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“Burlesque”

quinta-feira, fevereiro 10th, 2011

Christina Aguilera tem a voz. Cher tem o mito. E a trilha sonora é uma delícia à parte, com canções das duas e de outros nomes de destaque, como Madonna. Como, então, não gostar de “Burlesque”? (mais…)

“Novidades no Amor”

quinta-feira, outubro 22nd, 2009

Quando um filme hollywoodiano entra em cartaz no Brasil antes do que nos Estados Unidos – que é, afinal, seu país de origem – dificilmente trata-se de um bom sinal. E com “Novidades no Amor” a situação não é diferente (mais…)

“A Vida Secreta das Abelhas”

sábado, agosto 29th, 2009

Sabe aquele filme que você, ao ler a sinopse, já sabe que é o típico ‘de mulherzinha’? Pois bem, esse é o caso de “A Vida Secreta das Abelhas”! E não que essa impressão seja pejorativa (mais…)

“Recém Chegada”

quinta-feira, maio 14th, 2009

recem-chegada04Renée Zellweger está numa encruzilhada. Depois de ser campeã de bilheteria e conquistar um Oscar, tem enfrentado uma baixa nos últimos anos. E o novo “Recém Chegada” é um bom exemplo deste período fraco: é um filme bobinho, clichê e inofensivo (mais…)

“Chicago”

domingo, março 29th, 2009

chicago12O Oscar 2003 dançou ao ritmo de “Chicago”, a adaptação do musical que finalmente chegou às telas após mais de 20 anos de sua estréia na Broadway. Este longa recebeu prêmios importantes, como o Globo de Ouro, o Sindicato dos Produtores e o Broadcast Film Critics Awards, antes de se consagrar na maior premiação do cinema mundial, conquistando 6 estatuetas douradas, inclusive a de Melhor Filme (mais…)

Cinema combina com sexo?

segunda-feira, dezembro 8th, 2008

Não estou falando de filmes pornôs, que estes todos nós sabemos que possuem um objetivo bastante determinado. Estou falando de cinema, de sétima arte. Tela grande comporta um bom casamento com sexo, desejo e prazer? Ou o melhor é a telinha pequena, no conforto da própria casa, em produções rápidas e próprias para o vídeo, sem muito cuidado, mas eficientes em provocar as reações almejadas? Tenho as minhas dúvidas.

Recentemente estreou no Brasil a produção nacional “Entre Lençóis”, de Gustavo Nieto Roa, e que mostrava Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira pelados quase o tempo todo, já que a história se passa inteiramente dentro de um quarto de motel. É para lá que os dois vão após se conhecerem numa boate qualquer. E o que começa como uma promessa de sexo descompromissado lá pelas tantas já descamba para promessas de amor, acabando com o prazer sem culpa e despreocupado. O filme é fraco, ingênuo e, pior de tudo, nada original, já que nos remete imediatamente à produção chilena “Na Cama” (2005), de Matías Bize, que possui exatamente o mesmo roteiro. Plágio?

A revista Veja colocou, há poucas semanas, uma matéria especial de capa intitulada “a ética da nudez”, fazendo referência à polêmica levantada pelo ator Pedro Cardoso, durante o lançamento do filme “Todo Mundo Têm Problemas Sexuais”, sobre o excesso da nudez no cinema e na televisão. Bom, vamos com calma!  Realmente há aquela nudez gratuita, desnecessária e abusada. Mas há também a que se encaixa dentro de um contexto, que contribui na história que está sendo contada. Em “Entre Lençóis”, por mais infantil que sejam os diálogos, pior seria ainda o resultado final caso os dois protagonistas ficassem vestidos ou escondidos embaixo dos tais lençóis. Afinal, o cenário é um quarto de motel, não?

Cardoso fez este discurso apontando uma tomada em que a namorada dele, a atriz Graziella Moretto, fica nua em “Feliz Natal”, longa que marca a estréia na direção do também ator Selton Mello. Quem assistiu a este trabalho só pode imaginar que tal protesto deve ser creditado a um ataque de ciúmes, uma vez que a dita cena é completamente justificada dentro do filme – aliás, ótimo, por sinal, e nada explorativo. Evitar radicaslismos é importante. Mas “Feliz Natal” não fala de sexo, muito menos de prazer. E este é o nosso foco aqui.

