quarta-feira, fevereiro 11th, 2009
Dentre os cinco indicados a Melhor Ator neste ano temos dois intérpretes acostumados a papéis de coadjuvantes que revelam um grande potencial como protagonistas, um dos maiores astros de Hollywood e um duelo entre favoritos: um dos atores mais premiados e elogiados da atualidade contra um dos retornos mais impressionantes dos últimos anos!
Vai ganhar: Mickey Rourke, por “O Lutador”
Merece ganhar: Sean Penn, por “Milk – A Voz da Igualdade“
And the Oscar goes to… SEAN PENN, POR “MILK – A VOZ DA IGUALDADE”
Brad Pitt, por “O Curioso Caso de Benjamin Button“
É o terceiro entre os favoritos. Só irá ganhar caso haja uma divisão de votos muito forte entre Rourke e Penn. Como está no filme campeão de indicações, e por ser um excelente ator com poucas indicações, pode ser reconhecido. Mesmo assim, as chances são poucas. Os muitos efeitos especiais e a forte maquiagem também atrapalhou a percepção geral do excepcional trabalho que apresentou. Foi indicado também ao Bafta, ao SAG e ao Globo de Ouro. Esta é sua segunda indicação ao Oscar - concorreu ainda como Melhor Ator Coadjuvante por “Os 12 Macacos” (1996).
Frank Langella, por “Frost/Nixon“
Veterano da sétima arte, atua desde os anos 60. Por este mesmo papel ganhou o Tony (o Oscar da Broadway), em 2007. Foi indicado também ao Bafta, o Broadcast, ao Globo de Ouro, ao Satellite e ao SAG – mas ganhou apenas na premiação dos Críticos de Las Vegas. Seu maior problema é que este é um filme muito respeitado e elogiado, porém pouco “amado” – ou seja, é bom, mas ninguém torce por ele. Já apareceu em filmes cultuados como “Dracula” (1979), “1492 – A Conquista do Paraíso” (1992), “Boa Noite e Boa Sorte” (2005) e “Superman – O Retorno” (2006). Esta é sua primeira indicação ao Oscar.
*Sean Penn, por “Milk - A Voz Da Igualdade“
É o melhor dos cinco indicados. Tem apenas dois – enormes – problemas no caminho: já ganhou um Oscar (“Sobre Meninos e Lobos”, 2003) e está enfrentando Mickey Rourke, o favorito. Mesmo assim ganhou o SAG, o Broadcast, e os prêmios das associações de críticos de Southeastern, São Francisco, Palm Springs, Nova York, Los Angeles e Boston, além de ter concorrido ao Bafta, ao Globo de Ouro e ao Satellite. É sua quinta indicação ao Oscar – concorreu ainda como Melhor Ator por “Os Últimos Passos de um Homem” (1995), “Poucas e Boas” (1999) e “Uma Lição de Amor” (2001).
Richard Jenkins, por “The Visitor“
Outro veterano das telas, atua desde o início dos anos 70. Mesmo assim ganhou o prêmio ‘spotlight’ (algo como ‘revelação’) por este desempenho no National Board of Review, além do Satellite e no Festival de Moscow. Foi indicado também ao SAG e ao Independent Spirit Award. Assim como Langella, tem pouquíssimas chances de ganhar. Foi visto há pouco nas comédias “Quase Irmãos” e “Queime Depois de Ler” e é conhecido também pelo extinto seriado “A Sete Palmos”. Aliás, foi na televisão onde iniciou sua carreira, ainda nos anos 70. Já trabalhou com diretores como Woody Allen, Irmãos Coen e Clint Eastwood. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.
Mickey Rourke, por “O Lutador“
É o franco favorito, por mais surpreendente que possa parecer. Rourke praticamente não interpreta – ele vive a si mesmo na tela, e qualquer um que conheça um pouco de sua história irá reconhecer as semelhanças. Após de um extenso período de franca decadência, ele reaparece melhor do nunca! Já ganhou o Globo de Ouro, o Bafta, e os prêmios das associações de críticos de Washington, Toronto, São Francisco (empatado com Penn), Kansas, Florida, Chicago e Boston, além de ter concorrido ao SAG, ao Broadcast, ao Satellite e ao Independent Spirit Award. Esta é sua primeira indicação ao Oscar.
