Sexo com Amor?

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: sábado, 16 de fevereiro de 2008

SEXO COM AMOR?, filme que marca a estréia no cinema do diretor de televisão Wolf Maya, é um remake de uma produção de mesmo nome feita no Chile em 2003. Se o original já era bastante irregular, imagine só esta nova versão! Sem esconder suas origens melodramáticas e televisivas, o longa é mais um pastiche de algo que poderia ter sido, desprovido de ritmo, de boas atuações ou de uma mão segura que o orientasse num caminho específico. Como resultado temos algo sem rosto nem coração, carente de qualquer maior interesse além do mero voyerismo característico do público mediano brasileiro.

O longa chileno tinha como protagonista uma professora de ensino médio que estava tendo um caso com o pai de um dos alunos. Enquanto isso, ela tentava descobrir como unir verdadeiro amor ao prazer do sexo. Este personagem, vivido agora por Caroline Dieckmann (uma das poucas com algo a mostrar em cena), virou praticamente um coadjuvante. Ao invés de centrar sua atenção no desenrolar desta história, o roteirista (Rene Belmonte, de SEXO, AMOR E TRAIÇÃO e SE EU FOSSE VOCÊ) preferiu dividir o foco em diversas tramas paralelas, que ao mesmo tempo em que distraem o espectador dos erros mais evidentes, também diluem uma avaliação mais precisa, uma vez que nenhum destes “sub-enredos” é atrativo o suficiente.

O amante da professora (José Wilker, que atua como se tivesse acordado 10 minutos atrás e não soubesse onde se encontra) é um apresentador de televisão e guru sentimental. O casamento dele (com Marília Gabriela, quase numa participação especial) é um fracasso, e parece que só ele não percebe. Há também o empresário garanhão (Reynaldo Gianecchini, que após PRIMO BASÍLIO e AVASSALADORAS comprova de vez que não tem cinema nas veias) e infiel, num ataque de ciúmes pela esposa grávida (Malu Mader, discreta e com poucas opções). O núcleo cômico é proporcionado por um casal suburbano (vamos rir dos pobres!) interpretado por Eri Johnson (exagerado, como sempre) e Maria Clara Gueiros (uma comediante um tanto repetitiva, mas provavelmente subaproveitada). A sobrinha dela vai visitá-los e começa a tentar o tio. Alguma lembrança de “Lolita”? Original, não?

Idealizado para ser o “filme nacional do verão 2008″, ou seja, um típico produto para consumo imediato, sem cuidado ou carinho, felizmente acabou sendo literalmente atropelado pelo superior MEU NOME NÃO É JOHNNY, um longa que também atende à certas necessidades do mercado, porém cercado de méritos que despontam facilmente numa primeira análise. SEXO COM AMOR?, por outro lado, é pura bobagem descartável, vergonhoso para um país que procura construir uma cinematografia respeitável e busca o entendimento e apoio do próprio público. Não é orgânico como um A GRANDE FAMÍLIA, muito menos relevante quanto um LISBELA E O PRISIONEIRO. É desperdício, puro e simples, e como tal deve ser tratado. Merece o lixo!

Sexo com Amor?, Brasil, 2008
(nota 3)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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