“Max Payne”

Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: domingo, 23 de novembro de 2008

O histórico é negativo – afinal, com exceção de “Tomb Raider”, que outra adaptação de videogame fez sucesso nos cinemas? Mas “Max Payne” fica no meio do caminho: se por um lado tem ação suficiente para prender a atenção, por outro é tão repleto de clichês que só o bocejo parece ser a solução. E os espectadores, indecisos entre o prazer de encontrar os personagens que aprenderam a conhecer de forma muito mais interativa e a imobilidade da sala de cinema, e divididos entre os fãs do jogo e aqueles que simplesmente não fazem idéia do que se trata, terminam também sem saber para onde ir.

Apesar do diretor John Moore (da recente versão de “A Profecia” e da aventura de guerra “Atrás das Linhas Inimigas”) ter afirmado que tentou ser o mais fiel possível à origem para não desapontar quem já curtia o personagem, muitos apontam justamente como ponto fraco do filme a falta de ligação entre ele e o jogo. Mas, se muito se perdeu no processo de transposição para a tela grande, a história em si continua a mesma: Max Payne (que sonoramente nos remete à ‘max pain’, ou seja, ‘máxima dor’) é um policial que teve sua esposa e filha assassinadas. Desde então se tornou um recluso em busca dos culpados. Quando descobre que por trás da tragédia pode estar uma grande companhia farmacêutica que estaria testando uma nova droga em busca de um ‘super-soldado’ contra os terroristas, se une a uma misteriosa garota também em busca de vingança e juntos partem atrás de algo que, descobrem posteriormente, pode ser uma conspiração muito maior do que poderiam imaginar.

Com um orçamento de US$ 35 milhões, mesmo com as críticas que apontaram principalmente a fraca direção e o roteiro confuso, “Max Payne” conseguiu se pagar nas bilheterias de todo o mundo, tendo arrecadado mais de US$ 70 milhões. Muito disso se deve ao fato de contar com Mark Wahlberg como protagonista. Após sua indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante por “Os Infiltrados” (2006), ele parece destinado a se tornar um grande astro. Porém, percalços como “Fim dos Tempos” e “Atirador” podem atrapalhar essa jornada. Mas aqui ele está muito adequado, e a impressão que temos é que Wahlberg nasceu para interpretar com uma arma na mão (como visto em tantos outros filmes do currículo dele, como “Os Donos da Noite”, “Quatro Irmãos”, “Uma Saída de Mestre”, “Planeta dos Macacos” ou “Caminho Sem Volta”, quando invariavelmente apareceu em um dos dois lados da lei).

Outro destaque de “Max Payne”, além da primorosa direção de fotografia de Jonathan Sela, muito precisa em criar um ambiente de dualidades com sombras e fantasias, é o elenco de coadjuvantes. Se por um lado a própria presença de Beau Bridges (o irmão menos talentoso de Jeff) é um indicativo negativo, por outro temos as belas Mila Kunis (do seriado “That 70’s Show”) e Olga Kurylenko (do recente “007 – Quantum of Solace”), além de um sumido Chris O’Donnell (o antigo Robin dos “Batman” dirigidos por Joel Schumacher) e dos músicos Ludacris e Nelly Furtado, ambos em pequenas participações.

“Max Payne” é uma diversão despreocupada, e até pode agradar alguns menos interessados. Mas certamente está aquém de suas possibilidades. E se não consegue se comunicar com seu público primordial, toda e qualquer outra ligação fica comprometida. E por fim temos mais um filme comum que desperdiça a chance de se destacar dentre tantos outros.

Max Payne, EUA, 2008
De John Moore
Com Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Chris O’Donnell, Ludacris, Olga Kurylenko, Donal Logue, Kate Burton, Nelly Furtado, Amaury Nolasco

(nota 5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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