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“Budapeste”

terça-feira, maio 26th, 2009

budapeste04Adaptação do aclamado romance de Chico Buarque, “Budapeste” marca a estreia de Walter Carvalho como cineasta ‘solo’ em ficção – até então ele havia apenas realizado documentários ou participado como co-diretor. E o que se percebe é que este “vôo independente” foi cedo demais (mais…)

“Última Parada 174”

sábado, novembro 22nd, 2008

“Última Parada 174” está longe de ser um filme ruim. O problema é que não está perto, também, de ser bom. Ou seja, é um trabalho medíocre, que fica no meio do caminho, frustrando expectativas e idealizações. Inspirado na história real do seqüestro ao ônibus 174 no Rio de Janeiro – trama que já tinha rendido um excelente documentário, “Ônibus 174”, de José Padilha, o mesmo diretor de “Tropa de Elite” – o filme ficcional ganha um verniz melodramático que, na tentativa de procurar uma identificação com o público, termina por afastá-lo ainda mais por despertar sentimentos contrários. “Última Parada 174” é um filme covarde, e esta é a pior avaliação que uma obra artística pode receber.

A família Barreto – os produtores Luiz Carlos e Lucy e os filhos deles, os diretores Fábio e Bruno – já foram considerados “reis” do Cinema Nacional. São responsáveis por obras emblemáticas da nossa cinematografia, como “Vidas Secas” (1963), “Terra em Transe” (1967), “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), “Bye Bye Brasil” (1979), “Memórias do Cárcere” (1984), “O Quatrilho” (1995) e “O Que é isso, Companheiro?” (1997), entre tantos outros. Só que eles ficaram perdidos no tempo, não souberam se adaptar. E enquanto surgiam novos talentos, como Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”, 2002), Walter Salles (“Central do Brasil”, 1998) e o próprio Padilha, os Barreto passaram a assinar longas terríveis, como “Bela Donna” (1998), “A Paixão de Jacobina” (2002) e “O Homem que Desafiou o Diabo” (2007), por exemplo. E este “Última Parada 174” é uma tentativa desesperada de atualização, porém sem se desligar de antigas manias.

Se não, vejamos. O roteirista chamado é o premiado Bráulio Mantovani, o mesmo dos já citados “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”. E assim como ocorreu nestes filmes, a maioria do elenco é não-profissional, recrutado e treinado nas próprias comunidades carentes onde a ação se passa. Como produtor está Daniel Filho, que levou às telas praticamente todos os grandes lançamentos nacionais recentes (de “Era Uma Vez” a “Chega de Saudade”, de “O Ano em que meus pais saíram de Férias” a “Zuzu Angel”, de “2 Filhos de Francisco” a “Casa de Areia”, de “Cazuza – O Tempo Não Pára” a “Carandiru”… ufa!). Ou seja, tinha tudo para dar certo. Só que não deu.

Quem for ao cinema para assistir a “Última Parada 174” estará atrás de que? Do que aconteceu naquele ônibus, de quem eram as pessoas envolvidas e dos por quês por trás daquilo tudo. Bem, isso é justamente o que o filme não trás. Bruno e Bráulio preferiram se concentrar na triste história do protagonista da tragédia, o garoto Sandro do Nascimento (Michel Gomes), menino de rua órfão e de temperamento instável que é levado a um ato de loucura após repetidos abalos emocionais. A trajetória dele, aqui na ficção, é confundida com a de outro rapaz, de nome similar – Alessandro (Marcello Melo Jr.), mas conhecido como “Alê Monstro” – que é separado da figura materna ainda bebê e cresce com a pior das influências, já que foi criado pelo dono do tráfico no morro. Paralelo a tudo isso há ainda a mãe (Cris Vianna) deste, que passa a vida atrás do filho, e termina confundindo um pelo outro, e acolhendo Sandro – quando, na verdade, estava atrás era de Monstro.

