Link Worth

Cinema combina com sexo?

segunda-feira, dezembro 8th, 2008

Não estou falando de filmes pornôs, que estes todos nós sabemos que possuem um objetivo bastante determinado. Estou falando de cinema, de sétima arte. Tela grande comporta um bom casamento com sexo, desejo e prazer? Ou o melhor é a telinha pequena, no conforto da própria casa, em produções rápidas e próprias para o vídeo, sem muito cuidado, mas eficientes em provocar as reações almejadas? Tenho as minhas dúvidas.

Recentemente estreou no Brasil a produção nacional “Entre Lençóis”, de Gustavo Nieto Roa, e que mostrava Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira pelados quase o tempo todo, já que a história se passa inteiramente dentro de um quarto de motel. É para lá que os dois vão após se conhecerem numa boate qualquer. E o que começa como uma promessa de sexo descompromissado lá pelas tantas já descamba para promessas de amor, acabando com o prazer sem culpa e despreocupado. O filme é fraco, ingênuo e, pior de tudo, nada original, já que nos remete imediatamente à produção chilena “Na Cama” (2005), de Matías Bize, que possui exatamente o mesmo roteiro. Plágio?

A revista Veja colocou, há poucas semanas, uma matéria especial de capa intitulada “a ética da nudez”, fazendo referência à polêmica levantada pelo ator Pedro Cardoso, durante o lançamento do filme “Todo Mundo Têm Problemas Sexuais”, sobre o excesso da nudez no cinema e na televisão. Bom, vamos com calma!  Realmente há aquela nudez gratuita, desnecessária e abusada. Mas há também a que se encaixa dentro de um contexto, que contribui na história que está sendo contada. Em “Entre Lençóis”, por mais infantil que sejam os diálogos, pior seria ainda o resultado final caso os dois protagonistas ficassem vestidos ou escondidos embaixo dos tais lençóis. Afinal, o cenário é um quarto de motel, não?

Cardoso fez este discurso apontando uma tomada em que a namorada dele, a atriz Graziella Moretto, fica nua em “Feliz Natal”, longa que marca a estréia na direção do também ator Selton Mello. Quem assistiu a este trabalho só pode imaginar que tal protesto deve ser creditado a um ataque de ciúmes, uma vez que a dita cena é completamente justificada dentro do filme – aliás, ótimo, por sinal, e nada explorativo. Evitar radicaslismos é importante. Mas “Feliz Natal” não fala de sexo, muito menos de prazer. E este é o nosso foco aqui.

Outra revista bastante interessante é a norte-americana Entertainmente Weekly. Na edição do dia 28 de novembro de 2008 a matéria de capa era: “os 50 filmes mais sexies de todos os tempos”. E sabe qual ficou em primeiro lugar? O thriller policial “Irresistível Paixão”, de Steven Soderbergh e estrelado por George Clooney e Jennifer Lopez em momentos de alta tensão sexual. Além de bom filme, ele literalmente coloca qualquer um em ponto de bala! Outros presentes na lista que combinam com maestria bons resultados artísticos e altas temperaturas são “Sr. e Sra. Smith” (03), com Brad Pitt e Angelina Jolie, “Corpos Ardentes” (04), com William Hurt e Kathleen Turner, “O Ano em que Vivemos Perigosamente” (14), com Sigourney Weaver e Mel Gibson, “O Destino bate a sua Porta” (25), com Jack Nicholson e Jessica Lange, “Infidelidade” (27), com Diane Lane e Olivier Martinez, “Sexo, Mentiras e Videotape” (35), com James Spader e Laura San Giacomo, e Pecados Íntimos” (42), com Kate Winslet e Patrick Wilson.

