PIRATAS DO CARIBE – NO FIM DO MUNDO

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas
Data: sexta-feira, 25 de maio de 2007

Este ano de 2007 promete ser marcado pelos excessos. Isso ao menos em relação à temporada mais concorrida cinematograficamente falando, o verão norte-americano, quando se concentram todos os principais blockbusters da temporada. Ainda temos pela frente os novos filmes das franquias “Harry Potter”, “13 Homens e um Novo Segredo”, “Shrek”, “Quarteto Fantástico”, “Ultimato Bourne”, “A Volta do Todo Poderoso”, “Duro de Matar” e “A Hora do Rush”, fora as novas promessas “Transformers”, “Stardust”, “Os Simpsons”, “A Bússola Dourada”, o musical “Hairspray”, “Ratatouille”… ou seja, muita ação, emoções ilimitadas, romance, alegria, diversão e, acima de tudo, entretenimento! Ou será que não? Afinal, as duas primeiras grandes apostas resultaram em imensas frustrações: o irregular HOMEM-ARANHA 3, repleto de altos e baixos, e o simplesmente interminável, chato e cansativo PIRATAS DO CARIBE – NO FIM DO MUNDO.
Eu já não tinha gostado muito do primeiro, o A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA, de 2004. Por isso, fui sem a menor expectativa conferir O BAÚ DA MORTE, no ano passado. O que acabou sendo algo bom, porque acabei adorando. Divertido, absurdo, emocionante, ágil, histriônico, hilário, emocionante. Tudo, aliás, que NO FIM DO MUNDO não é. Os realizadores afirmam que os dois filmes, os episódios 2 e 3, foram filmados ao mesmo tempo, em 2005. Pois bem, tudo de bom captado entrou no lançado em 2006, sobrando muita enrolação para o de agora. São inúmeras pontas para serem amarradas, tantas subtramas se desenvolvendo ao mesmo tempo, uma quantidade enorme de personagens com pouco tempo suficiente em cena para despertarem empatia no espectador, que no final das contas o que sobra é um tédio generalizado.
A começar pelo próprio enredo: qual é a história de NO FIM DO MUNDO? Alguns dirão que é a reunião dos antigos heróis para tentar salvar o Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp) da morte. Outros, que se trata do encontro dos principais piratas do mundo contra o extermínio desta atividade. Claro que tem também aqueles que apontarão o romance entre Will (Orlando Bloom) e Elizabeth (Keira Knightley) como foco principal. E todos estarão certos, e também incompletos, uma vez que o filme é tudo isso, um pouco mais, e devendo ser bem menos. Com quase três horas de duração, o roteiro dá tantas voltas que lá pelas tantas estamos nos perguntando: “mas o que eles estão fazendo mesmo? o que querem? para onde vão? o que estão procurando? quem precisa ser salvo?” São tantos os exageros que ficamos anestesiados, amortizados, e nem prestamos mais atenção, inertes com as reviravoltas e distanciados, justamente quando o contrário é que deveria estar acontecendo.
Outro problema está nos protagonistas. Afinal, será que ainda não se deram conta de que o personagem principal da série é o Cap. Sparrow? Então por quê Johnny Depp tem menos tempo em cena do que os aborrecidos Orlando Bloom e Keira Knightley? E onde estão os momentos só dele, tão bem explorados em O BAÚ DA MORTE? Desta vez não há nada remotamente similar à fuga dos canibais ou à luta no moinho desgovernado que tanto nos divertiram no episódio anterior. Todo o deslocamento do personagem, as tiradas irônicas, o humor absurdo, as frases de efeitos e demais características que fizeram deste um tipo único parecem ter ficado no passado – agora, quando surgem, estão deslocadas, sem propósito, como linhas decoradas, e não falas interpretadas. E se Depp está inadequado, imagina os demais. Geoffrey Rush, o assustador Capitão Barbossa, virou um mero coadjuvante, quase sem propósito – todo o alvoroço provocado com a aparição dele no final do segundo filme se esvai no ar. O mesmo acontece com o terrível Davy Jones de Bill Nighy, que tanto medo e repulsa causou anteriormente, mas que agora mais lembra um marionete atormentado. Mas ruim mesmo são as duas grandes adições ao elenco: Chow Yun-Fat (O TIGRE E O DRAGÃO), tão alardeado como o pirata mais perigoso do oriente, morre antes da metade do filme, enquanto que a aguardada e comentada participação do roqueiro Keith Richards (integrante da banda Rolling Stones), como pai de Sparrow, além de ser insignificante, leva mais de duas horas para acontecer. Ou seja, assim como quase tudo por aqui, novamente foi muito barulho por nada!
PIRATAS DO CARIBE – NO FIM DO MUNDO não é o fim de uma trilogia. É só o terceiro episódio de uma série que pelo jeito ainda vai longe – o final do filme é quase o início do capítulo 4! A direção desajeitada de Gore Verbinski (que já havia deslizado feio em A MEXICANA) estraga com toda a expectativa criada com o bom desempenho de O BAÚ DA MORTE (um dos únicos 3 filmes da história a faturar mais de um bilhão de dólares das bilheterias mundias). Sem ritmo, com timing desajustado e indeciso entre comédia ou aventura, acaba se mostrando uma profusão vazia de efeitos especiais sem sentido, como se ali estivessem apenas para justificar os 200 milhões de dólares gastos no orçamento. Tão interessante quando um pastel de vento, a primeira saga dos PIRATAS DO CARIBE termina da mesma forma como deve ser participar do próprio brinquedo dos Estúdios Disney que serviu de inspiração para os três longas: começa com um certo arrepio e desconforto, diverte imensamente durante o processo mas termina com um gosto amargo, indeciso entre o “quero mais” e o “ainda bem que acabou”.

Pirates of Caribbean – At World’s End, EUA, 2007
(nota 5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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Um comentário para “PIRATAS DO CARIBE – NO FIM DO MUNDO”

  1. Maria Paula Letti em maio 26th, 2007 at 19:18

    tu tem os dvds do primeiro e do segundo piratas? não vi, preciso! beijos

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