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domingo, fevereiro 8th, 2009
O ano de 2008 foi excelente para a sétima arte. Os próprios indicados ao Oscar já apontavam para este fato. Mas como a seleção que vimos no início do ano passado eram produções de 2007 e os que concorrem desta vez ainda não estrearam por aqui, tive que restringir minha lista a outros títulos, talvez não tão premiados, mas certamente merecedores de muitos aplausos. São produções do Brasil, França, Turquia, Japão, e, claro, Estados Unidos, que vão desde animações à musicais, de aventuras de super-heróis à comédias de humor negro. Ou seja, tem um pouco de tudo.
Preferi deixar de fora desta minha seleção escolhas um tanto que óbvias, porém que não dizem muito respeito à temporada 08. Estão entre estes títulos fantásticos, como “Sangue Negro”, “Desejo e Reparação”, “O Escafandro e a Borboleta”, “Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto”, “Longe Dela”, “A Família Savage”, “O Gângster” e “Senhores do Crime”, todos concorrentes à última festa do Oscar. Com exceção dos dois primeiros, vencedores em poucas categorias, todos os demais não foram vitoriosos – o que não diminui em nada seus méritos. Merecem ser descobertos! Assim como o meu seleto Top Ten abaixo:
10. “A Culpa é do Fidel!” (La Faute à Fidel!, França/Itália)
Um comovente drama político que tem como ponto de vista a curiosidade e a incompreensão infantil. Apesar de se passar na França, tem como cenário de fundo os movimentos revolucionários na América do Sul, em especial no Chile. Bonito, envolvente e muito bem filmado, representa também uma nova geração apta a grandes trabalhos: Julie Gavras, a diretora, é filha de Costa-Gavras, polêmico cineasta grego diretor de filmes como “Z” e “Amén”, enquanto que a protagonista, Julie Depardieu, é filha do ator francês Gerard Depardieu.
09. “Chega de Saudade” (Brasil)
Este drama contemporâneo nacional com toques de musical é simplesmente apaixonante. Laís Bodansky, a diretora, mostra de vez que “Bicho de Sete Cabeças” não foi um caso à parte em sua filmografia, entregando agora uma obra tão boa quanto, senão superior. E isso sem falar do elenco, que de Betty Faria à Cássia Kiss, de Tônia Carrero à Maria Flor, de Stepan Nercessian a Leonardo Villar está, no mínimo, “perfeito”.
08. “Ensaio Sobre a Cegueira” (Blindness, Canadá/Brasil/Japão)
Fernando Meirelles, depois de “Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel”, resolveu partir para um desafio ainda maior: adaptar o livro do escritor português premiado com o Nobel, José Saramago. Filmado em Toronto, São Paulo e Montevidéu, com elenco multinacional e financiado até por japoneses, tem esse ar cosmopolita que deixou muita gente confusa. Mas o que dizer quando o próprio Saramago, após assistir ao longa, às lágrimas, disse: “estou tão emocionado agora como estive quando terminei de escrever o livro”?
07. “Trovão Tropical” (Tropic Thunder, EUA)
Ben Stiller tem seu lugar garantido como ator e, principalmente, comediante. Mas ele ainda precisava mostrar algo como cineasta. Afinal, nem “O Pentelho” ou “Zoolander”, apesar de ótimos, deixavam de ter seus momentos irregulares. Mas com “Trovão Tropical” não restam mais dúvidas: o cara é um gênio. Debochando de Hollywood, dos reality shows e dos filmes de guerra, ainda conseguiu colocar astros como Tom Cruise e Matthew MacConaughey em papéis minúsculos e ridículos. E quem tem coragem de dizer que Robert Downey Jr. não merece o Oscar? Irresistível!
06. “Mamma Mia!” (EUA/Inglaterra/Alemanha)
Podem dizer o que quiser: que a peça teatral era muito melhor, que a diretora não sabe dominar os elementos cinematográficos, que as músicas são batidas, que é tudo um grande videoclipe. Mas, no final, como não sair cantando e com vontade de dançar após uma sessão de “Mamma Mia!”? Meryl Streep está fabulosa (e ela vem aí em “Dúvida”), o elenco todo está muito bem ajustado (sim, até Pierce Brosnan…), o cenário das Ilhas Gregas é um total deslumbre e as canções estão perfeitas, mesmo diante de um enredo aparentemente tolo, porém muito bem amarrado. O filme “evento” do ano!