Há aqueles filmes sexies que também comportam uma emocionante trama romântica, mostrando que sexo e amor podem sim andar juntos. E os exemplos não faltam, como apontam o escritor descobrindo a paixão pela sua musa em “Shakespeare Apaixonado” (13), o deliciosamente adolescente “Diário de uma Paixão” (19), o campeão de bilheteria e de Oscars “Titanic” (20), o triste e comovente “A Época da Inocência” (23), o austero e envolvente “O Paciente Inglês” (26), o sobrenatural e hilário “Ghost” (36), “O Guarda-Costas” (41), dono da trilha sonora mais vendida de todos os tempos, e o maduro “As Pontes de Madison” (45), com Meryl Streep e Clint Eastwood. E prazer sexual é uma língua que não possui idioma, como provam os mexicanos “E Sua Mãe Também” (07) e “Como Água para Chocolate” (46), que literalmente põe fogo na casa (!), o francês “Swimming Pool – À Beira da Piscina” (18), com a pin up Ludivine Sagnier infernizando a imaginação da quarentona Charlotte Rampling, e o chinês “Amor à Flor da Pele” (37), de Wong Kar-Wai.

Entre produções internacionais como “E Sua Mãe Também” e “Swimming Pool” se percebe algo que em raros momentos chega a ser desenhado com cores mais fortes no cinema norte-americano: a homossexualidade. E o israelense “Delicada Atração” (49) é uma boa prova disso, chegando a ser apontado como uma ‘versão menor atormentada de “Brokeback Mountain”’. Mas este olhar homoerótico não é exclusividade estrangeira, o que mostra a presença na lista de títulos como “Cidade dos Sonhos” (17), com a protagonista lésbica interpretada por Naomi Watts, o thriller dirigido pelos irmãos Wachowski antes da trilogia “Matrix” e conduzido por um casal de assassinas “Ligadas pelo Desejo” (29), o drama de época inglês “Maurice” (30), que mostra James Wilby dividido entre o amor por Hugh Grant e a atração por Rupert Graves, o ensolarado “O Talentoso Ripley” (39), em que o desejo que Matt Damon sente por Jude Law extrapola os limites éticos, ou “Beijando Jessica Stein” (47), uma divertida comédia romântica sobre uma garota descobrindo o amor… com outras garotas! E isso sem falar do despudoradamente gay “300” (50), aventura com Gerard Butler e o nosso Rodrigo Santoro em trajes sumários em batalhas de visual fantástico. Como resistir?

Sexo é prazer, e o cinema é uma máquina incomparável em criar – e vender, claro – mitos sexuais. E estes estão presentes em ícones como Daniel Day-Lewis (“O Último dos Moicanos”, 08), Michelle Pfeiffer (“Os Fabulosos Baker Boys”, 12), Marilyn Monroe (“O Pecado Mora ao Lado”, 16), Sharon Stone (“Instinto Selvagem”, 21), Denzel Washington (“Mississippi Masala”, 22), Kim Basinger (“9 e meia Semanas de Amor”, 24), Richard Gere (“Gigolô Americano”, 31), Sarah Michelle Gellar (“Segundas Intenções”, 32), Linda Fiorentino (“A Última Sedução”, 40), e Patrick Swayze (“Dirty Dancing”, 43). E isso que ficaram de fora outros nomes de respeito apontados com certo destaque, como Nicole Kidman e Ewan Mcgregor (“Moulin Rouge”, o musical mais sexy de todos os tempos, batendo “Chicago” e “Rocky Horror Picture Show”), Marlon Brando (“Uma Rua Chamada Pecado”, sua interpretação mais sexy), Halle Berry (“007 – Um Novo Dia Para Morrer”, sua interpretação mais sexy), Christian Bale (“Psicopata Americano”, sua interpretação mais sexy), ou algumas das cenas de sexo mais quentes do cinema, como Brad Pitt e Geena Davis em “Thelma e Louise”, Kevin Costner e Sean Young em “Sem Saída”, e James McAvoy e Keira Knightley em “Desejo e Reparação”.