Outra revista bastante interessante é a norte-americana Entertainmente Weekly. Na edição do dia 28 de novembro de 2008 a matéria de capa era: “os 50 filmes mais sexies de todos os tempos”. E sabe qual ficou em primeiro lugar? O thriller policial “Irresistível Paixão”, de Steven Soderbergh e estrelado por George Clooney e Jennifer Lopez em momentos de alta tensão sexual. Além de bom filme, ele literalmente coloca qualquer um em ponto de bala! Outros presentes na lista que combinam com maestria bons resultados artísticos e altas temperaturas são “Sr. e Sra. Smith” (03), com Brad Pitt e Angelina Jolie, “Corpos Ardentes” (04), com William Hurt e Kathleen Turner, “O Ano em que Vivemos Perigosamente” (14), com Sigourney Weaver e Mel Gibson, “O Destino bate a sua Porta” (25), com Jack Nicholson e Jessica Lange, “Infidelidade” (27), com Diane Lane e Olivier Martinez, “Sexo, Mentiras e Videotape” (35), com James Spader e Laura San Giacomo, e Pecados Íntimos” (42), com Kate Winslet e Patrick Wilson.

Há aqueles filmes sexies que também comportam uma emocionante trama romântica, mostrando que sexo e amor podem sim andar juntos. E os exemplos não faltam, como apontam o escritor descobrindo a paixão pela sua musa em “Shakespeare Apaixonado” (13), o deliciosamente adolescente “Diário de uma Paixão” (19), o campeão de bilheteria e de Oscars “Titanic” (20), o triste e comovente “A Época da Inocência” (23), o austero e envolvente “O Paciente Inglês” (26), o sobrenatural e hilário “Ghost” (36), “O Guarda-Costas” (41), dono da trilha sonora mais vendida de todos os tempos, e o maduro “As Pontes de Madison” (45), com Meryl Streep e Clint Eastwood. E prazer sexual é uma língua que não possui idioma, como provam os mexicanos “E Sua Mãe Também” (07) e “Como Água para Chocolate” (46), que literalmente põe fogo na casa (!), o francês “Swimming Pool – À Beira da Piscina” (18), com a pin up Ludivine Sagnier infernizando a imaginação da quarentona Charlotte Rampling, e o chinês “Amor à Flor da Pele” (37), de Wong Kar-Wai.

Entre produções internacionais como “E Sua Mãe Também” e “Swimming Pool” se percebe algo que em raros momentos chega a ser desenhado com cores mais fortes no cinema norte-americano: a homossexualidade. E o israelense “Delicada Atração” (49) é uma boa prova disso, chegando a ser apontado como uma ‘versão menor atormentada de “Brokeback Mountain”’. Mas este olhar homoerótico não é exclusividade estrangeira, o que mostra a presença na lista de títulos como “Cidade dos Sonhos” (17), com a protagonista lésbica interpretada por Naomi Watts, o thriller dirigido pelos irmãos Wachowski antes da trilogia “Matrix” e conduzido por um casal de assassinas “Ligadas pelo Desejo” (29), o drama de época inglês “Maurice” (30), que mostra James Wilby dividido entre o amor por Hugh Grant e a atração por Rupert Graves, o ensolarado “O Talentoso Ripley” (39), em que o desejo que Matt Damon sente por Jude Law extrapola os limites éticos, ou “Beijando Jessica Stein” (47), uma divertida comédia romântica sobre uma garota descobrindo o amor… com outras garotas! E isso sem falar do despudoradamente gay “300” (50), aventura com Gerard Butler e o nosso Rodrigo Santoro em trajes sumários em batalhas de visual fantástico. Como resistir?

Sexo é prazer, e o cinema é uma máquina incomparável em criar – e vender, claro – mitos sexuais. E estes estão presentes em ícones como Daniel Day-Lewis (“O Último dos Moicanos”, 08), Michelle Pfeiffer (“Os Fabulosos Baker Boys”, 12), Marilyn Monroe (“O Pecado Mora ao Lado”, 16), Sharon Stone (“Instinto Selvagem”, 21), Denzel Washington (“Mississippi Masala”, 22), Kim Basinger (“9 e meia Semanas de Amor”, 24), Richard Gere (“Gigolô Americano”, 31), Sarah Michelle Gellar (“Segundas Intenções”, 32), Linda Fiorentino (“A Última Sedução”, 40), e Patrick Swayze (“Dirty Dancing”, 43). E isso que ficaram de fora outros nomes de respeito apontados com certo destaque, como Nicole Kidman e Ewan Mcgregor (“Moulin Rouge”, o musical mais sexy de todos os tempos, batendo “Chicago” e “Rocky Horror Picture Show”), Marlon Brando (“Uma Rua Chamada Pecado”, sua interpretação mais sexy), Halle Berry (“007 – Um Novo Dia Para Morrer”, sua interpretação mais sexy), Christian Bale (“Psicopata Americano”, sua interpretação mais sexy), ou algumas das cenas de sexo mais quentes do cinema, como Brad Pitt e Geena Davis em “Thelma e Louise”, Kevin Costner e Sean Young em “Sem Saída”, e James McAvoy e Keira Knightley em “Desejo e Reparação”.

