“Mulheres… O Sexo Forte”
Dentre os recentes campeões de bilheteria do verão norte-americano, dois foram verdadeiras surpresas: “Sex and the City” e “Mamma Mia!”, ambos apostando com força no público feminino (e gay, claro). Então não é novidade alguma que Hollywood tenha decidido seguir investindo neste universo. E o que temos é esse “Mulheres… O Sexo Forte”, longa que ganha pelo bom elenco, mas peca pelos desperdício de oportunidades. Ele nada mais é do que um arremedo de tantas outras produções semelhantes, claramente inspirado no já citado “Sex and the City”. É divertido, provoca algumas risadas e tal, mas é tudo tão estereotipado e previsível que dificulta a identificação com o público e um envolvimento mais profundo.
Refilmagem do clássico “As Mulheres” (1939), dirigido por George Cukor (“Minha Bela Dama”) e estrelado por Joan Crawford, Joan Fontaine, Norma Shearer e Rosalind Russell, o mais surpreendente da produção, no entanto, é que assim como na versão original o elenco inteiro – das protagonistas às coadjuvantes, passando inclusive pelas crianças e até animais – é composto exclusivamente por… mulheres! Só há personagens femininas! Mas isso acaba sendo uma falsa ilusão, por que sobre o que elas falam o tempo inteiro? Homens, é claro!
Meg Ryan (mais uma vez tentando obter algum reconhecimento num papel mais dramático, distante da composição tola vista no recente “Mais do que você Imagina”) é uma feliz dona de casa e mãe de família que vê seu mundo vir abaixo quando descobre que o marido está tendo um caso com uma fogosa vendedora (Eva Mendes, de “Motoqueiro Fantasma”, investindo tudo em sua sensualidade) de uma loja de departamentos. Se a mãe (a sempre ótima Candice Bergen, porém um pouco plastificada demais) lhe aconselha a fingir que não sabe de nada, as melhores amigas (Annette Bening, Debra Messing e Jada Pinkett Smith) terminam por se intrometer um pouco além da conta, obrigando-a a tomar uma posição – que acaba, claro, na separação. Sozinha, o que acontece? Ela se “redescobre”, se afirma profissionalmente, reconecta-se com a filha e… tchã tchã tchã… reencontra o amor de sua vida!
Dirigido por Diane English (também roteirista, agora estreando como realizadora), “Mulheres… O Sexo Forte” (o subtítulo nacional é de doer…) é um amontoado de clichês de provocar constrangimento nas mais feministas, risadas no público masculino e vergonha no seu público alvo, que se verá na tela grande como dondocas riquinhas mal acostumadas e capazes de traições, mentiras e outros absurdos quando buscam metas materiais, como manter o status quo, o emprego que sempre sonharam, a casa-mansão, a segurança da família e a tranqüilidade dos empregados. Realização pessoal, boas amizades e bem estar, valores mais difíceis de serem quantificados, acabam virando conseqüências. Se atingidos, legal. Caso não dê… fazer o que? Assim é a vida. Ou não?
“Mulheres… O Sexo Forte” acaba valendo mais como curiosidade, por trazer novamente à ativa nomes que há tempos não víamos, como uma divertida Bette Midler (numa pequena, porém marcante, participação), a oscarizada Cloris Leachman (“A Última Sessão de Cinema”, 1971), Carrie Fisher (a Princesa Leia de “Star Wars”) e Debi Mazar (que ultimamente tem marcado mais presença na televisão, em séries como “Entourage” e “Ugly Betty”). E não deixa de ser engraçado, e ao mesmo tempo bizarro, só vermos mulheres em cena, o tempo inteiro. Parece um universo paralelo. E talvez seja isso mesmo que o filme queira mostrar. E se você não acredita nesta divisão tão radical, assim como eu, é bastante provável que também o considere uma grande perda de tempo, dinheiro e esforços!
The Women, EUA, 2008
De Diane English
Com Meg Ryan, Annette Bening, Eva Mendes, Debra Messing, Jada Pinkett-Smith, Candice Bergen, Bette Midler, Carrie Fisher, Debi Mazar, Cloris Leachman
(nota 4,5)