Percebe-se que nessa seleção ficou de fora o cinema brasileiro, com todas as suas musas, como Sônia Braga, Vera Fisher, Cláudia Raia, Lucélia Santos, Christiane Torloni e tantas outras. Todas, infelizmente, geralmente em produções tão constrangedoras quanto o novo “Entre Lençóis”. Sendo assim, voltamos è mesma pergunta: cinema e sexo combinam? Pelo jeito, em Hollywood este casal é sinônimo de sucesso, elogios da crítica e fartas bilheterias. Agora, no Brasil, são outros quinhentos…

“Max Payne”

domingo, novembro 23rd, 2008

O histórico é negativo – afinal, com exceção de “Tomb Raider”, que outra adaptação de videogame fez sucesso nos cinemas? Mas “Max Payne” fica no meio do caminho: se por um lado tem ação suficiente para prender a atenção, por outro é tão repleto de clichês que só o bocejo parece ser a solução. E os espectadores, indecisos entre o prazer de encontrar os personagens que aprenderam a conhecer de forma muito mais interativa e a imobilidade da sala de cinema, e divididos entre os fãs do jogo e aqueles que simplesmente não fazem idéia do que se trata, terminam também sem saber para onde ir.

Apesar do diretor John Moore (da recente versão de “A Profecia” e da aventura de guerra “Atrás das Linhas Inimigas”) ter afirmado que tentou ser o mais fiel possível à origem para não desapontar quem já curtia o personagem, muitos apontam justamente como ponto fraco do filme a falta de ligação entre ele e o jogo. Mas, se muito se perdeu no processo de transposição para a tela grande, a história em si continua a mesma: Max Payne (que sonoramente nos remete à ‘max pain’, ou seja, ‘máxima dor’) é um policial que teve sua esposa e filha assassinadas. Desde então se tornou um recluso em busca dos culpados. Quando descobre que por trás da tragédia pode estar uma grande companhia farmacêutica que estaria testando uma nova droga em busca de um ‘super-soldado’ contra os terroristas, se une a uma misteriosa garota também em busca de vingança e juntos partem atrás de algo que, descobrem posteriormente, pode ser uma conspiração muito maior do que poderiam imaginar.

Com um orçamento de US$ 35 milhões, mesmo com as críticas que apontaram principalmente a fraca direção e o roteiro confuso, “Max Payne” conseguiu se pagar nas bilheterias de todo o mundo, tendo arrecadado mais de US$ 70 milhões. Muito disso se deve ao fato de contar com Mark Wahlberg como protagonista. Após sua indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante por “Os Infiltrados” (2006), ele parece destinado a se tornar um grande astro. Porém, percalços como “Fim dos Tempos” e “Atirador” podem atrapalhar essa jornada. Mas aqui ele está muito adequado, e a impressão que temos é que Wahlberg nasceu para interpretar com uma arma na mão (como visto em tantos outros filmes do currículo dele, como “Os Donos da Noite”, “Quatro Irmãos”, “Uma Saída de Mestre”, “Planeta dos Macacos” ou “Caminho Sem Volta”, quando invariavelmente apareceu em um dos dois lados da lei).

Outro destaque de “Max Payne”, além da primorosa direção de fotografia de Jonathan Sela, muito precisa em criar um ambiente de dualidades com sombras e fantasias, é o elenco de coadjuvantes. Se por um lado a própria presença de Beau Bridges (o irmão menos talentoso de Jeff) é um indicativo negativo, por outro temos as belas Mila Kunis (do seriado “That 70’s Show”) e Olga Kurylenko (do recente “007 – Quantum of Solace”), além de um sumido Chris O’Donnell (o antigo Robin dos “Batman” dirigidos por Joel Schumacher) e dos músicos Ludacris e Nelly Furtado, ambos em pequenas participações.

“Max Payne” é uma diversão despreocupada, e até pode agradar alguns menos interessados. Mas certamente está aquém de suas possibilidades. E se não consegue se comunicar com seu público primordial, toda e qualquer outra ligação fica comprometida. E por fim temos mais um filme comum que desperdiça a chance de se destacar dentre tantos outros.

Max Payne, EUA, 2008
De John Moore
Com Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Chris O’Donnell, Ludacris, Olga Kurylenko, Donal Logue, Kate Burton, Nelly Furtado, Amaury Nolasco

(nota 5)

Batido, mas não mexido

quinta-feira, novembro 20th, 2008

“I’m Bond. James Bond”. Há quase 50 anos esta sentença se tornou uma das mais conhecidas da história do cinema. Desde a estréia de “007 Contra o Satânico Dr. No”, em 1962, o mundo tem se rendido aos longas baseados no agente secreto criado por Ian Fleming. O segredo de tanta euforia? Talvez o fato de Bond não ser apenas um espião, o que por si só já atiça os mais ardorosos fãs dos filmes de ação, mas por levar à telona charme, riqueza e poder. As cerca de 50 bond girls que já passaram uma noite com o agente secreto que o digam.

