“Sex and the City – O Filme”

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: quinta-feira, 12 de junho de 2008

Quatro mulheres e um destino em \Quatro amigas, na faixa dos quarenta anos, ainda em busca da felicidade através do amor. Pode parecer piegas, mas como não se levar pela diversão, pelo bom humor, pelas reviravoltas, pelas manias e pelo glamour de “Sex and the City”? Depois de seis anos de grande sucesso na televisão, agora o inevitável aconteceu: Carrie Bradshaw e suas amigas desembarcam no cinema com toda a pompa e circunstância exigida para um evento deste porte. E o resultado está bem de acordo com as expectativas.

Quem já assistiu ao menos um episódio do seriado sabe muito bem o que esperar neste encontro na tela grande: muita conversa, um pouco de sexo, mulheres sendo fúteis sem culpa, desilusões amorosas, provas de carinho, de fidelidade, de amor e de paixão. “Sex and the City – o filme”, aliás, segue a mesma estrutura da telinha: é quase como se fosse uma temporada inteira condensada em pouco mais de duas horas de projeção. O que, num cálculo rápido, dá uns bons 5 episódios, o que é aproximadamente a totalidade da quinta temporada da série (a menor de todas, com 8 episódios).

Primeiro tem o casamento anunciado, depois a grande tragédia, a recuperação no México, a chegada da assistente salvadora e, por fim, o final feliz. Nossa! Contei como tudo termina e estraguei a surpresa de quem ainda não assistiu? Por favor, não? Ou alguém ainda tinha dúvidas de como se daria a conclusão? Não se enganem, o rótulo até pode estar bem disfarçado, mas não passa de mais uma comédia romântica, e como 98% delas, o happy ending é indispensável!

Carrie (Sarah Jessica Parker, também produtora) aceita o pedido do Mr. Big (Chris Noth) e dá início aos preparativos do casamento. Quando o evento toma proporções gigantescas, ele se assusta e termina por deixá-la no altar. Quase cortando os pulsos, ela é levada pelas amigas Samantha (Kim Kattrall), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis) ao México, onde deveria passar a Lua de Mel, para tentar se distrair e se recuperar do baque. Mas isso só acontece de volta à Nova York, quando contrata uma nova assistente, Louise (a vencedora do Oscar Jennifer Hudson, de “Dreamgirls”), que irá ajudá-la de forma muito mais efetiva.

Neste meio tempo acompanhamos as desventuras das outras três. Samantha está morando em Los Angeles e cuidando dos negócios do marido, uma jovem estrela de Hollywood. Porém, o que a mais incomoda, além da distância das amigas, é a monogamia, ainda mais quando tem como vizinho um verdadeiro deus do sexo. Miranda descobre que Steve, o marido, a traiu com outra, e o põe para fora de casa. Mas será que, apesar do sucesso na vida profissional, ela conseguirá encarar uma família pela metade? Já Charlotte finalmente conseguirá engravidar, e irá tomar todos os cuidados possíveis para que desta vez nada fique no seu caminho. Ou não!

A chegada de “Sex and the City” aos cinemas é muito mais do que uma simples estréia – é um verdadeiro evento! Este filme é, na verdade, uma das maiores peças de propaganda dos últimos tempos – a quantidade de marcas exibidas na tela é impressionante! A lado fashion do seriado é recuperado com toda a força nesta transposição, e o deslumbre é inevitável: o mundo destas mulheres é tão irreal quanto atraente, e serão poucas as que não passarão a projeção inteira suspirando por um pouco só daquele universo.

Se enquanto provocador de tendências o longa funciona perfeitamente, enquanto objeto fílmico deixa um pouco a desejar. A estrutura é televisiva, e as inovações e originalidades são tão escassas quanto milimetricamente calculadas. Tudo está ali para agradar a um público específico, e assim o faz com uma mira invejável. O resultado não poderia ser melhor: estreou em primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas, faturando mais de 50 milhões de dólares em 3 dias e derrubando o velho Indiana Jones do topo. Quer mais? Elas estão com tudo, e uma continuação para 2010 é dado como certa. “Sex and the City” acabou? Vida longa à Carrie e suas amigas!

Sex and the City, EUA, 2008
De Michael Patrick King
Com Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Cynthia Nixon, Kristin Davis, Jennifer Hudson, Chris Noth, Candice Bergen

(nota 7,5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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