“Sempre ao Seu Lado”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Richard Gere devia estar procurando por um período de paz e tranqüilidade em sua vida quando decidiu produzir “Sempre ao Seu Lado”. Afinal, este é um filme extremamente simples em sua estrutura, mas muito hábil em se conectar com o espectador – é praticamente impossível não se comover com esta bela história de amor e lealdade. Mas não espere por dramas históricos, elaborados números de cantorias e sapateados, romances de contos de fada ou suspenses jurídicos. Dessa vez o foco em questão é sobre o elo mágico que só pode ser estabelecido entre duas raças: o homem e o animal, neste caso, um cão.
Parece até que está virando tradição: todo final de ano um novo lançamento sobre a relação entre uma família e seu cachorro de estimação entra em cartaz conquistando as bilheterias – ao menos no Brasil! Sim, porque se em 2008 “Marley & Eu” foi um tremendo sucesso de público tanto por aqui como nos Estados Unidos, “Sempre ao Seu Lado” só ganhou a tela grande no nosso país e em outros poucos lugares. Um destes foi o Japão, onde foi um impressionante campeão de bilheteria. E isso se deve, em parte, ao fato deste filme ser o remake de uma produção japonesa de 1987, “Hachiko Monogatari”, que por sua vez é inspirado numa história real, acontecida ainda nos anos 20/30 do século passado, na terra do Sol Nascente. Na América, no entanto, permanece inédito, e com sorte deverá ser lançado apenas em dvd. Uma decisão, no mínimo, curiosa.
“Sempre ao Seu Lado” não é um longa que entrará para a história ou que deve ser analisado com olhos muito críticos. Sua narrativa é bem
convencional, previsível e até mesmo formulaica. Um filhote de akita se perde numa estação de trem, e um professor de música o encontra ao voltar para casa, após mais um dia de trabalho. Apesar da resistência inicial da esposa – a quem ele ama mais do que tudo – o cachorro acaba indo morar com eles. E assim se estabelece uma relação especial entre os dois. O bicho cresce, a vida de todos evolui, mas a única coisa que não muda é o carinho de um pelo outro. Até o dia em que o dono falece. Fato que não é aceito pelo cão, que passa a esperar pelo amigo em frente a mesma estação de trem onde se encontraram pela primeira vez. E este ritual de espera se repete por dez anos, até a morte do animal.
Atualmente há uma estátua de Hachiko (o cachorro) no Japão, em sua homenagem, no mesmo local pelo qual ele montou guarda por cerca de uma década. E este episódio insólito, que ilustra com competência a força de uma amizade e o poder da fidelidade que somente entre homem e animal pode ser estabelecida, sem cobrança, julgamentos ou decepções, dando espaço apenas para entrega, carinho e puro amor, deve ter sido decisivo no envolvimento do astro Gere, notório admirador da cultura oriental. Na direção está um amigo dele, o cineasta Lasse Hallström, responsável pelos indicados ao Oscar “As Regras da Casa”, “Chocolate” e “Minha Vida de Cão” (todos igualmente lacrimosos), e que já o havia dirigido no ótimo “O Vigarista do Ano”. Juntos eles deram vida a este conto de sincera beleza, que deve muito mais ser sentido do que compreendido. Até porque há coisas na vida que não possuem explicação.
Hachiko: A Dog’s Story, EUA, 2009
De Lasse Hallström
Com Richard Gere, Joan Allen, Sarah Roemer, Jason Alexander, Cary-Hiroyuki Tagawa, Erick Avari, Davenia McFadden, Kevin DeCoste
(nota 7)






Achei aki sem querer.
Boa crítica do filme, não é um filme que vai mudar alguma coisa, mas pelo menos faz você sentir algo, coisa rara atualmente. Digo isso porque a sala toda do cinema saiu chorando desse filme uaHUAhAUhA
Gostei especialmente do final:
“Juntos eles deram vida a este conto de sincera beleza, que deve muito mais ser sentido do que compreendido.Até porque há coisas na vida que não possuem explicação.”
Parabéns.