“Harry Potter e o Cálice de Fogo”
Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: quarta-feira, 15 de julho de 2009
Exaltado por muitos como o melhor da série, “Harry Potter e o Cálice de Fogo”, se não tem a mesma originalidade e concisão da estrutura narrativa do episódio anterior, “O Prisioneiro de Azkaban”, ao menos é certamente superior aos dois longas iniciais, “A Pedra Filosofal” e “A Câmara Secreta”. Afinal, a saga “Harry Potter” é um caso raro na história do cinema. Controlada à mão de ferro pela escritora J.K.Rowling (autora dos livros e em grande parte responsável pelo êxito cinematográfico), a história do menino que descobre ser bruxo e é enviado a uma escola de magia para lá descobrir os segredos e os desafios deste mundo alternativo chega ao seu quarto episódio nas telas com resultados admiráveis.
Outra porção deste sucesso pode ser conferida à visão felizmente segura do diretor Mike Newell, o mesmo do elogiado “Quatro Casamentos e um Funeral” e dos decepcionantes “O Sorriso de Mona Lisa” e “O Amor nos Tempos de Cólera”. Newell consegue dosar com surpreendente sabedoria todas as reviravoltas de um romance de quase 600 páginas em pouco mais de duas horas de filme, alternando momentos de graça, humor negro, suspense, romance, aventura e até terror. Esta é a primeira produção da série que não é censura livre – os menores devem evitar, principalmente devido aos momentos finais. E isso é totalmente compreensível, afinal o protagonista também está crescendo, assim como os perigos que deve enfrentar.
O quarto ano na escola Hogwarts de Harry Potter (interpretado mais uma vez por Daniel Radcliffe, cada vez mais seguro de suas capacidades e limitações) já começa com ameaças: os Comensais da Morte, antigos seguidores de Você-Sabe-Quem (Lord Voldemort, o grande vilão), fazem uma aparição aterrorizante durante o final da copa mundial de quadribol, antes do início do ano letivo. Isso coloca todos os membros do Ministério da Magia em pé de alerta. Mas o diretor Alvo Dumbledore (Michael Gambon, que substitui à altura o falecido Richard Harris, intérprete do personagem dos dois primeiros filmes) tem outras preocupações: Hogwarts irá sediar naquele ano o famoso Torneio Tribuxo, que ocorreu pela última vez há 100 anos. É quando o Cálice de Fogo sorteará um nome como representante de cada uma das três escolas mágicas, que deverão enfrentar difíceis tarefas para conquistar a taça campeã. Qual não é a surpresa, quando, após o sorteio, mais um nome surge dentre as chamas: Harry Potter!
Com o adendo de outros nomes de destaque, como Brendan Gleeson (“Gangues de Nova York”), Miranda Richardson (“As Horas”) e Ralph Fiennes (de “O Paciente Inglês”, que finalmente oferece um rosto para o temível Voldemort), “Harry Potter e o Cálice de Fogo” é envolvente do início ao fim. Visualmente impressionante – recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Direção de Arte – foi ainda um impressionante sucesso de bilheteria (quase US$ 300 milhões só nos Estados Unidos, superior ao segundo e ao terceiro longa). Mantendo alta a expectativa dos fãs e atendendo com muita competência a curiosidade dos novatos, é um projeto de resultados extremamente satisfatórios, que merece respeito e admiração.
Harry Potter and the Goblet of Fire, Reino Unido/EUA, 2005
De Mike Newell
Com Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Mark Williams, Timothy Spall, David Tennant, Robert Pattinson, Jason Isaacs, Tom Felton, Stanislav Ianevski, Robert Hardy, Roger Lloyd-Pack, Katie Leung, Matthew Lewis, Robbie Coltrane, Michael Gambon, Frances de la Tour, Maggie Smith, Alan Rickman, Brendan Gleeson, Miranda Richardson, Gary Oldman, Ralph Fiennes
(nota 8)





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