou pessoas nos últimos trinta anos em todo o mundo, a Camorra. E a máfia vista aqui é completamente diferente daquela eternizada pela sétima arte no clássico “O Poderoso Chefão”, por exemplo. Aqui a morte é crua e sem sentimento, num lugar onde não há espaço para a honra, lealdade ou esperança. O mais interessante, no entanto, é o ponto de vista adotado no discurso: não acompanhamos os mandantes, aqueles que controlam os destinos dos demais. Não, muito pelo contrário. Ficamos, sim, ao lado da outra extremidade, dos mais fracos, dos tolos e ingênuos que são levados pelas circunstâncias a considerar inimigos mortais aqueles que nasceram na casa vizinha e que até um dia antes dividiam sonhos e refeições. Vemos os pobres, os desencaminhados, os que não tem para onde ir nem como seguir respirando. O único caminho para eles é a luta, é a violência, é o próprio fim.
“Gomorra” incomodou muita gente. Saviano, por exemplo, após a publicação do livro foi condenado à morte pelos mafiosos que denunciou, e hoje em dia vive sob proteção policial. Por outro lado, colocou em evidência uma realidade há muito relegada ao hemisfério sul, aos países de terceiro mundo, como se o progresso atingisse a todos na Europa, por exemplo, de forma uniforme e unânime. A Itália é um país de contradições, que guarda um passado incrível, ao mesmo tempo em que aparenta não ter um futuro seguro. E o diretor Matteo Garrone, que estava há quatro anos sem filmar, retorna com um vigor surpreendente, compondo um painel preciso e equilibrado do quão triste e aterrorizante é a situação enfrentada naquela região hoje em dia.
É difícil se deixar envolver por “Gomorra”. O roteiro, escrito em conjunto por seis profissionais distintos, desde Garrone e Saviano, até veteranos como Ugo Chiti (“Manual do Amor”) ou novatos como Maurizio Braucci, se utiliza de cinco personagens distintos para compor uma visão ampla do quão abrangente pode ser a influência das atividades criminosas no sul da Itália. Ou seja, é tudo muito fragmentado, disperso, sem uma linha única a ser seguida. Há o alfaiate explorado que não deve ceder aos interesses estrangeiros, os dois garotos sem perspectivas que se imaginam ‘donos do pedaço’, o menino indeciso entre o marasmo de uma vida correta e o dinamismo do perigo e da delinqüência, o negociador que ganha a vida escondendo grandes quantidades de lixo tóxico e o velho ‘don’ que precisa se acostumar às novas regras à força. São, na verdade, cinco tipos genéricos, que servem mais para dar cor a um grito que é muito mais urgente. O que está sendo dito é que o estrago é feito todos os dias, e que agora não há mais como evitar – talvez, no máximo, tentar consertá-lo.
Indicado ao Globo de Ouro e representante italiano na corrida ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Gomorra” foi o grande vencedor European Film Awards (batendo outros favoritos, como o francês “Entre Os Muros da Escola”, Palma de Ouro no Festival de Cannes, o inglês “Simplesmente Feliz”, de Mike Leigh, o espanhol “O Orfanato” e o israelense “Valsa com Bashir”), tendo sido premiado como Melhor Filme, Direção, Ator (Toni Servillo), Fotografia e Roteiro. Ganhou ainda o Festival de Munique, o Grande Prêmio do Júri em Cannes e Melhor Roteiro no Festival de Chicago, além de ter sido indicado a Melhor Filme Estrangeiro também no Independent Spirit Award, ao British Independent Film Award e ao Satellite. Ou seja, reconhecimento crítico é o que não lhe falta. Felizmente, teve também um ótimo impacto junto ao público, ao menos no seu país de origem, onde arrecadou quase US$ 30 milhões. Ou seja, resta apenas que o resto do mundo acorde para esta contundente denúncia. Com certeza ela merece ser ouvida com atenção.
