“Lua Nova”

Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: terça-feira, 1 de dezembro de 2009

E quem poderia prever que estávamos diante o nascimento de um dos maiores sucessos da história do cinema mundial? “Lua Nova”, o segundo episódio da saga “Crepúsculo”, era um dos filmes mais aguardados de 2009, e sua estreia superou qualquer expectativa: foi a terceira maior bilheteria no final de lançamento nos Estados Unidos, ficando atrás apenas de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “Homem-Aranha 3”! Em duas semanas em cartaz, o faturamento global já se aproximava dos US$ 500 milhões! Um verdadeiro fenômeno de público. Mas merecia tudo isso? Após o término da projeção, o sentimento é, no mínimo, confuso.

“Lua Nova” custou quase o dobro de “Crepúsculo”, mas ainda assim foi bem abaixo do orçamento de outras produções deste estilo em Hollywood – meros US$ 50 milhões, ou seja, um quarto de “2012”, por exemplo.E esta ‘economia’ é bastante visível na tela. Apesar de ter bem mais efeitos visuais do que o filme anterior e de possuir mais momentos de ação, a longa duração e o excesso de personagens e subtramas só devem agradar os fãs mais ardorosos. Toda a grande massa, o espectador curioso que estiver atrás de uma boa história, de figuras cativantes e de dilemas realmente envolventes certamente irá se decepcionar. E isso é mortal, ainda mais se refletirmos que estamos diante um produto pop, e não de culto seleto. Assim como os adolescentes envolvidos pela paixão da garota indecisa entre um vampiro ausente e um lobisomem presente não conseguirão refrear os suspiros, todos os demais só conseguirão emular bocejos e mais enfado.

Bella (Kristen Stewart, de “Na Natureza Selvagem” e “O Quarto do Pânico”) é a heroína da ocasião, que no começo da história é abandonada pelo vampiro cavalheiro Edward (Robert Pattinson, de “Harry Potter e o Cálice de Fogo”). Ele a deixa por temer não conseguir protegê-la de todos os perigos que sua espécie pode oferecer a uma humana. Mas a ausência do amado provoca nela uma depressão profunda. Este quadro é revertido quando o amigo Jacob aparece, querendo lhe proporcionar mais do que um sorriso quente e uma companhia bem humorada. Mas ela segue resistindo a todas as investidas dele. Ao menos até ficar sabendo que Edward está decidido a cometer suicídio. E, para impedi-lo, ela terá que atravessar o mundo e comprovar que o amor que os une não pode ser derrotado, não importando qual seja a distância entre eles.

Graças a esta rápida sinopse pode-se ter uma boa ideia das altas doses de açúcar do roteiro. Sim, em “Lua Nova” tudo é desesperado, intenso, limite. Estamos sempre na beira do precipício, como se cada instante fosse o último. Mas o mínimo de distanciamento é o suficiente para percebermos que o que temos é apenas uma fixação adolescente, algo tem tudo para ser passageiro e que qualquer um de nós já experimentou em algum ponto de nossas vidas. Mas se nesta fase acreditamos piamente que somos o centro do universo, como aqui poderia ser diferente?

O diretor Chris Weitz, ainda tentando se recuperar da bomba “A Bússola de Ouro”, assumiu a condução de “Lua Nova” após o desligamento da diretora Catherine Hardwicke (“Aos Treze”). E ele não apresenta nada muito diferente do que ela havia feito. Ou seja, esta franquia é o típico caso de filme de estúdio, algo produzido em nome do geral, e não um trabalho de autor. Quem está por trás tomando as decisões não importa, desde que se contente o público-alvo. E, neste caso, este é formado por garotas entre 12 e 16 anos. Caso você não se enquadre neste espectro, a possibilidade de se frustrar é imensa.

O impressionante retorno financeiro da série possibilitou atrair atores mais interessantes para o elenco. Pena que todos são muito mal aproveitados. A ótima Dakota Fanning (“A Vida Secreta das Abelhas”) deve ter duas ou três falas, e mesmo assim é mais do que o que é oferecido a Michael Sheen (“Frost/Nixon”) ou Cameron Bright (“X-Men 3: O Confronto Final”), por exemplo. O que importa mesmo é Stewart, Pattinson e Taylor Lautner (“As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl”). Ou melhor ainda: Bella, Edward e Jacob, o triângulo amoroso mais improvável e, ao mesmo tempo, óbvio, da temporada. Os personagens, criados pela autora Stephenie Meyer, são o foco de toda atenção, e tudo só existe ao redor e por causa deles. Se esta febre lhe pegou, aproveite sem contra-indicações. Agora, se você faz parte do resto do mundo adulto e razoavelmente crítico, melhor esperar pelo próximo ‘Harry Potter’ ou qualquer outra fantasia que tenha um mínimo de substância e que não ofenda tanto o nosso senso crítico.

The Twilight Saga: New Moon, EUA, 2009
De Chris Weitz
Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Anna Kendrick, Michael Welch, Justin Chon, Ashley Greene, Michael Sheen, Dakota Fanning, Peter Facinelli, Daniel Cudmore, Elizabeth Reaser, Nikki Reed, Graham Greene, Alex Meraz, Cameron Bright

(nota 6)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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