Link Worth

“Chicago”

domingo, março 29th, 2009

chicago12O Oscar 2003 dançou ao ritmo de “Chicago”, a adaptação do musical que finalmente chegou às telas após mais de 20 anos de sua estréia na Broadway. Este longa recebeu prêmios importantes, como o Globo de Ouro, o Sindicato dos Produtores e o Broadcast Film Critics Awards, antes de se consagrar na maior premiação do cinema mundial, conquistando 6 estatuetas douradas, inclusive a de Melhor Filme (mais…)

Oscar 2009 – Melhor Roteiro Adaptado

terça-feira, fevereiro 17th, 2009

A divisão no Oscar do prêmio de Melhor Roteiro em duas categorias (no Globo de Ouro é apenas uma, por exemplo) é bastante adequada. Afinal, são dois trabalhos completamente diferentes – se num é preciso começar do zero, no outro tudo depende de como se elabora em cima da criação de uma outra pessoa. Porém, esta separação colocou em evidência uma outra crise: a falta de algo novo ao mesmo tempo original e com qualidade – afinal, dos cinco indicados à Melhor Filme, quatro são roteiros adaptados, e apenas um é inédito! Dá o que pensar, não?

Vai ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”
Merece ganhar: “Quem Quer Ser um Milionário?”

And the Oscar goes to… “QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?”

“O Curioso Caso de Benjamin Button”

O roteirista Eric Roth já ganhou um Oscar, e por um filme que guarda muitas semelhanças com este novo trabalho: “Forrest Gump” (1994). Ou seja, já tem este prêmio. Mesmo assim, como é o campeão de indicações, pode acabar surpreendendo, principalmente por ter sido inspirado num conto do aclamado F. Scott Fitzgerald! Foi indicado também ao Bafta, ao Broadcast, ao Globo de Ouro, Críticos de Chicago, Sindicato dos Roteiristas e Satellite, e ganhou o National Board of Review. Esta é a quarta indicação ao Oscar de Roth – concorreu ainda por “Munique” (2005) e por “O Informante” (1999). Esta é a primeira indicação ao Oscar de Robin Swicord, co-autora da história.

“Dúvida”

John Patrick Shanley, também diretor do filme e autor da peça teatral em que o filme se baseia, criou um belíssimo texto, mas que por outro lado não é muito eficiente em esconder sua origem dos palcos. E, como dos cinco indicados é o único que não concorre à Melhor Filme, suas chances de vitória aqui são praticamente nulas – a força desta história está, sim, nas palavras, mas acima de tudo no desempenho espetacular do elenco que as defende! Foi indicado ao Broadcast, Globo de Ouro, Críticos de Chicago, Sindicato dos Roteiristas e Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Shanley – ele ganhou em 1988, por “Feitiço da Lua”!

“Frost/Nixon”

Assim como o concorrente anterior, também é baseado numa produção teatral e teve seu roteiro escrito pelo mesmo autor da peça, Peter Morgan. Se é mais eficiente em esconder sua origem, não deixa, por outro lado, de demonstrar muita força nas palavras e nas atuações do que no visual cinematográfico da obra. Concorreu também ao Bafta, ao Broadcast, Críticos de Chicago, Globo de Ouro, e Sindicato dos Roteiristas, e ganhou os prêmios dos Críticos de São Francisco e Las Vegas, além do Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Morgan – ele foi indicado ainda por A Rainha” (2006).

“O Leitor”

Um dos maiores méritos desta produção, além do desempenho da protagonista, é sua história, que conduz com muita habilidade todos os seus segredos, revelando-os no momento certo. Com duas obras teatrais e um ‘auto-plágio’ ao seu lado na disputa, pode ser uma opção caso o favoritismo do principal indicado não se confirme. Baseado no livro de Bernhard Schlink, é o azarão, e pode surpreender. Foi indicado ao Bafta, Globo de Ouro, Críticos de Londres e Satellite. Esta é a segunda indicação ao Oscar para o roteirista David Hare – ele concorreu também em 2002, pelo fantástico – e superior – “As Horas”, longa que também foi dirigido por Stephen Daldry!

*“Quem Quer Ser um Milionário?”