Gomorra, Itália, 2008
De Matteo Garrone
Com Toni Servillo, Salvatore Abruzzese, Simone Sacchettino, Vincenzo Fabricino, Carmine Paternoster, Gianfelice Imparato, Salvatore Cantalupo, Salvatore Ruocco, Vincenzo Altamura
(nota 8)
Posted in Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película | No Comments »
domingo, janeiro 4th, 2009
Quem tem coragem de duvidar do poder dos Estúdios Disney? Há até pouco tempo, muitos diziam que a casa de Mickey Mouse estava acabada, que o futuro pertencia à animação digital e às produções da Pixar e da Dreamworks. Pois bem, quando todos acreditavam que estas glórias haviam ficado definitivamente no passado, eis que surge “Bolt Supercão”, um longa que demonstra não só uma vitalidade insuspeita como um novo direcionamento, mostrando que há muito ainda a ser trilhado. Felizmente! Não estamos falando de um filme no nível de “Ratatouille” ou “Shrek” (só para citar dois oscarizados), por exemplo, mas ainda assim é muito superior às tentativas digitais anteriores da Disney, como “O Galinho Chicken Little” e “A Família do Futuro”! E se provocou entusiasmo, nenhum indicativo poderia ser mais apropriado de que o caminho está correto.
O primeiro passo acertado foi o de “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. E justamente isso foi feito quando a Pixar foi adquirida. Se antes se tratavam de dois estúdios independentes, porém associados somente no momento da distribuição, após cada obra estar pronta, agora é diferente, e o controle criativo de ambos está nas mãos de homens como John Lasseter, diretor de “Toy Story” e “Carros”, entre outros, e produtor de praticamente todas as animações digitais da companhia. E se a união foi definitivamente estabelecida, por quê não aproveitá-la? Assim, o primeiro resultado deste casamento é justamente “Bolt Supercão”, que chega aos cinemas em duas versões: tradicional e 3D – essa sim, arrepiante!
A trama, apesar de original, trata de temas bastante caros ao universo Disney: companheirismo, amizade, confiança, respeito e dedicação. Bolt é um cãozinho que, desde pequeno, foi criado dentro de uma companhia de televisão. Ele é a estrela principal de um seriado sobre um cachorro com superpoderes que, ao lado da sua dona, enfrenta os mais diversos perigos. A questão é que ele realmente acredita ser o personagem, sem ter a menor noção do mundo real. Mas um acidente o acaba levando de Los Angeles até Nova York, e perdido e sem ter a quem recorrer, terá que atravessar o país, ao lado de dois novos companheiros – uma gata, que acredita ser comparsa do vilão, e um hamster alucinado, fã dele – além de ter que descobrir do modo mais difícil que não é tão habilidoso quanto imaginava.
Bem recebido pelo público, “Bolt Supercão” arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias norte-americanas em pouco mais de um mês de exibição. Não chega a ser um feito memorável, mas ninguém pode considerá-lo um fiasco (só para termos de comparação, tanto “Wall-E” quanto “Kung Fu Panda” arrecadaram mais de US$ 200 milhões nos EUA e mais de US$ 500 milhões em todo o mundo). A crítica também o aplaudiu, conferindo-lhe indicações como Melhor Longa de Animação do ano em premiações como o Globo de Ouro e o Satellites. Sinal de que a turma do Mickey ainda possui um bom fôlego, e que há muito há ser explorado neste universo de magia, encanto e sedução. E se todos forem tão adoráveis e emocionantes quanto o pequeno Bolt, já estará de bom tamanho!
Bolt, EUA, 2008
De Byron Howard, Chris Williams
Com as vozes originais de John Travolta, Miley Cyrus, Susie Essman, Mark Walton, Malcolm McDowell, e na versão dublada em português de Mário Jorge Andrade, Maria Clara Gueiros, Leandro Hassum
(nota 8)
Posted in Cinéfilo, Colunas, Críticas, Especiais, Oscar 2009, Película, Resenhas | No Comments »
sábado, novembro 15th, 2008
Todo mundo já comentou a respeito das diversas transformações de Madonna. E onde ela mais mudou visualmente foi no cinema, o veículo que melhor registrou estes altos e baixos. É por isso, então, que organizei um Top 10 com os melhores momentos dela na tela grande durante estes vinte e cinco anos de carreira. Aproveito também para gerar um aquecimento, já que estamos nas vésperas das históricas apresentações dela, no Rio de Janeiro e em São Paulo, no final deste ano! E enquanto não a vemos ao vivo, que tal desvendar um pouco melhor esta faceta cinematográfica?
