“Quarentena”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Hollywood é especialista em resgatar sucessos de outros países e ‘remodelá-los’ ao gosto norte-americano. Isso inclui diversas produções, desde o oscarizado “Os Infiltrados” até o brasileiro “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. E um dos mais recentes exemplos é o terror “Quarentena”, que nada mais é do que a versão ‘comportada’ do espanhol “[Rec]”. E este novo filme, se explora com certa competência a boa idéia original, acaba se perdendo numa conclusão apressada e em sustos fáceis.
Dirigido pelo desconhecido John Erick Dowdle, “Quarentena” começa de modo aparentemente inofensivo. Acompanhamos uma jornalista (Jennifer Carpenter, de “O Exorcismo de Emily Rose”), obviamente em início de carreira, tentando fazer uma matéria sobre o cotidiano do corpo de bombeiros de Los Angeles. Dois oficiais (Jay Hernandez, de “O Albergue”, e Johnathon Schaech, de “The Wonders – O Sonho Não Acabou”) são destacados para orientá-la durante um chamado, naquilo que eles garantem ser apenas algo rotineiro (“provavelmente tirar um gato de uma árvore ou levar um senhor a um hospital”, alertam-na). Ao chegarem num edifício antigo, encontram quase todos os moradores no hall de entrada. Eles afirmam que uma senhora do segundo andar está aos gritos. Após entrarem no apartamento, a encontram ensangüentada e com a boca espumando. Ela os ataca com uma força descomunal, e é preciso mais de um homem para contê-la. Os bombeiros descem para chamar uma ambulância, mas é neste ponto que a ameaça se instaura – não há mais como sair do prédio! O local inteiro foi lacrado, e ninguém está autorizado a entrar ou sair. Do lado de fora, policiais, helicópteros e as forças armadas fazem o bloqueio, enquanto que uma multidão de curiosos tenta descobrir o que se passa. Mas mais intrigados estão os enclausurados, que não se cansam de perguntar o que está acontecendo.
Aos poucos ficamos a par de que há no prédio um vírus mutante de um novo tipo de raiva animal, contagiosa em humanos, que se desenvolve com incrível rapidez e com efeitos devastadores. As pessoas contaminadas se transformam em monstros letais quase indestrutíveis. Para detê-los, somente com a morte. E os que continuam vivos dentro do edifício tentam fazer de tudo não só para contê-los, como também para impedi-los de novos ataques – afinal, basta entrar em contato com o sangue dos infectados para que a doença se dissemine. Estamos novamente diante de um clássico jogo de gato-e-rato, porém desta vez dentro de um ambiente claustrofóbico e apavorante.
O grande lance que tenta diferenciar “Quarentena” dos demais do gênero é a fotografia do filme, que, feita no estilo do recente “Cloverfield – Monstro” e no hoje já referencial “A Bruxa de Blair”, provoca ainda mais angústia no espectador. Em nenhum momento ficamos diante de um quadro parado – tudo é visto através das lentes do cinegrafista da repórter, ou seja, é como se estivéssemos assistindo as fitas da reportagem – ou ao menos o que foi recuperado delas. É tudo muito tremido, nervoso. O que também facilita no sentido de proporcionar uma quantidade enorme de sustos ocasionais. São tantos – e desnecessários – que lá pelas tantas estamos cansados. E o pior é que o pesadelo nem bem havia começado!
Quem assistiu aos dois filmes – “Quarentena” e “[Rec]” – afirma que são quase que uma cópia literal um do outro. Bem, nesse caso, a única coisa que posso afirmar é que isso nada mais é do que um sinal evidente da clara escassez de idéias do cinema hollywoodiano. Se por um lado o longa é eficiente em provocar medo e pregar peças no espectador, por outro cai na vala comum dos filmes de mortos-vivos, como os superiores “Extermínio” e “Madrugada dos Mortos”. Ou seja, enquanto dura até é divertido e prende atenção. Mas logo que acaba – e sem explicar muito bem as origens de todo o tormento – o que foi visto fica pálido, como uma lembrança não muito memorável. E completamente descartável.
Quarantine, EUA, 2008
De John Erick Dowdle
Com Jennifer Carpenter, Jay Hernandez, Johnathon Schaech, Rade Serbedzija, Greg Germann, Columbus Short
(nota 5)





Nossa! O filme já “fugiu” de cartaz?