“Sete Vidas”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Will Smith é, sem sombra de dúvidas, a maior estrela do cinema norte-americano. Tudo o que o cara toca dá certo. Ou melhor, quase tudo. Afinal, nem tudo que reluz sempre é ouro. E “Sete Vidas” é um bom exemplo disso – a idéia até parece ser interessante, mas o resultado é bastante problemático. Este drama tem várias ambições, mas todas elas são tão óbvias que fica difícil embarcar na viagem proposta pelo astro. E ao invés de sermos levados pela carga emocional terminamos por nos distanciar, gerando uma resistência e, em alguns casos, até uma antipatia por todo o projeto. E o que deveria funcionar num sentido se resolve no lado completamente oposto, afastando aquele público que deveria ter sido conquistado, e não repelido.
O problema maior é que tudo é muito forçado em “Sete Vidas”. A impressão que se tem é que Smith deve ter pensado: “poxa, eu já faturo milhões, tá na hora, então, de conquistar um respeito artístico, e pra isso preciso de um Oscar!”. Então ele fez o óbvio: chamou o diretor e o produtor do seu último sucesso de crítica, “À Procura da Felicidade”. Uma vez com a turma reunida, a ordem deve ter sido simples: “quero sofrer ainda mais. Quero mostrar que sei chorar. Posso ter músculos e já ter salvo a Terra diversas vezes, mas agora irei me contentar com menos. Não preciso mais salvar o mundo, e sim apenas sete vidas – e se tiver um amor trágico no caminho, melhor ainda!” Então colocou-se tudo no liquidificador, e pronto – fez-se “Sete Vidas”!
Os ingredientes estão todos presentes: homem sofrido, tragédia familiar, mocinha com um destino amargo e aparentemente sem volta, grandes reviravoltas, ode à bondade humana, arrependimentos, muitas lágrimas e uma conclusão redentora, porém absurdamente sofrida. O bem vence, mas não sem deixar mortos e feridos pelo caminho. E mais uma vez é escancarada a lição de que a bondade humana é sempre superiora, mas que para a merecermos é preciso muita tristeza e sofrimento pelo caminho.
É um pouco complicado falar sobre a trama de “Sete Vidas” sem revelar muito do enredo, mas vamos lá. O filme começa com o protagonista anunciando seu próprio suicídio. O que o levou àquele ponto? Voltamos alguns tantos dias no tempo, e o vemos em contato com sete pessoas diferentes, cada uma com um problema específico e urgente. Ele quer ajudá-las, mas a que preço? E por que estes homens e mulheres foram escolhidos? Mais adiante, um outro flashback nos mostra um momento de vida em que este homem era feliz, bem casado e cheio de planos. Porém algo deu errado, e tudo mudou completamente de uma hora para outra. Desgraças foram mais fortes, já que o destino lhe reservou uma trajetória bastante distinta daquela idealizada. E como ele chegou até o ponto em que está quando a história começa a ser contada é como se compõe a estrutura do roteiro.
O italiano Gabriele Muccino era um dos grandes nomes do novo cinema do seu país, tendo sido responsável pelo ótimo e comovente “O Último Beijo” (refilmado posteriormente nos Estados Unidos como “Um Beijo a Mais”). Desde que se mudou para Hollywood, no entanto, não tem tido muita sorte. Se “À Procura da Felicidade” escapou de maiores críticas graças ao bom desempenho de Will Smith (indicado ao Oscar), o mesmo não aconteceu nesta segunda parceria entre os dois. A mão do diretor é pesada, e nada acontece naturalmente - parece que estão praticamente de joelhos nos pedindo para que comecemos a chorar imediatamente, o que, obviamente, não acontece. Smith fica com uma expressão angustiada o tempo inteiro, tanto que lá pelas tantas nem a percebemos mais. E os demais afetados que giram ao seu redor – Woody Harrelson, Rosario Dawson – estão todos tão apáticos que quase não os reconhecemos. E no final o que resta é um grande constrangimento.
“Sete Vidas” não é tão ruim quanto poderia ser, mas está longe de ser um bom filme. Se por um lado o argumento principal não é dos mais previsíveis, todas as subtramas que se desenvolvem paralelamente são bastante óbvias, a ponto de gerar irritação ou, pior, bocejos e indiferença. E sem o público ao seu lado, nem Will Smith (“Hancock”, “Eu Sou a Lenda”) consegue atingir os objetivos esperados. É, não dá para acertar sempre.
Seven Pounds, EUA, 2008
De Gabriele Muccino
Com Will Smith, Rosario Dawson, Woody Harrelson, Michael Ealy, Barry Pepper
(nota 5)






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