10. “Sobrou Pra Você” (The Next Best Thing, 2000)
Tinha tudo para dar certo: um diretor vencedor do Oscar (John Schlesinger, de “Perdidos na Noite”, 1969), o melhor amigo como co-protagonista (Rupert Everett, vindo do sucesso de “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, 1997) e uma temática super atual, os novos relacionamentos que surgem das aproximações entre heteros e homossexuais. Mas o resultado foi constrangedor para todos, desde os fãs mais ardorosos até os meros curiosos. Salva-se a primeira metade do filme, com momento bem divertidos e mais leves, e as duas canções que Madonna gravou para a trilha sonora: “American Pie”, de Don McLean (ele chegou a afirmar na época que “já recebi em minha carreira muitos presentes dos deuses, mas este é o primeiro que ganho de uma deusa!”) e “Time Stood Still”.
09. “Destino Insólito” (Swept Away, 2002)
A terceira parceria entre Madonna e o seu atual ex-marido, o diretor Guy Ritchie (antes eles haviam trabalhado juntos no videoclipe da canção “What it Feels Like for a Girl” e no curta para a BMW “Star”, ambos em 2001), teve os resultados mais controversos também. Tremendo fracasso de bilheteria, custou US$ 10 milhões e não ficou em cartaz nos Estados Unidos nem um mês inteiro, com uma arrecadação de pouco mais de meio milhão de dólares. Conseqüência direta é que foi lançado no resto do mundo diretamente em DVD. Outras conquistas foram as 5 Framboesas recebidas: Pior Filme, Pior Refilmagem, Pior Diretor, Pior Atriz e Pior Dupla (Madonna e Adriano Giannini). Mas, apesar de tudo isso, gosto do longa, e acho Madonna perfeita como uma ricaça mimada que acaba numa ilha perdida ao lado de um dos ajudantes do navio. Diversão despreocupada, apesar de nos remeter mais à persona dela do que a um personagem original.
08. “Olhos de Serpente” (Snake Eyes / Dangerous Game, 1993)
Típico projeto que só virou realidade porque Madonna acreditou, em algum momento, que poderia ser um desafio estimulante e que iria ajudá-la no caminho de se tornar uma atriz mais completa. E até está bem convincente como uma atriz problemática num set de filmagens bastante conturbado. O grande problema é que praticamente ninguém viu o filme. Mas a oportunidade de ser dirigida por Abel Ferrara e contracenar com Harvey Keitel deve ter tido seu significado. E apesar do resulutado ser um tanto irregular, é, sem sombra de dúvidas, uma das atuações mais esforçadas de toda a carreira dela.
07. “Corpo em Evidência” (Body of Evidence, 1993)
“Corpo em Evidência” fez parte do pacote: “vou chocar o mundo”, ao lado do disco “Erotica” e do livro de fotos “Sex”. É, no entanto, a parte mais fraca do trio. A direção do alemão Uli Edel é péssima, o argumento do enredo é risível (mulher é suspeita de ter assassinado o amante mais velho ao transar com ele) e nem nomes como Willem Dafoe e Julianne Moore escapam de maiores embaraços. Mas Madonna está ótima, com diálogos antológicos (“Mas não somos animais! Sim, nós somos!”), muita nudez e provocação. Imperdível.
06. “Quem é esta Garota?” (Who’s that Girl?, 1987)
Outro filme essencial no histórico dela. É uma comédia bobinha, cujo maior erro é ser um remake de um filme de Katherine Hepburn (“Levada da Breca”, de 1938). Como as expectativas eram muito altas, as cobranças estavam nas mesmas alturas. Mas ela está muito à vontade em cena, e o projeto rendeu ainda uma turnê de mesmo nome e quatro canções ótimas, com destaque para a agitada “Causing a Commotion” e para a que deu título ao filme, que chegou a ser indicada ao Globo de Ouro.