Ou seja, uma história que poderia ter como cenário um contexto social muito mais forte e relevante acaba se contentando com a simples denúncia, com reviravoltas de novela e desencontros de folhetim. Os clichês transbordam, e quando finalmente chegamos ao que interessa – o ônibus, que surge após quase 2 horas de projeção – tudo passa tão rápido e anti-climático que não acreditamos que possa ter recebido um tratamento tão banal. Falta de tato do roteirista, em explorar melhor uma situação que merecia um olhar mais aprofundado, mas principalmente erro do diretor, que não soube dedicar a importância que o momento merecia dentro do seu longa.

Escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2009 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, “Última Parada 174” foi selecionado para o Festival de Toronto e exibido na sessão de abertura do Festival do Rio. Feitos alcançados muito mais pela ainda força que os Barreto possuem no meio do que pelos méritos da obra em si. Este episódio é um belo reflexo do caso social e urbano em que vivemos, mas resultou na tela em algo óbvio, cansativo e redundante. Melhor para todos se tivesse ficado apenas no documentário.

Última Parada 174, Brasil, 2008
De Bruno Barreto
Com Michel Gomes, Marcello Melo Jr., Gabriela Luiz, Cris Vianna, Anna Cotrim, Tay Lopes, Douglas Silva, André Ramiro

(nota 5)

“A Guerra dos Rocha”

domingo, novembro 16th, 2008

Há filmes ruins. Há aqueles péssimos. E há “A Guerra dos Rocha”. É preciso criar um novo ‘grau de ruindade’ para poder avaliar corretamente o terceiro longa dirigido por Jorge Fernando. Depois do mediano “Sexo, Amor e Traição” e do infantil “Xuxa Gêmeas” ele entrega agora uma obra amadora, indigna do elenco ou dos talentos envolvidos por trás das câmeras. É uma vergonha total, do início ao fim. Certamente o pior filme lançados nos cinemas brasileiros durante este ano, faria feio até mesmo numa mostra universitária. De chorar – ou rir – de tão ruim.

Talvez essa fosse a idéia: fazer algo tão constrangedor que acabasse provocando graça. Há quem se divirta com o trash, não? E nada por ser mais bizarro do que Ary Fontoura como uma velha octogenária, não mesmo? Aliás, não há razão alguma para a escolha do veterano ator para este papel feminino – por que não investir numa das tantas atrizes de terceira idade que temos? Talvez seja como forma de desculpa que aconteça um verdadeiro desfile de simpáticas – e históricas – velhinhas mais no final da trama. Aliás, é a presença delas que salva este filme do “0” total e absoluto!

Lembrando produções de humor negro como “Parente é Serpente”, produção italiana de 1992 dirigida pelo mestre Mario Monicelli, “A Guerra dos Rocha” mostra, aos trancos e barrancos, como os três filhos da velha – e suas respectivas famílias – lutam para se esquivar da presença dela, jogando-a de um lado ao outro. Ao perceber que não é querida, acaba indo parar na casa de uma amiga. Lá as duas terminam por serem assaltadas e mantidas como refém de dois assaltantes chapados. Enquanto isso, quando se dão conta da ausência da matriarca, os descendentes dela passam a procurá-la por todos os lados, e acabam por confundi-la com outro corpo no necrotério, providenciando, assim, um funeral às pressas. Quando tudo é esclarecido, a senhora descobre que o que todos querem é saber de sua suposta herança, e pra provar que ganância não leva a lugar nenhum ela decide partilhar de uma vez seu maior tesouro – os bons momentos que passaram juntos!

