Madonna em Buenos Aires: Eu Fui
Por: Liandro Lindner
categorias: Colunas, Cultura Pop, Espetáculos, biSEXto
Data: domingo, 7 de dezembro de 2008
A segunda noite da temporada “Sticky & Sweet” de Madonna em Buenos Aires foi cercada de muita ansiedade e peculiaridades. O cancelamento do show de quarta-feira (03/12), por motivo alegado de atraso na chegada dos equipamentos, fez com que a capital argentina fosse a única em toda a sua turnê a receber um espetáculo numa sexta-feira. Com esta mudança, foi grande a corrida às bilheterias para trocar os ingressos, e a expectativa pela apresentação era sentida em toda a cidade durante o dia. A cada lugar que se passava se ouviam comentários – dos taxistas, das manicures, das senhoras nos cafés. Todos tinham algo a dizer sobre a etapa da cantora no país. Na medida em que a tarde avançava já se notava o movimento crescente no estádio do River Plate, o mesmo que foi cenário da final da Copa do Mundo de 1978, quando a Argentina se sagrou campeã sobre a Holanda. Aos poucos os espaços foram enchendo até comportar cerca de 70 mil pessoas. Às 20h o dj inglês Paul Oakenfold subiu ao palco e deu início a festa animando os participantes com remixes dos White Stripes, Eurythmics e Red Hot Chilli Peppers.
Sua performance terminou pelas 21h30min, quando as atenções se voltaram para a platéia que, a esta altura, já lotando as dependências do Monumental de Nuñes, exibiam curiosas e divertidas “holas” ao redor do estádio, movimentando o público que aguardava. Quinze minutos depois as luzes do palco de acenderam e todos os olhos se voltaram para lá. Uma caixa enorme no centro do palco se transforma em projetor de uma série de imagens de animação gráfica – inspirados no filme “A Fantástica Fábrica de Chocolates” – exibindo um jogo contínuo de formas e cores que, junto com o som, vão se tornando mais intensos, hipnotizando a platéia atenta. A lua crescente do verão portenho brilha no céu como se estivesse também ansiosa para o que viria a seguir. O fluxo dos movimentos das imagens aumentam, as cores ficam mais vibrantes, o som mais entusiasmado e, às 21h50min, uma parede gira e surge Madonna sentada num trono vestindo preto com botas de cano muito alto e as pernas cinqüentonas e bem torneadas à mostra. Um festival de câmeras fotográficas e celulares – apesar de proibidas pela organização- garantem um efeito especial na platéia que aplaudia e gritava freneticamente.
É o início de uma mistura de tudo o que a tecnologia pode proporcionar e o dinheiro pode comprar, com o talento e o carisma inegáveis da cantora. O show seguiu a linha que vem obedecendo desde o início da atual temporada em 23 de agosto, dividido em quatro partes: ‘Pimp’ é uma fusão da vida urbana e arte art decó dos anos 20, ‘Old Scholl’ é quando a cantora recorda seus primeiros anos em Nova York e rende homenagem ao rap, ‘Gypsy’ é baseado na cultura e música popular da Romênia, e ‘Rave’ baseia-se em música dançante misturada com influências orientais. “Hard Candy”, o novo CD de Madonna, embalou boa parte da apresentação, sendo que das doze faixas do disco dez foram interpretas pela artista. A loira mostrou que tem capacidade física e vigor de empatia com o público. Iniciou com “Beat Goes On”, e em “Human Nature” usou um sombrero branco enquanto no telão passavam imagens de Britney Spears, Pharrel Williams e Kanye West. Falou em espanhol (“Hello Buenos Aires”), simulou masturbação, fez gestos obscenos e comandou com maestria toda o andamento do espetáculo, inclusive com a participação do público em palmas e braços levantados. Na segunda parte apareceu pulando corda em “Into the Groove” e fez uma versão rock de “Bordeline”, empunhando uma guitarra. Seguiu com “She’s Not Me” e encerrou esta parte com “Music” em versão hip hop. Um luxuoso conversível branco, Auburn Speedster 1935, entra em cena completando o ambiente que as luzes deixaram atrativo e de bom gosto.