05. “Queime Depois de Ler” (Burn After Reading, EUA/Inglaterra/França)
A melhor comédia do ano. O melhor elenco jamais reunido com uma simples missão: ser, cada um, o mais idiota possível! Como não amar? Brad Pitt e Frances McDormand estão soberbos, e George Clooney, John Malkovich e Tilda Swinton não ficam muito atrás. Repleto de frases emblemáticas, tiradas muito espirituosas e um contexto absurdamente envolvente (trilha sonora, fotografia), o roteiro original criado pelos irmãos Coen logo após conquistarem o Oscar por “Onde os Fracos não têm Vez” é uma verdadeira pérola. De rir do início ao fim! Não é mesmo, Osbourne Cox?
04. “Do Outro Lado” (Auf der Anderen Seite, Alemanha/Turquia/Itália)
Depois de conquistar o mundo com o poderoso “Contra a Parede”, o cineasta alemão de origem turca Fatih Akin entrega um longa ainda mais completo e envolvente. “Do Outro Lado” ilustra bem a falsa idéia de que “a felicidade está sempre em outro lugar, e nunca onde estamos”, um mal que atinge muita gente. A história começa em Berlim, mas logo passa para Istambul, para depois voltar à capital alemã para, quando menos esperamos, retornar à Turquia. E indo de um lado ao outro mostra um cenário de diferenças, paixões, arrependimentos e perdões. Maravilhoso!
03. “Era Uma Vez” (Brasil)
Breno Silveira, depois de conquistar o país inteiro com “Dois Filhos de Francisco”, levou o drama romântico de ‘Romeu e Julieta’ para a beira da praia de Copacabana, em pleno Rio de Janeiro. E o resultado é o filme mais apaixonante, triste e comovente do ano. Impossível não se envolver com a história do garoto do morro que se encanta com a menina rica do asfalto e das dificuldades que os dois terão que enfrentar para ficarem juntos. Mesmo que o final trágico seja anunciado com mais força do que se poderia esperar – ou, mesmo, evitar. Cinema brasileiro de alta qualidade, que consegue se comunicar com o público apostando na melhor das técnicas: honestidade dos sentimentos.
02. “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, EUA)
E quem disse que filme de super-herói baseado em histórias em quadrinhos não pode ser um verdadeiro clássico? Produção de maior bilheteria do ano e um dos maiores sucessos de público de todos os tempos, ainda levou 8 indicações ao Oscar e promete fazer História! Como muito já se disse, é um impressionante thriller de ação e suspense, com a fundamental diferença de ter como protagonista um homem fantasiado de capa e máscara e como vilão um demente transtornado e completamente imprevisível. Chris Nolan elevou o gênero a uma categoria acima do que se vinha tratando até então, mostrando com sabedoria, respeito ao tema e muito cuidado como criar um trabalho inesquecível.
01. “Wall-E” (EUA)
E quem disse que ‘animação’ é um gênero inferior de se fazer cinema? Depois de anos conquistando público e crítica com obras nada menos do que geniais, a Pixar levou aos cinemas em 2008 sua obra prima: “Wall-E”! O conto do robozinho limpa-lixo que termina por salvar o planeta Terra do descaso total merece todos os aplausos possíveis, e o diretor Andrew Stanton (“Procurando Nemo”) usa todo o potencial a sua disposição para criar uma trama absurdamente cativante, que brinda a inteligência do espectador com muito respeito e emoção. Um clássico instantâneo, que nasce já como referência para gerações futuras e oferecendo um novo significado à expressão “arte cinematográfica”.
Como disse no início deste texto, 2008 foi um ano impressionante. E, aqueles que não foram muito atentos durante os 12 meses que se passaram, devem ir atrás não só destes títulos, mas também de outros trabalhos merecedores de atenção. São obras impressionantes, como o mexicano “Zona do Crime”, o brasileiro “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas, as duas performances de Penélope Cruz em “Vicky Cristina Barcelona” e “Fatal”, o arrebatador e chocante “O Nevoeiro”, baseado num conto de Stephen King, e até mesmo a nova aventura de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, de Steven Spielberg, que recriou com maestria o clima das matinês do início dos anos 80. Grandes e boas opções, que mostram que a diversidade foi o tom mais marcante de um ano repleto de boas surpresas!
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