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Sunshine Cleaning

quinta-feira, abril 16th, 2009

sunshine_cleaning_lIr ao cinema com expectativas é pedir pra se decepcionar. Mas, dessa vez, tive sorte. “Sunshine Cleaning”, para aqueles com um pouco de alma, é capaz de aguçar um pouco de tudo dentro da gente. Dos mesmos produtores de “Little Miss Sunshine”, além do título semelhante, traz também um pouco de sentimento para uma tela sempre tão cheia de fantasia e mesmice (mais…)

“Frost/Nixon”

terça-feira, abril 14th, 2009

“Frost/Nixon” é exatamente o contrário do que se poderia esperar de um filme com tal argumento. Senão, vejamos: a história e os bastidores de uma entrevista concedida por um presidente que renunciou ao seu cargo a um jornalista sem a menor credibilidade. Pouco atraente, certo? Porém o que vemos na tela é um trabalho fenomenal de dois atores à frente de um dos textos mais impressionantes do ano (mais…)

Oscar 2009 – Melhor Fotografia

domingo, fevereiro 22nd, 2009

A Fotografia de um filme diz respeito à forma como o vemos, como a história é contada e através de quais imagens. É tão importante que possui até uma pessoa dentro do set de filmagem responsável apenas por este aspecto – o diretor de fotografia. É ele quem decide como os atores serão enquadrados, como o cenário será visualizado e através de que cenas a história se desenrolará. É preciso, neste ponto, manter o equilíbrio, porque um visual embasbacante até pode conquistar o espectador, mas não salva uma trama fraca. E o enredo e atores nunca podem competir e se sobreporem com a aparência geral de um longa – tudo deve andar em sincronia. Dentre os indicados deste ano, ficaram de fora os dois concorrentes à Melhor Filme que se baseiam em fatos reais – será um indicativo de que o cinema é mesmo um ambiente de fantasia e ilusões? Ou que a realidade ainda precisa ser melhor representada – ao menos visualmente, é claro?

Vai ganhar: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
Merece ganhar: “O Curioso Caso de Benjamin Button”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“Batman – O Cavaleiro das Trevas”

O visual único de Gotham City, a cidade onde Batman combate os insanos Coringa e Duas Caras, que se assemelha a uma Chicago futurista, realista e bastante verossímil, só pode ser alcançado graças ao excelente trabalho apresentado neste quesito. Certamente será uma vitória mais do que justa. Foi indicado ao Sindicato dos Fotógrafos e ao Bafta, e ganhou o prêmio dos Críticos de Central Ohio, de Chicago, da Florida e de São Francisco. Esta é a terceira indicação ao Oscar do fotógrafo Wally Pfister – ele foi indicado anterioremente por “O Grande Truque” (2006) e por “Batman Begins” (2005).

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

Colaborador antigo do diretor David Fincher, o chileno Claudio Miranda esteve por trás das imagens dos principais filmes deste realizador – “Se7en”, “Vidas em Jogo”, “Clube da Luta” e “Zodíaco”. Agora, nesta sua primeira indicação ao Oscar, entrega seu trabalho mais aprimorado e espetacular. Passeamos pela vida e pelas aventuras do protagonista Benjamin Button através de cenas espetaculares e arrebatadoras. Só não ganha caso seja atropelado pelo rolo compressor de Bollywood! Ganhou o prêmio dos Críticos de Phoenix, e foi indicado ao Bafta, ao Satellite, ao prêmio do Sindicato dos Fotógrafos e dos Críticos de Chicago.

“O Leitor”

Esta premiação só acontecerá caso a Academia queira reparar mais uma injustiça histórica. Afinal, esta marca a oitava indicação ao Oscar do fotógrafo Roger Deakins (que neste ano esteve também em “Foi Apenas um Sonho” e “Dúvida”), nunca antes premiado! E concorreu por filmes de destaque, como “Um Sonho de Liberdade”, “Fargo” e “Onde os Fracos não tem Vez”. Seu companheiro neste trabalho, Chris Menges, está na quarta indicação – e ganhou duas vezes, por “Gritos do Silêncio” (1984) e “A Missão” (1986). Agora apresentam um visual bonito, porém bem regular. Foram indicados ao prêmio do Sindicato dos Fotógrafos e ao Bafta. 

