“Sherlock Holmes”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Qualquer estudioso da obra de Conan Doyle poderia supor, após os minutos iniciais de “Sherlock Holmes”, que o conceituado escritor provavelmente estaria se revirando no túmulo com a recente incursão no cinema de sua criação mais popular. Ao término da projeção, no entanto, esta mesma impressão não poderia ser mais equivocada. Afinal, o longa do diretor inglês Guy Ritchie (ex-marido de Madonna) pode causar uma certa estranheza no princípio, principalmente ser tão diferente de tudo que já havia sido feito anteriormente com o famoso detetive, mas com o desenrolar da trama percebemos que esta é uma adaptação à altura da fama do personagem, e que lhe deixa em sintonia com os tempos atuais, modernizando-o sem desrespeitar suas características mais importantes. Se Doyle o imaginasse nos dias de hoje, é bem fácil acreditar que ele seria exatamente como o Ritchie o descreve.
Um dos pontos fundamentais para o sucesso de “Sherlock Holmes” na tela grande (em menos de um mês em cartaz já faturou mais de US$ 200 milhões nas bilheterias de todo o mundo, posicionando-o como o filme mais lucrativo do período, ficando atrás apenas do fenomenal “Avatar”) é o seu protagonista, Robert Downey Jr., que desde que deu vida ao “Homem de Ferro” parece estar em estado de graça, participando de um longa melhor do que o outro. Depois do divertidíssimo “Trovão Tropical” (pelo qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar) e do subestimado “O Solista”, Downey Jr. está de volta ao terreno dos blockbusters, neste que tem tudo para ser o capítulo inicial de mais uma bem sucedida franquia (na metade de 2010 chega às telas “Homem de Ferro 2”, preparem-se!). Ele oferece todo o cinismo e malandragem que este tipo tão especial necessita, aliado a uma verdadeira inteligência e uma perspicácia singular. Com ele conseguimos acreditar nas descobertas fantásticas que o levam a solucionar os mais intricados mistérios. Mark Strong (“RockNRolla”) está igualmente perfeito como o vilão Lord Blackwood, assustador e imperial em suas ambições, assim como Jude Law, que deixa de lado a posição de galã sem consistência para assumir o papel do parceiro ideal, Dr. Watson, o fiel escudeiro e braço direito do investigador. Talvez o único deslize seja a participação da bela e boa atriz Rachel McAdams, porém aqui colocada numa condição que evidencia sua juventude e falta de experiência ao aparecer como interesse romântico do herói.
“Sherlock Holmes”, o filme, começa com o fim de um caso bem complicado: Holmes descobre que Blackwood, um
nobre, envolveu-se com magia negra é está prestes a cometer seu sexto assassinato. Preso, é condenado à morte e enforcado em praça pública. Surpreendentemente, no dia seguinte à sua execução ele se levanta do túmulo e, inexplicavelmente, volta a agir, dando continuidade aos seus planos de dominação mundial. O famoso detetive é mais uma vez convocado para impedir o bandido, e aos poucos descobre estar envolvido numa conspiração que vai dos altos escalões do governo até as ordens mais secretas. E se a trama é repleta de reviravoltas, de amores não correspondidos e de missões com duplo sentido, o melhor é perceber que mesmo diante de todo o agito e correria ainda há um enigma a ser desvendado e um homem que usa acima de tudo sua dedução e um poder de observação singular em cada ínfimo detalhe para solucionar os desafios que lhe são propostos.
Guy Ritchie já foi acusado anteriormente de fazer sempre o mesmo filme, e aqui essa conclusão pode ser aplicada. Porém é certo também que, quando ele se debruça sobre temas que lhe são próximos, como humor negro, ironia, tiroteios, violência estilizada e enredos que guardam várias possíveis leituras, o resultado é sempre acima do satisfatório. “Sherlock Holmes” é um tiro tão certeiro que o seu final já aponta para uma segunda parte, e se o público está mais do que satisfeito, a crítica também tem respondido à altura. Downey Jr., por exemplo, foi indicado ao Globo de Ouro como Melhor Ator por este desempenho, e a possibilidade do filme figurar em várias categorias do Oscar é muito grande. Conquistas absolutamente justas e merecedoras. Este é um produto para qualquer espectador, que busca uma faixa bem ampla de mercado, e que ao mesmo tempo trata com respeito o material usado como fonte. Nada mais adequado.
Sherlock Holmes, EUA, 2009
De Guy Ritchie
Com Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Kelly Reilly, James Fox
(nota 8)





O primeiro parágrafo do texto reproduz, com perfeição, o que senti ao ver esse filme: uma “certa estranheza” no início, e a certeza que a modernização ficou muito boa. Gostei bastante do filme.
Imaginei que tu iria gostar do “Holmes”. Eu detestei!!
Muito previsível!