Indicados pra salvar a literatura
Por: Reginaldo Pujol Filho
categorias: Artigos, Colunas, Especiais, Isso não é um trailer, Oscar 2009
Data: segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Buenas, pra começar, voltei. (Se é que alguém aqui tinha reparado que eu tinha ido). Mas vambora. Com um assunto velho: alguém aqui já ouviu falar da morte do livro, ou do romance, ou, sei lá, da literatura como a conhecemos? Pois eu tenho boas notícias – pelo menos pra mim: a literatura não vai morrer não. E quem garante isso são os roteiristas, os diretores e os produtores de Hollywood.
Não viram ainda a lista dos indicados do Oscar 2009? Pois reparem nisso aqui:
Indicados a melhor filme:
“O Curioso Caso de Benjamin Button”
“Frost/Nixon”
“Milk – A Voz da Igualdade”
“O Leitor”
“Slumdog Millionaire”
Indicados a melhor roteiro adaptado:
“O Curioso Caso de Benjamin Button”
“Frost/Nixon”
“Dúvida”
“O Leitor”
“Slumdog Millionaire”
Coincidência ou não (e eu acho que não), dos 5 indicados a melhor filme, quatro são adaptações de livro. E isso não é fenômeno desse ano. Até os irmãos Coen (acima, durante a premiação do ano passado), que têm roteiros maravilhosos na sua carreira (“Queime Depois de Ler” é o último), ano passado levaram o Oscar com um roteiro adaptado. Já tinha lido uma entrevista do Jorge Furtado em que ele comentava isso, que parece que não se escreve mais para cinema. Assim, criar histórias para filmar e ponto. Claro, tem o Woody Allen, o Almodóvar, os próprios Coen, mas tem os 4 indicados desse ano, “Harry Potter”, “Senhor dos Anéis”, “Desejo e Reparação”, “Matrix”, “O Perfume”, “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite”, “Ensaio Sobre a Cegueira” e a sensação que tenho é de que a proporção dos filmes based upon a novel cresce todo ano.
E isso não chega a ser um mal juízo meu sobre ninguém. Não venho aqui pra dizer, ‘ei roteiristas preguiçosos, vamos criar histórias e parar pra adaptar’. Até porque adaptar é complicado e dever ser um saco ter que ouvir sempre ‘Bah, o livro era bem melhor’.
Não, é só uma constatação de que tanta gente diz que o livro vai sumir, e me parece que, se vai sumir, é das prateleiras das livrarias, e isso porque os roteiristas estão comprando um monte. Se acabar o livro, o romance, acaba uma fonte que alimenta uma mega indústria que é a cinematográfica. Que, sem analisar o que escolhem pra filmar ou não, dá um baita impulso pro mercado editorial, estimulando a venda dos livros adaptados, que capitalizam as editoras que podem lançar novos livros, que podem virar novos filmes, que podem virar novos sucessos de venda e lá vamos nós. Pode ser otimista demais, mas é um lado da coisa.
Entonces, meu feliz 2009 pra lá de atrasado, é pro romance, pra literatura, pro escritor, que não vai desaparecer não. A não ser que a gente comece a discutir o fim do filme.






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