05. “Procura-se Susan Desesperadamente” (Desperately Seeking Susan, 1985)
O primeiro grande papel de Madonna no cinema é também até hoje uma das suas aparições mais marcantes na tela grande. Antes disso, havia feito apenas uma pequena participação no romântico “Em Busca da Vitória”, como uma cantora de bar, e no independente “Um Certo Sacrifício”, feito antes da fama. Aqui, por outro lado, ela é a estrela absoluta, roubando toda a atenção da protagonista Rosanna Arquette. Claro que colaborou muito o fato da Madonna de 1985 e da Susan deste filme serem praticamente a mesma pessoa, provocando apenas a primeira das tantas confusões entre intérprete e personagem que virou rotina no currículo da estrela. E a canção-tema “Into the Groove” é um dos maiores clássicos dos anos 80!
04. “Uma Equipe Muito Especial” (A League of Their Own, 1992)
Este é simplesmente o maior sucesso comercial de toda a carreira cinematográfica de Madonna – isso se deixarmos de fora “007 – Um Novo Dia Para Morrer” (2002), em que ela fez apenas uma participação especial. Foram mais de US$ 107 milhões de dólares arrecadados somente nas bilheterias norte-americanas! Claro que ajudou o fato dela ser somente uma coadjuvante, e dos protagonistas serem Tom Hanks e Geena Davis (em alta na época, logo após “Thelma & Louise”). E a história do time feminino de baseball é comovente e divertida na medida certa, atingindo todo tipo de espectador. De quebra, mais um sucesso na trilha sonora: a balada “This Used to be my Playground”!
03. “Dick Tracy” (Dick Tracy, 1990)
Chegamos aos três melhores momentos de Madonna na tela grande. E começamos a escalada com muito brilho: “Dick Tracy” conquistou o Oscar de Melhor Canção, por “Sooner or Later”, interpretada por Madonna e escrita por Stephen Sondheim. A história de amor entre Breathless Mahoney, uma cantora de cabaré, e o herói-título, interpretado por Warren Beatty, saiu da ficção e invadiu a vida real, pontuando mais um momento de grande popularidade da estrela. Aclamada pelo público, pela crítica e apaixonada. Que mais ela poderia querer?
02. “Na Cama Com Madonna” (Truth or Dare: In Bed With Madonna, 1991)
Sim, ela queria mais. Ela queria o mundo! E foi isso que conquistou logo em seguida, com o controverso “Na Cama com Madonna”, longa semi-autobiográfico feito durante a turnê “Blond Ambition”, que reunia os maiores sucessos dela na época. Polêmica, muito estilo, espetáculos grandiosos, convidados especiais – quem esquece como ela tratou Kevin Costner e Pedro Almodovar? – e muita música fez desse um dos mais bem sucedidos documentários musicais de toda a história. E o memorável lançamento do filme no Festival de Cannes daquele ano já anunciava: ela não estava para brincadeira!
01. “Evita” (Evita, 1996)
E Madonna finalmente chegou ao seu máximo. O sonho de viver a mítica primeira-dama argentina na ópera-rock de Andrew Lloyd Webber a acompanhava há anos, e para conseguir este papel teve que superar uma concorrência fortíssima, batendo nomes como Meryl Streep e Michelle Pfeiffer. E como valeu a pena! Madonna é Evita! Sua performance – tanto interpretando quanto cantando – é intocável, e até o crítico mais ferrenho é forçado a admitir que não havia escolha mais apropriada. Com direção de Alan Parker e aparecendo ao lado do galã Antonio Banderas, ela não poderia estar mais à vontade. Mais um Oscar na estante – pela canção “You Must Love Me” – e os maiores reconhecimentos da carreira dela enquanto intérprete: os Globos de Ouro de Melhor Atriz e de Melhor Filme, ambos na categoria Musical ou Comédia! Parabéns!