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Em sua primeira indicação ao Oscar, Anthony Dod Mantle pode abalar as estruturas de Hollywood. Concorrendo por fora, este inglês é habitual colaborador de Danny Boyle e também de diretores como Lars von Trier e Thomas Vinterberg (dois expoentes do movimento Dogma 95). Ou seja, é um profissional bastante apegado a um estilo mais rústico e naturalista. E o que faz aqui é ir atrás das cores e do exotimo de um lugar muito pouco conhecido no Ocidente. E o faz com bastante competência. Ganhou o Bafta, o prêmio do Sindicato dos Fotógrafos, dos Críticos de Nova York e o Camerimage, festival voltado à fotografia cinematográfica, e que acontece na Polônia.

“A Troca”

Habitual colaborador do diretor Clint Eastwood, Tom Stern começou a trabalhar como fotógrafo por conselho do amigo, em 2002. Desde então esteve em TODOS os filmes de Eastwood como realizador – sete, no total, inclusive “Sobre Meninos e Lobos”, “Menina de Ouro”, “Cartas de Iwo Jima” e o ainda inédito “Gran Torino”. Não se este é o melhor desempenho dele na função, mas certamente é um resultado memorável. Caso o filme tivesse emplacado com mais força, talvez ele fosse um concorrente de peso. Mas, do jeito que está, a indicação já é uma vitória. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.

Oscar 2009 – Melhor Roteiro Adaptado

terça-feira, fevereiro 17th, 2009

A divisão no Oscar do prêmio de Melhor Roteiro em duas categorias (no Globo de Ouro é apenas uma, por exemplo) é bastante adequada. Afinal, são dois trabalhos completamente diferentes – se num é preciso começar do zero, no outro tudo depende de como se elabora em cima da criação de uma outra pessoa. Porém, esta separação colocou em evidência uma outra crise: a falta de algo novo ao mesmo tempo original e com qualidade – afinal, dos cinco indicados à Melhor Filme, quatro são roteiros adaptados, e apenas um é inédito! Dá o que pensar, não?

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

O roteirista Eric Roth já ganhou um Oscar, e por um filme que guarda muitas semelhanças com este novo trabalho: “Forrest Gump” (1994). Ou seja, já tem este prêmio. Mesmo assim, como é o campeão de indicações, pode acabar surpreendendo, principalmente por ter sido inspirado num conto do aclamado F. Scott Fitzgerald! Foi indicado também ao Bafta, ao Broadcast, ao Globo de Ouro, Críticos de Chicago, Sindicato dos Roteiristas e Satellite, e ganhou o National Board of Review. Esta é a quarta indicação ao Oscar de Roth – concorreu ainda por “Munique” (2005) e por “O Informante” (1999). Esta é a primeira indicação ao Oscar de Robin Swicord, co-autora da história.

“Dúvida”

John Patrick Shanley, também diretor do filme e autor da peça teatral em que o filme se baseia, criou um belíssimo texto, mas que por outro lado não é muito eficiente em esconder sua origem dos palcos. E, como dos cinco indicados é o único que não concorre à Melhor Filme, suas chances de vitória aqui são praticamente nulas – a força desta história está, sim, nas palavras, mas acima de tudo no desempenho espetacular do elenco que as defende! Foi indicado ao Broadcast, Globo de Ouro, Críticos de Chicago, Sindicato dos Roteiristas e Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Shanley – ele ganhou em 1988, por “Feitiço da Lua”!