Num dos momentos mais bonitos do espetáculo um grande bojo redondo, de cerca de dez metros, surge no palco e nele são projetadas imagens de chuva. O som da tempestade invade todo o estádio e ela aparece cantando sobre um palco que gira e aos poucos vai subindo. Ao fundo um solo vibrante de piano inunda a interpretação, e depois se nota que é sobre o próprio piano que ela esta sentada. Os acordes vibrantes aliados ao som de trovões e da chuva caindo, junto de imagens das gotas escorrendo, compõe um momento único de sensibilidade. Acompanhada de bailarinas de um tipo de flamenco estilizado e de um cantor étnico, provavelmente natural do leste europeu, o pedaço cigano da noite cativou e animou os presentes com “Spanish Lesson”, “Miles Away” e “La Isla Bonita”. Fugindo ao roteiro estabelecido, ela faz uma homenagem ao país e num momento de forte emoção interpreta “Don’t Cry for me Argentina”, em alusão a história de Eva Perón, a quem interpretou na obra de Alan Parker, em 1996. Ao fim da música o azul e branco da bandeira argentina invadem o palco e os aplausos explodem junto com lágrimas de fãs emocionados. Antes disto interpretou a melodia “You Must Love Me“, enquanto os telões projetavam cenas do filme. Ambas canções foram acompanhadas por guitarras, violino e acordeão, produzindo um efeito delicado. O último bloco iniciou com “4 minutes”, seguido pelas dancings “Like a Prayer” e “Ray of Light”. Através da projeções perfeitas de Justin Timbarleke, Madonna dança e interpreta com ele, como se o próprio estivesse junto no palco. Então ela escolhe alguém do público a quem atenderá cantando algo, e a escolhida foi “Express YourSelf”. Seguiram-se “Hung Up”e, pontualmente duas horas depois, o espetáculo encerrava com “Give it 2 me”.
A caixa do palco se fecha novamente e nela se projetam as palavras “Game Over” indicando que o final havia chegado. O público vai aos poucos de dissipando. A administração local de Buenos Aires proibiu a venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio e até quatro quadras próximas dele, mas o cheiro de “marijuana” pôde ser sentido várias vezes entre o público, apesar do forte esquema de segurança que rondava a pista e as arquibancadas. Todo este esforço movimenta 250 pessoas que formam sua equipe, das quais 36 estão encarregadas do guarda roupa, sendo cinco especialmente para atender a diva entre um número e outro. Retornando para casa, os milhares de fãs exibem o cansaço do tempo de movimento e dança, mas o sorriso de satisfação pelos momentos de intensa vibração vividos. No aglomerar da saída se ouvia o português brasileiro de diversas pessoas que se confundia com o sotaque espanhol de diversos países de América Latina. Agora a grande expectativa se volta para as apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo em menos de duas semanas.





Belo relato do show e da carreira da diva!
Cheio de detalhes e sensibilidade. Pra quem diz que não gostava da Madonna…
Eu adoro! Desde o início dos 90…e nos últimos anos cada vez mais!
Pra mim ela é um ótimo exemplo de competência, vigor, disciplina, sensualidade, atitude, atualidade… ARTE (assim mesmo, com maiúsculas!). Dá-lhe leonina!!!
Linda descrição do show!
Foi como estar junto de Liandro nessa noite inesquecível!
Maravilhoso!!!!!!!!!!!!!!!!1
Deve realmente ter sido o máximo!
Parabéns pela resenha.
Abraço.
relato espetacular…
com simplicidade relatou o que aconteceu…de forma surpreedente.
Nossa é incrível, através de suas palavras é possível imaginar um pouco de como foi o espetáculo… Muito bom ler isso!
Dia 20 é a minha vez!
Muito bom, domingo agora estarei la, prestigindo também..
Abraços amigo
Artigo? Isso é um Livro, Parabéns Liandro, adorei o artigo, os comentarios sobre a DIVA. Surpreendente este relato do que foi o show. Agora é esperar e ver o que vai acontecer na tour aqui no Brasil. Esperamos outros comentarios seus. Parabéns vc falou de tudo um pouco…….
Otima matreia, parabens!!!!
Ele falou tudo!
Eu estava no último show que aconteceu no dia 8.
Eh tudo isso e muito mais.
Pq ainda tem a parte em que ela deita no palco só para ouvir o seu nome gritado por milhares de pessoas…
Tem a parte em que ela desce pra galera…
tem a parte em que ela pede pra alguém escolher uma música pra ser cantada a capela…
eh tudo mto perfeito!
A descrição, ta muito boa, observa-se um pouco do comportamento dos brasileiros tb…. gostei do texto…. da comparação com a final!!!
espero me divertir nesse show, da diva pop internacional, adorei o relato do show de buenos aires, liandro
Oi Li, que delicia poder viajar um pouco com voce por esta estrada que leva até nossa amada e incomparável Madona.
Adorei.
Bj Valéria.
Muito Beeeem!!! bela descrição do show. bjos