Se o breve resumo não lhe revirou o estômago, que ao menos sirva como alerta. O texto de Maria Carmem Barbosa – estreando no cinema, após novelas como “A Lua me Disse” e “Salsa e Merengue” e humorísticos como “Sai de Baixo” e “Toma Lá Dá Cá” – é puro clichê, com soluções óbvias, personagens rasos e motivações pífias. Outro problema é o elenco, totalmente fora de controle. Grandes nomes, como Giulia Gam e Taís Araújo, estão completamente fora de sintonia, exageradas ou simplesmente perdidas. Os ‘filhos’ Diogo Vilela (sem expressão de tanto botox!), Marcello Antony (deslocado) e Lúcio Mauro Filho (sem nenhuma orientação) são vergonhosos, e os demais coadjuvantes – uma irreconhecível Ludmila Dayer, Ângelo Paes Leme e Zéu Britto perdidos, Nicette Bruno esforçada, Felipe Dylon brincando de ser ator – parecem estar numa grande festa, deixando claro que a diversão do lado de lá da tela foi muito maior do que a proporcionada a quem cumpre a triste missão de assisti-los.

O cinema brasileiro é cheio de (poucos) altos e (muitos) baixos. Neste ano, mesmo, para cada “Era Uma Vez”, “Linha de Passe”, “Chega de Saudade” ou “Meu Nome Não é Johnny” há vários “A Casa da Mãe Joana”, “Sexo com Amor?”, “Bezerra de Menezes”, “Os Desafinados”, “Dias e Noites” ou “Bodas de Papel”. Mas nada se compara a “A Guerra dos Rocha”, indiscutivelmente a maior vergonha feita no nosso país em muito tempo. O melhor não é esquecê-lo. O ideal, mesmo, seria enterrá-lo, destruir todas as cópias e proibir qualquer reprodução. Para o bem geral de todos!

A Guerra dos Rocha, Brasil, 2008
De Jorge Fernando
Com Ary Fontoura, Diogo Vilela, Marcello Antony, Lúcio Mauro Filho, Taís Araújo, Giulia Gam, Nicette Bruno, Ângelo Paes Leme, Zéu Britto, Cecília Dassi, Felipe Dylon, Ludmila Dayer, Ailton Graça, Antonio Pedro

(nota 0,5)

 

“Chega de Saudade”

domingo, junho 15th, 2008

Betty Faria em \Uma das produções nacionais mais comentadas da recente temporada justifica todo elogio recebido: “Chega de Saudade”, de Laís Bodanzky, é realmente uma delícia. Filme inteligente, com roteiro pensado e estruturado, personagens muito bem construídos, uma direção original e criativa, um elenco afinado e uma trilha sonora tão pesquisada e inteligente que acaba se tornando um elemento crucial do sucesso da empreitada. E como é bom assistir a um filme em que simplesmente tudo funciona à perfeição!

Quando estava lançando seu trabalho anterior, “Bicho de Sete Cabeças” (2001), eu conversei com a diretora, que me confidenciou que uma de suas maiores emoções profissionais tinha sido a oportunidade de finalizar seu filme na Cinecittá, em Roma, numa sala ao lado onde Ettore Scola estava editando “Concorrência Desleal”. Conhecer o respeitado cineasta italiano foi uma honra imensa para ela, a ponto inclusive de influenciar seu longa seguinte, este “Chega de Saudade”. A referência mais óbvia é uma outra obra de Scola, “O Baile” (1983), até pelo tema do enredo – as diversas situações possíveis de acontecer durante um baile de salão – mas é num terceiro filme de Scola que a estrutura de “Chega…” se apóia: “O Jantar” (1998). Assim como neste emocionante trabalho estrelado por Fanny Ardant e Vittorio Gassman, Bodanzky e o marido Luiz Bolognesi construíram um enredo baseado basicamente nos personagens, nas interações entre eles e como reagem a cada nova situação. É um salão de dança, mas poderia ser perfeitamente qualquer outro lugar. O carinho e respeito com que eles são tratados certamente seria mantido da mesma forma.