“Frost/Nixon”

Assim como o concorrente anterior, também é baseado numa produção teatral e teve seu roteiro escrito pelo mesmo autor da peça, Peter Morgan. Se é mais eficiente em esconder sua origem, não deixa, por outro lado, de demonstrar muita força nas palavras e nas atuações do que no visual cinematográfico da obra. Concorreu também ao Bafta, ao Broadcast, Críticos de Chicago, Globo de Ouro, e Sindicato dos Roteiristas, e ganhou os prêmios dos Críticos de São Francisco e Las Vegas, além do Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Morgan – ele foi indicado ainda por A Rainha” (2006).

“O Leitor”

Um dos maiores méritos desta produção, além do desempenho da protagonista, é sua história, que conduz com muita habilidade todos os seus segredos, revelando-os no momento certo. Com duas obras teatrais e um ‘auto-plágio’ ao seu lado na disputa, pode ser uma opção caso o favoritismo do principal indicado não se confirme. Baseado no livro de Bernhard Schlink, é o azarão, e pode surpreender. Foi indicado ao Bafta, Globo de Ouro, Críticos de Londres e Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar para o roteirista David Hare – ele concorreu também em 2002, pelo fantástico – e superior – “As Horas”, longa que também foi dirigido por Stephen Daldry!

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Grande favorito nas principais categorias, como Filme e Direção, é também aposta certa como Roteiro Adaptado – afinal, o que Simon Beaufoy fez com o livro de Vikas Swarup é simplesmente genial, criando algo novo, inovador e surpreendente. Ganhou o Bafta, o Broadcast, o Globo de Ouro, o National Board of Review (empatado com “O Curioso Caso de Benjamin Button”), o Sindicato dos Roteiristas e os prêmios dos Críticos de Southeastern, Phoenix, Kansas, Florida, Chicago e Central Ohio. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Beaufoy – ele concorreu também em 1998, por “The Full Monty – Ou Tudo Ou Nada”.

Oscar 2009 – Melhor Atriz Coadjuvante

quinta-feira, fevereiro 12th, 2009

Este ano aconteceu algo bastante curioso nesta categoria: a grande favorita ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante simplesmente foi indicada… como Atriz Principal! Kate Winslet, por “O Leitor”, ganhou este prêmio no Globo de Ouro e no SAG, por exemplo, e era considerada uma aposta certa. Mas, com ela fora da disputa, as cinco finalistas ficaram meio que em pé de igualdade – com um leve favoritismo de uma espanhola enfezada sob a direção de um dos mais respeitados cineastas de Hollywood. Mas surpresas sempre acontecem, não é mesmo?

Vai ganhar: Penélope Cruz, por “Vicky Cristina Barcelona”
Merece ganhar: Penélope Cruz, por “Vicky Cristina Barcelona”

And the Oscar goes to… PENÉLOPE CRUZ, POR “VICKY CRISTINA BARCELONA”

Amy Adams, por “Dúvida”

O personagem de Amy Adams é a principal observadora do filme, que dá início às ações e uma das que mais sofrem com as consequências. É a coadjuvante por excelência. Está perfeita, e pode acabar sendo reconhecida – uma vitória que não seria injusta. Foi indicada ao Bafta, Críticos de Chicago, Globo de Ouro e ao SAG – sem ter ganho em nenhum, o que diminui muito as suas chances. Outro grande problema que enfrenta é ter uma forte concorrente no mesmo filme! Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu também como Atriz Coadjuvante em 2006 por “Retratos de Família”.

*Penélope Cruz, por “Vicky Cristina Barcelona”

No começo da corrida ao Oscar 2009, logo despontou como favorita, mas aos poucos foi sendo ofuscada por Winslet. Mas agora, sem a estrela de “O Leitor” por perto, suas chances aumentaram consideravelmente. E ela realmente merece – coadjuvante ideal, faz juz à linhagem das intérpretes de Woody Allen, com diálogos saborosos e uma composição irretocável. Ganhou o Bafta, Críticos de Boston, de Kansas, de Los Angeles, de Nova York, de Southeastern e o National Board of Review, além de ter sido indicada ao SAG, ao Globo de Ouro, ao Independent Spirit Awards, Críticos de Londres, de Chicago, ao Broadcast e ao Goya. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu ainda em 2007, como Atriz Principal, por “Volver”.