Grande favorito nas principais categorias, como Filme e Direção, é também aposta certa como Roteiro Adaptado – afinal, o que Simon Beaufoy fez com o livro de Vikas Swarup é simplesmente genial, criando algo novo, inovador e surpreendente. Ganhou o Bafta, o Broadcast, o Globo de Ouro, o National Board of Review (empatado com “O Curioso Caso de Benjamin Button”), o Sindicato dos Roteiristas e os prêmios dos Críticos de Southeastern, Phoenix, Kansas, Florida, Chicago e Central Ohio. Esta é a segunda indicação ao Oscar de Beaufoy – ele concorreu também em 1998, por “The Full Monty – Ou Tudo Ou Nada”.

“O Leitor”

terça-feira, fevereiro 10th, 2009

Chega a ser impressionante o efeito que “O Leitor” conseguiu provocar entre os votantes do maior prêmio do cinema mundial. Chegando de mansinho, sem chamar muita atenção, recebendo avaliações medianas e com um desempenho pífio nas bilheterias, conseguiu somar cinco indicações ao Oscar – inclusive para Melhor Filme! Mesmo sem ter recebido um único reconhecimento importante – com exceção aos dedicados à atriz Kate Winslet, em desempenho arrebatador – nas premiações da Indústria ou da Crítica, conseguiu se firmar como um concorrente de respeito. E isso se deve a dois fatores: o primeiro, como já foi dito, sua atriz principal. E o segundo, claro, é o respeito obtido pelo cineasta Stephen Daldry, o mesmo de “As Horas” (2002) e “Billy Elliot” (2000) – o único diretor de todos os tempos indicado ao Oscar por TODOS os filmes que já dirigiu (ou seja, estes três citados)!

O título do filme já oferece uma pista sobre o grande “mistério” da trama. Michael Berg (vivido pelo novato ator alemão David Kross na adolescência e pelo inglês Ralph Fiennes quando adulto) é um jovem que, logo após a Segunda Guerra Mundial, se apaixona por uma mulher com o dobro da sua idade. O romance é mantido em segredo, mas provoca um efeito devastador no garoto. Os dois passam diariamente horas no apartamento dela, mas não apenas em relações sexuais – ele, atendendo a um pedido, traz a cada encontro um novo livro, que lê em voz alta para o deleite da amante. Porém, quando descobre a casa vazia sem o menor sinal de para onde ela pode ter ido, o rapaz fica desorientado. Um vazio que permanecerá nele durante anos, até o dia em que, já estudante de Direito, vai acompanhar o julgamento de colaboradoras do Regime Nazista e se depara, no banco dos réus, com a mesma mulher que lhe ensinou o que era amor. Naquele momento descobre que ela não só fora responsável pela morte de dezenas de prisioneiros judeus como também com outros segredos ainda mais torturantes.

Apesar desta não ser a história da personagem de Kate Winslet – e, sim, a do menino que virou homem ao lado dela – ela é a verdadeira força por trás do enredo. Por isso é tão surpreendente vê-la recebendo prêmios importantes, como o Globo de Ouro e o SAG (oferecido pelo Sindicato dos Atores de Hollywood), de “Melhor Atriz Coadjuvante”. O mais certo, obviamente, é tratá-la como protagonista – ela possui a performance feminina mais importante de toda a produção, indiscutivelmente – e por isso que a conquista do Bafta e a indicação ao Oscar na categoria principal é mais do que justa. Como uma verdadeira alemã, compõe um personagem com uma força incrível, mas cuja intensidade só é desvelada pelos olhares e numa ou outra atitude mais enérgica. Contida e com um desempenho subliminar e discreto, oferece ao público um registro bastante diferente daqueles que se acostumou a exercer em sua carreira – como o também excelente, porém bastante diverso, visto no elogiado “Foi Apenas Um Sonho”.

Winslet foi a primeira opção de Daldry para este papel, mas quando veio o convite não pode aceitar. Ele, depois de consultar atrizes como Nicole Kidman e Juliette Binoche, acabou tendo um atraso nas filmagens, abrindo espaço para Kate. Uma feliz coincidência de datas. Outro que está muito bem em cena é Fiennes, que, ao lado dos recentes “A Duquesa” e “Na Mira do Chefe”, revela um mosaico de personalidades bastante distintas e interessantes. Um ano cheio! Mas “O Leitor” não é só elenco, e a mão precisa do diretor também merece ser observada. Ele sabe o momento certo de revelar e de esconder, de manter a curiosidade oferecendo aos poucos os elementos necessários para uma melhor compreensão, porém sem entregar tudo facilmente. Ao tratar tanto seus personagens quanto os próprios espectadores como respeito e simpatia, constrói um filme elegante e envolvente, comovendo como poucos.

