quarta-feira, fevereiro 16th, 2011
Durante anos a Disney, o mais tradicional estúdio do gênero, comeu poeira da Pixar no campo da animação em longa-metragem. Até que foi lá e comprou o concorrente. Agora, juntos, o melhor de um está integrado com o outro. E o mais bem sucedido resultado dessa união, ao menos até o momento, é “Enrolados”, a adaptação da clássica história de Rapunzel (mais…)
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sexta-feira, janeiro 7th, 2011
A história de “Tron” começa no início dos anos 80, quando o primeiro episódio foi lançado. Desde então, quase 30 anos depois, não foram só os efeitos especiais do longa original que envelheceram mal – a própria trama não está mais de acordo com o público de hoje. Assim, “Tron – O Legado” se apresenta como um espetáculo para os olhos, mas pouco interessante enquanto diversão (mais…)
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sexta-feira, junho 18th, 2010
É um fato: a Pixar simplesmente não sabe fazer um filme ruim. E o novo “Toy Story 3” é mais uma prova desta evidência (mais…)
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sexta-feira, outubro 23rd, 2009
Existem dois grandes estúdios de cinema especializados em animação em Hollywood: Pixar/Disney e Dreamworks. Sempre que algum outro concorrente decide se arriscar neste gênero, os resultados são controversos. Mas desta vez a Sony resolveu investir pesado, e o que temos é esse “Tá Chovendo Hambúrguer”, que já faturou mais de US$ 100 milhões só nos Estados Unidos (mais…)
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quarta-feira, julho 8th, 2009
Alguns atores sentem tanto prazer ao trabalhar uns com os outros que, mesmo o resultado final não sendo tão empolgante, presenciá-los em ação acaba sendo, por si só, interessante. Pois é exatamente isso que acontece em “Duplicidade”, longa que marca o reencontro da dupla Julia Roberts e Clive Owen (mais…)
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sexta-feira, junho 19th, 2009
Talvez, por alguns instantes, até surja uma dúvida, mas não se engane: você já viu este filme antes. E inúmeras vezes. E em versões muito superiores. “Minhas Adoráveis Ex-Namoradas” é uma bobagem do início ao fim, que não compensa nem pela presença dos astros Matthew McConaughey e Jennifer Garner (mais…)
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terça-feira, abril 14th, 2009
Desde que o trailer surgiu na internet tenho esse monólogo interno, tentando em vão entender como que um filme como “Beverly Hills Chihuahua” ganhou a green light para entrar em produção (mais…)
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domingo, janeiro 4th, 2009
Quem tem coragem de duvidar do poder dos Estúdios Disney? Há até pouco tempo, muitos diziam que a casa de Mickey Mouse estava acabada, que o futuro pertencia à animação digital e às produções da Pixar e da Dreamworks. Pois bem, quando todos acreditavam que estas glórias haviam ficado definitivamente no passado, eis que surge “Bolt Supercão”, um longa que demonstra não só uma vitalidade insuspeita como um novo direcionamento, mostrando que há muito ainda a ser trilhado. Felizmente! Não estamos falando de um filme no nível de “Ratatouille” ou “Shrek” (só para citar dois oscarizados), por exemplo, mas ainda assim é muito superior às tentativas digitais anteriores da Disney, como “O Galinho Chicken Little” e “A Família do Futuro”! E se provocou entusiasmo, nenhum indicativo poderia ser mais apropriado de que o caminho está correto.
O primeiro passo acertado foi o de “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. E justamente isso foi feito quando a Pixar foi adquirida. Se antes se tratavam de dois estúdios independentes, porém associados somente no momento da distribuição, após cada obra estar pronta, agora é diferente, e o controle criativo de ambos está nas mãos de homens como John Lasseter, diretor de “Toy Story” e “Carros”, entre outros, e produtor de praticamente todas as animações digitais da companhia. E se a união foi definitivamente estabelecida, por quê não aproveitá-la? Assim, o primeiro resultado deste casamento é justamente “Bolt Supercão”, que chega aos cinemas em duas versões: tradicional e 3D – essa sim, arrepiante!
A trama, apesar de original, trata de temas bastante caros ao universo Disney: companheirismo, amizade, confiança, respeito e dedicação. Bolt é um cãozinho que, desde pequeno, foi criado dentro de uma companhia de televisão. Ele é a estrela principal de um seriado sobre um cachorro com superpoderes que, ao lado da sua dona, enfrenta os mais diversos perigos. A questão é que ele realmente acredita ser o personagem, sem ter a menor noção do mundo real. Mas um acidente o acaba levando de Los Angeles até Nova York, e perdido e sem ter a quem recorrer, terá que atravessar o país, ao lado de dois novos companheiros – uma gata, que acredita ser comparsa do vilão, e um hamster alucinado, fã dele – além de ter que descobrir do modo mais difícil que não é tão habilidoso quanto imaginava.
