“Missão Babilônia”

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: quinta-feira, 30 de outubro de 2008

“Missão Babilônia” talvez represente o ponto mais baixo de toda a carreira do neo-astro Vin Diesel. E, certamente, é o pior trabalho já feito pelo realizador francês Mathieu Kassovitz. É algo tão ruim, clichê e repetitivo que merece o total esquecimento, e o mais rápido possível. Felizmente, parece que esta foi mesmo a maior conquista desta produção, uma experiência que todos desejam superar, desde os diretamente envolvidos até os espectadores mais desavisados e azarados.

A referência mais direta é o excelente longa dirigido pelo cineasta mexicano Alfonso Cuarón, “Filhos da Esperança”. Só que é o Lado B da mesma história, a versão que ninguém nunca quis ver, mas que mesmo assim chegou às telas. Diesel é um mercenário veterando da guerra contratado para levar uma garota e uma freira do interior da Rússia até Nova York, num futuro pós-apocalíptico e muito pouco amigável. A menina, como não poderia deixar de ser, é considerada uma nova Messias, e é objeto de disputa de uma nova e poderosa Religião, ao mesmo tempo em que está no centro de uma discussão científica. E, atirando para todos os lados, temos uma salada de referências pops que, na imensa maioria das vezes, pouco têm a ver umas com as outras, gerando algo tão indigesto quanto enfadonho.

O mais triste de “Missão Babilônia” é constatar talentos tão interessantes envolvidos em algo tão dispensável quanto equivocado. Kassovitz, quando filmava na França, entregava aos seus fãs obras relevantes como “O Ódio” (1995) e “Rios Vermelhos” (2000). Nos Estados Unidos ele parece ter perdido o rumo, e entre discretas aparições como ator em longas como “A Isca Perfeita” (2001), com Nicole Kidman, e “Munique” (2005), de Steven Spielberg, ele vem dirigindo bombas como “Na Companhia do Medo” (2003) e este novo trabalho. Por outro lado é constrangedor ver atores como Michelle Yeoh (“O Tigre e o Dragão”), Gérard Depardieu (“Piaf”), Lambert Wilson (“Medos Privados em Lugares Públicos”) e a ótima Charlotte Rampling (“Swimming Pool”) envolvidos em algo tão desnecessário. Já Vin Diesel está garantindo seu ganha-pão, entregando mais do mesmo. Mas nem em bobagens como “Operação Babá” (2005) ou exageros descerebrados como as séries “Velozes e Furiosos” (2001), “xXx” (2002) ou “Riddick” (2000 / 2004) ele esteve tão vergonhoso. É de chorar!

Retumbante fracasso de público e de crítica, “Missão Babilônia” foi concebido para ser o início de uma nova franquia cinematográfica, mas naufragou antes mesmo de chegar ao seu destino. Desprezado pela imprensa norte-americana, amargou algumas das piores avaliações do ano, tendo sido apontado pela violência gratuita, pelas fracas cenas de ação ou simplesmente como um verdadeiro desastre. Já nas bilheterias consistiu em outro vexame, somando em todo o mundo pouco menos do que o seu orçamento total, que foi de aproximadamente US$ 70 milhões – no mercado norte-americano foram apenas US$ 22 milhões arrecadados. Em muitos casos um resultado como esse poderia resultar no fim da carreira dos envolvidos. Talvez Kassovitz entenda o recado e volte logo para a França e retome a inspiração antiga. Já no caso de Diesel, a torcida é que ele desista de uma vez por todas. Afinal, não nos custa nada sonhar com o impossível!

Babylon A.D., EUA/França, 2008
De Mathieu Kassovitz
Com Vin Diesel, Mélanie Thierry, Michelle Yeoh, Lambert Wilson, Charlotte Rampling, Gérard Depardieu

(nota 3)

 

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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Um comentário para ““Missão Babilônia””

  1. Lilian em junho 9th, 2009 at 10:31

    Eu gostei do filme principalmente a ora que o diesel está só de toalha vou te contar viu isso é que é homem

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