Percebe-se que nessa seleção ficou de fora o cinema brasileiro, com todas as suas musas, como Sônia Braga, Vera Fisher, Cláudia Raia, Lucélia Santos, Christiane Torloni e tantas outras. Todas, infelizmente, geralmente em produções tão constrangedoras quanto o novo “Entre Lençóis”. Sendo assim, voltamos è mesma pergunta: cinema e sexo combinam? Pelo jeito, em Hollywood este casal é sinônimo de sucesso, elogios da crítica e fartas bilheterias. Agora, no Brasil, são outros quinhentos…

“Noites de Tormenta”

quinta-feira, outubro 2nd, 2008

Richard Gere é um daqueles astros de Hollywood que tem uma popularidade meio que inabalável – ele conhece o público dele, e não o rejeita nem abandona. É por isso que volta e meia marca presença em produções como este “Noites de Tormenta”, drama romântico baseado no livro de Nicholas Sparks. Gere até tenta se arriscar em obras mais autorais e interessantes, como os recentes “Não Estou Lá” (2007), “A Caçada” (2007) e “O Vigarista do Ano” (2006), ou mesmo o oscarizado “Chicago” (2002), musical que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Ator. Mas para cada um desses aparecem vários “Palavras de Amor” (2005), “Dança Comigo” (2004) ou “Outono em Nova York” (2000), produções tolas, descartáveis e que tentam, inutilmente, recriar o mesmo impacto nas bilheterias de “Uma Linda Mulher” (1990), o maior sucesso da carreira dele até hoje.

Tendo isso em mente, quem resolver se arriscar e for conferir “Noites de Tormenta” deve estar preparado para não esperar muito. É a mesma história de sempre: casal do cartaz se encontra, se apaixona, se separa e depois tenta ficar junto novamente. Com uma pitada de tragédia, é claro, afinal estamos diante de um enredo dramático, e não de uma comédia. Como o texto é inspirado na obra de Sparks, autor que deu origem também a filmes como “Uma Carta de Amor” (1999), com Kevin Costner, e “Diário de uma Paixão” (2004), com Ryan Gosling, sabe-se também que as lágrimas não hesitarão em correr. E isto é certo: enquanto praticamente o público feminino sairá com os olhos inchados de tanto chorar, os homens estarão se perguntando o porquê de tanto drama!

Outro suposto atrativo da produção seria o reencontro de Gere com Diane Lane, de quem foi par em “Infidelidade” (2002), longa pelo qual ela foi indicada ao Oscar. Mas da mesma forma que a magia entre ele e Julia Roberts vista em “Uma Linda Mulher” não se repetiu em “Noiva em Fuga” (1999), “Noites em Tormenta” está longe de oferecer boas oportunidades aos seus protagonistas. Aliás, como não consigo ver uma boa química entre os dois – Gere e Lane – penso que só funcionaram na primeira vez porque apareciam como um casal em crise, e ela acabava o traindo. Mas agora, que ambos precisam demonstrar paixão e interesse um pelo outro, a frustração é completa.

“Noites de Tormenta” começa com uma mulher deixando os filhos com o marido, de quem está recém-separada, e indo cuidar da pousada à beira mar de uma amiga que precisa viajar. O único hóspede durante o final de semana é um médico que também foi abandonado pela família, e que está ali para se desculpar com a família de uma paciente que morreu durante uma operação que ele conduzia. Os dois estão sozinhos, carentes e em busca de uma nova chance. Mas nada é tranqüilo, e a tempestade avistada no título se manifesta tanto fisicamente, quase colocando a casa abaixo, quanto no coração de cada um. Eles não sabem o que querem – apenas que precisam de uma direção em suas vidas. Mas o “viveram felizes para sempre” não será tão fácil, e novamente as tormentas irão se impor diante os destinos deles.

Dirigido pelo desconhecido George C. Wolfe, que com este filme estréia no cinema após alguns poucos trabalhos na televisão, “Noites de Tormenta” é recomendado apenas para aqueles espectadores mais sensíveis, que se emocionam facilmente e sem muitos julgamentos. Nada de grandes atuações, situações instransponíveis e romances arrebatadores. Tudo é muito morno, óbvio e pouco surpreendente. Afinal, quantas vezes você já viu este mesmo filme, mudando apenas a foto do casal que ilustra o cartaz?