Bem recebido pelo público, “Bolt Supercão” arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias norte-americanas em pouco mais de um mês de exibição. Não chega a ser um feito memorável, mas ninguém pode considerá-lo um fiasco (só para termos de comparação, tanto “Wall-E” quanto “Kung Fu Panda” arrecadaram mais de US$ 200 milhões nos EUA e mais de US$ 500 milhões em todo o mundo). A crítica também o aplaudiu, conferindo-lhe indicações como Melhor Longa de Animação do ano em premiações como o Globo de Ouro e o Satellites. Sinal de que a turma do Mickey ainda possui um bom fôlego, e que há muito há ser explorado neste universo de magia, encanto e sedução. E se todos forem tão adoráveis e emocionantes quanto o pequeno Bolt, já estará de bom tamanho!
Bolt, EUA, 2008
De Byron Howard, Chris Williams
Com as vozes originais de John Travolta, Miley Cyrus, Susie Essman, Mark Walton, Malcolm McDowell, e na versão dublada em português de Mário Jorge Andrade, Maria Clara Gueiros, Leandro Hassum
(nota 8)
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segunda-feira, julho 7th, 2008
Afirmar que “Wall-E” é simplesmente o melhor filme lançado em 2008 é pouco. Este clássico instantâneo merece muito mais. De cara, podemos afirmar que é a melhor produção assinada pela Pixar Animation, desde o início de sua parceria com os Estúdios Disney. E olha que o páreo é duro, batendo títulos impressionantes como “Monstros S.A.” (2001) e “Os Incríveis” (2004), entre tantos outros. É também a animação mais inteligente em muitos anos, superando obras que falam diretamente com o público adulto, como “Persépolis” (2007), “Happy Feet” (2006) e “A Viagem de Chihiro” (2001). E, por fim, é um longa perfeito do início ao fim, merecedor de todas as honrarias possíveis e absolutamente apto a ser analisado ao lado de qualquer outra produção dos mais diversos gêneros, extrapolando limites e barreiras convencionais. É o melhor do ano, independente de qualquer qualificação. Se “A Bela e a Fera” (1991) é até hoje o único desenho animado a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, “Wall-E” merece – e digo isso sem a menor hesitação – levar a mais cobiçada estatueta dourada de todas para casa.
A expressão ‘wall-e’ signfica “waste allocation load lifter – earth class”, que poderia ser livremente traduzido como “robô responsável pela reorganização de lixo – classe terrestre”. Ou seja, é um empilhador de entulho. E o protagonista desta aventura é o último de uma geração de máquinas responsáveis em “limpar a Terra”. Isso tudo está acontecendo há mais de 800 anos no futuro, quando o planeta deixou de ser habitável e toda a Humanidade vive numa gigantesca nave espacial há séculos. Wall-E leva uma vida solitária, tendo como companhia apenas uma barata (elas sobrevivem à tudo), encaixotando pilhas de lixo, até o dia em que encontra algo fora do seu cotidiano: uma pequena plantinha, um ser orgânico diferente de tudo que tenha visto até então. Ao mesmo tempo se depara com a visita de Eva, uma robozinha enviada pra cá em busca justamente de uma prova de que a Terra teria superado o maltrato humano e que estaria pronta a receber o homem mais uma vez.
A paixão entre Wall-E e Eva é imediata – principalmente da parte dele. Mas ela tem uma ‘diretriz’ – levar a comprovação de que é possível retornar para casa – e essa missão irá conduzi-los ao espaço, até a espaçonave que abriga o que restou da espécie humana. Porém, depois de dezenas de décadas levando uma vida artificial, esses sobreviventes já esqueceram até de ações básicas como caminhar, conversar uns com os outros ou até mesmo olharem nos olhos dos vizinhos. Essa redescoberta da vida para a ser uma obrigação, nem que isso tenha como conseqüência o enfrentamento final entre homem e máquina – a referência aqui, como não poderia deixar de ser, é outro clássico: “2001 – Uma Odisséia no Espaço” (1968), com direito a motim e tudo.
Você consegue imaginar uma história capaz de provocar no espectador a mais variada gama de reações possíveis? Pois então, assim é “Wall-E”. No início o cenário provoca melancolia, em seguida desperta a curiosidade, depois vem o interesse, a graça, o riso, a tristeza, a tensão, a magia, o suspense, o medo, o perigo, o pesar, a surpresa, o humor, a paixão, as lágrimas, a satisfação, a culpa, o remorso, o entusiasmo, a empolgação, o amor. Está tudo ali, misturado e disposto de acordo com o a precisão do olhar de quem aqui observa, sabendo que aquela segunda chance pode ser algo que nós próprios não tenhamos direito se assim continuarmos, ignorando o universo ao nosso redor. Muito mais eficiente do que um “Uma Verdade Inconveniente” (2006) ou mesmo o recente “Fim dos Tempos”, este filme é sim um alerta ecológico e social, mas também uma obra que supera qualquer expectativa, por mais positiva que esta seja. É cinema com letra maiúscula, e ponto final.