Esta é a perspectiva que tenho desde quando fui apresentado a Bond em 1995, com Pierce Brosnan interpretando o papel em “007 Contra GoldenEye”. A mistura de perseguições implacáveis entre o céu e a terra (às vezes até sob a água), um enredo de espionagem beirando à teoria da conspiração e, é claro, sexo à base de martini batido (mas não mexido) fez o agente secreto se tornar um dos meus personagens preferidos, assim como o filme. E sabendo da existência de longas anteriores, não demorou para que logo eu passasse na locadora e pegasse os mais antigos, recuperando desde a primeira fase de Bond, com Sean Connery.

Mesmo com meus parcos 10 anos de idade, comecei a fazer ligações entre os filmes. Afinal, por que todos os vilões era chineses, coreanos, ou russos? Logo descobri um outro motivo para 007 ser 007. Em meio à tormenta silenciosa que foi a Guerra Fria, o Ocidente precisava de um herói que combatesse as “forças do mal” que eram os comunistas. Ou assim se pensava. Bond tornou-se um símbolo do heroísmo, por mais que fosse um bêbado canalha com as mulheres e um adversário dos mais traiçoeiros, como os camaradas vermelhos.

Mas estudando um pouco mais, começa-se a achar ridículo que, em plena metade da década de 1990, ainda o tema da Guerra Fria imperasse em seus filmes. Os filmes seguintes mostrariam que, aos poucos, as coisas estavam mudando. Tanto que os últimos adversários de 007 têm sido “colegas” da Europa Ocidental. James Bond está se reiventando. Como disse, aos poucos.

Muita coisa se passa e, principalmente, muda em 46 anos. Com 007 não é diferente. A estréia de “007 – Quantum of Solace” só reafirma esta reivenção do espião. Seis atores já interpretaram o papel: Sean Connery, o debochado; Roger Moore, o quarentão sexy; Timothy Dalton, o bonitão americanizado; Pierce Brosnan, o santo das causas impossíveis. E agora, Daniel Craig. Ok, teve também George Lazenby, mas este prefiro nem comentar. Cada qual contribuiu para um aspecto diferente da personalidade, levando em conta também o contexto histórico. Se antes James Bond era alguém, aparentemente, quase sem sentimentos, que ligava no automático, transava com todas as mulheres sem o menor pudor e ainda aniquilava os adversários sem pensar duas vezes, agora a situação muda de cenário. Com Craig, Bond está mais humano, apaixonado, vingativo. O que atiça ainda mais a adrelina na tela. E o melhor de tudo é que ainda sobra espaço para referências aos longas antigos. Quem não lembra da bond girl Jill Masterson com o corpo pintado em ouro e estirada na cama em “007 Contra Goldfinger” (1964) ao ver Strawberry Fields também morta na cama, mas desta vez com o corpo banhado em petróleo? Inclusive o take é o mesmo!

Quem gostou dos últimos filmes não pode perder a oportunidade de ver (ou rever) os longas anteriores. Daniel Craig não deve ser o último Bond da linhagem. Mas enquanto não trocam o rosto do agente secreto, o que interessa é sentar em frente à tela e tentar acompanhar os roteiros explosivos (que, convenhamos, volta e meia são extremamente entruncados). E para acompanhar, não esqueça: o Martini é batido, mas não mexido.

“O Escafandro e a Borboleta”

quinta-feira, julho 17th, 2008

Um dos melhores filmes do ano! Vencedor de 37 prêmios internacionais e dono de outras quase 30 indicações. Finalista em quatro categorias no Oscar, além de premiado no Globo de Ouro, no Festival de Cannes, no National Board of Review, no Bafta e no César. Elogiado pela crítica nos dois lados do Atlântico. São tantos os adjetivos quando se fala de “O Escafandro e a Borboleta” que chega a ser difícil saber por onde começar. Mas a verdade é única: trata-se de uma visão muito acima da média, um olhar exaustivo e detalhado sobre o processo de criação diante das condições mais adversas, de como o espírito artístico consegue sobreviver mesmo quando tudo ao seu redor está indo contra a corrente e, principalmente, um libelo à liberdade e ao amor. Por mais incongruente que esta possa se manifestar, é sim uma lição de vida, com todas as qualidades e defeitos que consegue comportar durante uma existência.

