“O Exterminador do Futuro – A Salvação”

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: quinta-feira, 11 de junho de 2009

Quarto episódio de uma das séries mais cultuadas do cinema hollywoodiano, “O Exterminador do Futuro – A Salvação” é quase um (novo) reinício da saga, uma vez que esta é a primeira sequência sem uma participação efetiva do astro Arnold Schwarzenegger, que aparentemente abandonou a carreira de ator para seguir na política (atualmente ele é o governador do estado da Califórnia, nos EUA). Schwarza, aliás, até aparece rapidamente, quase no final, graças à tecnologia digital – seu rosto foi inserido via computador no corpo do dublê Roland Kickinger, numa técnica semelhante à empregada em “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Este, no entanto, é um dos momentos mais emocionantes numa trama que, em seu todo, é muito morna. Não chega a incomodar, pois é respeitosa com a cronologia já estabelecida, porém não acrescenta nada de novo. E o resultado, a despeito de todas as explosões, correrias e perseguições, é de provocar bocejos.

Para entender a nova história, o melhor é voltar no tempo – algo bastante comum neste universo. No primeiro filme, feito em 1984, num futuro não muito distante as máquinas criadas pela empresa Skynet, dotadas de inteligência artificial, dominaram o mundo e passaram a considerar o ser humano uma ameaça, buscando eliminá-lo a todo custo. A Resistência Humana é comandada por John Connor (que não chega a aparecer). A Skynet, portanto, envia ao passado um dos seus melhores robôs, o modelo T-800 (Schwarzenegger, que, sim, era o vilão) para assassinar Sarah Connor (Linda Hamilton), mãe de John, antes mesmo dela engravidar do filho. A Resistência, por sua vez, utilizando o mesmo processo de viagem temporal, envia um dos seus melhores soldados, Kyle Reese (Michael Biehn), para defendê-la. No final, o rapaz não só consegue cumprir sua missão, como vai além – os dois se envolvem romanticamente e ela acaba engravidando dele, numa ligação que torna Kyle pai de John!

O segundo filme, “O Julgamento Final”, de 1991, é praticamente um repeteco do priimeiro, acrescido de muitos – e inéditos – efeitos especiais (um dos 4 Oscars conquistados pela produção). Desta vez a Skynet encaminha ao passado um novo modelo robótico, o T-1000 (Robert Patrick), ainda mais poderoso que o anterior, para tentar matar John Connor (Edward Furlong) quando adolescente. A Resistência, mais uma vez buscando evitar a tragédia, encaminha para tentar salvar o rapaz o robô ultrapassado, T-800 (Schwarzenegger), que desprezado pela empresa que o criou está a serviço dos homens. No final percebe-se que T-800 está deixando de ser apenas um mero pedaço de metal, passando a adquirir sentimentos e emoções. Assim, permanece no passado, sendo fundamental para lutar ao lado de Connor (agora tendo Nick Stahl como intérprete) em “O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas” (2003), que mostra o momento em que a Skynet se rebelou contra a Humanidade.

Agora, por fim, dois elementos recorrentes na série foram deixados de lado: os passeios no tempo e um divertido humor negro, uma ironia que amenizava a barra pesada encarada pelos personagens, tornando tudo mais atraente e icônico. E o mais curioso é que o diretor deste novo longa é McG, responsável pelos dois “As Panteras” (com Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu), que combinavam boas cenas de ação com um senso cômico contagiante. McG deixou de lado qualquer graça, como que contaminado pela carranca de Christian Bale (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”). E assim, além de repetitivo, torna-se ainda cansativo e desprovido de qualquer charme.

Em “A Salvação”, John Connor (Bale) está no auge de sua guerra contra a Skynet. Quando ele acredita ter descoberto o modo de impedir as máquinas de seguirem com seus planos diabólicos, surge um desconhecido (o novato Sam Worthington, que em breve aparecerá também no aguardado “Avatar”, a volta de James Cameron doze anos após “Titanic”) que acredita ser humano, apesar de ter sob sua pele nada além de ligas metálicas e fios. Ou seja, ele é a combinação perfeita entre o homem e o robô, e faz parte de um plano ambicioso da própria Skynet para o domínio da Terra. Mas como já foi visto anteriormente na própria série, quando a inteligência artificial é afetada por uma consciência emocional os resultados serão sempre imprevisíveis.

Christian Bale tem um grande problema. Por mais que tentem transformá-lo em astro, ele sempre acaba ofuscado por outros. Se em “O Cavaleiro das Trevas”, mesmo sendo o Batman, todos os holofotes se dirigiram ao Coringa de Heath Ledger, agora ele novamente acaba em um segundo plano, apesar da condição de protagonista: Worthington é o grande destaque, e praticamente o único a conseguir despertar algum tipo de reação mais entusiasmada da audiência. É ele o elemento surpresa, o que responderá pelas melhores reviravoltas e conduzirá a platéia às situações que definirão o rumo dos personagens. E o ator está à altura do desafio, com pinta de herói (será um novo Brad Pitt?) e boa carga dramática. Uma novidade positiva no meio de tanta bobagem e desperdício.

“O Exterminador do Futuro – A Salvação” não surpreende nem emociona, permanecendo pela maior parte do tempo longe da plateia. As boas cenas de ação remetem de imediato a outras igualmente competentes (tem sequências que parecem ter sido retiradas por inteiro de “Transformers”), o diretor parece assustado com a responsabilidade de dar continuidade a algo criado pelo próprio Cameron (que dirigiu os dois primeiros filmes) e nem o grande elenco, que conta ainda com nomes como Helena Bonham Carter (“Harry Potter e a Ordem da Fênix”), Anton Yelchin (“Star Trek”), Bryce Dallas Howard (“Homem-Aranha 3”) e Jane Alexander (“Alma Perdida”, “Banquete do Amor”), consegue criar uma maior empatia. Melhor mesmo é passar longe e ir correndo na locadora assistir os dois longas que deram início a toda esta mitologia e que, ao menos, possuem algo a ser dito.

Terminator Salvation, EUA/Alemanha/Inglaterra, 2009
De McG
Com Christian Bale, Sam Worthington, Moon Bloodgood, Helena Bonham Carter, Anton Yelchin, Jadagrace, Bryce Dallas Howard, Common, Jane Alexander, Michael Ironside

(nota 5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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