Desde o início de suas operações a Pixar vem revelando uma ambição superior ao que se tinha convencionado posicionar os longas de animação até aquele momento. Suas produções falam, sim, com as crianças – é só ver o sucesso dos brinquedos inspirados em filmes como “Carros” (2006) ou “Toy Story” (1995), por exemplo – mas possuem o mérito de estabelecer comunicação com qualquer espectador, independente de sua idade. E é neste sentido a mais perceptível das suas melhoras. O estabelecimento definitivo com a Disney começou com o filme anterior, “Ratatouille” (2007), mas é aqui que vemos claramente o melhor destes dois mundos: a técnica, o enredo bem amarrado e o detalhamento dos criadores do genial “Procurando Nemo” (2003) – que, aliás, também é dirigido por Andrew Stanton – com a experiência e a fantasia de um time de criadores com décadas de história e responsáveis por obras como o poético “Fantasia” (1940), entre tantas outras.
“Wall-E” é impecável sob todos os aspectos. Há uma mensagem forte e relevante a ser transmitida, aliada a um visual de grande impacto e com personagens absurdamente cativantes – Wall-E e Eva são, desde já, o melhor casal do cinema moderno! Não importa a leitura que você faça, esta é uma história que sempre irá provocar uma nova reflexão. Entretenimento de primeira, respeito a nossa inteligência e um produto que consegue ir além do óbvio, ao tratar temas simples com sabedoria e competência. Há filmes que provocam mudanças na sociedade, levantam questões e provocam polêmicas. Este, por outro lado, posiciona-se um passo adiante. Deixe “Wall-E” conquistar você, e assuma desde já uma nova atitude na sua vida.
Wall-E, EUA, 2008
De Andrew Stanton
Com as vozes originais de Ben Burtt, Elissa Knight, Fred Willard, Kathy Najimy, Sigourney Weaver
(nota 10)
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terça-feira, julho 10th, 2007
Em uma entrevista recente, o diretor Brad Bird relatou as idéias que surgiram em uma das primeiras reuniões que tiveram no início da Pixar Animation, num brainstorm para futuros projetos de longas-metragens: bonecos que ganhavam vida quando o dono os deixavam sozinhos, o mundo fantásticos dos insetos, monstros da imaginação infantil e… um ratinho que sonhava em ser chef de cozinha! Se os primeiros deram certo e geraram ótimos filmes – TOY STORY, VIDA DE INSETO, MONSTROS S.A. – por quê o último não funcionaria também? O resultado vemos agora: RATATOUILLE é igualmente um sucesso de público e de crítica, mas evidencia além da técnica os motivos que causaram tanta hesitação entre seus criadores.
A trama de RATATOUILLE é muito simples: um ratinho, cinza, feio e peludo, está cansado de viver no lixo e sonha em ir para Paris e descobrir todos os sabores existentes no lugar com a melhor culinária do mundo! Bem ou mal ele acaba chegando lá, formando por acaso parceria com um aprendiz de cozinha desastrado. Tudo o que o rato sabe, o garoto desconhece. Juntos, porém, acabam fazendo fama e devolvendo o restaurante em que atuam a antiga popularidade. Outros elementos, como a saudade e lealdade perante à família (o pai, o irmão e os demais amigos acabam ficando para trás quando o protagonista decide virar cozinheiro), honestidade (quem é o verdadeiro dono do negócio?) e até crítica (culinária e, por quê não afirmar, artística em geral) são debatidos em cena. Ganha, com esta diversidade, o espectador adulto. Por outro lado, os mais baixinhos talvez se cansem um pouco.
Essa nova produção da Pixar ao lado dos Estúdios Disney é menos movimentada que os filmes anteriores da casa, principalmente do que o primeiro longa do diretor – OS INCRÍVEIS, de 2004. Por outro lado, o desenvolvimento intelectual da história é mais fundamentado, deixando de lado reviravoltas previsíveis e personagens unidimensionais em favor de uma estrutura mais orgânica, dinâmica e consciente. As motivações são todas muito bem exploradas, nada é raso, e até o mais cego dos vilões tem suas razões justificadas. Neste meio tempo, sobra um olhar mais ácido em relação àqueles que deturpam à arte em nome de um “bem maior” e neste processo acabam esquecendo dos seus objetivos primordiais: entreter, educar e gerar prazer.
Entretanto, nem tudo é “ouro” em RATATOUILLE. Se os méritos da obra são diversos, há também alguns problemas estruturais difíceis de ignorar. E o mais básico de todos é evidente: como deixar de lado o fato de que se está falando de um rato invadindo a cozinha e tratando com alimentos? Mesmo atento a detalhes como “as mãos devem estar sempre limpas“, é particularmente complicado quando presenciamos um exército de roedores preparando um banquete. As mensagens de que todo sonho é possível se acreditarmos o suficiente, de que unidos vamos mais longe e de que os valores éticos e morais se trazem de casa são muito bonitas, necessárias e pertinentes no contexto global em que vivemos, mas bem que aqueles que aqui a ilustram – e isso não é uma apologia ao politicamente correto, por favor! – poderiam ser mais, digamos, palatáveis!
Ratatouille, EUA, 2007
(nota 8)
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