“Inimigos Públicos”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: sábado, 25 de julho de 2009
Lançado durante o verão norte-americano, “Inimigos Públicos” chega aos cinemas com cara de blockbuster, querendo conquistar grandes públicos. Mas um período mais apropriado seria o final do ano, quando estreiam os longas interessados em prêmios e reconhecimento crítico. Afinal, estamos falando de um dos melhores trabalhos de 2009! Dirigido com muita competência pelo mestre Michael Mann, que recicla com sabedoria e perspicácia elementos já visitados em sua carreira, este é um filme que conquista desde o espectador ocasional atrás de um bom entretenimento até mesmo aqueles mais criteriosos, que valorizam desde planos elaborados até enredos inteligentes, passando por interpretações dedicadas e excelência técnica. Tudo o que se encontra presente por aqui.
Johnny Depp, cada vez melhor enquanto ator, conseguindo equilibrar com cuidado seu carisma de astro de Hollywood com a construção de um personagem verossímil, aparece como o lendário John Dillinger, um assaltante de bancos que infernizou a polícia federal dos Estados Unidos – o recém criado FBI – nos anos 30, período que ficou conhecido como Depressão, após a Queda de 29. “Inimigos Públicos” se concentra nos últimos 14 meses de atividades do criminoso, que chegou a atingir uma popularidade atualmente só igualada por estrelas de cinema e rockstars. Enquanto Dillinger era tratado pela população como uma espécie de ‘Robin Hood’ – afinal, ele roubava ‘dos ricos’, apenas – no seu encalço estava o burocrata J.Edgar Hoover (Billy Crudup, de “Watchmen”), comandante da nova força policial e desesperado por apresentar resultados, e um oficial obstinado, Melvin Purvis (Christian Bale, do recente “Exterminador do Futuro – A Salvação” e o homem por trás da máscara do morcego em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”), que prometeu não descansar até colocar o famoso bandido atrás das grades. Neste meio tempo há ainda o romance entre nosso ‘herói’ e a bela Billie Frechette (Marion Cotillard, em seu primeiro trabalho após o Oscar conquistado por “Piaf – Um Hino ao Amor”).
São vários os tópicos que podem ser apontados como diferenciais em “Inimigos Públicos”, tornando este um produto acima da média. A própria elaboração dos protagonistas foge do lugar comum, fazendo-nos torcer pelos vilões, enquanto que os mocinhos são encarados como atrapalhados e facilmente corruptíveis. O espaço dedicado para a história de amor num filme tipicamente de gângster também chama atenção, pois serve de equilíbrio entre a ação e o sentimento, colaborando no envolvimento da audiência. Mann sabe o que está fazendo e o que pretende com este material. Não iria simplesmente se repetir, e se decidiu retornar ao ambiente já visitado em obras tão marcantes como “Fogo Contra Fogo”, “Colateral” e “Miami Vice”, havia de ser por um bom motivo. Nada como o absurdo da realidade para superar qualquer loucura da imaginação!
“Inimigos Públicos” é uma obra adulta, dotada de muito vigor e realismo, mas ainda assim dinâmica e intensa. Tem ação na medida certa, assim como tocantes momentos dramáticos e ótimas atuações. Apesar do alto orçamento – custou cerca de US$ 100 milhões – teve um desempenho razoável nas bilheterias, o que deve colaborar para que não seja esquecido quando chegar a temporada das premiações. Um filme que brinca com a curiosidade, desperta nossa compaixão e estimula o debate e a reflexão. Talvez possa ser apontada a longa duração ou o excesso de personagens, mas esses são percalços menores dentro de um quadro muito mais amplo e exitoso. Até quem não aprecia o gênero deverá saber reconhecer estes méritos, tornando esta experiência memorável.
Public Enemies, EUA, 2009
De Michael Mann
Com Johnny Depp, Christian Bale, Marion Cotillard, Billy Crudup, James Russo, David Wenham, Stephen Dorff, Lili Taylor, Channing Tatum, Giovanni Ribisi, Shawn Hatosy, Matt Craven, Leelee Sobieski, Diana Krall
(nota 8,5)






Poxa!
Finalmente sua boa vontade persistiu, at’e estranhei voce ter dado uma boa para esse filme.