Nights in Rodanthe, EUA/Australia, 2008
De George C. Wolfe
Com Richard Gere, Diane Lane, Christopher Meloni, Viola Davis, James Franco, Scott Glenn

(nota 4)

Notas Sobre um Escândalo

quinta-feira, janeiro 3rd, 2008

Cate Blanchett e Judi Dench são duas das maiores atrizes da atualidade, e disso ninguém tem dúvida. Portanto, quando surgiu a notícia de que elas estariam juntos num mesmo filme, como não deixar as expectativas subiram nas alturas? E NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO, o resultado deste encontro, é uma grata surpresa – mesmo que, infelizmente, provoque alguma decepção. Mesmo assim, o resultado geral justifica qualquer lamentação, e qualquer deslize é ínfimo e não chega perto de marcar negativamente o trabalho impecável das duas – ambas, felizmente, indicadas ao Oscar.

Primeiro, fui ler o livro. Best seller de Zöe Heller, foi lançado no Brasil com o título ANOTAÇÕES SOBRE UM ESCÂNDALO, pela Editora Record. Aliás, este é um hábito que tenho, sempre procuro pautar minhas leituras em futuros lançamentos cinematográficos. E o livro é… MUITO BOM! Muito bom, mesmo! Conta, com riqueza de detalhes, a história de uma professora que entra numa escola inglesa com a missão de ensinar artes. Ela tem pouca experiência, e acaba criando uma amizade com uma das mais antigas professoras do lugar, uma solteirona que se encanta com a atenção recebida e passa a desenvolver um interesse “especial” pela nova colega, numa fixação que combina atração sexual com extremos de carência. Porém este desejo logo se transforma em revolta quando descobre o tal “escândalo” do título: a novata acabou tendo um caso com um dos alunos, um garoto de 15 anos. Na posse deste segredo, passa a manipular a ‘amiga’ para obter dela tudo que deseja: carinho, dedicação, companheirismo. Porém, num passo em falso, coloca tudo a perder numa tentative fútil de vingança. E, com tudo revelado, terá que agir com cuidado para manter o que havia “conquistado” até então.

A adaptação de Patrick Marber (autor de CLOSER-PERTO DEMAIS), num roteiro indicado ao Oscar, e a direção de Richard Eyre (dos ótimos A BELA DO PALCO e ÍRIS), respeitam rigidamente a estrutura do romance, porém preferem centrar a atenção nos desempenhos irrepreensíveis das atrizes do que na ação discorrida. Ou seja, esta é a maior falha da versão cinematográfica: sua pouca duração (são apenas 90 minutos) para um drama que discorre por quase 400 páginas literárias. Os eventos inevitavelmente terminam por se atropelarem, e o espectador, ainda mais aquele que desconhece a trama previamente, deve ficar com algumas questões mal resolvidas em mente – dados estes que estão no livro, e não na tela.

Mas, ao assistir a um filme, devemos pensar nele enquanto obra cultural independente, e não ligada a uma outra fonte, seja ela uma peça teatral, um fato real, uma música, uma notícia de jornal ou, claro, um livro. E, enquanto produto cinematográfico, NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO é, sim, acima da média. Só pela trilha sonora de Philip Glass (KUNDUM), também indicada ao Oscar, já valeria o ingresso. Mas o maior mérito é mesmo conferir Dench e Blanchett, no auge de suas formas, dando vida a duas personagens complexas, interessantíssimas e bastante singulares. Cada meio olhar, cada movimento no cabelo, cada roçar de dedos… tudo tem relevância na atuação delas. Na festa do Oscar, Judi enfrentou um peso-pesado (a fabulosa Helen Mirren, por A RAINHA), mas ver Blanchett perder sua estatueta para a impactante, porém melhor cantora do que atriz, Jennifer Hudson (DREAMGIRLS), me remete a quando Catherine Zeta-Jones (CHICAGO) ganhou o Oscar que deveria ter sido de Meryl Streep (ADAPTAÇÃO). São estrelas da vez, que acabam por obscurecer trabalhos superiores, porém encarados de forma mais “convencional”. E injustiças assim não são excessões, e na história do maior prêmio da indústria cinematográfica mundial elas se repetem com uma freqüência muito maior do que gostaríamos. E não há nada a ser feito a respeito, além de alertas como este.

NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO pode ser um pouco apressado, deixando alguns elementos no ar, mas é um impactante estudo sobre a solidão humana, e como tal deve ser percebido. Com duas fantásticas atrizes à frente do elenco, é daqueles filmes que merecem ser vistos com carinho e muita delicadeza. Pode não ter ganho nenhum dos quatro Oscars a que concorria, mas certamente irá ganhar um espaço importante entre outros iguais, como o perturbador O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE? e o belo AS HORAS.

Notes on a Scandal, Reino Unido, 2006
(nota 8,5)

 

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