Viola Davis, por “Dúvida”

Ela tem apenas UMA cena no filme – mas uma ótima cena, em que domina o diálogo e deixa a própria Meryl Streep praticamente muda! Foi o que bastou para não só garantir a indicação, como também para colocá-la entre as favoritas – não será espanto algum se sair da festa carregando a cobiçada estatueta dourada! Desconhecida do grande público cinéfilo – no ano passado foi a melhor amiga de Diane Lane em “Noites de Tormenta” - tem extensa carreira na televisão. Foi indicada ao Broadcast, Críticos de Chicago, SAG e Globo de Ouro, e foi premiada no National Board of Review como “Revelação do Ano”. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.

Taraji P. Henson, por “O Curioso Caso de Benjamin Button”

Com um desempenho simplesmente “adorável”, é praticamente impossível não se encantar pela mãe adotiva do protagonista! Mas Taraji possui poucos bons momentos em cena – e isso num filme de quase 3 horas é quase imperdoável. Sua inclusão na lista final já é, por si só, um prêmio mais do que merecido, e não há a menor chance dela sair vitoriosa. Quem sabe numa próxima vez? Apesar de ter feito poucos trabalhos no cinema, já apareceu em seriados como “House“, “C.S.I.” e “Boston Legal“. Ganhou o prêmio dos Críticos de Austin, Texas, e foi indicada ao SAG e ao Broadcast. Esta é sua primeira indicação ao Oscar!

Marisa Tomei, por “O Lutador”

Marisa está sensacional, e caso o Oscar não vá para Penélope, a minha torcida seria para ela. Apesar de ter o principal desempenho feminino no filme, é um personagem secundário, e sua indicação é mais do que justa – e uma vitória seria uma consagração! Concorreu ao Bafta, ao Broadcast e ao Globo de Ouro, e ganhou os prêmios dos Críticos de São Francisco, de San Diego, de Las Vegas e da Florida. Esta é sua terceira indicação ao Oscar – ganhou como Atriz Coadjuvante em 1993 por “Meu Primo Vinny” e concorreu em 2002, também como Coadjuvante, por “Entre Quatro Paredes“.

 

Oscar 2009 – Melhor Ator Coadjuvante

quinta-feira, fevereiro 12th, 2009

De todas as categorias do Oscar 2009, nenhuma é mais previsível do que esta: simplesmente NÃO HÁ concorrência! Há, sim, somente um vencedor e quatro figurantes, que sabem melhor do que ninguém que não possuem a menor chance de vitória. E, infelizmente, esse favoritismo absoluto transcende a qualidade da atuação – que, sim, é digna de reconhecimentos – mas se apoia num fato trágico. Não fosse a morte de um dos indicados, a disputa muito provavelmente seria a mesma, mas certamente bem mais interessante!

Vai ganhar: Heath Ledger, por “Batman – O Cavaleiro das Trevas”
Merece ganhar: Robert Downey Jr., por “Trovão Tropical”

And the Oscar goes to… HEATH LEDGER, POR “BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS”

Josh Brolin, por Milk – A Voz da Igualdade

Esta indicação é quase que um ‘pedido de desculpas’. Afinal, Brolin esteve em nada menos do que quatro filmes muito interessantes no ano passado, com duas interpretações dignas de prêmios, em “Onde os Fracos não tem Vez” e “W”. Só que o reconhecimento de agora veio por um trabalho que não é o seu melhor – nem do próprio filme, que apresenta atores como James Franco e Emile Hirsch ainda mais convincentes. Mesmo assim, foi indicado ao SAG e ao Broadcast, e ganhou o National Board of Review e o prêmio dos Críticos de Nova York. Esta é sua primeira indicação ao Oscar!