Bolognesi e Bodanzky afirmam que estudaram por meses o ambiente enfocado para o preparo do roteiro. E desse período de observação são criações completamente naturais deste universo: a solteirona desesperada (Betty Faria, com uma entrega impressionante), a apaixonada ferida no seu orgulho (Cássia Kiss, contida na medida certa e muito adequada ao que lhe é exigido), a viúva em busca de um novo parceiro de dança (Tônia Carrero, num papel inicialmente pensado para Fernanda Montenegro, mas que surpreende a cada instante, até um discurso final ao pé da escada que comove até o mais renitente), a garota estranha ao lugar que observa tudo com um misto de curiosidade, repulsa e fascínio (Maria Flor, delicada e exuberante), o conquistador de boa lábia (Stepan Nercessian, mostrando mais uma vez, assim como em “Podecrer!”, um talento muito superior ao que costuma revelar na televisão), o viúvo amargurado (Leonardo Villar, responsável por alguns dos momentos mais emocionantes) e o dj alheio a tudo que se passa ao seu redor e só preocupado com o que lhe diz respeito direto (Paulo Vilhena, também surpreendentemente adequado).

Todos estes tipos interagem em altos e baixos. Para uma proposta que se imagina à princípio tão feliz, chega a chocar quando nos pegamos, em determinadas seqüências, sofrendo com praticamente todos os envolvidos. E da dor logo somos conduzidos para a vitória, num rodízio de sucessos e perdas, paixões de uma noite e amores de uma vida inteira. “Chega de Saudade” celebra, acima de tudo, a vida daqueles que se negam a deixar de aproveitar até o último instante.

Premiado no último Festival de Brasília nas categorias de Melhor Direção e Melhor Roteiro, “Chega de Saudade” teve um orçamento de R$ 4,6 milhões de reais, e tem produção da Gullane Filmes, a mesma de títulos como “O Ano em que meus pais saíram de Férias” e “O Mundo em Duas Voltas”. Apesar do fraco retorno de bilheteria que vem obtendo, tem se mantido entre os dez filmes nacionais mais vistos deste ano, o que, mesmo assim, não deixa de ser uma injustiça – deveria, sim, estar entre os filmes mais vistos entre todas as nacionalidades, brasileiros ou não! Com uma edição extremamente bem elaborada de Paulo Sacramento (“O Prisioneiro da Grade de Ferro”), fotografia de Walter Carvalho (“Cazuza – O Tempo não Pára”) e trilha sonora de Bid (leia mais aqui), este é um filme para ser degustado aos poucos, enxuto e objetivo, cheio de sabores diversos para serem apreciados com interesse e sabedoria. E para ser levado para casa com carinho, como as emoções de uma festa que não quer acabar.

Chega de Saudade, BRA, 2007

De Laís Bodanzky

Com Betty Faria, Tonia Carrero, Leonardo Villar, Maria Flor, Cassia Kiss, Paulo Vilhena, Stepan Nercessian, Elza Soares, Marku Ribas

(nota 9)

Afinal, filmes!

sábado, junho 14th, 2008

O indiozinho de \"Pajerama\"Como cheguei na quinta-feira, final da tarde, e morto de sono, fui direto dormir e só pude começar a me envolver nas atividades do FICA na sexta. Depois de um belo almoço no Restaurante Flor de Ipê (um dos melhores da cidade), uma passada aqui pelo centro de imprensa, de visitar o centro histórico (o Museu Casa de Cora Coralina eu comento depois) e entrar em várias lojinhas de artesanato, finalmente resolvi e concentrar e ir ao cinema. Afinal, estou num festival de cinema, não?

As mostras competitivas foram apresentadas em dois horários diários (14h30 – 17h30 e 18h-21h), de terça à sexta. Assim, me restou apenas esta última oportunidade de conferir os trabalhos na competição oficial. E os filmes que conferi, infelizmente, não me entusiasmaram.

O primeiro a ser apresentado foi “Sumidouro” (BRA), de Cris Azzi, documentário em vídeo digital de 71′ sobre o processo de migração de duas comunidades que desapareceram após a construção da Usina Hidrelétrica de Irapé, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Além de longo e pouco original, a abordagem do tema é bastante pretensiosa e convencional. Não curti – aliás, me chateei!