Então, aposto que você nem imaginava que o impacto de Madonna na sétima arte era tão forte assim. E isso que deixamos de fora outros títulos importantes, como “Surpresa de Sanghai” (1986), em que apareceu ao lado do então marido, o Oscarizado Sean Penn, “Neblina e Sombras” (1992), com direção de Woody Allen, “Sem Fôlego” (1995), de Wayne Wang, “Grande Hotel” (1995), trabalho coletivo que a aproximou de nomes como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, “Garota 6″ (1996), de Spike Lee, e a animação “Arthur e os Minimoys” (2006), de Luc Besson, em que dá a voz da Princesa Selenia. Grandes parcerias, desempenhos diversificados e muito empenho – assim como no mundo da música, Madonna sempre se esforçou ao máximo para obter um justo reconhecimento da tela grande. Quem sabe agora, que estreou como diretora em “Filth and Wisdom” (2008), não consiga? E se você acha que depois disso já sabe tudo sobre Madonna na tela grande, me diga: a imagem que abre este artigo é de qual filme?
Posted in Cinéfilo, Colunas, Película, Top + | 2 Comments »
domingo, maio 25th, 2008
Depois dos impressionantes sucessos das sagas “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter”, o mundo do cinema fantástico literalmente escancarou suas portas para qualquer nova iniciativa no setor. Mas para cada “As Crônicas de Nárnia” (que faturou quase US$ 300 milhões só nas bilheterias norte-americanas) há vários “Stardust” e “A Bússola de Ouro” que naufragam nas expectativas. E este foi também o caso de “As Crônicas de Spiderwick”. (mais…)
Posted in Trilha Sonora | No Comments »
domingo, maio 25th, 2008
Fui ao cinema assistir ao terceiro filme dirigido por Anthony Hopkins, “Um Sonho Dentro de Um Sonho” (Slipstream). Mais conhecido como ator – vencedor de um Oscar pela personificação do canibal Hannibal Lecter em “O Silêncio dos Inocentes” – este Sir inglês revela uma faceta inusitada enquanto realizador. Além da direção, ele assumiu também o roteiro, a trilha sonora, a produção e o papel principal, de um roteirista em crise com sua obra, e que acaba se confrontando com os próprios personagens por ele imaginados. Os desavisados poderiam afirmar se tratar de um longa de David Lynch, pela quantidade de estranhezas e bizarrices propostas pelo enredo. Mas Hopkins fica no meio do caminho, desapontando tanto quem esperava algo mais radical quanto a maioria, atraída por esta obra basicamente pelo nome dele no início dos créditos. (mais…)
Posted in Cinéfilo, Colunas | No Comments »
sábado, fevereiro 3rd, 2007
Considerado, desde o início de sua produção, como um dos favoritos ao Oscar 2007, o musical “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” decepcionou quando foram finalmente divulgadas as indicações. Apesar de ter sido lembrado em seis quesitos (sendo que no de Melhor Canção concorre em três vagas), confirmando-se como o recordista de nominações neste ano, o longa ficou de fora das principais categorias, como Melhor Filme, Direção, Roteiro e Montagem. As esperanças recaíram nas técnicas, como Direção de Arte, Figurino e Som, além das altas apostas nos dois atores coadjuvantes, Eddie Murphy e Jennifer Hudson, premiados no Globo de Ouro, no Sindicato dos Atores e apontados como barbadas na maior festa do cinema mundial. Um resultado justíssimo. Afinal este não é um dos cinco melhores filmes do ano, apesar de possuir méritos inegáveis, basicamente os apontados pela crítica e pela indústria.
Baseado no musical da Broadway, que por sua vez é inspirado na trajetória real das Supremes, grupo musical dos anos 60 e 70 que tinha Diana Ross como vocalista, “Dreamgirls” é uma visão romanceada da realidade – e é importante destacar, não aprovada pelos verdadeiros envolvidos. Ross chegou a ameaçar a produção com um processo, e em qualquer declaração a respeito afirma categoricamente não ter encontrado no enredo da peça e no do filme nada similar ao que viveu. Porém alguns fatos e similaridades são impossíveis de negar, como a presença sufocante do empresário e o desligamento de uma das integrantes do trio por conflitos internos.
Claro que é tentador analisar o que vemos na tela diante uma perspectiva real – ‘será que isso aconteceu de verdade?’, nos perguntamos a todo instante. Porém esta não é a forma mais correta. Afinal, trata-se de uma obra de ficção, e como tal deve ser percebida. E dentro do contexto cinematográfico, os resultados são bem compensadores. “Dreamgirls” é um musical envolvente, porém irregular. Possui números de arrepiar, como “And I’m Telling You I’m Not Going”, ao lado de outros constrangedores, como “Family”. A cada ponto positivo, logo surge outro contrário. No final, fica-se no meio termo, nada demais, nem nada de menos.
