Sentimentos Selvagens
Por: Gabriel Ruas
categorias: Coisas de Cinema, Colunas, Película, Preview
Data: quinta-feira, 19 de novembro de 2009
“Where the Wild Things Are” é, sem dúvida alguma, o filme mais lindo e sensível lançado nesse ano. É também o mais brutal e realista, pois conversa com nossos sentimentos mais íntimos, desnudando a depressão e a solidão através dos olhos de uma criança que passa mais tempo em seu mundo de faz de conta do que em um ambiente familiar próprio. Não que sua família não o ame, mas Max é afetado pelo mesmo problema que milhares de outras pessoas enfrentam diariamente: ele vê sua vida ser invadida por um mar de compromissos dos outros – neste caso, seus familiares. Isso lhes deixa sem tempo ou energia para dar a atenção necessária a esse ser tão inteligente e educado, mas que na verdade é uma bomba relógio.
Max, como muitas crianças, sofre de solidão. E assim como elas, vive em um ambiente selvagem, onde cada um tem que salvar sua vida e cuidar de seus interesses. Isso o leva a assumir um amadurecimento que não deve ser característico para sua idade. Max, na verdade é um pouco de cada um de nós, é aquele sentimento que temos quando somos deixados de lado por aquele amigo especial, quando esperamos por uma ligação e não recebemos, quando fazemos planos pro final de semana que na última hora são cancelados. É uma frustração quieta, que não incomoda no começo, pois somos adultos e tolerantes, mas que pouco a pouco vai se transformando em tantas coisas diferentes que nem sabemos bem como controlar.
“Where the Wild Things Are” é tão sensível que assusta. Se fosse estrelado por adultos seria interessante, mas a
sensibilidade que vem através dessa criança chama atenção, e os monstros que habitam seu mundo são as emoções que estão habitando seu coração. Max não consegue equilibrar bem seus sentimentos. Não tem amigos ou família pra compartilhar sua vida, lhe dar atenção, dizer que ele está de parabéns por algo ou errado por outros motivos. Max está totalmente perdido!
Identificamos-nos com os sentimentos desse menino e de seus monstros internos, com a perda do elo familiar. Somos como Max em todos os sentidos, e o resto é só pra enfeitar e dar mais beleza visual e sonora pra história, que é tão bem escrita e dirigida que não precisaria de nada mais. Não deixe de conferir essa obra de arte!





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