O Monstro que Existe em Todos Nós

Por: Juliana Campos Chaves
categorias: Colunas, Sem Claquete
Data: domingo, 14 de março de 2010

Alguém poderia responder: onde vivem os monstros? Foi com essa pergunta que Maurice Sendak revolucionou a literatura infantil nos anos 60 com o livro “Where The Wild Things Are”. Esta obra inspirou o longa do diretor Spike Jonze, com o mesmo nome, que traduzido para português chama-se justamente “Onde vivem os monstros”.

Jonze, que dirigiu “Quero ser John Malkovich” em 1999, explora ainda mais sua sensibilidade nesta nova produção. A história de Max, um menino criativo, sonhador e sensível, reproduz através da imaginação todos os sentimentos guardados dentro de cada um de nós. Mais que um filme infantil, essa é uma obra intimista, que propõe ao espectador um mergulho profundo dentro de si mesmo para enxergar os monstros que o assombravam, assombram e assombrarão sua vida. O uso da câmera-na-mão como recurso técnico também propicia essa invasão.

Max é um menino de mais ou menos nove anos que mora com a mãe e a irmã. Como toda criança, ele quer chamar atenção. Para isso, usa sempre uma roupa de lobo. Em uma noite que a mãe do garoto recebia o namorado, Max começa a fazer várias peripécias, vestido com a tal fantasia. Depois disso, acaba de castigo. Nesse instante ele se transporta para uma terra mágica com criaturas estranhas. Lá, ele é rei. E pode fazer muita bagunça. Nessa aventura, Max se depara com a solidão, o medo, a felicidade, o amor e a separação. Sentimentos personificados em forma de monstros, com características bem peculiares.

É, acima de tudo, uma história sobre amadurecimento, pois é aprendendo a lidar com os monstros que ele descobre a si mesmo e que reconhece valores importantes. Como a família, com quem ele se desentendeu. Por isso volta para casa. A maior parte do filme concentra-se na terra mágica, porém deixa desejar em apenas um aspecto: é muito curto. O diretor poderia explorar mais os personagens e o convívio do garoto com os monstros. Fato que reforçaria ainda mais a relação destes seres fantásticos com sentimentos humanos como medo, raiva, amor, solidão, felicidade e tristeza. “Onde vivem os monstros” deixa a sensação de que precisamos aprender a lidar com os monstros que existem dentro de cada um de nós.

Outras adaptações da mesma história puderam ser observadas nos anos 80 pela Disney. O líder desse projeto era John Lasseter (“Toy Story”), que esboçou uma animação a partir do texto original. Gene Deitch também utilizou a obra para produção de um curta- metragem nos anos 70.

Juliana Campos Chaves é estudante de Comunicação Social – habilitação jornalismo na Universidade do Vale do Rio dos Sinos/ Unisinos. Juliana é membro da linha de pesquisa “Linguagem e práticas jornalísticas” como bolsista de Iniciação Científica da professora Dra. Christa Berger. A pesquisa consta em analisar filmes realizados no Brasil sobre a Ditadura Militar. Desde 2007 produz um blog autoral sobre cinema latino-americano (http://saladecinema.wordpress.com).
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