Premiado também com o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia de 2006, bateu fortes concorrentes, como os superiores “O Diabo Veste Prada” e “Obrigado por Fumar”, além do excelente “Pequena Miss Sunshine”, este ainda indicado ao Oscar de Melhor Filme. Mas seria praticamente impossível ignorá-lo numa categoria dedicada ao gênero musical. Na direção está Bill Condon, autor do roteiro de “Chicago” e diretor dos elogiados “Deuses e Monstros” e “Kinsey”. Condon faz um bom trabalho, ainda que inferior ao que o seu currículo prometia. O desenvolvimento da trama é muito certinho, tudo acontecendo de forma encadeada, sem grandes lances ou reviravoltas. E os números musicais lembram muito os de “Chicago”, quase sempre num palco, com cenários luminosos no fundo. São poucos os diálogos que resultam em canções, e estes terminam por parecer forçados e fora de contexto. Por outro lado, o filme ganha durante as performances vocais dos protagonistas, todos muito bem escolhidos segundo este critério.
Se Beyoncé Knowles, Jamie Foxx e Eddie Murphy foram apostas seguras, que equilibram bem o estrelismo necessário a um projeto desta magnitude e o talento vocal e interpretativo digno da trama, a novata Jennifer Hudson é a grande surpresa. É praticamente impossível não sair após o término da sessão somente com ela em mente. A cada nova aparição ela domina totalmente a cena, e quando está ausente o filme parece ressentir de fôlego. Nem mesmo Murphy, ressurgindo com um desempenho digno de nota após anos esquecido, consegue batê-la. Beyoncé é linda, dona de uma bela voz, e nada mais. Foxx, elogiadíssimo em “Ray”, é o elo fraco, não conseguindo equilibrar com cuidado as caretas vilanescas e os momentos de fraqueza e sentimentalismo. Hudson, no entanto, é poderosíssima. Ex-integrante do reality show “American Idol”, ela já está com uma mão e meia na estatueta dourada mais cobiçada do mundo cinematográfico, e será uma conquista mais do que merecida. Sua personagem, Effie, é uma verdadeira ‘Diva’, uma cantora de voz hipnotizante e corpo possante, que entra em sai quando quer, e por se recusar a seguir ordens acaba pagando um preço às vezes alto demais. É no seu arco dramático que o espectador está interessado, e é com o que acontece com ela que nos importamos. Ela É o centro de “Dreamgirls”, e ninguém mais.
Do início difícil, quando ninguém as conhecia, até o estrelato nacional, passando pelas dificuldades, arrependimentos e vitórias naturais em uma jornada tão rica, este longa acaba se assimilando por demais a outras cinebiografias do gênero, como os recentes “Johnny e June” e mesmo o já citado “Ray”. Ray Charles em 2004, Johnny Cash em 2005 e agora as Supremes: será um ídolo da história da música norte-americana por ano? Quem serão os próximos? “Dreamgirls”, por seu passado mais fantasioso e magnetizante, merecia mais glamour, charme e magia, e não a sensação de “to be continued” que experimentamos após sua apressada (apesar dos mais de 130 minutos de duração!) conclusão. E música sem emoção até provoca elogios, mas não encontra lugar no coração de ninguém.