“O Leitor” concorre ao Oscar ainda nas categorias de Roteiro Adaptado (é baseado no livro de Bernhard Schlink e escrito por David Hare, o mesmo roteirista do superior “As Horas”) e Fotografia (de Roger Deakins, indicado já 8 vezes ao Oscar, inclusive por produções como “Onde os Fracos Não Tem Vez” e “Um Sonho de Liberdade”). Mesmo assim, arrecadou pouco mais do que US$ 15 milhões nos Estados Unidos e, segundo o site Rotten Tomatoes, que compila as principais críticas cinematográficas, teve cotação de 59%, ou seja, abaixo da média. Estes resultados controversos talvez se devam justamente pelo filme não facilitar as coisas. O que está ali é justamente para ser mostrado, e o que permanece na sugestão tem um motivo para tal. E se nem todos consegue perceber isso, o máximo que pode ser feito é lamentar.

The Reader, EUA/Alemanha, 2008
De Stephen Daldry
Com Kate Winslet, David Kross, Ralph Fiennes, Lena Olin, Bruno Ganz

(nota 8,5)

 

Ian McEwan dispensa reparos

segunda-feira, maio 26th, 2008

Há poucos autores internacionais, atualmente, que consigam conciliar uma interessante carreira literária com uma obra cinematográfica de relevância. Um deles é o norte-americano Michael Cunningham (de “As Horas” e “Uma Casa no Fim do Mundo”). Outro é o inglês Ian McEwan. Ele é o responsável pelo assustadoramente tocante e cruelmente incisivo “Reparação”, que deu origem ao mais belo e comovente dos cinco filmes indicados ao Oscar na categoria principal neste ano: “Desejo e Reparação”. E se o filme já é impressionante, imaginem só o que há no livro!

Tudo bem que “Onde os Fracos Não Têm Vez” permitia diferentes níveis de leitura, e que “Sangue Negro” contava com a atuação arrebatadora de Daniel Day-Lewis. Ou que “Conduta de Risco” possuía um dos roteiros mais intrincados do ano e que “Juno” exalava frescor e originalidade. Nenhum, no entanto, chegava perto da maestria proposta por “Desejo e Reparação”. Os cenários, os protagonistas, a direção, os figurinos, a fotografia, a trilha sonora (premiada com o Oscar, na – injustamente – única conquista dentre as sete indicações recebidas) – tudo combinava à perfeição. Mas isso de nada adiantaria não fosse o roteiro absurdamente envolvente, escrito pelo oscarizado Christopher Hampton (“Ligações Perigosas”). E de onde veio o enredo? Do romance impecavelmente bem escrito por McEwan.

Eu já li dois livros de Ian McEwan: “Amsterdã” (vencedor do Booker Prize 1998) e este “Reparação” – este último, claro, motivado pelo lançamento da adaptação cinematográfica. E em ambos tive o mesmo sentimento de me envolver pelas frases, me encantar pelas reviravoltas, de ser surpreendido pelo óbvio e, ao mesmo tempo, inesperado. Com personagens bem estruturados, acontecimentos dispostos de modo inteligente e surpresas calculadas, o leitor é convidado a um mundo tão visual – e daí o porquê de sua familiaridade com a sétima arte – quanto poético. Somos embalados, e quando percebemos estamos vivendo aquelas mesmas situações, tão perdidos e encantados quanto os seres ficcionais.

Este é o segundo romance de McEwan que é levado às telas. O anterior, “Amor Sem Fim” (Enduring Love), encontra-se disponível em dvd no Brasil com o título “Amor Obsessivo”. É um bom trabalho, porém aquém desta nova adaptação. Se você gostou do filme, leia o livro e se encante ainda mais. Agora, caso não tenha assistido ao longa, ainda melhor! Seja apresentado antes à jovem Briony Tallis e descubra o grande crime que ela, ainda aos tenros 12 anos de idade, comete, destruindo as chances de felicidade de toda a família, colocando-a numa saga que levará uma vida inteira em busca do perdão. Ela precisa consertar seus pecados. Já McEwan é perfeito, e necessita de reparo algum para conquistar qualquer leitor.

Por Robledo Milani (robledo@cineronda.com.br)

Notas Sobre um Escândalo

quinta-feira, janeiro 3rd, 2008

Cate Blanchett e Judi Dench são duas das maiores atrizes da atualidade, e disso ninguém tem dúvida. Portanto, quando surgiu a notícia de que elas estariam juntos num mesmo filme, como não deixar as expectativas subiram nas alturas? E NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO, o resultado deste encontro, é uma grata surpresa – mesmo que, infelizmente, provoque alguma decepção. Mesmo assim, o resultado geral justifica qualquer lamentação, e qualquer deslize é ínfimo e não chega perto de marcar negativamente o trabalho impecável das duas – ambas, felizmente, indicadas ao Oscar.

