“O Procurado”
Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Especiais, Oscar 2009, Película, Resenhas
Data: quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Chega a ser impressionante o fato de que, às vezes, tudo o que as pessoas buscam é o descartável, o desnecessário, o desperdício. Pois tudo isso se encontra em “O Procurado”, longa que inacreditavelmente recebeu boas críticas no seu lançamento dos Estados Unidos e se confirmou como uma das maiores bilheterias do ano, faturando quase o dobro do seu orçamento, que foi de US$ 75 milhões. Tolo, previsível, exagerado, clichê e remendado de várias outras produções recentes, o filme simplesmente não possui alma própria, certificando que por ali há de tudo, menos originalidade.
Os problemas começam na gênese do projeto: baseado na série de histórias em quadrinhos “Wanted”, de Mark Millar e J.G.Jones (um projeto paralelo destes roteiristas e desenhistas de editoras como a Marvel e DC), “O Procurado”, o filme, desvirtuou toda a base primária, alterando o perfil dos personagens e eliminando conceitos fundamentais, como os superpoderes e a própria organização por trás dos eventos. O que restou de similar? Apenas a idéia de uma confraria de assassinos altamente treinados que eliminam pessoas antes delas provocarem grandes desastres. Seriam justiceiros com dotes premonitórios. Se isso já é difícil de engolir e de moral muito questionável, imagine só o resto.
O protagonista é um contador infeliz que leva uma vida miserável até o dia em que é recrutado para fazer parte deste grupo. Ali ele descobre que o pai que nunca conheceu, e que era o melhor destes profissionais, fora assassinado no dia anterior e que será ele, o filho, que deve assumir o lugar vago. Após terríveis treinamentos que mais parecem sessões de tortura, o garoto fica pronto para sua maior missão: matar o homem que teria eliminado seu pai. Quanta criatividade, não?
A escolha do escocês James McAvoy, até então visto em produções sérias como “O Último Rei da Escócia” (2006) e “Desejo e Reparação” (2007), é das mais improváveis, mas funciona até certo ponto. O pior mesmo é agüentar Angelina Jolie fazendo as mesmas caretas de maluca que vem repetindo desde o Oscar por “Garota, Interrompida” (1999) – seu personagem, aliás, é praticamente o mesmo de “60 Segundos” (2000), só com a cor dos cabelos diferente – e a pose de malvado de Morgan Freeman, que até em produções inofensivas como o recente “Banquete do Amor” (2007) se sai melhor. Tudo bem, não é todo o dia que dá pra trabalhar num novo “Batman – O Cavaleiros das Trevas”, mas há momentos em que é melhor ficar sem fazer nada do que se envolver em bombas como esta. Afinal, Morgan, duvido que você esteja com o aluguel atrasado…
Mas o pior mesmo de “O Procurado” é a direção deslumbrada do russo Timur Bekmambetov, que após deixar meio mundo de queixo caído com os inovadores“Guardiões da Noite” (2004) e “Guardiões do Dia” (2006) mostra que não é infalível, e que foi definitivamente engolido pelo cinemão hollywoodiano. Tudo o que antes era deslumbre agora é pastiche, justamente pelo excesso e gratuidade. Já o roteiro, escrito por Michael Brandt, Derek Haas e Chris Morgan (o mesmo trio por trás da série “Velozes e Furiosos”… bom crédito, não?), é desconcertante, de tão absurdo. Ele mistura elementos vistos em filmes como “Matrix” e “Clube da Luta”, porém sem a menor inventividade destes. Não há vida criativa por trás de “O Procurado”. Mas, se for justamente isso que você está procurando, então talvez aprecie o resultado final. Infelizmente, não foi o meu caso.
Wanted, EUA/Alemanha, 2008
De Timur Bekmambetov
Com James McAvoy, Angelina Jolie, Morgan Freeman, Terence Stamp, Thomas Kretschmann
(nota 4)





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