QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas
Data: segunda-feira, 9 de julho de 2007

As adaptações cinematográficas dos heróis em quadrinhos da Marvel, até pouco tempo, estavam dividadas entre as produções do primeiro time (HOMEM-ARANHA, X-MEN) e as do segundo escalão (BLADE, ELEKTRA). Foi há pouco tempo que se descobriu uma via intermediária, que combinasse um investimento considerável no orçamento para efeitos especiais e outros cuidados técnicos, ao mesmo tempo que se cuidasse razoavelmente do roteiro e do elenco, formado não por estrelas, mas por atores minimamente competentes. O primeiro a ir por esta linha foi DEMOLIDOR, de 2003. Mas a produção que provou que ela poderia dar certo veio dois anos depois: QUARTETO FANTÁSTICO, que custou US$ 100 milhões e arrecadou no mundo todo mais do que três vezes este valor. Natural, portanto, que viesse logo em seguida uma continuação, e ela chega agora, atendendo pelo nome de QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO.
Sim, porque este novo filme é mais do que um “episódio 2″. Dá, sim, seqüência aos eventos narrados no longa anterior com os quatro personagens que, após um acidente solar, desenvolvem exóticos poderes: um é elástico (Reed Richards, o Sr. Fantástico), um pode inflamar o próprio corpo (Johnny Storm, o Tocha Humana), um tem a pele de pedra (Ben Grimm, O Coisa) e, por fim, ela, que fica transparente e emite campos de força (Susan Storm, a Mulher Invisível). E, além de estarem unidos nesta nova condição, tem em comum o fato de formarem uma família: Ben é o melhor amigo de Reed, namorado de Susan, irmã de Johnny! O diferencial está na inclusão de um novo, e enigmático, visitante: o Surfista Prateado!
Herói ou vilão? Está é a dúvida que ronda os protagonistas em relação ao extra-terrestre que chegou ao nosso planeta montado numa prancha de surf cósmica. Assim como nas hq’s, ele não é nem um, nem outro: está apenas sondando nosso planeta, condenado a servir ao monstruoso Galactus, um ser que se alimenta da energia de planetas inteiros. O que o Quarteto precisará fazer será convencer o Surfista e levar Galactus a um outro lugar, ao mesmo tempo que tentarão livrá-lo desta maléfica influência. Isso sem falar dos problemas gerados pelo sempre inconveniente Dr. Destino, o inimigo visto na aventura anterior e que volta disposto a conquistar os misteriosos poderes do alienígena.
QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO ganha pontos em relação ao primeiro filme em vários quesitos: a trama é mais séria, o humor é mais contido, e os efeitos especiais estão melhor dispostos durante a trama. Continua, sim, sendo uma aventura para toda a família, mas os perigos estão numa nova escala, mais assustadora. Desta vez o mundo inteiro está em perigo, e as conseqüências e responsabilidades dos heróis serão postas à prova com mais intensidade e realismo. O filme deixa de ser tão “colorida” (em todos os sentidos), para se aproximar de uma reflexão sobre os destinos da humanidade e pelo que vale, mesmo, a pena lutar em busca da preservação.
O diretor Tim Story continua sendo dotado de poucas luzes, porém não chega a atrapalhar. Cumpre bem o que lhe é destinado, sem originalidade, mas também sem comprometer. No elenco principal, se Ioan Gruffudd (REI ARTHUR) é inexpressivo e Michael Chiklis (da série “The Shield”) fica praticamente o tempo todo escondido atrás da maquiagem, as esperanças recaem numa confusa Jessica Alba (SIN CITY), indecisa entre ser uma cientista concentrada ou uma loira falsa e gostosa, e um Chris Evans (do recente SUNSHINE – ALERTA SOLAR), evidentemente o mais confortável no papel. No final das contas, acabam todos na média, sem nenhum destaque, mas dentro das expectativas. Afinal este não é um filme de grandes interpretações ou arroubos criativos. Não é ainda aquela trama que uma turma como o Quarteto Fantástico – ainda mais ao lado do filosófico Surfista Prateado – merecia, mas mesmo assim é um passo adiante. Quem sabe no próximo, talvez enfrentando uma realeza como Namor, o Príncipe Submarino, as coisas não esquentem de vez? O que nos resta é torcer e esperar, e neste meio tempo, se divertir um pouco. Afinal, cinema também é para isso, não?

Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, EUA, 2007
(nota 8)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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Um comentário para “QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO”

  1. love em julho 10th, 2007 at 11:26

    saudades de ti.
    este filme não verei, quase dormi assistindo ao primeiro.

    ah, paris eu te amo é tudo nesta vida.
    bjocas

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