Step Brothers

Por: Ale Simas
categorias: Colunas, Pop Coolture
Data: domingo, 21 de setembro de 2008

“Quase Irmãos” é mais um dos tantos filmes que resultaram da colaboração entre o diretor Adam McKay, o ator Will Ferrell, e, sim, o produtor Judd Apatow. Já tendo usado dos mais diversos cenários pra pano da história (estações de tv, corridas, anos 70), dessa vez eles decidiram voltar pra casa. Literalmente.

Ao invés de fazerem um filme falando sobre adultos que às vezes agem como crianças fracassadas, eles inovaram e fizeram um em que os adultos aceitam e tem orgulho de que ainda são assim, fracassos ambulantes. Depois de terem feito alguns filmes separados (como “Semi Pro” e “A Vida é Dura”), e não tendo a mesma receptividade do público, Will Ferrell e John C. Reilly voltaram a atuar juntos nessa comédia que rendeu mais de US$ 100 milhões só nos Estados Unidos.

É gostoso perceber que a química entre os dois continua intacta. O filme, por sua vez, conta com um elenco coadjuvante maravilhoso, que oferece o suporte necessário para que Ferrell e Reilly construam um mundo onde eles reinam soberanos. O longa é uma celebração à liberdade de expressão. De exposição de partes “privadas” ao excessivo uso de palavrões, tudo é possível em “Quase Irmãos”.

“Quase Irmãos” conta a história de um casal da meia idade que se apaixona perdidamente e que no meio de tantas afinidades descobrem que possuem ainda mais em comum: ambos têm filhos nos altos dos seus 40 anos, morando em casa. Brennan Huff (Ferrell) é na verdade bastante consciente no que diz respeito a sua situação. Tudo porque seu irmão mais novo, Derek (Adam Scott), nunca o deixa esquecer tal fato. Derek tem a vida perfeita. O emprego perfeito, a família perfeita. Tudo perfeitamente insuportável. Já Dale Doback (Reilly) não tem ninguém que o acorde pra vida, e acredita que, junto com o seu pai, ele é o cara que tirou a sorte grande.

Tudo vai por água abaixo quando seu pai casa pela segunda vez e ele se depara com a realidade de que terá que dividir o teto com a mãe postiça e seu quase irmão. Os dois se odeiam. E não encontram motivos para não expressarem tal sentimento. Ofensas, brigas, tudo em nome da raiva. Mas esse ódio, como diz o clichê, é o sentimento mais próximo do amor, e aos poucos eles vão descobrindo que possuem muito mais razões para se amarem do que o contrario. Tudo feito com muita breguice e imaturidade, é óbvio.

Assisti ao filme duas vezes. E consegui rir de doer a barriga nas duas. Claro que ele não se sustenta por duas horas. Algumas partes pecam pelo excesso, muitas vezes pelo tom ofensivo ou até pelo lugar comum em que eles sempre insistem em nos levar. Mas quando acerta (e isso acontece várias vezes), é muito bem sucedido. A atuação dos atores é impecável, e mesmo pra quem já está cansado de ver Will Ferrell ele é capaz de recuperar um pouco de sua credibilidade, e mostrar o porquê dele ser um dos poucos atores que conseguiu uma carreira sóida, mesmo depois de sua saída do Saturday Night Live. No fim das contas, “Quase Irmãos” funciona. É engraçado, porém sem grandes expectativas. Apenas a de nos fazer rir. E isso ele consegue.

 

Ale Simas mora fora do Brasil já há 5 anos. Os dois primeiros, passou tomando sol em Los Angeles. Nos últimos 3 vem construindo iglus no Canadá, e namorando um urso polar (que prefere não se identificar). No tempo livre, se alimenta nao só de chocolate, mas de filmes, livros, amigos e televisão. Prefere não mencionar música, já que tem a certeza absoluta de que vai ser presa pela quantidade de downloads feitos diariamente. Gosta de coisas toscas, mas também inteligentes. Tosquice é um estado de espírito, já dizia um sábio. Tosco, claro.
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