Primeiro, fui ler o livro. Best seller de Zöe Heller, foi lançado no Brasil com o título ANOTAÇÕES SOBRE UM ESCÂNDALO, pela Editora Record. Aliás, este é um hábito que tenho, sempre procuro pautar minhas leituras em futuros lançamentos cinematográficos. E o livro é… MUITO BOM! Muito bom, mesmo! Conta, com riqueza de detalhes, a história de uma professora que entra numa escola inglesa com a missão de ensinar artes. Ela tem pouca experiência, e acaba criando uma amizade com uma das mais antigas professoras do lugar, uma solteirona que se encanta com a atenção recebida e passa a desenvolver um interesse “especial” pela nova colega, numa fixação que combina atração sexual com extremos de carência. Porém este desejo logo se transforma em revolta quando descobre o tal “escândalo” do título: a novata acabou tendo um caso com um dos alunos, um garoto de 15 anos. Na posse deste segredo, passa a manipular a ‘amiga’ para obter dela tudo que deseja: carinho, dedicação, companheirismo. Porém, num passo em falso, coloca tudo a perder numa tentative fútil de vingança. E, com tudo revelado, terá que agir com cuidado para manter o que havia “conquistado” até então.

A adaptação de Patrick Marber (autor de CLOSER-PERTO DEMAIS), num roteiro indicado ao Oscar, e a direção de Richard Eyre (dos ótimos A BELA DO PALCO e ÍRIS), respeitam rigidamente a estrutura do romance, porém preferem centrar a atenção nos desempenhos irrepreensíveis das atrizes do que na ação discorrida. Ou seja, esta é a maior falha da versão cinematográfica: sua pouca duração (são apenas 90 minutos) para um drama que discorre por quase 400 páginas literárias. Os eventos inevitavelmente terminam por se atropelarem, e o espectador, ainda mais aquele que desconhece a trama previamente, deve ficar com algumas questões mal resolvidas em mente – dados estes que estão no livro, e não na tela.

Mas, ao assistir a um filme, devemos pensar nele enquanto obra cultural independente, e não ligada a uma outra fonte, seja ela uma peça teatral, um fato real, uma música, uma notícia de jornal ou, claro, um livro. E, enquanto produto cinematográfico, NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO é, sim, acima da média. Só pela trilha sonora de Philip Glass (KUNDUM), também indicada ao Oscar, já valeria o ingresso. Mas o maior mérito é mesmo conferir Dench e Blanchett, no auge de suas formas, dando vida a duas personagens complexas, interessantíssimas e bastante singulares. Cada meio olhar, cada movimento no cabelo, cada roçar de dedos… tudo tem relevância na atuação delas. Na festa do Oscar, Judi enfrentou um peso-pesado (a fabulosa Helen Mirren, por A RAINHA), mas ver Blanchett perder sua estatueta para a impactante, porém melhor cantora do que atriz, Jennifer Hudson (DREAMGIRLS), me remete a quando Catherine Zeta-Jones (CHICAGO) ganhou o Oscar que deveria ter sido de Meryl Streep (ADAPTAÇÃO). São estrelas da vez, que acabam por obscurecer trabalhos superiores, porém encarados de forma mais “convencional”. E injustiças assim não são excessões, e na história do maior prêmio da indústria cinematográfica mundial elas se repetem com uma freqüência muito maior do que gostaríamos. E não há nada a ser feito a respeito, além de alertas como este.

NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO pode ser um pouco apressado, deixando alguns elementos no ar, mas é um impactante estudo sobre a solidão humana, e como tal deve ser percebido. Com duas fantásticas atrizes à frente do elenco, é daqueles filmes que merecem ser vistos com carinho e muita delicadeza. Pode não ter ganho nenhum dos quatro Oscars a que concorria, mas certamente irá ganhar um espaço importante entre outros iguais, como o perturbador O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE? e o belo AS HORAS.

Notes on a Scandal, Reino Unido, 2006
(nota 8,5)

 

About Me

Here I'll share my knowledge, discovery and experience related to my hobby and work. Most articles on this site are related to blog design, short reviews, tips and make money online. More

Want to subscribe?

 Subscribe in a reader Or, subscribe via email:
Enter your email address:  
Find entries :