Depois veio “Caça ao Vulcão” (ITA/FRA), de Tullio Bernabei, documentário em vídeo digital de 52′ sobre uma expedição no Mar Mediterrâneo, ao largo da costa da Sicília, que buscava comprovar a existência de um provável vulcão submarino e acaba descobrindo uma gigantesca seqüência com mais de 100 vulcões ainda ativos no fundo do mar. O tema é ótimo e desperta interesse, mas a forma como é levado à tela é péssima. Além de sensacionalista, com uma trilha exagerada e uma locução completamente equivocada, no final acaba desperdiçando o bom material numa falta de maiores conclusões. Uma lástima.

O terceiro era um representante de Goiás: “Subpapéis” (BRA), de Luiz Eduardo Jorge, documentário em vídeo digital de 18′. Premiado como Melhor Roteiro no Festcine 2007, que acontece em Goiânia, é “um mergulho nas proundezas da reciclagem do lixo urbano”. Interessante, porém pouco inovador. Apesar de levantar algumas questões curiosas, não se aprofunda em nenhuma delas.

O penúltimo competidor foi “Monkey Joy” (HOL/BRA), de Amir Admoni, animação em vídeo digital de 8′ co-produzida entre a Holanda e o Brasil. A história é bizarra e nonsense, e por isso tão divertida. Em Amsterdã, um novo produto – o Monkey Joy – vira coqueluxe (trata-se de um macaco em forma de Buda que dá umas risadinhas histriônicas, e a cada nova risada cresce um pouco, até ficar gigantesco e inconveniente). É uma óbvia crítica à sociedade de consumo, combinada com a paranóia da política anti-imigração européia. Um dos animadores, o paulista Fons Schiedon, veio no mesmo vôo que eu para Goiás, e pudemos conversar. É um cara novo e muito animado com a possibilidade de participar do seu primeiro festival de cinema. Tomara que o filme dele, que apesar de bem-humorado é um tanto bobinho, se saia bem na premiação.

\"2001\" versus \"Pajerama\"O último a ser apresentado foi o meu favorito: “Pajerama” (BRA), de Leonardo Cadaval, animação digital em 35mm de 9′ (imagens ao lado). Segundo o material do festival, é “uma fantasia sobre a perplexidade de um índio diante da invasão da floresta pelo mundo urbano, mas estas mesmas experiências estranhas vão lhe revelando mistérios de tempo e espaço”. Confesso que isso não ajuda muito, mas o resultado é melhor do que o esperado. Começa com uma citação de “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e termina como um verdadeiro pesadelo eco-urbano. Muito interessante.

Apesar do FICA terminar somente no domingo, o anúncio dos vencedores já acontece no sábado pela manhã. Isso dá tempo para a exibição dos longas convidados no sábado à tarde (pretendo assistir “Chega de Saudade” e “Quilombo”, do Cacá Diegues) e de preparar as exibições dos Vencedores do 10º FICA, no domingo pela manhã e pela tarde. Assim, ao menos os melhores tenho certeza que conseguirei assistir!

12 horas até o FICA

sexta-feira, junho 13th, 2008

Cidade de GoiásExatamente isso. Passei por uma jornada de 12 horas para chegar ao Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, que está acontecendo nesta semana aqui na Cidade de Goiás (imagem ao lado), interior do Estado de Goiás. Saí da minha casa às 5h da manhã, em Porto Alegre, e entrei no quarto da simpática Pousada do Sol, aqui na Cidade de Goiás, exatamente às 5h da tarde. O percurso foi longo, e até um pouco sofrido, mas parece ter valido o esforço.

Primeiro o vôo foi de Porto Alegre até São Paulo. Quase três horas de espera depois, outro vôo, agora de São Paulo até Goiânia. Nunca tinha estado na capital goiana, mas a primeira impressão foi bem positiva. Me pareceu ser uma cidade ampla, organizada e, ao mesmo tempo, com muito a ser feito ainda. Depois descobri que é uma capital jovem, então o que pensei não estava tão errado assim. De Goiânia até a Cidade de Goiás foram mais umas 2 horas e meia – de van! O interior de Goiás é outra aventura. Acho que nunca tinha estado tão no interior do Brasil como agora. Fantástico!

