O novo tango: Bajofondo ao vivo
Por: Robledo Milani
categorias: Cultura Pop, Espetáculos
Data: domingo, 25 de maio de 2008
No último dia 16 de maio a capital gaúcha recebeu pela primeira vez uma das maiores revelações do ‘tango eletrônico’: Bajofondo, grupo mezzo argentino, mezzo uruguaio, que é um dos principais responsáveis pela reinvenção que o gênero portenho tem enfrentado nos últimos anos. E ao vivo eles não poderiam ser mais enfáticos: os caras simplesmente dominam!
O Bajofondo é composto por oito músicos e instrumentistas, quatro da Argentina e quatro do Uruguai. Os dois grandes nomes, no entanto, são o do argentino Gustavo Santaolalla e o do uruguaio Luciano Supervielle. O primeiro, principalmente, é bastante conhecido por ter ganhado dois Oscars seguidos (!), pelas trilhas sonoras dos filmes “O Segredo de Brokeback Mountain” (2006) e “Babel” (2007). E isso é só um exemplo, no caso de Santaolalla, de que todos os integrantes possuem suas carreiras individuais. Bajofondo era para ser uma brincadeira, um projeto único bastante similar ao nacional Tribalistas. Mas a idéia deu tão certo que resolveram investir na história, ao contrário do grupo de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown.
Depois de um primeiro álbum lançado em 2002 (“Bajofondo Tango Club”), que era mais uma coletânea das diversas expressões por eles reunidas, a ‘brincadeira’ continuou em “Bajofondo Remixed” (2005) e o recente “Mar Dulce” (2007), agora sim, já como um universo mais coeso. E é baseada essencialmente no repertório deste último trabalho que se compôs a apresentação vista pelos brasileiros.
Se Gene Kelly era o sapateador do operariado e Fred Astaire o dançarino da realeza, a mesma comparação pode ser feita entre Bajofondo e Gotan Project (outro grupo de tango eletrônico). As próprias apresentações ao vivo de ambos evidenciam estas diferenças. Enquanto o show do Bajofondo foi com pista, forte jogo de luzes, efeitos sonoros de impacto e muita gente dançando sem parar, o que se viu no Gotan (que esteve em Porto Alegre no final do ano passado) foi o oposto: todo mundo sentado, bem comportado, com belas projeções no telão e muito ritmo, porém de uma forma muito mais controlada e planejada.
Bajofondo é energia, emoção, deixar-se levar pela música e envolver-se dos pés até o último fio de cabelo. E se os álbuns deles já davam esta pista, só ao vivo que é possível confirmar esta explosão de carisma, simpatia e tesão artístico. ‘Bajofondo Mar Dulce’ é, desde já, um dos melhores espetáculos internacionais que passaram pelo Brasil em 2008. Quem viu sabe do que estou falando. Quem perdeu, só resta lamentar!
Por Robledo Milani (robledomilani@terra.com.br)





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