“O Corajoso Ratinho Despereaux”

Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O diretor e produtor John Lasseter, um dos donos da Pixar, afirmou, numa entrevista durante o lançamento de “Bolt Supercão”, que um dos próximos passos da Disney é retomar o estilo clássico que a consagrou, em fábulas com princesas em perigo e reinos distantes. Pois bem, os fãs do gênero não precisam esperar tanto, pois um novo exemplar deste estilo já está em cartaz – “O Corajoso Ratinho Despereaux”, que é baseado num romance recente, mas tem todos os elementos clássicos. Senão, vejamos: um herói inesperado (um ratinho), uma princesa incompreendida, uma jovem sonhadora, um atrapalhado precisando se redimir, um rei amargurado, uma tragédia que muda o destino de todos e uma solução redentora encontrada no último minuto. Não é bem o que se espera?

Talvez seja justamente por isso que “O Corajoso Ratinho Despereaux” seja tão decepcionante – ele é mais do mesmo, e nada além. A animação é bonita, a técnica é perfeita, os personagens estão todos lá, nos seus devidos lugares. Então, por que não funciona? As razões podem ser muitas, a questão é descobrir quem se interessa por elas. Afinal, o filme passou praticamente despercebido pelos cinemas norte-americanos, obtendo uma arrecadação mediana nas bilheterias – US$ 49 milhões nos EUA e um total de aproximadamente US$ 70 milhões em todo o mundo, para um orçamento de US$ 60 milhões… ou seja, não causou nenhum estrago, mas também não deixou ninguém muito feliz. Junto à crítica o resultado não foi muito melhor: muitos se deixaram levar por um ou outro mérito, enquanto outros apontaram falhas aqui e ali. Enfim, meio termo. E nada pior do que a mediocridade.

O enredo é bastante tradicional. Desperaux é um ratinho que nasceu sem medo, o que na Terra dos Camundongos é uma grande ofensa – somente temendo os humanos, os gatos e o desconhecido é que os ratos irão conseguir suas sobrevivências. Ele é diferente, mais ou menos no estilo do pequeno pingüim de “Happy Feet”. Mas antes de chegarmos ao nosso protagonista ficamos a par da tragédia provocada por Roscuro, uma ratazana que, ao cair desastradamente no prato de sopa da rainha, não só a matou de susto – literalmente – como provocou uma grande tristeza no rei, que ordenou duas coisas: acabaram-se as festas no reino e todos os ratos estão banidos da região! Despereaux, o corajoso, não só irá conquistar a confiança da princesa, como também, como o apoio de Roscuro, irá mostrar que o rei está errado em ser tão radical, ao mesmo tempo em que uma jovem ajudante do palácio irá realizar seu maior sonho: encontrar sua família!

Provavelmente o maior problema de “O Corajoso Ratinho Despereaux” é o próprio roteiro, confuso, repleto de reviravoltas desnecessárias e dotado de um ritmo muito irregular. O personagem principal, que dá título ao longa, não tem o merecido destaque, além de levar muito tempo para aparecer em cena. E são tantas ações paralelas que a trama que merecia maior atenção acaba perdendo sua força. E sem conseguir com que o público se envolva, o filme só tende a atingir um único resultado: o fracasso. E o pior é que ninguém irá lembrar disso. Dessa vez não vale a máxima “fale mal, mas fale de mim”, uma vez que ninguém irá se importar.

The Tale of Despereaux, EUA, 2008
De Sam Fell e Robert Stevenhagen
Com as vozes de Matthew Broderick, Dustin Hoffman, Emma Watson, Tracey Ullman, Kevin Kline, William H. Macy, Stanley Tucci, Ciarán Hinds, Robbie Coltrane, Frances Conroy, Richard Jenkins, Christopher Lloyd, Sigourney Weaver

(nota 5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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