Robert Downey Jr., por Trovão Tropical

Assim como Mickey Rourke, Downey Jr. também experimentou um grande retorno em 2008, porém ainda mais impactante – além da crítica, conquistou também o público com duas atuações exemplares: neste filme e no blockbuster “Homem de Ferro”. Ele foi a imagem do ano, e todos estão muito felizes com este sucesso. E o que faz no filme dirigido por Ben Stiller é além do impressionante, deixando na sombra inclusive ótimas atuações de astros como Tom Cruise e Jack Black. Foi indicado ao Bafta, ao Broadcast, Críticos de Chicago, Globo de Ouro, SAG e Satellite. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu como Ator Principal em 1992 por “Chaplin”.

Philip Seymor Hoffman, por Dúvida

Excelente ator, sempre entrega performances dignas de muitos aplausos. Hoffman, porém, não tem A atuação do filme – e nem este é o seu trabalho de maior destaque no último ano – esteve superior em “Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto” e “A Família Savage”, por exemplo. Mas já foi premiado e é sempre bom tê-lo por perto – mesmo que seja apenas para constar. Foi indicado ao Bafta, ao Broadcast, Críticos de Chicago, Globo de Ouro, SAG e Satellite. Esta é sua terceira indicação ao Oscar – ganhou como Melhor Ator em 2005 por “Capote” e concorreu como Ator Coadjuvante em 2007 por “Jogos do Poder”.

*Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Ledger tem tudo para ser o segundo ator de toda a História a ganhar um Oscar póstumo – antes dele, apenas Peter Finch teve esta honra, em 1977, por “Rede de Intrigas”. Seu Coringa é realmente impressionante – conseguiu o feito de deixar a atuação de Jack Nicholson, em 1989, com o mesmo personagem, relegada a um segundo plano! Ganhou até o momento praticamente TODOS os prêmios possíveis: Australian Film Institute, Bafta, Broadcast, Globo de Ouro, People’s Choice Award, SAG, Críticos de Boston, de Chicago, de Flórida, de Kansas, de Las Vegas, de Los Angeles, de São Francisco, de Southeastern, de Toronto e de Washington. Esta é sua segunda indicação ao Oscar – concorreu como Melhor Ator em 2005 por “O Segredo de Brokeback Mountain”.

Michael Shannon, por Foi Apenas um Sonho

Ele tem apenas duas cenas no filme, mas consegue capturar toda a atenção, eclipsando atores do calibre de Kate Wiinslet, Leonardo DiCaprio e Kathy Bates. Foi mais do que suficiente para garantir este reconhecimento. Ou seja, aparece muito pouco, mas mais do que o suficiente. É um ator coadjuvante por excelência, com poucos papéis de destaque no currículo, mas que aos poucos vem construindo uma interessante carreira – confira seu desempenho em “Possuídos”, de 2006. Ganhou por este desempenho o Satellite, além do prêmio de elenco no Festival de Palm Springs, e foi indicado pelos Críticos de Chicago. Esta é sua primeira indicação ao Oscar!

Oscar 2009 – Melhor Atriz

quarta-feira, fevereiro 11th, 2009

A disputa para o Oscar de Melhor Atriz neste ano é a oportunidade perfeita para se fazer justiça. Pena que não apenas para uma das indicadas, mas sim DUAS delas disputam esta preferência! Afinal, de um lado temos a “maior atriz viva”, que há mais de 25 anos não é premiada, e do outro um fenômeno em sua sexta indicação, mas que nunca venceu! Qual das duas saírá recompensada é difícil prever. Entre as demais candidatas há uma excelente intérprete que recebe sua primeira chance como protagonista, uma novata que aos poucos está demonstrando saber atuar e a volta de uma das maiores estrelas de Hollywood!

Vai ganhar: Kate Winslet, por O Leitor
Merece ganhar: Meryl Streep, por Dúvida

And the Oscar goes to… KATE WINSLET, POR “O LEITOR”

Anne Hathaway, por O Casamento de Rachel

Ela despontou aparecendo em comédias juvenis da Disney, mas aos poucos foi conquistando respeito e popularidade ao lado de grande intérpretes e em escolhas mais ousadas. Porém, o desejo de ser uma celebridade pode ter atrapalhado seus planos – o lançamento de Noivas em Guerra não foi nada positivo para sua campanha. Está em terceiro lugar na disputa, correndo por fora. Ganhou o Broadcast (empatada com Meryl) e o National Board of Review, além de ter concorrido ao Globo de Ouro, ao SAG, ao Independent Spirit Award e ao Satellite. É sua primeira indicação ao Oscar.