Assim como nos seus filmes anteriores – “Basquiat”, de 1996, que levava o nome do pintor biografado, e “Antes do Anoitecer”, de 2000, sobre o escritor cubano e homossexual Reinaldo Arenas – o diretor norte-americano Julian Schnabel centra sua atenção neste novo trabalho na história de um homem, um artista acima de tudo, e em como a arte será fundamental na sua luta pela sobrevivência. Depois de passear por Nova York e por Cuba, desta vez ele vai para o interior da França acompanhar o triste e verídico destino de Jean-Dominique Bauby (Mathieu Almaric, que estará no futuro “007 – Quantum of Solace”), editor da Revista Elle que, aos 43 anos, sofre um derrame cerebral e perde absolutamente todos os movimentos do corpo, com exceção do olho esquerdo. E, mesmo neste estado, consegue ditar um livro inteiro, contando não só sua vida, repleta de excessos e emoções, como também discorrendo sobre esta nova condição, aprofundando-se nesta visão de mundo até então inédita. Um trabalho que supreendeu a todos, não só pelo simples fato de ter sido realizado, como também pela qualidade superlativa que possuía. Fato este que, por si só, já justifica a realização do filme.

Mas Schnabel não é um acomodado. E ele vai além da mera reinterpretação pictórica do que foi narrado pelo protagonista. Ele assume a posição do afetado, e nos faz passar pela mesma condição. Vemos o que ele enxerga, impassíveis e revoltados, tão indefesos e desorientados quanto o próprio. Por outro lado, o processo de identificação de intensifica absurdamente. Em instantes estamos pensando em como reagiríamos se estivéssemos no lugar dele – e, neste momento, a audiência já está conquistada e o filme, por assim dizer, ganho. Somos todos, em ambos os lados da tela, seres perdidos no fundo do mar e aprisionados em escafandros abafados, esperando pelo momento em que iremos nos revirar neste casulo até então impenetrável e nos revelar borboletas prontas para o vôo mais alucinado possível. Nem que este aconteça apenas no nível da imaginação.

“O Escafandro e a Borboleta”, apesar de ser uma co-produção com os Estados Unidos, é inteiramente falado em francês, o que indica porque recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, quando merecia, na verdade, o troféu principal. Levou também o prêmio de Melhor Direção, categoria em que foi indicado também no Oscar, além de Roteiro Adaptado (escrito por Ronald Harwood, premiado por “O Pianista”), Fotografia (de Janusz Kaminski, oscarizado por “A Lista de Schindler” e “O Resgate do Soldado Ryan”) e Edição. Apesar do tema um tanto mórbido – um moribundo redescobrindo os verdadeiros valores da vida – o longa tem também o mérito de ser surpreendentemente leve, envolvendo o espectador aos poucos, sem grandes sobressaltos ou reviravoltas. De imediato somos confrontados com aquela realidade, e lentamente convidados a tomar conhecimento de como tudo aquilo aconteceu e, principalmente, como era a vida daquele homem antes desta tragédia. Outros destaques que merecem ser mencionados, além da interpretação soberba do protagonista, são as participações de três nomes de destaque no elenco: Emmanuelle Seigner (“Piaf”), como a ex-esposa, Marie-Josée Croze (“As Invasões Bárbaras”) e o veterano Max von Sydow. Cada um deles, a sua forma, é responsável por momentos de grande emoção e tensão, contribuindo definitivamente para o bom resultado final.