Dreamgirls, EUA, 2006
De Bill Condon
Com Beyoncé Knowles, Jennifer Hudson, Jamie Foxx, Eddie Murphy, Danny Glover, John Lithgow, Anita Noni Rose, John Krasinski
(nota 7)
Posted in Críticas, Película | No Comments »
sexta-feira, fevereiro 2nd, 2007
Se há alguém em Hollywood que podemos considerar incansável é – além, obviamente, de Meryl Streep, que tem NOVE filmes em produção para este ano e para 2008 – Clint Eastwood. Ator, diretor, compositor, produtor: o homem simplesmente não pára! Depois da consagração de “Million Dollar Baby” (“Menina de Ouro”), que em 2005 ganhou 4 Oscars, inclusive os de Filme e Direção, ele voltou à tona em 2006 com dois novos trabalhos, visões distintas sobre a batalha de Iwo Jima, uma das mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. O primeiro filme, “Flags of our Fathers”, ou “Bandeiras dos Nossos Pais”, finalmente entrou em cartaz nos cinemas brasileiros com o equivocado título “A Conquista de Honra”. Esta é a versão norte-americana do episódio. O olhar dos inimigos, os japoneses, é exposto em “Letters from Iwo Jima”, lançado quase simultaneamente nos Estados Unidos e muito melhor recebido pela crítica: falado todo em japonês, recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira, além de somar quatro indicações ao Oscar: Filme, Direção, Edição de Som e Roteiro Original.
Não que “Flags” seja ruim. Não. Só não é grande coisa. Além de ser mais um filme de guerra, como tantos outros já vistos anteriormente, sem nenhum destaque. As cenas de batalha são absurdamente bem filmadas, mas nada diferentes do que já foi visto em “Saving Private Ryan”, lá no distante 1998. E a trama, a princípio interessante, termina por se revelar numa sucessão de clichês sentimentais e não relevantes, ali colocados justamente para tentar arrancar alguma emoção barata de um espectador em busca de atos heróicos pouco significativos, porém visualmente belos – algo, aliás, discutido no próprio enredo.
A foto do cartaz do filme, bastante conhecida, é o ponto de partida de “Flags”. Lá num distante 1945, com o povo norteamericano já cansado da guerra e exausto financeiramente, ver aquela imagem de soldados esforçados em levantar a bandeira pátria numa nova conquista funcionou como um catalizador de esperanças e ânimos. Três dos envolvidos naquela imagem – os que ainda restavam vivos – são chamados de volta ao lar para servirem como ‘heróis da ocasião’, ou seja, para despertar a atenção do público no sentido de levantar fundos para a manutenção da guerra – que, ironicamente, iria ter seu fim poucos meses depois.
Como o batalhão militar chegou até aquele momento do hasteamento da bandeira, e toda a simplicidade por trás daquele ato até então banal, é narrado simultaneamente à jornada dos três colegas pelos Estados Unidos, já não mais soldados anônimos e sim ídolos nacionais. A posição incômoda que eles enfrentam naquela realidade inesperada e indesejada e como cada um reage é o mais pertinente de toda a trama.
Encabeçado por Ryan Phillippe (“Crash”), Jesse Bradford (“Finais Felizes”) e Adam Beach (“Códigos de Guerra”) dando vida aos personagens reais John Bradley, Rene Gagnon e Ira Hayes, os três em performances corretas e seguras, “Flags” apresenta ainda um bom elenco de apoio, que conta com nomes como Jaime Bell (“Billy Elliot”), Paul Walker (“Velozes e Furiosos”), Barry Pepper (“Três Enterros”), Robert Patrick (“Terminator 2″) e Melanie Lynskey (“Almas Gêmeas”). O que se percebe, no entanto, é que este não é um filme de grandes atuações, e sim de um conjunto de interpretações à altura da história que pretendem contar.
Se há algum astro envolvido, este é Eastwood, responsável por conseguir fazer, praticamente ao mesmo tempo, dois filmes tão marcantes. Provavelmente “Letters” seja mesmo superior, mas para isso teremos que esperar mais alguns dias. “Flags of our Fathers” já demonstra, porém, que a dedicação do realizador – ele não participa como ator – foi intensa, mesmo não proporcional ao resultado final. Inferior aos seus últimos trabalhos e desprovido de um olhar mais cruelmente crítico, o filme tenta uma reflexão até válida, mas vazia diante um contexto global, onde enfrentamentos são necessários, imagens são supervalorizadas e mentiras, de tão repetidas, se tornam verdades. Clint tentou fazer um alerta, e seu pecado foi ter sucumbido à própria mensagem de certa forma. Seu trabalho é lindo e impressionante, mas assim como a fotografia original, não consegue ir muito adiante de uma bela superfície, desprovida de conteúdo.
Flags of our Fathers, EUA, 2006
(Nota: 5)
Posted in Críticas, Película | No Comments »