Angelina Jolie, por A Troca

Depois de virar a estrela feminina mais popular de Hollywood e se tornar uma das atrizes mais bem pagas do cinema em produções de forte apelo popular, Jolie se uniu ao respeitado Clint Eastwood para voltar aos braços da crítica. Esnobada no ano passado, quando deveria ter sido indicada pelo superior O Preço da Coragem, esta indicação já lhe é suficiente, sem a menor chance de vitória. Concorreu também ao Bafta, ao Broadcast, ao Globo de Ouro, ao SAG e ganhou o Satellite! É sua segunda indicação ao Oscar – ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante por “Garota, Interrompida” (1999).

Melissa Leo, por Rio Congelado

Atriz veterana, está na ativa desde o início dos anos 80 e já trabalhou com atores como Sean Penn, Susan Sarandon, Al Pacino, Robert De Niro, Tommy Lee Jones e Benicio Del Toro, mas nunca teve antes uma chance como protagonista. Quando esta apareceu, a agarrou com todas as forças numa performance inesquecível. É a grande azarão do ano, e uma vitória seria uma surpresa mais do que justa. Foi indicada também ao Broadcast, ao SAG, ao Independent Spirit Award e ao Satellite, e ganhou o National Board of Review de destaque (‘spotlight’) do ano! É sua primeira indicação ao Oscar!

Meryl Streep, por Dúvida

Ela é a maior atriz viva do cinema mundial, a mais versátil, a mais completa, e mais supreendente. Neste novo filme entrega uma atuação visceral e intensa, mas ao mesmo tempo repleta de nuances e pequenos cuidades – que fazem toda a diferença. Foi indicada a absolutamente tudo – Bafta, ao Globo de Ouro e ao Satellite, e ganhou o Screen Actors Guild, o Broadcast e o reconhecimento dos críticos de Washington, Phoenix e Kansas. Esta é sua 15ª indicação ao Oscar (um recorde!) – já ganhou duas vezes: Melhor Atriz, por “A Escolha de Sofia” (1982), e Coadjuvante, por “Kramer vs. Kramer” (1979).

*Kate Winslet, por O Leitor

Ninguém duvida que Winslet merecia estar nesta categoria – mas NÃO por este filme. Seu desempenho é superior em Foi Apenas um Sonho, que acabou sendo ignorado. Mas, com apenas 33 anos e 6 indicações no currículo, criou-se o sentimento de que “está na hora dela ganhar!“, mesmo que não mereça desta vez. Ganhou o Globo de Ouro, o Broadcast e o SAG (como Coadjuvante) e o Bafta (como Principal). Foi indicada anteriormente como Coadjuvante por “Razão e Sensibilidade” (1995) e “Iris” (2001) e como Principal por “Titanic” (1997), “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2004) e Pecados Íntimos (2006).

Top 10 – Cinema 2008

domingo, fevereiro 8th, 2009

O ano de 2008 foi excelente para a sétima arte. Os próprios indicados ao Oscar já apontavam para este fato. Mas como a seleção que vimos no início do ano passado eram produções de 2007 e os que concorrem desta vez ainda não estrearam por aqui, tive que restringir minha lista a outros títulos, talvez não tão premiados, mas certamente merecedores de muitos aplausos. São produções do Brasil, França, Turquia, Japão, e, claro, Estados Unidos, que vão desde animações à musicais, de aventuras de super-heróis à comédias de humor negro. Ou seja, tem um pouco de tudo.