Mais do que uma aula de como superar dificuldades e sem ter como foco principal transmitir mensagens, “O Escafandro e a Borboleta” se explica por si só, atingindo a posição de uma verdadeira lição de cinema. Original, criativo e inovador, é um longa que merece ser descoberto tanto pelos apaixonados pela sétima arte como por todos aqueles atrás de boas histórias e que apreciem qualquer demonstração de novidade nas telas. Merecidamente reconhecido pela crítica e pela indústria, falta-lhe apenas encontrar-se com o público, completando assim um ciclo que, sob todo e qualquer aspecto, tem todos os quesitos para fazer parte.

Le Scaphandre et le Papillon, França/EUA, 2007
De Julian Schnabell
Com Mathieu Almaric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Max von Sydow

(nota 9)

“Agente 86″

sábado, junho 28th, 2008

Criado em 1965 por Mel Brooks e Buck Henry, o atrapalhado detetive secreto interpretado na televisão por Don Adams (1923 – 2005) chega agora aos cinemas em “Agente 86″. Astros como Jim Carrey, Martin Lawrence e Will Ferrell chegaram a entrar na disputa para o papel de protagonista, mas nenhuma escolha seria mais apropriada para reviver Maxwell Smart do que Steve Carell, o comediante que virou astro após o sucesso de “O Virgem de 40 Anos” (2005). E amparado por uma boa equipe – Anne Hathaway pós-“O Diabo Veste Prada”, Alan Arkin pós-“Pequena Miss Sunshine”, Dwayne Johnson pós-The Rock e Terence Stamp pós-“Priscilla, A Rainha do Deserto” (entre tantos outros) – Carell comanda um projeto em que praticamente tudo dá certo, entregando ao público uma divertida comédia como há muito não se via nos grandes estúdios hollywoodianos.

“Agente 86″, a série, nasceu como uma paródia dos filmes de James Bond. Bem, se hoje em dia o próprio 007 foi revitalizado (vide Daniel Craig), além do renascimento de outros heróis similares, como Ethan Hunt (“Missão: Impossível”) e Jason Bourne (“Trilogia Bourne”), porque o riso que nasceu da mesma fonte não seguiria caminho idêntico? Sai, desta forma, a Guerra Fria e entra em cena uma nação misteriosa qualquer, com os velhos planos de dominar o mundo. 86 continua sendo membro da agência C.O.N.T.R.O.L.E., tendo que enfrentar os perigos da organização do mal K.A.O.S.. Mas este é um filme de origem, e ficamos sabendo como ele se tornou agente de campo, como a parceria com a 99 (Hathaway) começou e quais foram suas missões iniciais. E o melhor: acompanhamos desde o início as incríveis trapalhadas em que ele inadvertidamente acaba se metendo e os modos fantásticos como termina escapando dos mais arriscados perigos.

Com um orçamento de US$ 80 milhões, “Agente 86″ estreou nos Estados Unidos derrubando “O Incrível Hulk” da liderança e conquistando o topo das bilheterias, com quase a metade deste valor somente nos três primeiros dias de exibição. Acompanhando tudo isso há também a crítica, que abraçou sem grandes ressalvas a versão cinematográfica da antiga série. Entre os pontos fortes, além da boa sintonia do elenco, estão os efeitos especiais competentes - que não ficam devendo nada a outras produção mais “sérias” - e a direção segura de Peter Segal (“Corra que a Polícia Vem Aí 33 e 1/3″, “O Professor Aloprado 2″, “Tratamento de Choque”, “Como se fosse a Primeira Vez”), profissional que mesmo antes dos 50 anos de idade já pode ser considerado um ‘veterano no gênero’. E isso sem falar que a música-tema é “4 Minutes”, o mais recente sucesso de Madonna (ao lado do astro pop Justin Timberlake). Quer mais? Não se desespere. Com tantos acertos assim, uma continuação não deve demorar muito para se tornar realidade!

Get Smart, EUA, 2008
De Peter Segal
Com Steve Carell, Anne Hathaway, Alan Arkin, Terence Stamp, Dwayne Johnson

(nota 8)

About Me

Here I'll share my knowledge, discovery and experience related to my hobby and work. Most articles on this site are related to blog design, short reviews, tips and make money online. More

Want to subscribe?

 Subscribe in a reader Or, subscribe via email:
Enter your email address:  
Find entries :