Visitar a Cidade de Goiás é como uma viagem no tempo. Caminhar por estas ruas estreitas, de chão de pedra, com uma arquitetura nitidamente secular, faz qualquer um pensar sobre nossa história e nosso passado. E é também o lugar perfeito para um festival tão original e bem bolado: aqui, cinema e meio ambiente são preocupações que andam lado a lado.

Vieram comigo de São Paulo o cineasta Kiko Goifman e o pesquisador, roteirista e cineasta Jean-Claude Bernardeth. O Kiko eu já entrevistei duas vezes, nos lançamentos dos filmes “33″ (muito bom, vale conhecer), que chegou a ser indicado ao Prêmio Guarani como Melhor Documentário em 2003 (se não me engano), e “Atos dos Homens”, que concorreu em Gramado há alguns anos. O Bernardeth eu também já entrevistei, em Porto Alegre, após participar de um curso por ele ministrado no Santander Cultural. São duas personalidades muito diferentes, e por incrível que pareça, complementares. Os dois acabam de fazer um filme juntos – Kiko dirigido, Jean-Claude atuando – e aqui no FICA participaram nesta sexta-feira pela manhã de um debate chamada “Café Cinematográfico: O Cinema Documentário Contemporâneo”. Se levarmos em conta que os dois acabaram de fazer um longa de ficção juntos, dá pra se ter uma idéia do quão interessante foi o papo deles!

Cena de \Cheguei aqui na Cidade de Goiás esperando encontrar amigos gaúchos: Carlos Gerbase ministrou o curso “Táticas de Guerrilha do Cinema Digital: produção, distribuição e exibição de filmes de baixíssimo orçamento” (certamente inspirado na experiência que ele teve com o lançamento de “3 Efes”, no ano passado), enquanto que a santa-mariense Carolina Berger apresentou o curta “Herança” (imagem ao lado) na mostra competitiva. Porém os dois já tinham ido embora quando cheguei!

O Gerbase é um mestre, todo mundo conhece seus trabalhos e não há muito mais a ser acrescentado. Já a Carolina, pra quem não conhece, é preciso dizer: ela é uma querida. Já fui colega dela num júri no Santa Maria Vídeo e Cinema, e este documentário dela é realmente muito bom – foi bastante premiado já no festival de Santa Maria. Quem ainda não assistiu, aconselho ir atrás!

O legal aqui no FICA é que, ao mesmo tempo em que há espaço para o cinema, há também uma grande discussão ecológica. Um dos destaques desta manhã era o Fórum “Cerrado, o clima e o Meio-Ambiente”, com Edson Sano e Mercedes Bustamante. Ou seja, todos os interesses são bem atendidos por aqui. À noite está acontecendo uma mostra com filmes do Cacá Diegues (um dos homenageados), e no final de semana terá uma exibição hors concours de “Chega de Saudade”, da Laís Bodanzky, além do show de encerramento ser com o Luís Melodia. Um fim de festa que promete ser movimentado!

Celebração da saudade

domingo, maio 25th, 2008

Seis anos após se consagrar como um dos maiores nomes do cinema brasileiro atual com o emocionante “Bicho de Sete Cabeças”, a paulista Laís Bodanzky voltou às telas em 2007 com o elogiado “Chega de Saudade”. Este filme foi um dos grandes vencedores do último Festival de Brasília (prêmio do Júri Popular, de Direção e de Roteiro) e estreou no centro do país no início deste ano. Aqui no Sul, como já está virando um péssimo hábito, permanece inédito. E a dica, neste caso, é ir entrando no espírito da história conferindo a bela trilha sonora original do filme. (mais…)

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