Preferi deixar de fora desta minha seleção escolhas um tanto que óbvias, porém que não dizem muito respeito à temporada 08. Estão entre estes títulos fantásticos, como “Sangue Negro”, “Desejo e Reparação”, “O Escafandro e a Borboleta”, “Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto”, “Longe Dela”, “A Família Savage”, “O Gângster” e “Senhores do Crime”, todos concorrentes à última festa do Oscar. Com exceção dos dois primeiros, vencedores em poucas categorias, todos os demais não foram vitoriosos – o que não diminui em nada seus méritos. Merecem ser descobertos! Assim como o meu seleto Top Ten abaixo:

10. “A Culpa é do Fidel!” (La Faute à Fidel!, França/Itália)
Um comovente drama político que tem como ponto de vista a curiosidade e a incompreensão infantil. Apesar de se passar na França, tem como cenário de fundo os movimentos revolucionários na América do Sul, em especial no Chile. Bonito, envolvente e muito bem filmado, representa também uma nova geração apta a grandes trabalhos: Julie Gavras, a diretora, é filha de Costa-Gavras, polêmico cineasta grego diretor de filmes como “Z” e “Amén”, enquanto que a protagonista, Julie Depardieu, é filha do ator francês Gerard Depardieu.

 

09. “Chega de Saudade” (Brasil)
Este drama contemporâneo nacional com toques de musical é simplesmente apaixonante. Laís Bodansky, a diretora, mostra de vez que “Bicho de Sete Cabeças” não foi um caso à parte em sua filmografia, entregando agora uma obra tão boa quanto, senão superior. E isso sem falar do elenco, que de Betty Faria à Cássia Kiss, de Tônia Carrero à Maria Flor, de Stepan Nercessian a Leonardo Villar está, no mínimo, “perfeito”.

 

 

08. “Ensaio Sobre a Cegueira” (Blindness, Canadá/Brasil/Japão)
Fernando Meirelles, depois de “Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel”, resolveu partir para um desafio ainda maior: adaptar o livro do escritor português premiado com o Nobel, José Saramago. Filmado em Toronto, São Paulo e Montevidéu, com elenco multinacional e financiado até por japoneses, tem esse ar cosmopolita que deixou muita gente confusa. Mas o que dizer quando o próprio Saramago, após assistir ao longa, às lágrimas, disse: “estou tão emocionado agora como estive quando terminei de escrever o livro”?

 

07. “Trovão Tropical” (Tropic Thunder, EUA)
Ben Stiller tem seu lugar garantido como ator e, principalmente, comediante. Mas ele ainda precisava mostrar algo como cineasta. Afinal, nem “O Pentelho” ou “Zoolander”, apesar de ótimos, deixavam de ter seus momentos irregulares. Mas com “Trovão Tropical” não restam mais dúvidas: o cara é um gênio. Debochando de Hollywood, dos reality shows e dos filmes de guerra, ainda conseguiu colocar astros como Tom Cruise e Matthew MacConaughey em papéis minúsculos e ridículos. E quem tem coragem de dizer que Robert Downey Jr. não merece o Oscar? Irresistível!

 

06. “Mamma Mia!” (EUA/Inglaterra/Alemanha)
Podem dizer o que quiser: que a peça teatral era muito melhor, que a diretora não sabe dominar os elementos cinematográficos, que as músicas são batidas, que é tudo um grande videoclipe. Mas, no final, como não sair cantando e com vontade de dançar após uma sessão de “Mamma Mia!”? Meryl Streep está fabulosa (e ela vem aí em “Dúvida”), o elenco todo está muito bem ajustado (sim, até Pierce Brosnan…), o cenário das Ilhas Gregas é um total deslumbre e as canções estão perfeitas, mesmo diante de um enredo aparentemente tolo, porém muito bem amarrado. O filme “evento” do ano!

