“Noites de Tormenta”
Richard Gere é um daqueles astros de Hollywood que tem uma popularidade meio que inabalável – ele conhece o público dele, e não o rejeita nem abandona. É por isso que volta e meia marca presença em produções como este “Noites de Tormenta”, drama romântico baseado no livro de Nicholas Sparks. Gere até tenta se arriscar em obras mais autorais e interessantes, como os recentes “Não Estou Lá” (2007), “A Caçada” (2007) e “O Vigarista do Ano” (2006), ou mesmo o oscarizado “Chicago” (2002), musical que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Ator. Mas para cada um desses aparecem vários “Palavras de Amor” (2005), “Dança Comigo” (2004) ou “Outono em Nova York” (2000), produções tolas, descartáveis e que tentam, inutilmente, recriar o mesmo impacto nas bilheterias de “Uma Linda Mulher” (1990), o maior sucesso da carreira dele até hoje.
Tendo isso em mente, quem resolver se arriscar e for conferir “Noites de Tormenta” deve estar preparado para não esperar muito. É a mesma história de sempre: casal do cartaz se encontra, se apaixona, se separa e depois tenta ficar junto novamente. Com uma pitada de tragédia, é claro, afinal estamos diante de um enredo dramático, e não de uma comédia. Como o texto é inspirado na obra de Sparks, autor que deu origem também a filmes como “Uma Carta de Amor” (1999), com Kevin Costner, e “Diário de uma Paixão” (2004), com Ryan Gosling, sabe-se também que as lágrimas não hesitarão em correr. E isto é certo: enquanto praticamente o público feminino sairá com os olhos inchados de tanto chorar, os homens estarão se perguntando o porquê de tanto drama!
Outro suposto atrativo da produção seria o reencontro de Gere com Diane Lane, de quem foi par em “Infidelidade” (2002), longa pelo qual ela foi indicada ao Oscar. Mas da mesma forma que a magia entre ele e Julia Roberts vista em “Uma Linda Mulher” não se repetiu em “Noiva em Fuga” (1999), “Noites em Tormenta” está longe de oferecer boas oportunidades aos seus protagonistas. Aliás, como não consigo ver uma boa química entre os dois – Gere e Lane – penso que só funcionaram na primeira vez porque apareciam como um casal em crise, e ela acabava o traindo. Mas agora, que ambos precisam demonstrar paixão e interesse um pelo outro, a frustração é completa.
“Noites de Tormenta” começa com uma mulher deixando os filhos com o marido, de quem está recém-separada, e indo cuidar da pousada à beira mar de uma amiga que precisa viajar. O único hóspede durante o final de semana é um médico que também foi abandonado pela família, e que está ali para se desculpar com a família de uma paciente que morreu durante uma operação que ele conduzia. Os dois estão sozinhos, carentes e em busca de uma nova chance. Mas nada é tranqüilo, e a tempestade avistada no título se manifesta tanto fisicamente, quase colocando a casa abaixo, quanto no coração de cada um. Eles não sabem o que querem – apenas que precisam de uma direção em suas vidas. Mas o “viveram felizes para sempre” não será tão fácil, e novamente as tormentas irão se impor diante os destinos deles.
Dirigido pelo desconhecido George C. Wolfe, que com este filme estréia no cinema após alguns poucos trabalhos na televisão, “Noites de Tormenta” é recomendado apenas para aqueles espectadores mais sensíveis, que se emocionam facilmente e sem muitos julgamentos. Nada de grandes atuações, situações instransponíveis e romances arrebatadores. Tudo é muito morno, óbvio e pouco surpreendente. Afinal, quantas vezes você já viu este mesmo filme, mudando apenas a foto do casal que ilustra o cartaz?
Nights in Rodanthe, EUA/Australia, 2008
De George C. Wolfe
Com Richard Gere, Diane Lane, Christopher Meloni, Viola Davis, James Franco, Scott Glenn
(nota 4)
