Save the translator

Por: Reginaldo Pujol Filho
categorias: Cultura Pop, Isso não é um trailer
Data: sábado, 29 de agosto de 2009

Sumi, eu sei. Mas meus dois leitores aqui do CineRonda nem notaram, eu acho. Mas o que importa pra mim é que voltei. E voltei porque outras coisa sumiram. Vou explicar. Tava ontem vendo o “Se beber, não case” no cinema e me dei conta do seguinte: deve haver um sindicato, uma ONG, alguma coisa que defenda os tradutores de títulos de filmes no Brasil. E essa alguma coisa, esse movimento chamado Save the translator, venceu. Acabou com a vergonha dos profissionais da tradução no Brasil. E com o nó na nossa cabeça.

Vai dizer, quem aqui nunca viu pintar na tela do cinema o título original do filme, algo como “Mr. Robert” e ao olhar pra baixo descobriu que Mr. Robert em português significa “Paixão e fúria em São Francisco – uma jornada de amor”.

Ou que “Annie” significa “Noivo Neurótico” e “Hall”, “Noiva Nervosa”?

Pois é, agora alguns filmes já estão vindo com a novíssima conquista do Save the translator: o título aparece na tela já na sua versão em português. Não tive a oportunidade de descobrir ontem, por exemplo, que “Hangover” é uma curiosa palavra em inglês, que talvez exista somente na língua inglesa, tão específica que é. Mas como dizia, não tive a oportunidade de aprender ontem que “Hangover” significa em português “Se beber, não case”.

Por que será que só agora os tradutores obtiveram essa conquista? Será que não se preocupavam com isso antes, ou – naquele clichezão – com a internet, a globalização, a gente ficou mais exposto à língua inglesa e os tradutores começaram a se sentir mais expostos cada vez que o seu trabalho aparecia ali nas legendas?

Ou isso é uma medida do Ministério da Educação pra acabar com esse ensino alternativo de inglês?

Ou lobby dos professores de inglês. Traumatizados com perguntas dos alunos que queriam saber se “Jaws” não é “Tubarão” em inglês, por que é que o filme tinha esse nome? Hein?

Sei lá.

Só sei que eu sou contra o Save the translator. Como é que eu vou aprender que existe um sinônimo em inglês – “Big Momma’s House” – para a curiosíssima expressão “Vovó… Zona”? Eu vou sentir falta de ver no meio da tela “Mrs. Doubtfire” e descobrir logo embaixo na legenda que isso quer dizer “Uma babá quase perfeita”. Por pior que fosse o filme, era sempre a chance de um pouco de aprendizado e de uma boa piada garantida.

Leia também:
“The Hangover”, por Ale Simas
“Ai, Que Ressaca”, por Gabriel Ruas

Reginaldo Pujol Filho tem 28 anos, é de e vive em Porto Alegre. Ganha a vida como redator publicitário, mas também é escritor. Publicou "Azar do Personagem", pela Não Editora. Mantém a duras penas o blog www.porcausadoselefantes.blogspot.com.
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