 

05. “Queime Depois de Ler” (Burn After Reading, EUA/Inglaterra/França)
A melhor comédia do ano. O melhor elenco jamais reunido com uma simples missão: ser, cada um, o mais idiota possível! Como não amar? Brad Pitt e Frances McDormand estão soberbos, e George Clooney, John Malkovich e Tilda Swinton não ficam muito atrás. Repleto de frases emblemáticas, tiradas muito espirituosas e um contexto absurdamente envolvente (trilha sonora, fotografia), o roteiro original criado pelos irmãos Coen logo após conquistarem o Oscar por “Onde os Fracos não têm Vez” é uma verdadeira pérola. De rir do início ao fim! Não é mesmo, Osbourne Cox?

 

04. “Do Outro Lado” (Auf der Anderen Seite, Alemanha/Turquia/Itália)
Depois de conquistar o mundo com o poderoso “Contra a Parede”, o cineasta alemão de origem turca Fatih Akin entrega um longa ainda mais completo e envolvente. “Do Outro Lado” ilustra bem a falsa idéia de que “a felicidade está sempre em outro lugar, e nunca onde estamos”, um mal que atinge muita gente. A história começa em Berlim, mas logo passa para Istambul, para depois voltar à capital alemã para, quando menos esperamos, retornar à Turquia. E indo de um lado ao outro mostra um cenário de diferenças, paixões, arrependimentos e perdões. Maravilhoso!

 

03. “Era Uma Vez” (Brasil)
Breno Silveira, depois de conquistar o país inteiro com “Dois Filhos de Francisco”, levou o drama romântico de ‘Romeu e Julieta’ para a beira da praia de Copacabana, em pleno Rio de Janeiro. E o resultado é o filme mais apaixonante, triste e comovente do ano. Impossível não se envolver com a história do garoto do morro que se encanta com a menina rica do asfalto e das dificuldades que os dois terão que enfrentar para ficarem juntos. Mesmo que o final trágico seja anunciado com mais força do que se poderia esperar – ou, mesmo, evitar. Cinema brasileiro de alta qualidade, que consegue se comunicar com o público apostando na melhor das técnicas: honestidade dos sentimentos.

02. “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, EUA)
E quem disse que filme de super-herói baseado em histórias em quadrinhos não pode ser um verdadeiro clássico? Produção de maior bilheteria do ano e um dos maiores sucessos de público de todos os tempos, ainda levou 8 indicações ao Oscar e promete fazer História! Como muito já se disse, é um impressionante thriller de ação e suspense, com a fundamental diferença de ter como protagonista um homem fantasiado de capa e máscara e como vilão um demente transtornado e completamente imprevisível. Chris Nolan elevou o gênero a uma categoria acima do que se vinha tratando até então, mostrando com sabedoria, respeito ao tema e muito cuidado como criar um trabalho inesquecível.

01. “Wall-E” (EUA)
 E quem disse que ‘animação’ é um gênero inferior de se fazer cinema? Depois de anos conquistando público e crítica com obras nada menos do que geniais, a Pixar levou aos cinemas em 2008 sua obra prima: “Wall-E”! O conto do robozinho limpa-lixo que termina por salvar o planeta Terra do descaso total merece todos os aplausos possíveis, e o diretor Andrew Stanton (“Procurando Nemo”) usa todo o potencial a sua disposição para criar uma trama absurdamente cativante, que brinda a inteligência do espectador com muito respeito e emoção. Um clássico instantâneo, que nasce já como referência para gerações futuras e oferecendo um novo significado à expressão “arte cinematográfica”.

Como disse no início deste texto, 2008 foi um ano impressionante. E, aqueles que não foram muito atentos durante os 12 meses que se passaram, devem ir atrás não só destes títulos, mas também de outros trabalhos merecedores de atenção. São obras impressionantes, como o mexicano “Zona do Crime”, o brasileiro “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas, as duas performances de Penélope Cruz em “Vicky Cristina Barcelona” e “Fatal”, o arrebatador e chocante “O Nevoeiro”, baseado num conto de Stephen King, e até mesmo a nova aventura de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, de Steven Spielberg, que recriou com maestria o clima das matinês do início dos anos 80. Grandes e boas opções, que mostram que a diversidade foi o tom mais marcante de um ano repleto de boas surpresas!

 

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