Quem é o responsável?
Por: Filipe Karam
categorias: Colunas, Sem Compromisso
Data: sexta-feira, 19 de junho de 2009
“Noite e Neblina” (Nuit et Brouillard), 1955, de Alain Resnais, é, sem dúvida, um dos mais chocantes filmes a respeito do Holocausto. Entre outros reconhecimentos, recebeu o Prêmio Jean Vigo, em 1956. Este curta foi uma encomenda do Comitê de História da Segunda Guerra Mundial, pelo décimo aniversário do fim da guerra. Utiliza a mistura entre cenas reais – filmadas pelos próprios nazistas – e cenas atuais, mostrando os horrores vividos nos campos de concentração. O resultado é tão impressionante que chegou, inclusive, a ser mais cultuado que “Shoah”, de Claude Lanzmann, outro importante trabalho do gênero.
Em forma de documentário, é narrado por Michel Bouquet (diretor francês). Ele recita os versos de Jean Cayrol, um sobrevivente do Holocausto que resistiu às torturas sofridas no campo de Orianemburgo. A trilha sonora do compositor alemão Hanns Eisler torna as imagens ainda mais melancólicas. E, sem dúvida, são cenas chocantes. A
exemplo do Cinema Olho, escola russa de cinema que figurou nos anos 20, e do Expressionismo Alemão, que foi o “pai” dos gêneros de terror e suspense, as imagens procuram deixar marcado o acontecido, para que nunca seja esquecido.
Segundo o cineasta francês François Truffaut, o filme é “uma lição de história, inegavelmente cruel, mas merecida”. Em um determinado momento, o narrador repete os versos: “Quem é o responsável?”. Isso faz com que o público reflita. E, realmente, após assistir “Noite e Neblina” (e após se recuperar do impacto), é possível analisar o ocorrido não somente como fato histórico. Percebe-se, pelas cenas reais, a dor e a angústia dos prisioneiros.





Deixe um comentário